Péter Magyar (Budapeste, 16 de março de 1981) é um advogado e político húngaro. Desde 9 de maio de 2026 é o primeiro-ministro da Hungria.

De 2024 a 2026, exerceu mandato como membro do Parlamento Europeu e ocupa a presidência do partido Tisza. Anteriormente, foi filiado ao partido Fidesz.

Em fevereiro de 2024, ganhou notoriedade nacional ao anunciar sua saída de cargos ligados ao governo, em meio a controvérsias relacionadas a um escândalo de indulto presidencial. No mês seguinte, em 15 de março, declarou a intenção de criar uma nova plataforma política voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Assumiu então a liderança do até então pouco conhecido partido Tisztelet és Szabadság (Tisza), que sob sua direção tornou-se uma das principais forças oposicionistas.

Nas eleições para o Parlamento Europeu de 2024, o Tisza obteve o segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, conquistando cerca de 30% dos votos, o maior percentual já alcançado por um partido não ligado ao Fidesz desde 2006. Magyar se autodefine como um político de orientação liberal conservadora e pró-europeia, mas sem ser acrítico em relação à União Europeia.

Tendo conduzido o partido à vitória nas eleições parlamentares húngaras de 2026, frente a Viktor Orbán, será o próximo primeiro-ministro da Hungria.

Vida pessoal Magyar nasceu em Budapeste. Conservador, foi membro do Fidesz, que governa a Hungria desde 2010.

Conheceu Judit Varga em abril de 2005 numa festa, pedindo-a em casamento em agosto de 2006. Juntos têm três filhos. A família viveu em Bruxelas durante vários anos antes de regressar a Budapeste, quando Varga foi escolhida para um cargo no Ministério da Justiça. O casal anunciou o divórcio em março de 2023.

A sua família é proeminente na política húngara. O seu avô, Pál Erőss, era um juiz que apresentava um popular programa de televisão sobre questões jurídicas. O seu tio-avô, Ferenc Mádl, foi presidente da Hungria de 2000 a 2005, e a sua mãe trabalhou no poder judiciário.

Carreira jurídica e início da carreira política Antes de entrar na política num núcleo local do Fidesz, que era então um partido da oposição, Magyar participou na representação jurídica e assistência pro bono de ativistas antigovernamentais durante os protestos de 2006. O seu papel anterior no Fidesz foi descrito de várias formas, desde "membro influente do sistema" a "antigo funcionário". Depois de o Fidesz ter tomado o poder nas eleições parlamentares de 2010, foi nomeado para um cargo no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Um ano depois, coincidindo com a presidência húngara da UE, juntou-se à Representação Permanente da Hungria junto da União Europeia. Em 2015, assumiu um posto no Gabinete do Primeiro-Ministro. Em setembro de 2018, assumiu a gestão da Direção Jurídica da UE do banco estatal MBH Bank. Entre 2019 e 2022, foi o CEO do Centro de Empréstimos a Estudantes.

Saída do Fidesz

Magyar ganhou destaque pela primeira vez pelas suas críticas a políticos do governo após o Escândalo de indulto presidencial de Katalin Novák. Em fevereiro de 2024, Magyar divulgou uma gravação de voz da sua ex-mulher Judit Varga, que ele tinha feito secretamente sem o seu conhecimento ou consentimento. A gravação mostrava que a presidente da Hungria, Katalin Novák, tinha concedido um indulto presidencial em abril de 2023 a Endre Kónya, o diretor-adjunto de um centro de acolhimento de crianças estatal perto de Budapeste. Kónya tinha coagido crianças a encobrir abusos sexuais cometidos pelo seu superior, János Vásárhelyi, o diretor do centro. A revelação resultou em protestos antigovernamentais exigindo a demissão de Novák; esta renunciou ao cargo a 10 de fevereiro de 2024. No mesmo dia, Varga, antiga ministra da Justiça que tinha referendado o indulto, anunciou também a sua renúncia à Assembleia Nacional da Hungria e ao seu papel como cabeça de lista do Fidesz nas eleições de junho de 2024 para o Parlamento Europeu.

Horas após Varga anunciar a sua retirada da política, Magyar publicou um post no Facebook declarando que se demitia dos seus cargos em duas empresas estatais e que renunciava ao seu lugar no conselho de administração de uma terceira, o MBH Bank. Escreveu que os últimos anos o fizeram perceber que o ideal professado por Viktor Orbán de uma "Hungria nacional, soberana e burguesa" era, na verdade, um "produto político" que ocultava corrupção massiva e transferências de riqueza para aqueles com as ligações certas.

Nas semanas seguintes, Magyar concedeu várias entrevistas aos órgãos de comunicação social mais populares da Hungria, incluindo o Partizán, o Telex e o 444, nas quais criticou extensamente o governo, particularmente o Ministro do Gabinete do Primeiro-Ministro, Antal Rogán. Afirmou que, durante o seu mandato como chefe do fornecedor nacional de empréstimos a estudantes, foi forçado a favorecer pessoas próximas de Orbán em concursos públicos e pressionado em aspetos do seu divórcio. A sua primeira entrevista, na qual disse que "algumas famílias detêm metade do país", tinha sido vista mais de dois milhões de vezes até março de 2024.

O Fidesz, preocupado com a atenção indesejada que as aparições de Magyar estavam a atrair, lançou iniciativas para o desacreditar. Alegações iniciadas por jornais e figuras públicas pró-governo tentaram difamar Magyar, acusando-o de violência doméstica. De acordo com o jornalista de direita Zsolt Bayer, "nós aqui no Fidesz sabemos há cerca de dez anos como ele trata a mulher". Um relatório policial de dezembro de 2020 foi divulgado e amplamente noticiado pelos meios de comunicação social afetos ao governo. O documento detalhava um comportamento agressivo de Magyar para com a sua mulher e para com os agentes da polícia que chegaram a pedido dela para intervir numa discussão acesa. Magyar afirmou que o relatório era "90% mentira".

Magyar continuou a publicar críticas a figuras associadas ao governo nos dias seguintes, alegando que pessoas próximas ou familiares do primeiro-ministro, como o seu genro István Tiborcz, tinham acumulado uma riqueza enorme oculta atrás de fundos de capital privado nacionais. A 15 de março de 2024, realizou um comício em Budapeste, com a presença de dezenas de milhares de pessoas, no qual anunciou a formação de um novo partido político. De acordo com sondagens realizadas nesse mês, cerca de 15 por cento dos eleitores afirmaram que votariam "com certeza ou com elevada probabilidade" em Magyar caso ele se candidatasse.

A 6 de abril de 2024, Magyar organizou uma segunda manifestação contra o governo, citando o que chama de um "sistema feudalista" que precisa de ser desmantelado. Centenas de milhares de manifestantes estiveram presentes. O grupo de reflexão Megafon, apoiado pelo governo, gastou 117 milhões de HUF numa campanha publicitária contra Magyar no Facebook nas semanas que antecederam o comício.

Líder da oposição (2024–2026) Após as eleições para o Parlamento Europeu de 2024, o Partido Tisza emergiu como o maior partido da oposição na Hungria, e Magyar passou a ser amplamente considerado o novo líder da oposição.

Partido Tisza

Magyar juntou-se ao Partido Tisza para disputar as eleições para o Parlamento Europeu de 2024. Magyar decidiu assumir este partido minoritário (em vez de fundar um novo) para ultrapassar restrições de tempo e potenciais problemas administrativos. Após o anúncio, Magyar ganhou rapidamente atenção nacional e um apoio público significativo, desafiando tanto o partido no poder, Fidesz, como a oposição tradicional.

Embora o Partido Tisza evite oficialmente rótulos ideológicos fixos, a retórica de Magyar reflete frequentemente valores centristas e conservadores moderados, enfatizando a unidade nacional e a responsabilidade política acima do partidarismo. Magyar afirmou repetidamente que o Partido Tisza não entraria em qualquer aliança com os chamados partidos da "velha oposição", sublinhando que o Tisza pretende desafiar o Fidesz sozinho nas eleições parlamentares de 2026. Magyar foi escolhido por unanimidade como líder da lista nacional do Partido Tisza e candidato a primeiro-ministro. Sob a sua liderança, o Tisza adotou o slogan "Agora ou nunca!" (). Nas fases finais da campanha de 2026, surgiram cartazes com o "ou nunca" riscado para transmitir um sentido de urgência.

Manifestações Antes das eleições para o Parlamento Europeu de 2024, Magyar organizou quatro grandes manifestações que atraíram dezenas de milhares de participantes. A primeira, a 15 de março de 2024, teve lugar na Avenida Andrássy, antes de se juntar ao Partido Tisza, e marcou a sua emergência como figura política após a sua crítica pública ao Quinto Governo de Orbán.

Mais tarde, organizou um segundo grande comício a 6 de abril de 2024, onde simpatizantes marcharam da Praça Deák até à Praça Kossuth em Budapeste. Durante este comício, Magyar anunciou que iniciaria um roteiro político nacional, declarando que o seu próximo grande evento seria em Debrecen, em frente à Grande Igreja Reformada de Debrecen, a 5 de maio de 2024, Dia da Mãe. Magyar realizou a sua quarta grande manifestação a 8 de junho de 2024 na Praça dos Heróis, em Budapeste, como evento de encerramento da campanha do Partido Tisza para as eleições europeias.

Após a eleição, Magyar realizou mais oito manifestações. Organizou o seu quinto grande comício a 5 de outubro de 2024, em frente à sede da emissora pública húngara MTVA. Durante a manifestação, colocou um cartaz com dezasseis exigências na entrada principal do edifício, apelando à liberdade de imprensa e à prestação de contas do governo.

Magyar realizou a sua sexta grande manifestação a 23 de outubro de 2024, comemorando o aniversário da Revolução Húngara de 1956. A manifestação começou na Praça Bem József e continuou com uma marcha até à Praça Széna, em Budapeste, atraindo dezenas de milhares de pessoas. Realizou a sua sétima grande manifestação a 15 de março de 2025 em Budapeste, no mesmo local da sua primeira manifestação um ano antes. Durante o evento, anunciou o lançamento da consulta pública "Voz da Nação", que descreveu como uma forma de referendo popular. Os resultados da iniciativa deveriam ser integrados no futuro programa político do Partido Tisza. O antigo Chefe do Estado-Maior General, Romulusz Ruszin-Szendi, também apareceu no palco como especialista em política de defesa do Partido Tisza.

A 20 de agosto de 2025, Magyar realizou a oitava grande manifestação em Pannonhalma, intitulada "Nos Passos de Santo Estêvão", onde anunciou um novo programa de dez pontos delineando as principais prioridades do partido para a próxima temporada política. A 7 de setembro de 2025, organizou o seu nono grande evento em Kötcse, coincidindo com o discurso anual do Primeiro-Ministro Viktor Orbán, tradicionalmente realizado na mesma aldeia. Antes de chegar a Kötcse, Magyar visitou Balatonőszöd, o local do Discurso de Őszöd do antigo Primeiro-Ministro Ferenc Gyurcsány, caminhando simbolicamente de lá até Kötcse. No seu discurso, Magyar criticou tanto Orbán como Gyurcsány pelos seus laços com o Presidente russo Vladimir Putin, afirmando que "um abraçou Putin pela esquerda, o outro pela direita". Durante o comício, o Partido Tisza lançou oficialmente a sua campanha para as eleições parlamentares de 2026 e apresentou Ágnes Forsthoffer como a terceira vice-presidente do partido.