Mara Maravilha, nome artístico de Eliemary Silva da Silveira (Itapetinga, 6 de março de 1968), é uma apresentadora, cantora, compositora e empresária brasileira.

Iniciou a carreira ainda criança como apresentadora mirim na emissora regional TV Itapoan, na Bahia. Mudou-se para São Paulo a convite de Silvio Santos, ganhando projeção nacional ao comandar por sete anos o programa infantil Show Maravilha no SBT. Paralelamente, consolidou-se como cantora, emplacando sucessos como "Liga Pra Mim", "Não Faz Mal (Tô Carente, Mas Tô Legal)" e "Curumim". Essas canções renderam-lhe certificações de ouro e platina, além do Prêmio Antena de Ouro como Melhor Cantora em 1991. No ano seguinte, iniciou carreira internacional com seu primeiro álbum em espanhol, No Estoy Mal. Em 1994, encerrou contrato com o SBT e passou a apresentar o El Mara Maravilla Show, em Córdova, Argentina, pela emissora CBA, até o final de 1995.

Após enfrentar uma crise depressiva relacionada a questões pessoais, Maravilha deixou a televisão argentina e converteu-se à igreja evangélica. Dedicou-se então ao público cristão, lançando diversos álbuns bem-sucedidos, incluindo o infantil Mara Maravilha Para os Pequeninos. Em 2006, conquistou reconhecimento internacional ao receber uma indicação ao Grammy Latino pelo álbum Jóia Rara.

Após um período longe da mídia, Maravilha voltou aos holofotes em 2015 ao participar da oitava temporada do reality show A Fazenda. Com visibilidade renovada, retornou ao SBT e integrou os programas de entretenimento Fofocando, Triturando e Fofocalizando. Sua passagem por estes programas foi marcada por polêmicas e controvérsias, culminando na sua saída definitiva em 2020. Em 2024, a artista retornou à televisão à frente do Programa da Maravilha, exibido pela Rede Gospel.

Vida inicial Eliemary nasceu em 6 de março de 1968. Seu nome é resultado da combinação dos nomes de seus pais, Eliezer e Marileide. O apelido "Mara" foi dado por sua avó, que considerava a pronúncia de seu nome verdadeiro complicada. Quando tinha 2 anos de idade, seus pais se divorciaram, e sua mãe, Marileide Felix, obteve a guarda da filha após disputas judiciais. Mãe e filha mudaram-se de cidade, e, aos 5 anos, Mara passou a conviver com seu padrasto, Raimundo Souza, um artesão, após o segundo casamento de sua mãe. O nome de Eliemary inspiraria o nome de uma pequena firma de calçados administrada por seus pais, "Mary Calçados".

Desde criança, Mara Maravilha demonstrava interesse pelas artes e sonhava em seguir carreira como artista. Com o apoio de sua mãe, começou a participar de concursos infantis, onde se destacava ao dublar artistas populares da época, como Baby Consuelo e Wanderléa. Durante essa fase, ficou conhecida como "Miss Mara" nos circuitos sociais. Sua estreia na televisão ocorreu em 6 de março de 1979, como apresentadora do programa infantil "Parquinho: Um Show de Criança", exibido pela TV Itapoan, o que marcou o início de sua trajetória no entretenimento.

Carreira

1976–86: Primeiros passos na Bahia e chegada ao SBT Em paralelo ao início de sua carreira na TV Itapoan, Mara assinou com a gravadora EMI-Odeon e lançou seu primeiro compacto, "Seja Mais Você", em 1982. Nos anos seguintes, continuou a apresentar programas locais de sucesso na TV baiana, como Domingo Show Criança, Vídeo Jovem e a versão local do Clube do Mickey. Durante esse período, lançou outros dois compactos pela mesma gravadora: "Se Você Fosse Esperto" (1983) e "Chega, Stop, Pare com Isso" (1984)(1984) Créditos do compacto "Chega, Stop, Pare com Isso" por Mara Maravilha [LP]. Brasil: EMI Records Brasil (006.420.289).. A cantora apresenta a última canção em uma participação no filme "As Aventuras de Sérgio Mallandro", filmado em 1985 e lançado em 1987.

A transição para a televisão nacional ocorreu após o apresentador e empresário Silvio Santos conhecer seu trabalho na TV Itapoan por meio de uma fita de vídeo. Aproveitando que Mara estava em turnê promocional de seu último compacto, Silvio a convidou para participar de seu programa de calouros, posteriormente apadrinhando sua carreira na TVS. Com o convite do apresentador, Mara se muda para São Paulo acompanhada de sua mãe enquanto seu padrasto permaneceu na Bahia trabalhando na "Mary Calçados". Inicialmente conhecida como "Mara Porreta", passou a integrar a banca de jurados do programa Show de Calouros e a apresentar atrações como TV Powww, Vamos Nessa e Sessão Passatempo, além de ser repórter e jurada do programa Viva a Noite, do apresentador Gugu Liberato. Foi Silvio Santos quem sugeriu o acréscimo do sobrenome artístico "Maravilha", que a acompanharia ao longo de sua carreira.

1987–89: Sucesso nacional com o Show Maravilha e primeiros álbuns Em 1987, Mara consegue seu programa infantil na TVS, o Show Maravilha. Em poucos meses no ar, o infantil consegue ser a maior audiência da emissora. No mesmo ano, Mara lançou seu primeiro LP, Maravilha, trazendo faixas destinadas a públicos variados e compostas por ritmos brasileiros, como o frevo e o deboche. Em apenas três meses, o álbum ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas, recebendo a certificação de disco de ouro. Mara também começa a se aventurar no mundo literário lançando dois livros "Mara no Planeta Trown" e "As Historinhas da Mara Maravilha". Em 1988, Mara lança seu segundo LP, Mundo Maravilha marcado por uma variedade de estilos, como deboche, rock, "happy music" e canções românticas. O disco alcançou a marca de 80 mil cópias vendidas em apenas três semanas, garantindo à cantora mais um disco de ouro, com vendas superiores a 150 mil cópias. O álbum emplacou dois sucessos nas rádios: "A Festa do João" e "Olha Pra Mim".

Com o sucesso da canção pop juvenil "Olha Pra Mim" nas rádios, Mara se empolgava para investir com mais afinco em sua carreira de cantora apressando assim a produção de seu terceiro LP, Mara. Com faixas mais maduras direcionadas ao público adolescente, o disco marcou o início da longeva parceria artística da cantora com Arnaldo Saccomani que assinou a produção do projeto. O LP rendeu um dos sucessos assinatura da cantora, "Liga Pra Mim", canção escolhida como carro-chefe do álbum. Em poucos meses, o álbum alcançou vendas acima de 100 mil cópias sendo certificado como ouro pela ABPD. Vendendo mais de 250 mil cópias, o álbum tornou-se elegível a Disco de Platina.

Em julho de 1989, Mara é denunciada por agressão a uma estudante de 16 anos e a imprensa começa a noticiar a sua saída da TV para focar na sua carreira de cantora em meios às polêmicas. Mara negou as agressões e apesar dos boatos ventilados pela imprensa em torno de sua saída da TV, a apresentadora renovou contrato com o SBT em outubro de 1989 ganhando um novo diretor para o programa Show Maravilha, Antônio Maria, substituindo Flavio Carlini.

1990–92: Imagem sensual, consolidação na música, Deixa a Vida Rolar e Curumim Após meses de negociação, Mara posa para a Playboy fortalecendo sua imagem como um sex symbol da época. A imagem sensual se traduziu no quarto LP de Mara Maravilha, Deixa a Vida Rolar, lançado em setembro de 1990. Com um repertório variado que incluiu música infantil, lambada e clássicos do rock brasileiro, o LP emplacou dois sucessos nas rádios para a cantora, "Não Faz Mal (Tô Carente, Mas Tô Legal)" e "Outra Vez". O álbum teve vendas reportadas em 1 milhão de cópias figurando dois anos consecutivos (1990 e 1991) na listagem de vendas anuais do instituto Nelson Oliveira Pesquisa e Estudo de Mercado (Nopem). Segundo a lista da Nopem, "Deixa a Vida Rolar" foi o 9º álbum mais vendido de 1991. O sucesso do álbum fez com que Mara visitasse várias regiões do país com a turnê “Deixa a Vida Rolar” durante os anos de 1990 e 1991.

Em 1991, a SBT sofre crises financeiras devido a queda de faturamento e audiência. Com a direção da emissora propondo mudanças e cortes de gastos para seus programas infantis, Mara se opôs insatisfeita com a proposta de gravar seu programa somente com cenas externas, o que significaria abrir mão do cenário do infantil "Show Maravilha". No mesmo ano, Mara investe na mensagem de conscientização ecológica com o lançamento de "Curumim", seu quinto LP. O álbum gerou dois sucessos nas rádios, "Curumim Iê Iê" e "Não Tem Jeito". Tendo como base o álbum “Curumim”, Mara se apresentou com o concerto “Obrigada Rio” por várias noites na extinta casa de shows Scala.

Em 1992, Mara ganha o prêmio Antena de Ouro de Melhor Cantora de 1991. No mesmo ano, Mara começa a dar os primeiros passos na internacionalização de sua carreira renovando contrato com sua gravadora EMI-Odeon para 4 álbuns em português e um em espanhol. Em julho de 1992, Mara lança seu primeiro e único álbum em castelhano com regravações de seus maiores sucessos no Brasil em alguns países latinos. Como primeiro single internacional, "No Estoy Mal", uma regravação de seu sucesso "Não Faz Mal" teve videoclipe gravado fora do país.

1993: Maturidade artística e sucesso nas rádios, Importante é Ser Feliz Em janeiro de 1993, Mara filma o videoclipe do carro-chefe do seu próximo álbum ao lado do grupo Olodum em Salvador. Lançada em fevereiro de 1993, "Jesus Cristo" é uma regravação da canção de Roberto e Erasmo Carlos. Com videoclipe assinado pelo diretor Flavio Colker, a cantora causou controvérsia ao adicionar elementos de axé à música com mensagem cristã e foi elogiada pela crítica pelas escolhas artísticas que envolveram o lançamento. O videoclipe rompeu barreiras e chegou a ser exibido na MTV americana.

Em meio à popularidade e controvérsia da canção "Jesus Cristo", Mara lança seu sexto LP, Importante é Ser Feliz, abraçando suas raízes baianas com faixas fortemente influenciadas pelo axé e pelo grupo Olodum que assina algumas faixas do projeto. Em 21 de março de 1993, Mara reúne mais de 30 mil pessoas em show gratuito na Quinta da Boa Vista para celebrar o lançamento do seu sexto álbum. Em junho de 1993, Mara é indicada ao Prêmio Jabuti por sua coleção de livros infantis ecológicos, “No País de Mara Maravilha". Ainda em 1993, Mara se torna madrinha do projeto cultural de fomento ao artesanato indígena do município de Bertioga batizado como "Projeto Curumim".

Além de "Jesus Cristo", o álbum "Importante é Ser Feliz" rendeu mais sucessos com grande rotação nas rádios: "A Gente Sempre Vai Se Amar" e "Ficar por Ficar". De acordo com o instituto Nelson Oliveira Pesquisa e Estudo de Mercado (Nopem), "Importante é ser Feliz" ficou entre os 10 álbuns mais vendidos em LP e CD na semana de 29 de julho de 1993 permanecendo algumas semanas nas paradas de discos mais vendidos publicada pelo Jornal do Brasil. Em fevereiro de 1994, Mara recebe o Disco de Ouro pelo LP "Importante é Ser Feliz" na televisão argentina.

1993-94: Controvérsias e fim do Show Maravilha, álbum Mara (1994) thumb|direita|200px|Maravilha desfilando pela escola de samba Unidos da Tijuca, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, em 1994. Ainda em 1993, a imprensa começa a circular boatos que Mara supostamente havia feito uma suposta "macumba" para a recém contratada do SBT, a Angélica. Em outubro de 1993, Maravilha assina com a marca 775 para uma linha de roupas e acessórios voltada para o público infantil. Em 1994, a parceria da artista com a marca expandiu-se para o público adolescente. Em 23 de outubro de 1993, ladrões tentam assaltar a casa de Maravilha de madrugada trocando tiros com os seguranças da artista. No momento do ocorrido, Marabilha estava voltando para casa e foi alertada pelo telefone por seu namorado sobre o incidente. Antes do ocorrido, a artista recebera telefonemas de ameaça levantando a suspeita de que o ocorrido havia sido uma tentativa de sequestro, hipótese descartada pela polícia.