Christophe Munzihirwa Mwene Ngabo, S.J. (1926 – 29 de outubro de 1996) foi um prelado da República Democrática do Congo que serviu como Arcebispo de Bukavu e membro professo dos Jesuítas. Munzihirwa foi um defensor dos direitos humanos em face do conflito que ceifou sua própria vida.
A causa para sua beatificação foi aberta sob o Papa Francisco em meados de 2016 e o processo formal começou vários meses depois; ele agora tem o título póstumo que o reconhece como um Servo de Deus. Foi apelidado de "Oscar Romero do Congo".
Biografia O nome “Munzihirwa” significa “líder” e “Mwene Ngabo” significa “filho do povo”. Seu sobrenome, “Muhudumu”, significa “servo de Deus” em suaíli.
Ele estudou no seminário menor de Mugeri e no seminário maior de Nyakubanda, em Ruanda, terminando os estudos teológicos em Moba, em seu país natal.
Munzihirwa foi ordenado padre em 17 de agosto de 1958. Professou como membro da Companhia de Jesus em 9 de setembro de 1965. De 1965 a 1966, cursou teologia no Instituto de Filosofia de São Pedro Canísio, em Kimwenza, Kinshasa, e, em seguida, ciências sociais e economia (1967-1969) na Bélgica. Anos mais tarde (em 1977), obteve o doutorado em sociologia.
Retornou ao seu país em 1969 para se tornar diretor de formação dos jesuítas na província de Kinshasa. Enquanto vigário da paróquia universitária de Kinshasa, dois anos depois, quando o ditador Mobutu Sese Seko alistou à força jovens em idade universitária, incluindo seminaristas, Munzihirwa insistiu em ser alistado junto com seus noviços. Ele foi nomeado Vigário Superior da residência estudantil jesuíta na Universidade de Lubumbashi e, em seguida, Reitor do Instituto de Filosofia São Pedro Canísio, em 1978. Tornou-se superior da Província Jesuíta da África Central, que incluía Ruanda, Burundi e a República Democrática do Congo.
O Papa João Paulo II o nomeou Bispo Coadjutor de Kasongo em 10 de março de 1986. Ele recebeu a ordenação episcopal em 9 de novembro daquele ano, na Igreja de Jesus, Roma, pelo Cardeal Jozef Tomko, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos; os principais co-consagradores foram Adam Kozłowiecki, SJ, arcebispo emérito de Lusaka, e Luc Alfons De Hovre, SJ, bispo auxiliar de Mechelen-Bruxelas.
Monsenhor Christophe Munzihirwa tornou-se bispo diocesano de Kasongo em 30 de abril de 1990. Em 15 de setembro de 1993, foi nomeado Administrador Apostólico da Arquidiocese de Bukavu, mantendo-se como bispo de Kasongo. Em abril-maio de 1994, participou do Sínodo Especial para a África, em Roma. Em 14 de março de 1995, João Paulo II o elevou a arcebispo de Bukavu.
Enquanto bispo, ele recusou favores de Mobutu e denunciava as más condutas de militares. Apesar disso, outros bispos não o acompanhavam, deixando-o isolado na oposição aos crimes da ditadura. Em 1994, com o genocídio em Ruanda, ele tornou-se um defensor declarado dos refugiados que inundaram sua diocese.
No início da Primeira Guerra do Congo, Monsenhor Munzihirwa se pôs em defesa dos milhares de refugiados hutus. Quando as tropas ruandesas invadiram a parte leste do que era então o Zaire, em outubro de 1996, ele implorou uma última vez por ajuda internacional. No dia seguinte, Munzihirwa se entregou aos soldados para permitir que dois companheiros pudessem fugir em seu carro; eles, porém, também foram capturados e executados. O arcebispo foi morto a tiros por um grupo de soldados ruandeses, e seu corpo foi deixado para se decompor nas ruas desertas de Bukavu. Um pequeno grupo de seminaristas conseguiu recuperar o corpo mais de 24 horas depois da morte e prepará-lo para o sepultamento.
Processo de beatificação A causa de beatificação foi iniciada em Bukavu em 28 de maio de 2016, após aprovação da Congregação para as Causas dos Santos. O inquérito diocesano foi aberto em 16 de janeiro de 2017. Essa etapa diocesana foi concluída em 2018. A Positio está sendo produzida.
Em fevereiro de 2023, durante sua viagem apostólica à África, o Papa Francisco discursou na sede da Conferência Episcopal Nacional do Congo e lembrou do "Servo de Deus Arcebispo Christophe Munzihirwa, um pastor corajoso e voz profética, que defendeu seu povo oferecendo sua vida".
A Fraternidade Christophe Munzihirwa foi criada para promover a causa de beatificação do arcebispo.
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