O Pura Jagatnatha ou Pura Agung Jagat Natha é um pura (templo hindu balinês) situado no centro da cidade de Dempassar, a capital da ilha de Bali, na Indonésia. É dedicado ao deus supremo , que ali é venerado no seu papel de "Senhor do Mundo". É o maior templo hindu de Dempassar.
História e descrição Segundo algumas fontes, o templo foi construído em 1953, o que é contradito por outras fontes. Segundo estas últimas, a construção do templo foi proposta ao governador de Bali em 1963, que a aceitou. Em 1965 foi encomendada a planta a um arquiteto local e no mesmo ano começaram as obras de construção, as quais, com algumas paragens pelo meio, terminaram em 1968. O templo foi inaugurado em 13 de maio de 1968, dia do feriado hindu , celebrado no dia de Lua Cheia do terceiro mês do calendário hindu.
Ao contrário do que é habitual nos templos balineses, o nome Jagatnatha não tem a ver com o nome do local onde se encontra. O nome é composto por duas palavras: jagat, que significa "mundo" ou "universo", e natha, que significa "proteção", pelo que Jagatnatha pode ser traduzido como "proteção do mundo ou do universo". É, por isso, um local de eleição para pedir segurança e saúde. Enquanto que grande parte dos templos hindus de Bali são frequentados principalmente por fiéis das suas proximidades, o de Jagatnatha tem um carácter mais universal, que nos feriados hindus do e do Kuningan se enchem de fiéis que ali vêm fazer as suas orações quando não podem ir aos templos dos seus locais de origem.
O templo está virado para ocidente, na direção do monte Agung, o local que os hindus balineses acreditam ser onde residem os deuses. O seu santuário principal está rodeado por um jardim com romãzeiras, hibiscos e frangipanis. Ao contrário da generalidade dos puras balineses, que usam o conceito de trimandala (três áreas distintas), no de Jagatnatha distinguem-se apenas duas áreas: a dos jardins e a do local onde se encontra o padmasana, o santuário principal, constituído por uma torre de 15 metros de altura. O recinto tem outros dois santuários, o de Ratu Niang à esquerda do padmasana e o de Ratu Niang à direita. Há ainda outras estruturas típicas da arquitetura religiosa balinesa, como um kori agung (portal monumental para o santuário principal), um candi bentar (portal de entrada) e um , entre outros. O bale kulkul (pavilhão do kulkul [tambor de fenda]) é uma torre situada no canto sudeste do recinto do templo onde é guardado uma espécie de sino de madeira dividido usado para chamar os fiéis para as cerimónias religiosas coletivas e para as atividades de limpeza do templo.
Em volta do padmasana há vários espaços murados e o conjunto é rodeado por um fosso, o que pode representar uma elaboração maior do que é habitual do diagrama cósmico que os padmasanas representam. Segundo esta interpretação, o padmasana representa o monte Meru, o axis mundi (centro do mundo), e os espaços murados e o fosso representam as montanhas e o oceano que rodeiam o monte Meru nas orlas do mundo. Esta representação simbólica encontra-se numerosos monumentos hindus e budistas do Sudeste Asiático, como por exemplo Borobudur em Java, Angkor Wat no Camboja e o na Birmânia.
A ponte que cruza o fosso é ornamentada com relevos de flores de lótus e sapos. A parede exterior da galeria é decorada com cenas dos épicos hindus Ramáiana e do Maabárata. O padmasana tem cinco andares, é de pedra de coral branco assenta sobre uma base com a forma de . A torre tem cabeças de demónios esculpidas e na parte inferior tem faces e mãos de , o filho de Vixnu e de Prithvi Mata (Mãe Terra), cuja missão é repelir do templo os maus espíritos. O "trono de lótus", situado no cimo do padmasana, está vazio, exceto durante as festividades religiosas, durante as quais Sang Hyang Widhi Wasa "desce à terra". O deus é representado num relevo dourado, que originalmente era de ouro, o qual foi roubado em 1981.
Duas vezes por mês, nos dias de Lua Cheia e de Lua Nova, ocorrem festivais no templo, que por vezes incluem espetáculos de no princípio da noite.
Jagatnatha