O homicídio de Ryan da Silva Andrade Santos, de quarto anos de idade, ocorreu em 5 de novembro de 2024 durante um confronto policial no Morro São Bento, em Santos, São Paulo, Brasil. O incidente, registrado por volta das 20h15 durante uma operação de patrulha da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), deixou outros dois adolescentes baleados, um deles, de dezessete anos de idade, que não resistiu aos ferimentos. O caso provocou reações imediatas das autoridades e mobilizou a população local.
Confronto O confronto iniciou-se quando equipes da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) avistaram um grupo de cerca de dez homens, entre os quais quatro estariam em motocicletas. Ao perceberem a presença policial, os suspeitos fugiram, dirigindo-se para um local de tráfico de drogas. Durante a perseguição e abordagem, os policiais relataram que os suspeitos começaram a disparar contra as equipes, levando os agentes a revidarem e a solicitarem reforços.
Na troca de tiros que se seguiu, dois adolescentes foram atingidos. Ambos foram levados a unidades de saúde locais; um deles faleceu, enquanto o outro, de 15 anos, permaneceu sob escolta policial após receber atendimento. Segundo informações fornecidas pela mãe de Ryan da Silva Andrade Santos, a criança estava brincando na calçada em frente à casa de uma parente quando foi atingida por um tiro no abdômen, sendo socorrida e levada ao hospital, onde não resistiu.
Investigação A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) lamentou a morte de Ryan e declarou que um inquérito foi aberto para apurar o ocorrido. As armas dos policiais envolvidos foram apreendidas para perícia, com o objetivo de identificar a origem do disparo fatal. O coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, declarou que a análise preliminar dos fatos sugere que o disparo que atingiu a criança possivelmente partiu de uma arma policial. Sete policiais envolvidos foram afastados das ruas até a conclusão das investigações.
Em 27 de março de 2025, o laudo da Polícia Técnico Científica confirmou que o tiro que matou o menino Ryan partiu mesmo da arma de um policial militar.
Velório e sepultamento O velório de Ryan, realizado no Cemitério Municipal da Areia Branca, foi marcado por momentos de tensão. Familiares e apoiadores se reuniram para homenagear a criança, e relatos indicam que houve discussões entre policiais presentes e o ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo. Testemunhas afirmam que agentes tentaram intervir no cortejo e posicionaram viaturas na entrada do cemitério, o que gerou protestos e manifestações de descontentamento entre os presentes.
O homicídio do pai de Ryan Quase nove meses antes, o pai de Ryan, Leonel Andrade Santos, de 36 anos de idade, também foi baleado e morto por policiais no mesmo local durante a Operação Verão. Ryan foi atingido enquanto brincava com outras crianças, enquanto dois adolescentes também foram baleados, um deles fatalmente. A mãe de Ryan, Beatriz da Silva Rosa, acredita que o tiro veio da polícia. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) lamentou a morte e abriu inquérito para apurar os fatos. Leonel, pai de Ryan, usava muletas e aguardava cirurgia no joelho quando foi morto em fevereiro. Segundo familiares, ele não estava armado, contradizendo o Boletim de Ocorrência policial que relata uma troca de tiros. A SSP declarou que Leonel e outro homem foram mortos após apontarem armas aos policiais, e que foram apreendidos armas, drogas e dinheiro com eles.
Repercussão
UNICEF O UNICEF divulgou uma nota oficial sobre o caso de Ryan:
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