Luís Lázaro Sacramento de Araújo Ramos OMC (Salvador, ) é um ator, diretor e escritor brasileiro. Sua carreira iniciou em 1994 no grupo Olodum, onde fez inúmeras peças, e mais tarde tornou-se amplamente influente no cinema, televisão e na cultura contemporânea no Brasil. Os prêmios de Ramos incluem um Prêmio Grande Otelo, dois Prêmios APCA, três Prêmios Guarani e quatro Prêmios Qualidade Brasil, bem como três troféus do importante Festival de Gramado.

A carreira de Ramos começou em produções teatrais do Bando de Teatro Olodum, em Salvador, ainda na década de 1990 quando era adolescente. No entanto, ganhou projeção com a montagem teatral A Máquina (2000) e aclamação no filme Madame Satã (2002), no papel do transformista João Francisco dos Santos, pelo qual recebeu os importantes Prêmio Grande Otelo, Prêmio APCA e Prêmio Guarani de Cinema, todos como Melhor Ator. A partir daí, passou a destacar em produções de sucesso como O Homem que Copiava (2003), Meu Tio Matou um Cara (2004), Cidade Baixa (2005), Ó Paí, Ó (2007), O Vendedor de Passados (2015), Tudo Que Aprendemos Juntos (2015), Mundo Cão (2016), O Beijo no Asfalto (2018), O Silêncio da Chuva (2021), O Primeiro Natal do Mundo (2023) e Velhos Bandidos (2026).

Na televisão, foi, durante os anos de 2002 a 2003, um dos correspondentes do dominical Fantástico, até começar a se destacar como um dos protagonistas da série Sexo Frágil (2003–04). No entanto, foi em 2006, que Lázaro ganhou projeção nacional, ao interpretar o malandro Foguinho, um dos personagens principais da novela Cobras & Lagartos, trabalho que lhe rendeu vários prêmios e elogios, incluindo uma indicação ao Emmy Internacional de melhor ator no ano de 2007. A partir daí, destacou-se em outros trabalhos televisivos, como as novelas Duas Caras (2007), Lado a Lado (2012), Geração Brasil (2014), Elas por Elas (2023) e A Nobreza do Amor (2026), as séries Ó Paí, Ó (2008–2009) e Mister Brau (2015-2018), e na apresentação de programas como Espelho (2006–2021) no Canal Brasil, Lazinho com Você (2017) e Os Melhores Anos das Nossas Vidas (2018), ambos na TV Globo.

Na parte técnica, dirigiu diversos episódios do Espelho e documentários como Zózimo Bulbul (2006) e Bando, um Filme De (2018), além do premiado longa-metragem Medida Provisória (2022), a qual também escreveu e pelo qual ganhou um prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. Ele também escreveu diversos livros, como os infantis A Velha Sentada (2010) e Caderno de rimas do João (2015), além do autobiográfico Na Minha Pele (2017).

Primeiros anos Começou a estudar teatro na escola e logo aos 10 anos de idade já fazia pequenos trabalhos no teatro com o nome artístico: Lula Somar (nome formado das duas primeiras letras do seu nome composto "Lu" de Luís,"La" de Lázaro e "Somar" do sobrenome "Ramos", só que ao contrário). Quem contou a curiosidade do nome Lula Somar foi o próprio ator, durante entrevista no Programa do Jô, exibida no dia 4 de agosto de 2016 pela TV Globo.

Aos 15 anos entrou para o Bando de Teatro Olodum, dirigido por Marcio Meirelles e formado por atores negros, em Salvador. Enquanto dava seus primeiros passos para iniciar sua carreira, Lázaro Ramos trabalhou como técnico de laboratório de análises clínicas. Ele estudou Patologia no colegial técnico em Salvador. Nessa época sua mãe foi acometida por uma doença degenerativa. Lázaro, sendo filho único, ajudava a pagar as contas de casa.

Carreira

Ascensão cinematográfica (1994—2003) Ramos fez uma participação especial na peça A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, quando tinha apenas doze anos num teatro itinerante que estava em Salvador, substituindo seu primo. Lázaro não tinha noção do que era atuar. Aos quinze anos, decidiu ser ator. Em 1994, entrou para o Bando de Teatro Olodum, atuando na peça Bai, Bai Pelô. No cinema, fez uma figuração com o bando no filme Jenipapo, em 1995, dirigido por Monique Gardenberg. Permaneceu no grupo durante os anos finais da década de 1990, participando de inúmeras montagens teatrais. Seu primeiro personagem no cinema foi na comédia Cinderela Baiana, em 1998, dirigido por Conrado Sanchez e estrelado por Carla Perez, que recebeu inúmeras críticas negativas em sua estreia. Apesar da péssima repercussão, o filme trouxe para Lázaro dinheiro para lhe manter enquanto estudava.

Em 2000, atuou com Murilo Benício e Penélope Cruz no filme de comédia internacional Woman on Top, dirigido pela venezuelana Fina Torres, onde interpretou Max. Foi também em 2000 que ele estrelou com Gustavo Falcão, Vladimir Brichta e Wagner Moura a peça de sucesso A Máquina, de João Falcão, onde o quarteto interpretava e dividia o personagem principal Antônio. A peça foi responsável por lançar os quatro atores para a fama nacional e os projetarem para novos trabalhos. Em 2002, fez uma participação no filme de drama As Três Marias, de Aluizio Abranches, como Catrevagem. Foi também em 2002 que fez sua estreia na televisão na minissérie Pastores da Noite, baseada na obra de Jorge Amado e ambientada em Salvador, onde interpretou um dos quatro protagonistas amigos e boêmios, Massu. Posteriormente, na televisão, fez participações especiais em programas humorísticos da TV Globo, como A Grande Família e Carga Pesada. Apresentou diversos quadros no dominical Fantástico, como "O Homem Objeto", "Instinto Humano", "Os Sete Pecados Capitais", "O Curioso" e "R1", este último, apenas como locutor sobre a rotina dos médicos residentes no Hospital das Clinicas em São Paulo.

O primeiro protagonista da carreira veio com o elogiado drama biográfico Madame Satã, dirigido por Karim Aïnouz, interpretando o controverso transformista João Francisco dos Santos, conhecido pelo nome de Madame Satã e por seus crimes nas noites cariocas. Por esse trabalho, recebeu sua primeira aclamação da crítica e saiu-se vencedor como Melhor Ator em diversas premiações e festivais de cinema ao redor do mundo, incluindo o Prêmio Grande Otelo, Prêmio APCA e o Prêmio Guarani de Cinema. No ano seguinte, em 2003, ao lado de Wagner Moura, Bruno Garcia e Lúcio Mauro Filho, protagoniza a série de comédia Sexo Frágil, cujo enredo gira entorno de quatro homens jovens expondo suas fragilidades e o seu comportamento diante das mulheres. Todos os protagonistas interpretavam papéis masculinos e femininos. Ramos deu vida aos irmãos Fred e Priscila. A personagem feminina foi trazida do espetáculo Mamãe Não Pode Saber, que ele encenou em 2002. Na trama, além da sua risada peculiar, a personagem se destacava por acreditar ser "extremamente parecida" com a modelo Gisele Bundchen.

Em Carandiru (2003), filme dramático dirigido por Héctor Babenco, interpretou Ezequiel, um dos detentos retratados no filme que contava a história dos ocupantes do então maior presídio da América Latina. Seu personagem gostava de brincar que estava praticando surf dentro da cela. Por esse trabalho, ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Cartagena, compartilhado com os demais integrantes masculinos do filme. No mesmo ano, fez uma participação no drama O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, como Marcão, e protagonizou o filme O Homem que Copiava, comédia dramática de Jorge Furtado, onde interpretou André, um tímido operador de fotocópia que passa a produzir cédulas de dinheiro falsas.

Ator consolidado (2004—2010) miniaturadaimagem|268x268px|Ramos na apresentação do Prêmio Bravo! Prime de Cultura, em 2009. No ano de 2004, apareceu em mais dois filmes. Em Nina, de Heitor Dhalia, fez uma participação especial interpretando um pintor que compõe o cenário urbano do filme. Ele voltou a ser dirigido por Jorge Furtado no romance policial Meu Tio Matou um Cara, interpretando Éder Fragoso, um homem preso por confessar um assassinato. Em 2005, participou da adaptação cinematográfica de A Máquina, também dirigida por João Falcão, na pele do personagem Doido Cético. Esteve no filme Quanto Vale ou É por Quilo?, de Sérgio Bianchi, numa participação como um sequestrador, que lhe valeu o prêmio de ator coadjuvante no Cine Ceará. Protagonizou o filme dramático Cafundó, dirigido por Paulo Betti, como João de Camargo, um ex-escravo que se tornou um líder religioso no Brasil. A obra foi apresentada no importante Festival de Gramado, onde ele foi escolhido como Melhor Ator. Por fim, ao lado de Wagner Moura e Alice Braga, foi um dos protagonistas do drama Cidade Baixa, de Sérgio Machado, que acompanha a história de dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher e têm a amizade estremecida por esse sentimento em comum.

Em 2006, o ator ganhou maior projeção ao interpretar o malandro Foguinho, um dos personagens principais da novela Cobras & Lagartos, de João Emanuel Carneiro, trabalho que lhe rendeu diversos elogios da crítica e o tornou conhecido pelo grande público. O personagem ganhou destaque por seu carisma e suas atitudes controversas, além da parceria em cena com Taís Araújo no papel de Ellen. Por esse trabalho, recebeu uma indicação ao Emmy Internacional de Melhor Ator, e ganhou o Prêmio APCA de Melhor Ator de Televisão. O ano de 2006 também marcou a estreia de seu programa semanal Espelho, onde Lázaro é apresentador promovendo o encontro com diversas personalidades, no Canal Brasil, discutindo temas pertinentes ao cotidiano brasileiro.

Em 2007, na novela Duas Caras, viveu Evilásio Caó, envolvido em um triângulo amoroso com Solange e Júlia, interpretadas respectivamente por Sheron Menezes e Débora Falabella. O personagem é mocinho da novela e discutiu o preconceito racial por meio da relação dele com uma mulher branca e rica. Ainda no mesmo ano, estrelou o filme Ó Paí, Ó, ao lado novamente de Wagner Moura, onde seu personagem Roque era um "herói popular" aspirante a cantor. No filme, ele canta as músicas: "Protesto do Olodum", "Canto do Mundo", "Sonho Aventureiro" e "Vem Meu Amor". No ano seguinte resultou em uma série homônima exibida na TV Globo, que também já tinha sido peça teatral. Foi considerado pela Revista IstoÉ um dos 100 brasileiros mais influentes de 2007. Também em 2007, aparece como o diretor de vídeo Zico na aclamada comédia Saneamento Básico, o Filme, de Jorge Furtado. Em 2009, voltou a trabalhar com o diretor Jorge Furtado na minissérie Decamerão: A Comédia do Sexo, onde interpretou o monge Masetto. Em julho de 2009, foi nomeado embaixador do UNICEF.Lázaro Ramos é nomeado Embaixador do Unicef no Brasil Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009 e foi o apresentador da 5ª edição do Prêmio Bravo! Prime de Cultura.

Retorno à teledramaturgia (2011—2018) esquerda|miniaturadaimagem|280x280px|Ramos durante o Festival do Rio, em 2013. Em 2011, retorna à teledramaturgia com uma pequena participação especial como ele mesmo na novela Passione. Em seguida, interpretou André Gurgel em Insensato Coração. Tratava-se de um solteirão convicto que não escondia de ninguém a falta de interesse em se aprofundar em um relacionamento. No cinema, esteve na comédia dramática Amanhã Nunca Mais, de Tadeu Jungle, como Walter, um médico que, enquanto tenta levar um bolo de aniversário para a filha, presencia situações inusitadas no caminho que dificultam sua chegada em casa. Nesse ano, recebe o prêmio Camélia da Liberdade na categoria "Imprensa" em reconhecimento a personalidades que promovem ações de inclusão social de afrodescendentes. Em 2012 viveu o capoeirista Zé Maria, par romântico de Isabel, interpretada por Camila Pitanga, em Lado a Lado. O texto de João Ximenes Braga e Claudia Lage foi vencedor do Emmy Internacional em sua categoria. A novela marcou a estreia do ator em folhetins de época. Ainda em 2012, Ramos protagonizou a comédia dramática O Grande Kilapy, dirigida pelo cineasta angolano Zézé Gamboa, interpretando o estudante Joãozinho, um anti-herói na luta pela libertação de Angola e sua descolonização entre a década de 1960 e 1970.