Amos Bronson Alcott (Connecticut, 29 de novembro de 1799 – Boston, 4 de março de 1888) foi um pedagogo e pedagogista americano.
Amigo de Ralph Waldo Emerson e de Henry David Thoreau, devotou muito de sua vida à educação. Seus pais lutaram muito para sustentar a família e ele frequentemente veio em seu auxílio. Nos anos de 1840, Alcott ajudou a fundar duas cooperativas comunitárias – Brook Farm e Fruitlands. Esta última era uma comunidade vegetariana onde os membros evitavam até sapatos de couro. Durou muito pouco, menos de um ano e nem chegou ao inverno de 1844.
Alcott acreditava na pre-existência da alma. Via a criança não como uma tábula rasa mas vinda ao mundo com uma missão divina. Escreveu um manuscrito denominado Observações sobre a natureza espiritual das crianças, que era baseado na ideia de que cada criança tem uma alma que precisa ser nutrida e desenvolvida. Observava suas crianças e especulava sobre as razões do seu comportamento. Por exemplo, escreveu:Enquanto viveu na Filadélfia, ensinou na Escola de Cultura Humana (School of Human Culture) onde tentou nutrir o desenvolvimento espiritual das crianças. Embora permanecesse aí por pouco tempo, documentos e cartas da escola inspiraram sua amiga, Elizabeth Peabody, a ajudá-lo a criar uma nova escola em Boston em 1834. Denominada de Temple School, essa escola tem um lugar na história da educação holística. Era chamada de Temple (Templo) porque se localizava em duas salas no alto de um templo maçônico no Campo dos Comuns, em Boston. Elizabeth Peabody era um instrumento do trabalho da escola. Ajudou a recrutar estudantes, ensinou-os e registrou muitas das conversas de Alcott com seus estudantes. A escola abriu em Setembro de 1834 e 18 estudantes vieram no primeiro dia. Tinham entre 5 e 10 anos de idade e vieram de renomadas famílias de Boston. Alcott ensinou-os a ler e escrever simultaneamente. Entendendo que coordenação entre olho e mão era muito difícil para crianças muito jovens, antes que escrevessem, ele os fazia escrever as letras. (Bedell,1980,p.94). Queria que as crianças ao escreverem, expressassem seu sentimentos e pensamentos e não apenas copiassem alguma coisa de um livro. Em discussões encorajava as crianças a levantar e se expressar. Um estudante declarou: “Nunca soube antes que eu tinha um cérebro até que vim a esta escola” (Bedell, 96) Nunca usou punição corporal mas usava abandono ou ameaças de abandono.
Pelo inverno, as matrículas tinham dobrado. Elizabeth Peabody, que foi contratada para trabalhar apenas duas horas por dia, agora ficava o dia todo na escola e começou a elaborar um registro sobre a escola. De acordo com Bedell (1980), 'O Registro de uma Escola' é até hoje a melhor exploração das teorias de Alcott sobre educação (p.102). Publicado em 1835, o livro foi parte de uma movimento mais amplo de mudança social que incluía direitos da mulher e atividades anti-escravistas. Bedell sugere que 'O Registro de uma Escola' tornou-se “um símbolo de uma nova era no pensamento americano” (p.103). Alcott nunca esteve tão feliz ou sentiu-se mais preenchido; escreveu que tinha achado “uma unidade e uma satisfação” em sua vida (p.98).
Os traços mais incomuns da escola foram as conversações que Alcott mantinha com seus estudantes sobre assuntos espirituais. Elizabeth Peabody escreveu uma vez que “A educação depende de sua atitude em relação a alma” (citado em Howell, 1991, p.XVII). Alice Howell escreve sobre como Alcott era capaz de incorporar esta atitude nos seus ensinamentos:Abaixo segue um exemplo de uma dessas conversas registradas por Elizabeth Peabody no seu livro Record of a School: 'Exemplifying the General Principles of Spiritual Culture' (1836). Esta conversação de estudantes ocorreu depois que Alcott leu uma passagem da Bíblia sobre João Batista no deserto. Martin Bickman (2004), que cita essa passagem, compara-a ao método da visualização criativa. Bickman também comenta sobre o fato de que Alcott permitiu que a conversação fluísse sem agir no papel tradicional de condutor. Bickman reconhece o fato de que algumas vezes Alcott podia ser manipulador em seus ensinamentos mas principalmente ele tentava encorajar seus estudantes a achar sua própria imagem e desenvolver sua própria linha de pensamento. Bickman cita Dahlstrand (1982) para apoiar sua conclusão:Um outro livro sobre escolas intitulado 'Conversações com Crianças sobre o Evangelho' foi editado por Alcott e publicado em 1836. Este livro recebeu críticas muito negativas. Um escritor chamou Alcott de “insano ou meio obtuso”, enquanto pregadores apontavam que as conversações mostravam desrespeito para com a divindade de Cristo. Estes ataques e dívidas durante uma recessão econômica conduziram ao fechamento da escola.
Mais tarde, Emerson conseguiu que Alcott fosse contratado como superintendente nas Escolas Concord. Um dos projetos que ele tentou empreender era fazer Thoreau escreveu um texto sobre a história e geografia de Concord, mas Thoreau faleceu antes que o projeto pudesse ser completado.
Alcott sentia que todo ensino e aprendizagem deveria ser conectado ao centro espiritual, a alma. Alice Howell (1991), comentando os ensinamentos de Alcott, afirma:
Obras Observations on the Principles and Methods of Infant Instruction (1830) Conversations with Children on the Gospels (Volume I, 1836) Conversations with Children on the Gospels (Volume II, 1837) Concord Days (1872) Table-talk (1877) New Connecticut. an Autobiographical Poem (1887; primeira edição publicada privativamente em 1882) Sonnets and Canzonets (1882) Ralph Waldo Emerson, Philosopher and Seer: An Estimate of His Character and Genius in Prose and Verse (1882) The journals of Bronson Alcott
Fontes
Bedell, M. (1980) The Alcotts: Biography of a family. New York: Crown. Howell, A. O. (1991) “Education and the soul of the child.” in How Like an Angel Came I Down by Alcott, A.B Hudson, NY: Lindisfarne Press. Bickman, M (Ed.) (1999) Uncommon learning: Henry David Thoreau on education. Boston: Houghton Mifflin Co. Dahlstrand, F.C. (1982) Amos Bronson Alcott: An intellectual biography. East Brunswick, NJ: Associated University Presses. Peabody, E. P. (1836) Record of a school: Exemplifying the general principles of spiritual culture. (2nd ed). Boston: Russell Shattuck.
Ver também Henry David Thoreau Desobediência civil Abolicionismo Louisa May Alcott
Ligações externas Bronson Alcott: A glimpse at our vegetarian heritage, by Karen Iacobbo
Categoria:Naturais de Connecticut Categoria:Pedagogos dos Estados Unidos Categoria:Pedagogistas Categoria:Vegetarianos dos Estados Unidos Categoria:Ativistas dos direitos animais dos Estados Unidos Categoria:Abolicionistas dos Estados Unidos Categoria:Filósofos dos Estados Unidos Categoria:Filósofos do século XIX Categoria:Poetas dos Estados Unidos Categoria:Sonetistas Categoria:Pacifistas dos Estados Unidos Categoria:Utopistas Categoria:Membros do Transcendental Club Categoria:Mortos em 1888 Categoria:Nascidos em 1799