O Grêmio Recreativo Cultural e Social Escola de Samba Vai-Vai é uma escola de samba da cidade de São Paulo, fundada por um grupo de notáveis sambistas no bairro do Bixiga, pertencente ao distrito do Bela Vista. Intitula-se a "Escola do Povo". É uma das maiores agremiações do Carnaval Brasileiro e a maior campeã do Carnaval de São Paulo com 15 títulos (1978, 1981, 1982, 1986, 1987, 1988, 1993, 1996, 1998, 1999, 2000, 2001, 2008, 2011 e 2015), além de 10 vice-campeonatos (1972, 1974, 1976, 1977, 1983, 1985, 1992, 1997, 2006 e 2009).
História esquerda|miniaturadaimagem|Vale do Saracura, região da atual Praça 14 Bis. Fotografia de Vincenzo Pastore, cerca de 1900. No início do século XX, havia no bairro do Bixiga, na Rua Marques Leão, um time de futebol chamado Cai-Cai, que utilizava as cores branco e preto, da qual fazia parte um grupo de choro e jogava no campo do Lusitana, próximo ao cruzamento das ruas Rocha e Una, na região do Rio Saracura.
Por volta de 1928, um grupo de amigos, liderados por Livinho e Benedito Sardinha, dentre eles estavam, Henrique Felipe da Costa (Henricão), Frederico Penteado (Fredericão), Lourival de Almeida (Seo Loro), que ajudava a animar os jogos e festas realizadas pelo Cai-Cai, porém eram sempre vistos como penetras e arruaceiros, sendo apelidados de modo jocoso como "a turma do Vae-Vae". Expulsos do Cai-Cai, estes criaram o "Bloco dos Esfarrapados", e paralelamente, o Cordão Carnavalesco e Esportivo Vae-Vae, que foi oficializado em 1930.
O Vae-Vae adotou as cores preto e branco, as cores do Cai-Cai invertidas, como forma de ironizar o cordão do qual se separaram. Seu primeiro estandarte foi feito de cetim preto ornado com franjas brancas, tendo como símbolo no centro o desenho de uma Coroa com dois ramos de café e abaixo dos ramos, o nome do cordão, seguido da data de fundação.
Seu primeiro compositor foi Henrique Filipe da Costa, o Henricão, que compôs o samba de 1928: "Quem vive aborrecido distrai no Bloco Carnavalesco Vai Vai". Também de sua autoria foi o samba de 1929, que dizia "O Vai Vai na rua faz tremer a Terra / Quem está ouvindo e não vê / Chega a pensar que é guerra". Nos anos 1980, Henricão viria a ser o primeiro Rei Momo negro do carnaval paulistano.
Fredericão foi o mentor do brasão do Vae-Vae, constituído de uma coroa embasada por dois ramos de café. O primeiro desfile oficial do cordão Vai Vai ocorreu em fevereiro de 1930. Seu tema era São Paulo e o samba foi novamente composto por Henricão: “Salve São Paulo, tens o céu cor de anil/ Possui a riqueza e a grandeza, és o coração do Brasil". As fantasias eram livres, e nelas predominavam o preto e o branco. As primeiras canções executadas pela agremiação em seus desfiles foram compostas pelo trio formado por Tino, Guariba e Henricão.
No segundo desfile, em 1931, foi cantado um samba exaltando o próprio cordão. O ano de 1932, devido à Revolução Constitucionalista, foi o único em que o Cordão não desfilou. Em 1933, o Vai-Vai retornou com um tema em homenagem à Marinha Brasileira, com todos os passistas vestidos de marinheiros.
Em 1934, o então GC Vae-Vae venceu a segunda edição do concurso realizado pela Frente Negra Brasileira, ao desfilar, com mais de 100 componentes, na terça-feira de Carnaval.
O Vai-Vai passou a competir nos desfiles oficiais em 1935, competindo contra outras 34 agremiações, sendo 15 cordões, todas num certame único. De 1935 até 1965 o Vai-Vai não possui um samba-enredo, mas sambas-exaltações, que eram cantados durante o desfile e sempre compostos por Tino e Gurariba. A partir de 1951, depois de ser batuqueiro e apitador (quando fez do toque de caixa na bateria da Vai-Vai semelhante ao da Mangueira), Sebastião Eduardo do Amaral, o famoso Pé Rachado, se torna o primeiro presidente oficial do cordão, cargo que exerceu oficialmente até 1973. No meio dos anos 60 uma briga entre Pé Rachado e Romulo, filho da Dona Iracema, causou uma dissidência na Bela Vista: o cordão Fio de Ouro. Além do Fio de Ouro, surgiu o São Geraldo, da família Penteado, e o Geraldino. A única haste que sobrevive ainda é a Barroca Zona Sul.
Djalma Branco, junto com Carioca, elaboraram grandes enredos na década de 1960, como "O segundo casamento de Dom Pedro I", em 1966. Por falta de verbas, em 1967, o cordão repetiu o enredo e levou o título, o que gerou grande confusão entre os concorrentes. Em 1968 o enredo foi: "A vinda da família real", onde o Vai-Vai teve como figurinista a mais alta patente em alta costura da época, o estilista Denner. Sua vinda revolucionou o mundo do samba paulistano. Ainda como enredos, o Vai-Vai teve, em 1969, "Aleijadinho", em 1970, "Princesa Leopoldina" - último título da entidade como cordão carnavalesco - e, em 1971, "Independência ou Morte", sendo Zé Di o compositor do último samba do tempo de cordão, que depois se consagrou no Acadêmicos do Salgueiro.
No início da década de 1970, a categoria dos cordões carnavalescos já estava decadente, e todos passaram a se transformar em escolas de samba. Em 1972, o Vai-Vai tornou-se oficialmente uma escola de samba, com a nomenclatura Grêmio Recreativo Cultural e Escola de Samba Vai-Vai, estreando no Grupo Especial. Depois da saída de Pé Rachado, Chiclé assumiu a presidência. O primeiro título como escola de samba chegou em 1978, seis anos depois da mudança. Outros títulos foram conquistados em 1981, 1982, 1986, 1987 e 1988.
No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a escola viveu a sua melhor fase, quando, após a conquista do título de 1996, foi tetracampeã consecutiva entre 1998 e 2001, ainda que os três últimos títulos tenham sido divididos com outras escolas.
Às vésperas do desfile de 1999, a Confederação Israelita do Brasil, a Federação Israelita do Estado de São Paulo e a B'nai B'rith do Brasil protestaram contra uma das alas do Vai-Vai, cujas fantasias apresentavam adereços com o desenho da suástica, com a intenção de representar a suposta previsão feita por Nostradamus, o personagem-título do enredo aquele ano, a respeito da ascensão do Nazismo, no que as entidades judaicas reconheceram uma possível apologia ao partido de Adolf Hitler. Sólon Tadeu, presidente da escola na época, pediu desculpas aos representantes das três entidades, argumentando que a escola desejara apenas representar a previsão de Nostradamus e não tivera a intenção de provocar ofensas. Ainda assim, Tadeu determinou que o Vai-Vai desfilasse com o polêmico adereço coberto por tarjas pretas, de modo a evitar interpretações negativas.
No ano seguinte, comemorando seu aniversário de 70 anos em um carnaval onde todas as escolas apresentaram temas ligados aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, o Vai-Vai apresentou o enredo "Vai-Vai Brasil", tratando do período de 1985 a 2000. Nesse ano, obteve seu 11º título com o carnavalesco Flávio Tavares.
Em 2001 a escola foi tetracampeã com o enredo "O Caminho da Luz, a Paz Universal"
Em 2002 a escola foi a quinta a desfilar na segunda noite de desfiles com o enredo "Guardado a Sete Chaves", que mostrava lendas e superstições sobre o número 7. No ano seguinte, em 2003, foi a sexta escola a desfilar na sexta-feira com o enredo "Entre Marchas, Galopes e Cavalgadas". Nas duas ocasiões, a escola terminou em 5º lugar.
Em 2004, ano de Carnaval temático sobre o aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, a agremiação homenageou o bairro do Bixiga e, após alguns problemas na evolução do desfile, obteve o terceiro pior resultado de sua história: o 11º lugar.
No ano seguinte, em 2005, como a terceira escola a desfilar na sexta-feira, com o enredo "Eu também sou Imortal", a escola veio "mordida", mas terminou em quinto lugar. Naquele ano, a bateria protestou contra algumas das notas e decidiu que não estaria presente no desfile das campeãs. Depois disso, o presidente decidiu que a escola não participaria do desfile.
Em 2006, chegou mais perto do título com o enredo "São Vicente, aqui começou o Brasil", mas perdeu, por meio ponto, para a Império de Casa Verde.
Em 2007, já sob o comando de Tobias e com Vaguinho como intérprete, o Vai-Vai terminou na terceira colocação. O novo presidente, logo após o desfile, não polemizou sobre o resultado, reconhecendo a vitória da Mocidade Alegre, embora dissesse que gostaria de ver as justificativas de algumas das notas do quesito enredo.
Após o Carnaval, a escola foi impedida de continuar realizando seus ensaios nas ruas do Bixiga, como fizera até então por não possuir uma sede suficientemente grande para abrigá-los. Isso aconteceu porque um grupo de moradores, que durante anos protestara contra os transtornos trazidos pelos ensaios, conseguiu que a prefeitura proibisse a agremiação de ensaiar na rua. A permissão seria conseguia novamente alguns anos depois.
Em 2008, após sete anos sem vencer, o Vai-Vai desfilou com o enredo "Acorda Brasil, a saída é ter esperança", sobre a educação através da música no Brasil, e conquistou seu 13º título.
Em 2009, a escola apostou em um desfile mais técnico do que empolgante, com o enredo "Mens sana et corpore sano - O milênio da superação", no qual abordava a história da saúde. A comissão de frente "Em busca do homem vitruviano", representou um duelo entre o bem e o mal; o Carro Abre-alas, "Peste Negra", representava a varíola; a Ala das Baianas simbolizava a "Globalização Microbiana"; e a Bateria, vinda de "Peste Negra" e de "Homem Lobo do Homem", representou as condições insalubres do Século XIV. A escola terminou em 2º lugar, com meio ponto a menos que a campeã Mocidade Alegre. miniaturadaimagem|Mestre-sala e Porta-bandeira da escola, em 2010. Em 2010, já sem Chico Spinosa, mas dotada de uma Comissão de Carnaval, o Vai-Vai apresentou um enredo que abordava os 80 anos da Copa do Mundo FIFA, fazendo um paralelo com os oitenta anos da própria escola. Devido às notas obtidas nos quesitos Evolução e Comissão de Frente, a escola terminou em 3º lugar, com três quartos de ponto a menos que a campeã Rosas de Ouro.
No dia 20 de Abril de 2010 o presidente do Vai-Vai, Thobias da Vai-Vai, cedeu o cargo de presidente para Darli Silva, o Neguitão, e foi nomeado presidente de honra da agremiação.
Em 2011, o Vai-Vai apostou em um desfile considerado emocionante, tendo como tema "A Música Venceu", enredo que levou para o sambódromo a vida e a obra do maestro e pianista e maestro João Carlos Martins. A comissão de frente, "Delírio de Dalí", apresentou uma síntese de sua biografia, onde os 16 componentes estavam vestidos de personagens da música, da política e do futebol, como mulheres e como representantes de outros momentos de sua vida. O abre-alas simbolizava o "Cortejo Divinal - Os Deuses da Inspiração", o primeiro Casal representou Orfeu e Eurídice, as baianas representavam "Pitonísia - A Previsão do Futuro", e a bateria desfilou com a fantasia "Nossa Orquestra de Samba". A escola terminou como a campeã do carnaval de São Paulo, sendo este seu 14° título.
Para 2012 apresentou um enredo em exaltação às mulheres de modo geral. Homenageou mulheres como [Elis Regina]], a Imperatriz Leopoldina, Anita Garibaldi e Clarice Lispector, além da mítica Eva. A comissão de Frente, Cor de Rosa Choque, que fazia alusão à música homônima de Rita Lee, veio com Adriana Lessa na frente e mostrava várias personalidades femininas: Mães, Empregadas, Super-Heroínas, Escravas, entre outras. Com os carros bem acabados e fantasias superiores as do ano anterior, a escola entusiasmou o público do Anhembi, mas teve diversos problemas, ficando uma ala inteira sem o adereço de cabeça. O carnavalesco Alexandre Louzada, que no mesmo ano também assinou o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, declarou que a escola teve falhas e que muito do que ele criou para o enredo não foi para a pista. O Vai-Vai terminou em 3° lugar.