Oeiras é uma vila portuguesa sede do Município de Oeiras que pertence ao Distrito de Lisboa e à Área Metropolitana de Lisboa, sendo um dos municípios da primeira coroa da capital. O Município de Oeiras, com apenas , situa-se no tramo final noroeste do Estuário do Tejo (a área do Gargalo do Tejo), na sua margem direita, em redor de uma pequena baía da Costa de Lisboa que perfaz uma frente ribeirinha de 9 km de extensão.

Encontra-se rodeado pelos municípios de Sintra e Amadora (a norte); de Lisboa (a leste); de Cascais (a oeste); e pela Barra do Tejo e pelo município de Almada (a sul). Desde 2013, está dividido em cinco freguesias que totalizam habitantes (censo de 2021), que o torna o 5.º município mais densamente povoado de Portugal.

Geograficamente, o seu território apresenta alguma rugosidade, destacando-se na sua paisagem os vales das ribeiras e zonas mais elevadas, como são a serra de Carnaxide. Insere-se na Costa do Estoril, beneficiando de um clima temperado marítimo adequado a atividades ao ar livre e utilização dos seus atrativos jardins, parques e praias. Globalmente é considerado um município que goza de uma grande qualidade de vida. As suas condições naturais, com solos muito férteis e a proximidade do Estuário do Tejo, fizeram com que desde cedo fosse alvo da ocupação humana, tendo um perfil marcadamente rural até meados do século XX. Mais recentemente, a sua posição privilegiada em relação à capital levou a um crescente desenvolvimento e urbanização, especialmente pela deslocalização de empresas para o seu território.

Deste modo, Oeiras constitui-se como um polo económico autónomo: é um dos municípios mais desenvolvidos e ricos da Península Ibérica e mesmo da Europa.Portugal: Um retrato territorial 2005, Instituto Nacional de Estatística, Lisboa, 2007 - Estatísticas do Ganho Médio Mensal Com o maior rendimento per capita em Portugal, sendo também 2º município com maior poder de compra e o 2º maior município a arrecadar impostos em Portugal. O nível económico está diretamente ligado com os estudos e essa relação mostra que Oeiras é também o concelho em Portugal com maior concentração de população com estudos superiores e a área de Portugal com a mais baixa taxa de população sem estudos. No seu território encontram-se instaladas muitas multinacionais,Sites das respectivas empresas e cerca de 30% da capacidade científica do país.

Politicamente, Oeiras tem sido um município altamente controverso. O atual presidente da câmara municipal, Isaltino Morais, foi condenado por diversos crimes, e acusado de muitos outros.https://expresso.pt/blogues/opiniao_daniel_oliveira_antes_pelo_contrario/oeiras-roubo-mas-faco=f833325

História

Era dos Povoados Desde a Pré-história, o clima ameno, a abundância de água, a qualidade dos solos e a posição geográfica que oferece a zona ribeirinha do estuário do Tejo, permitiu que a população nómada do Paleolítico procurasse alimento na região e começasse a utilizar a Gruta da Laje.

Mais tarde, os altos ou "cabeços" propiciaram a exploração agrícola, e esta comunidade passou a habitar a Gruta da Laje permanentemente. Neste início do Neolítico, fundou-se um segundo povoado sedentário nas Grutas do Carrascal (Leceia). Estes povoados agro-pastoris subsistiram por mais 4000 anos.

Calcolítico Por volta de 2800 a.C. a Idade da Pedra foi substituída pela Idade dos Metais. Foi descoberta a exploração metalúrgica do Cobre, o que desencadeou a revolução dos produtos secundários nos povoados, dando início ao Calcolítico. Ergueu-se a 500 metros das Grutas do Carrascal o próspero Castro de Leceia. Foram construídas habitações fortificadas e uma muralha. Este novo paradigma económico trouxe rivalidades entre grupos. O Castro de Leceia chegou a ter de 200 a 300 habitantes. Contudo, foi num período posterior de decréscimo populacional que floresceu a economia deste povo castrejo. Leceia começou trocas comerciais com os Fenícios. A Cultura Campaniforme expandiu-se até Leceia, originária do Povoado do Zambujal (Torres Vedras). O Calcolítico foi o período mais próspero da Idade dos Metais pré-romana na região.

Idade do Bronze e do Ferro

Ao fim de aproximadamente 1000 anos de habitação ininterrupta, o Castro de Leceia foi abandonado com o início da Idade do Bronze (aparecimento das lâminas, espadas e de hierarquização profunda). O início da Idade do Bronze contrasta pela pobreza relativamente ao Calcolítico. As frágeis habitações são difíceis de identificar nos dias de hoje. As Cerâmicas Campaniformes decoradas desapareceram, sendo substituídas por formas lisas. Assim como também desapareceram outros produtos do período anterior. A Gruta da Laje que tinha sido convertida em sepulcro, continuaria a ter essa utilização funerária.

Os povoados do final da Idade de Bronze começaram a integrar-se numa superestrutura socioeconómica organizada à escala regional, sendo administrados pelo Povoado da Tapada da Ajuda. Surgiu o Povoado do Alto das Cabeças (Leião) que desenvolveu a produção cerealífera como principal atividade económica, produzindo mais do que as necessidades de consumo. O Povoado da Outurela também começou um desenvolvimento que se estendeu pela Idade do Ferro, com a construção de pequenas habitações retangulares de pedra seca e uma Jazida na encosta para os seus cultos funerários, a Jazida da Outurela.

Romanização No século III a.C. os Romanos dominaram a região, anexando-a à província romana Lusitânia. Terá provavelmente sido construída nalguma propriedade agrícola alguma moradia rural romana, porque podem encontrar-se vestígios do período romano em vários locais do município: destacando-se o Mosaico Romano existente na Rua das Alcássimas, no Centro Histórico de Oeiras, e a Ponte Romana. Apesar de se desconhecerem mais heranças materiais, o legado romano não material é intransponível, bem conhecido, e visível na engenharia e na sociedade deste período em diante.

Idade Média O período medieval continuou a caracterizar-se por povoados agropastoris espalhados pelo território. Numa parte elevada da encosta que é hoje Algés de Cima, foi construído um povoado mouro, Aljez (Algés). Da influência moura herdámos alguns topónimos como: Alcássimas, Algés, Alpendroado, Quinta da Moura, Tercena (do árabe Torgena), etc. Mas é já depois da conquista da Taifa de Badajoz pelo católico Reino de Portugal, que no século XII (1147) se datam as origens de um povoado chamado Oeiras, topónimo cuja administração desta região viria a herdar até aos dias de hoje. Também neste século foi construída a Igreja de Santa Catarina de Ribamar. No século XII e XIII fixam-se no território ordens católicas.

Era das Navegações thumb|Forte de São Lourenço do Bugio (século XVII)|283x283px No século XV, início da Era das Descobertas, instalam-se novas atividades industriais e comerciais e a região assume as funções de celeiro de Lisboa e de centro industrial. É aqui que começa a real interação administrativa entre Oeiras, Aljez e Barquerena, que teriam agora sido elevados à categoria de reguengo, ou seja terra que pertencia à coroa. Há um documento de 1448 que confirma este estatuto, através de uma carta de privilégio concedido aos lavradores: “enquanto durarem ceifas e debulhes os trabalhadores residentes nos reguengos de Oeiras, Aljez e Barquerena não vão trabalhar para fora destes” (mais tarde D. Manuel I confirmou as prerrogativas desta carta em 1497). Surgem as primeiras Quintas, onde se sabe que a nobreza também utilizaria para a caça, e destaca-se a Quinta de Paço de Arcos por lhe ser construído um palácio. Já no século XVI dá-se em Paço de Arcos a exploração das pedreiras e a construção dos Fornos da Cal, e em Barcarena surge a Fábrica da Pólvora Negra destinada à manipulação de pólvora e fabrico de armas. Também neste século o Reguengo de Algés cresce para sul e ocupa toda a encosta até à Ribeira de Algés, tendo-se edificado um Convento na Quinta de São José de Ribamar.

Para além deste convento, foi do século XVI ao XVIII, que foram erguidos grande parte dos edifícios religiosos (católicos) de Oeiras, como o Convento da Cartuxa. Foi durante estes mesmos séculos que a região também assumiu funções defensivas, foram construídas as fortificações ao longo da orla marítima a oeste da Torre de Belém, de modo a defender a costa e controlar o movimento de navios na entrada da Barra do Tejo, como o Forte da Barra e o Forte do Bugio. Começam agora a surgir mais quintas com palácios ou solares, destinadas ao recreio e à exploração agrícola (principalmente de cultura cerealífera e vinícola constituindo importantes fontes de abastecimento de Lisboa). Por exemplo: Quinta da Terrugem, Quinta Real de Caxias, Quinta dos Aciprestes, Quinta de Nossa Senhora da Conceição, Quinta de Nossa Senhora do Egipto, Quinta de São José de Ribamar e, por fim, a Quinta do Marquês de Pombal.

Oeiras - Estabelecimento do Concelho thumb|283x283px|Palácio do Marquês de Pombal (século XVIII) Foi no Reguengo de Oeiras, em cujos terrenos férteis da Ribeira da Laje, que Sebastião José de Carvalho e Melo também conhecido por Conde de Oeiras e Marquês de Pombal, mandou construir a sua residência oficial. Uma quinta formada através da incorporação de vários casais e quintas com um solar típico do século XVIII e uns magníficos jardins que são símbolo do Iluminismo (ver Palácio do Marquês de Pombal). O Palácio do Egipto perderia então o título de edifício mais importante e nobre do reguengo. Em Carta Régia de 7 de junho de 1759 a jurisdição das terras é atribuída pelo Rei D. José I ao seu Primeiro-ministro sendo agora o 1º Conde de Oeiras, elevando Oeiras à categoria de Vila. E o município de Oeiras é constituído um mês depois, em Carta Régia de 13 de Julho de 1759.Ribeiro, Aquilino (1993). Oeiras. Queluz: Câmara Municipal de Oeiras (3ª edição) De acordo com o Foral, atribuído a 25 de setembro de 1760Foral da Vila de Oeiras e seu Termo, Arquivo Municipal de Oeiras, o concelho passou a ter os seguintes limites: a nascente o Rio Jamor, rio acima até à ponte do Jamor; a norte atingia o limite do Casal da Veiga (já pertencente a Barcarena), seguia em direcção à Ermida de Nossa Senhora do Socorro (Leião) e daqui até ao Lugar de Talaíde; a poente a Ribeira da Laje, descendo essa ribeira até ao Forte do Areeiro; a sul o Tejo. O Marquês, ao conceber a autonomia deste território, proporcionou-lhe desenvolvimento a nível económico e social ao apostar na inovação e no aproveitamento das condições fornecidas pelo Estuário do Tejo. Em 1764, surge o primeiro alargamento do concelho, tendo sido anexado a Oeiras o território a poente da Ribeira da Lage, incluindo o então termo da vila de Carcavelos, que havia sido criado em 1759 na sequência da anexação do chamado «reguengo a par de Oeiras» a outros territórios do concelho de Cascais para a formação da vila de Carcavelos, entre os quais São Domingos de Rana, que se mantiveram, contudo, sob a alçada da donatária de Cascais entre 1759 e 1764, ano em que, por alvará de 9 de abril do rei D. José, o termo de Carcavelos, incluindo São Domingos de Rana, seria integrado no concelho de Oeiras.A Freguesia de Carnaxide e o Concelho de Oeiras, UF Carnaxide e Queijas 19.02.2016História da freguesia de São Domingos de RanaFreguesia de Carcavelos e Parede, Câmara Municipal de Cascais Em 1770 ordenou a realização da 1ª Feira Agrícola e Industrial realizada em Portugal, e porventura na Europa. Apesar desta feira ter permitido um destaque a nível nacional, a sua obra municipal passa igualmente pela criação de um porto de abrigo para pescadores, uma alfândega e feitoria, entre outras obras.

Destaca-se também neste século o Aqueduto das Francesas (subsidiária do Aqueduto das Águas Livres) mandado construir também pelo rei D. José I, no território da antiga freguesia de Carnaxide, que viria no século seguinte a incluir-se na expansão leste de Oeiras, incluído do plano de construção e melhoramentos do Marquês de Pombal.

Industrialização