Caetés é o primeiro romance do escritor brasileiro Graciliano Ramos publicado em 1933 pela Livraria Schmidt Editora. A história desenvolve-se em Palmeira dos Índios, cidade em que viveu Graciliano Ramos.Benjamin Abdala Júnior. Ecos do Brasil: Eça de Queirós : leituras brasileiras e portuguesas. Senac; 2000. ISBN 978-85-7359-161-3. p. 104.
Sinopse João Valério, o personagem principal, introvertido e fantasioso, apaixona-se por Luisa, mulher de Adrião, dono da firma comercial em que trabalha. O caso amoroso é denunciado por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio. Arrependido, João Valério, afasta-se de Luisa, continuando, porém, como sócio da firma.Graciliano - site oficial, Caetés
Neste romance em primeira pessoa, aparecem duas instâncias de narração, diferentes entre si: o livro que o narrador-personagem João Valério escreve (cujo título é também Caetés) não se assemelha ao romance Caetés que Graciliano está escrevendo, entretanto, o narrador personagem acaba por se inscrever entre essas duas linhas, colocando-se ele próprio e toda a sociedade de Palmeira dos índios analogicamente como indígenas caetés. No romance homônimo escrito pelo personagem, o tema principal é a deglutição do bispo Sardinha pelos indígenas, episódio presente no Manifesto antropófago de Oswald de Andrade enquanto no romance de Gracialiano, o indígena deixa de ser um ícone do processo constitutivo da nação, para se transformar em um personagem.Luciana Nascimento et al, Mosaicos da Cultura Brasileira. Letra Capital Editora LTDA; ISBN 978-85-7785-148-5. p. 48. Benjamin Abdala Júnior diz que "na interação dos caracteres, como ocorrem em relação ao João Valério, de Caetés, afirmam-se as marcas do autor implícito."Benjamin Abdala Júnior. Literatura Comparada e Relações Comunitárias, Hoje. Atelie Editorial; 2012. ISBN 978-85-7480-627-3. p. 125.
Crítica Os críticos não acolheram bem Caetés e os detratores chegam a dizer que, em Caetés, temos mais de Eça de Queirós do que Graciliano Ramos.Carlos Alberto Abel. Graciliano Ramos: Cidadão e artista. Editora UnB; 1999. ISBN 978-85-230-0543-6. p. 271. Antonio Candido foi um desses críticos ao afirmar que o romance é um "exercício de técnica literária mediante o qual [o autor] pode aparelhar-se para os grandes livros posteriores."Antônio Cândido. Ficção e confissão: ensaios sobre Graciliano Ramos. Editora 34; 1992. ISBN 978-85-85490-05-8.Luís Bueno. Uma história do romance de 30. EdUSP; 2006. ISBN 978-85-314-0965-3. p. 597.
Já Osman Lins exprimiu seu apreço por Caetés indicando o excesso de rigor com que a crítica o teria apreciado: "críticos exigentes fazem certas restrições à obra, entretanto límpida, arguta e equilibrada".Osman Lins, Graciliano e seu mundo, p.180
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