Michel Collot (1952) é um poeta e crítico literário francês. Ele é um especialista da poesia francesa moderna e contemporânea e das representações artísticas e literárias da paisagem.

Biografia

Michel Collot é ex-aluno da École normale supérieure (1971), professor associado de Letras Clássicas (1974), doutor em Estado (1986), professor emérito de literatura francesa na Universidade Sorbonne-Nouvelle Paris 3. Lecionou de 1979 a 1991 na École normale supérieure, onde organizou um seminário e diversas conferências sobre poesia moderna; de 1991 a 1997 em Paris 10 – Nanterre, onde iniciou trabalhos pessoais e coletivos sobre representações de paisagens; e de 1997 a 2013 em Paris 3, onde fundou e dirigiu de 2001 a 2011 o centro de pesquisa Roteiros da Modernidade, associado ao Centre national de la recherche scientifique.

Começou a ler e escrever poesia na década de 1970, quando a poética era dominada na França pelo modelo de fechamento de texto de inspiração estruturalista. Recorreu à fenomenologia para propor uma alternativa teórica centrada na noção de estrutura do horizonte, graças à qual "consegue ligar os três termos da experiência poética: um sujeito, um mundo, uma linguagem. Desse trivium partem os três caminhos de pesquisa que Michel Collot explora: a fenomenologia, a psicanálise e a linguagem poética".

Tanto nos seus ensaios como nos seus poemas, a escrita e a experiência poética aparecem inseparáveis ​​de uma emoção nascida do contato com o mundo e as palavras: "Pega no brilho instantâneo da matéria-emoção, chamando às palavras ou levada até elas pelo caosmos, tornando-se o forma consumada e material do poema", o poeta "experimenta o espaço e o tempo de um modo anterior ao da representação clara e distinta".

Desde 1995, dirige pesquisas interdisciplinares sobre paisagem, cujas múltiplas questões questiona e mostra o lugar essencial no campo social, intelectual e artístico contemporâneo: "a paisagem é, segundo Michel Collot, este campo privilegiado que pode permitir a autores a recuperarem o equilíbrio – por ser uma relação íntima entre a consciência e o mundo, tanto interior como exterior, próximo e distante, limiar entre natureza e cultura, pode até gerar uma consciência ecológica inscrevendo a poesia no coração dos nossos problemas sociais contemporâneos".

Para sintetizar esta pesquisa, desenvolveu o modelo de um "pensamento paisagem", capaz de superar as divisões estabelecidas pela razão moderna entre o sentido e o sensível, o sujeito e o objeto, o espaço e o pensamento, o corpo e o espírito, a natureza e a cultura: "Contra um pensamento reducionista que separa o homem da paisagem, Michel Collot defende uma nova relação entre eles num momento em que esta última está ameaçada de declínio pela feiúra universal e pela expansão urbana. A paisagem não é apenas um cenário onde nos movemos como num teatro, é uma aliança: a do microcosmo e do macrocosmo. A natureza é uma proposição que desperta certas afinidades, nos faz pensar, sentir, ouvir. Contemplar já é filosofar".

Desde 2011, tem-se esforçado por atualizar a geografia literária: dedica-lhe um ensaio, no qual tenta sintetizar as correntes críticas que renovam os seus métodos, e um seminário que a associa à ecopoética para questionar as relações entre literatura, artes e natureza.Dans le cadre de l’Unité Mixte de Recherche THALIM (Université Paris 3 Sorbonne nouvelle / CNRS / ENS) : https://geographielitteraire.hypotheses.org

Publicações Ensaios Horizon de Reverdy , Paris, Presses de l'École normale supérieure, 1981. L'Horizon fabuleux (t. I : XIXe ; t. 2 : XXe), Paris, Corti, 1988. La Poésie moderne et la structure d'horizon, Paris, PUF, 1989.. Francis Ponge entre mots et choses, Seyssel, Champ Vallon, 1991. Gérard de Nerval ou la dévotion à l'imaginaire, Paris, PUF, 1992. La Matière-émotion, Paris, PUF, 1997. Paysage et poésie. Du romantisme à nos jours, Paris, Corti, 2005.Compte rendu dans Romantisme 2007/2, n° 136, Le Corps-cosmos, La Lettre volée, 2008. La Pensée paysage, Paris, Actes Sud / École nationale supérieure du paysage, 2011.. Pour une géographie littéraire, Paris, Corti, 2014.Comptes rendus : Revue de littérature comparée 2015/3 (n° 355), pages 327 à 380 » [archive] https://www.cairn.info/revue-de-litterature-comparee-2015-3-page-327.htm?contenu=resume ; Studi Francesi, 177 (LIX | III) 2015 , American Book Review, vol. 37, n° 6, 2016, p. 8-9) Sujet, monde et langage dans la poésie moderne. De Baudelaire à Ponge , Paris, Classiques Garnier, 2018.Compte-rendu dans la revue en ligne Acta Fabula, vol. 20, n° 6, 2019 Le Chant du monde dans la poésie française contemporaine, Paris, Corti, 2019.Compte-rendu dans la revue en ligne Acta Fabula, vol. 20, n° 6, 2019 Gérard de Nerval, du réel à l’imaginaire, Paris, Hermann, 2019. André du Bouchet. Une écriture en marche, Strasbourg, L'Atelier contemporain, 2021. Un nouveau sentiment de la nature, Paris, Corti, coll. « Les Essais », 2022.

Poesia Issu de l'oubli, Le Cormier, 1997. Chaosmos, Belin, 1997. Immuable mobile, La Lettre volée, 2002. De chair et d’air, La Lettre volée, 2008. L’Amour en bref, Tarabuste, 2013. Le Parti pris des lieux, La Lettre volée, 2018. Un Tombeau pour Sylvie, Tarabuste, 2020.

Edições Anthologie de la poésie française tome II, XXe, Bibliothèque de la Pléiade,Gallimard, 2000. André du Bouchet, Carnets (1952-1956), Plon, 1990 ; Ici en deux, « Poésie », Gallimard, 2011. Jean Laude, La Trame inhabitée de la lumière, Corti, 1989 ; Les Plages de Thulé, La Lettre volée, 2012. Francis Ponge, Douze petits écrits, Proêmes, dans Œuvres complètes, tome I, sous la direction de B. Beugnot, Bibliothèque de la Pléiade, Gallimard 1999. Jules Supervielle, Oeuvres poétiques complètes, Bibliothèque de la Pléiade, Gallimard, 1996.

Direção de obras coletivas Autour d'André du Bouchet, Presses de l’École normale supérieure, 1986. Espace et Poésie (M. Collot et J.-C. Mathieu dir.), Presses de l’École normale supérieure, 1987. Passages et langages de Henri Michaux (M. Collot et J.-C. Mathieu dir), Corti, 1987. Poésie et Altérité (M. Collot et J.-C. Mathieu dir.), Presses de l’École normale supérieure,,1990. Reverdy aujourd'hui (M. Collot et J.-C. Mathieu dir.), Presses de l’École normale supérieure,1991. Les enjeux du paysage, Ousia, 1997. Les horizons de la poésie moderne (M. Collot et R. Cortiana dir.), Université Paris X-Nanterre, ritm, n° 15, 1997. Le paysage : état des lieux (M. Collot, F. Chenet et B. Saint Girons dir.), Ousia, 2001. Paysage et poésies francophones (M. Collot et A. Rodriguez dir.), PSN, 2005. Paysage et modernité(s), (A Bergé et M. Collot dir.), Ousia, 2007. René Char en son siècle, (D. Alexandre, M. Collot, J-C. Mathieu, M. Murat et P. Née dir.), Classiques Garnier, 2009. Paysages européens et mondialisation, (A. Bergé, M. Collot et J. Mottet dir.), Champ Vallon,2012. Présence d’André du Bouchet (M. Collot et J-P. Léger dir.), Hermann, 2012.

Referências

Bibliografia

Chantal Colomb, « Le séjour et la blessure ». Entretien avec Michel Collot, Revue Prétexte, n° 21-22, 1999. Revue Nu(e) n° 25, « Michel Collot », 2003. Laurence Bougault et Ridha Bourkhis, « Le paysage est un lieu privilégié du lyrisme moderne », Acta Fabula, vol. 9, n° 6, junho de 2008. https://www.fabula.org/acta/document4257.php Pierre-Yves Soucy, Entretien avec Michel Collot, dans Béatrice Bonhomme et Hervé Bosio (dir.), La Revue NU(e) : dix entretiens sur la poésie actuelle, Bruxelles, La Lettre volée, 2012.

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