Região Centro-Oeste do Brasil é uma das cinco regiões brasileiras definidas pelo IBGE em 1969. É formada por três estados: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal, onde se localiza Brasília, capital do país e cidade mais populosa da região. Com uma área de , o Centro-Oeste é a segunda maior região do Brasil em superfície territorial, superada apenas pela Região Norte, sendo um pouco maior que a área do estado do Amazonas ou da Região Nordeste. Por outro lado, é a região menos populosa e possui a segunda menor densidade populacional. Por esse motivo, apresenta algumas concentrações urbanas e grandes vazios demográficos. Além disso, é a segunda menor em número de municípios com 467, superando apenas a Região Norte. miniaturadaimagem|Bandeiras dos estados da região Centro-Oeste conforme a legislação da ordem de precedência no Brasil. Das regiões brasileiras, o Centro-Oeste é a única que faz limite com todas as demais e, ao mesmo tempo, a mais interiorana do país, sendo a única que não possui litoral. Possui o terceiro maior IDH entre as regiões brasileiras (0.821) em 2024. O maior PIB per capita entre as cinco regiões, e um PIB de 1.1 trilhões de reais, ficando em quarto lugar, atrás do Sudeste, Sul e Nordeste, por conta da população, que é menor em comparação com as demais regiões.

História thumb|Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, no município colonial de Pirenópolis, tombada pelo IPHAN como Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro.

Os indígenas foram os primeiros habitantes da Região Centro-Oeste. Depois chegaram os bandeirantes, que descobriram muitas minas de ouro e fundaram as primeiras vilas: Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, atual Cuiabá capital do Estado de Mato Grosso e a cidade mais antiga do oeste brasileiro, Vila Boa, atual estado de Goiás e Meya Ponte, hoje, município de Pirenópolis. Surgiram arraiais que se tornaram municípios importantes. A descoberta de diamante deu origem à vila chamada Corrutela.

Os fazendeiros de Minas Gerais e de São Paulo, também povoaram a região. Eles organizaram grandes fazendas de criação de gado.

Para defender as fronteiras do Brasil com os outros países, foram criados fortes militares. Entre eles, destaca-se o Forte de Coimbra, hoje o município de Corumbá. Em volta desses fortes surgiram povoados.

A construção de Brasília, também contribuiu para o povoamento e o desenvolvimento socioeconômico da Região Centro-Oeste.

O povoamento aumentou com a construção de estradas de ferro e, mais tarde, com o aparecimento das rodovias e das hidrovias.

O Mato Grosso do Sul lutou várias vezes para se tornar independente do Mato Grosso, tendo sua independência oficializada em 1° de Janeiro de 1979.

Geografia

Relevo thumb|250px|esquerda|Mapa físico da Região Centro-Oeste do Brasil.

Como em quase todo o território brasileiro, o relevo da região é marcado por unidades suaves, raramente ultrapassando mil metros de altitude. O relevo centro-oestino é composto por três unidades dominantes: Planalto Central; Planalto Meridional; Planície do Pantanal.

Planaltos e chapadas O Planalto Central é um grande bloco rochoso, formado por rochas cristalinas, sobre as quais se apoiam camadas de rochas sedimentares. Existem trechos em que as rochas cristalinas aparecem livres dessa cobertura sedimentar, surgindo aí um relevo ondulado. Nas áreas em que as rochas cristalinas estão cobertas pelas camadas sedimentares, são comuns as chapadas, com topos planos e encostas que caem repentinamente e recebem o nome de ‘’serras’’. Nestas regiões, as chapadas possuem a denominação de chapadões.

O Planalto Meridional se estende da Região Sul até os estados de Mato Grosso do Sul e Goiás. Nele são encontrados os solos mais férteis de todo o Centro-Oeste – a terra roxa que aparece em forma de manchas no sul de Goiás e em Mato Grosso do Sul.

As chapadas estão presentes na maior parte da região, e em Mato Grosso podem ser citados a Chapada dos Parecis, a oeste, e a Chapada dos Guimarães, ao sudeste; em Goiás, pode ser citado a Chapada dos Veadeiros, ao norte; na divisa com o Nordeste destaca-se o Espigão Mestre, que funciona como divisor de águas da bacia do Tocantins e da bacia do São Francisco.

Planície do Pantanal thumb|Período de cheia no Pantanal

O Pantanal é uma planície inundável de formação recente, cuja altitude média é de aproximadamente 110 metros. É, portanto, uma depressão relativa situada entre os planaltos Central, Meridional e relevo pré-andino. Periodicamente, a Planície do Pantanal é inundada pelo Rio Paraguai e seus afluentes. O relevo da planície tem duas feições principais:

Cordilheiras: Pequenas elevações que não sofrem inundações; Baías ou lagos: Partes mais baixas, de formatos circulares, inundadas durante a estação chuvosa, formando lagoas.

Clima 280px|esquerda|thumb|Mapa climático do Centro-Oeste brasileiro de acordo com a classificação climática de Köppen.

O clima da região Centro-Oeste do Brasil é o tropical, quente e chuvoso, sempre presente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A característica mais marcante deste clima quente é a presença de um verão chuvoso, entre os meses de outubro a abril, e um inverno seco, entre os meses de maio a setembro.

O norte de Mato Grosso, ocupado pela Amazônia, é abrangido pelo clima equatorial, apresentando os maiores índices pluviométricos do Centro-Oeste, que pode chegar a mais de milímetros anuais. O restante da região possui clima tropical, com precipitações médias inferiores, entre e milímetros por ano. As temperaturas são mais altas do que no sul. O inverno apresenta temperaturas acima de 18 °C; durante o verão, a temperatura pode alcançar temperaturas superiores a 25 °C. Existe declínio sensível de temperatura quando ocorre o fenômeno da friagem, que é a chegada de uma massa polar atlântica que através do vale do rio Paraguai, atinge todo o oeste dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. e reduzindo-se a pouco mais de 1.200 mm grande parte do território.

Nas regiões mais elevadas do Planalto Central ocorre o clima tropical de altitude e as mínimas são menores podendo ocorrer geadas nessas regiões. Em outras partes da região também é normal ocorrer geadas. Os meses de verão são úmidos, porque nessa época, a Planície do Pantanal é uma das áreas mais quentes da América do Sul, e por esse motivo, forma um núcleo de baixa pressão que atrai os ventos úmidos conhecidos como alísios de nordeste. A chegada desses ventos corresponde às chuvas fortes que caem na região.

Hidrografia A Região Centro-Oeste é drenada por muitos rios, agrupados em três grandes bacias hidrográficas:

thumb|280px|Mapa hidrográfico do Brasil Bacia Amazônica:, em Mato Grosso, para onde se deslocam rios colossais, como o Xingu, ou rios que formam principais afluentes do rio Amazonas, como o Juruena e o Teles Pires que formam o rio Tapajós; Bacia do Tocantins-Araguaia, ocupando o norte e o ponto mais a oeste de Goiás e o extremo leste de Mato Grosso; Bacia Platina, subdividida em suas bacias hidrográficas: a bacia do rio Paraná e a bacia do rio Paraguai, no restante da região.

A maior bacia hidrográfica em extensão da região Centro-Oeste é a bacia do rio Paraguai, que nasce na Chapada dos Parecis, no estado de Mato Grosso. Seus principais afluentes são os rios Cuiabá, Taquari e Miranda. A bacia do rio Paraguai ocupa uma imensa baixada que forma a Planície Paraguaia, na qual a parte alagada é composta pelo Pantanal Mato-grossense. Como o clima da região intercala estações secas e estações chuvosas, essa planície fica coberta por um lençol de água durante aproximadamente seis meses. Nos meses secos, as águas represam-se em pequenas lagoas semicirculares, chamadas de baías. Quando as cheias são mais violentas, as baías ampliam-se e ligam-se umas com as outras através de canais chamados de corichos.

O norte de Goiás e o leste do estado de Mato Grosso são banhados pelas nascentes dos rios que formam a Bacia do Tocantins. Na divisa da Região Nordeste com o estado de Goiás, estendendo-se até o estado de Tocantins, na Região Norte, destaca-se o Espigão Mestre, que funciona como divisor de águas separando a bacia do Tocantins, no oeste, e a bacia do rio São Francisco no leste.

Na divisa com os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, o Centro-Oeste é banhado pelo rio Paraná e por um de seus formadores, o Rio Paranaíba, no extremo sul de Goiás. A porção sudeste da região é drenada por afluentes menos extensos da margem direita do rio Paraná, como os rios Verde, Pardo, Ivinhema, Amambaí e Iguatemi.

Vegetação thumb|esquerda|A vegetação do cerrado é a paisagem típica da região.

No Centro-Oeste existem formações vegetais bastante diferentes umas das outras. Ao norte e oeste aparece a Floresta Amazônica, praticamente impenetrável, composta por uma vegetação densa e exuberante. A maior parte da região, entretanto, é ocupada pelo cerrado, tipo de savana com gramíneas altas, árvores e arbustos esparsos, de troncos retorcidos, folhas duras e raízes longas, adaptadas à procura de água no subsolo. O cerrado não é uniforme: onde há mais árvores que arbustos, ele é conhecido como cerradão, e no cerrado propriamente dito há menos arbustos e árvores, entre os quais se espalha uma formação contínua de gramíneas.

Em Mato Grosso do Sul, existe uma verdadeira "ilha" de campos limpos, conhecidos pelo nome de campos de Vacaria, que lembram vagamente o pampa gaúcho. A região do Pantanal, sempre alagável quando nas cheias de verão, possui uma vegetação típica e muito variada, denominada Complexo do Pantanal. Aí aparecem concentradas quase todas as variedades vegetais do Brasil: florestas, campos e até mesmo a caatinga.

Podem ser identificadas ainda as matas galerias em alguns trechos do cerrado, que se caracterizam por serem densas apenas nas margens dos cursos d'água ao longo dos quais se desenvolvem e cuja umidade as mantém. A floresta tropical que existia na região está praticamente extinta.

Demografia

Regiões Metropolitanas Com habitantes, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2016, a Região Centro-Oeste é considerada pouco povoada, porém a mesma possui duas regiões metropolitanas e uma RIDE. São elas: Região Metropolitana de Goiânia com habitantes (IBGE/2016), sendo 22 municípios. Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá com (IBGE/2016) habitantes, sendo 4 municípios. Além de Possuir: Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno com 4.284.676 habitantes (IBGE/2016), sendo 22 municípios mais o Distrito Federal.

Povoamento thumb|280px|Mapa do Brasil no início do século XVIII As primeiras estradas e vilas criadas na região foram obras dos bandeirantes que, durante os séculos XVII e o XVIII, desbravaram territórios à procura de minérios ou para capturar indígenas. Mas o efetivo povoamento regional somente começou quando o desenvolvimento do Sudeste fez surgir um forte mercado consumidor para a pecuária e a agricultura na parte sul da região.

Em 1935, Goiânia foi construída para ser a nova capital de Goiás, o que se tornou um atrativo ao povoamento da área. Outros municípios foram crescendo em importância, como Anápolis, por exemplo, ligada a Minas Gerais através de várias rodovias e ferrovias. A construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, concluída em 1950, que liga Bauru, em São Paulo, a Corumbá, em Mato Grosso do Sul, facilitou o escoamento dos produtos e consolidou o desenvolvimento de todo o extremo sul de Goiás e de Mato Grosso.

A parte nordeste da região, até o início da década de 1960, permanecia praticamente selvagem e mal conhecida pelo homem, até que a construção de Brasília e a abertura de estradas — como a Rodovia Belém-Brasília, por exemplo — acabaram atraindo contingentes de migrantes de todo o Brasil para o Planalto Central.

Etnias Cor/Raça (2006)Branca50,5%Parda43%Preta5,7%Indígena e amarela0,8%