miniaturadaimagem| Nadar - Alfred Fouillée Alfred Jules Émile Fouillée (18 de outubro de 1838 – 16 de janeiro de 1912) foi um filósofo francês. Inserido na escola do espiritualismo francês,seu ecletismo buscava conciliar tendências naturalistas e positivistas com o idealismo, porém sua postura filosófica particular criticava Herbert Spencer e o epifenomenalismo de Thomas Huxley. Dentre suas propostas mais conhecidas, encontra-se a teoria das ideias-forças.
Fouillée também foi considerado na historiografia um dos principais teóricos do solidarismo, um modelo político e social que enfatizava a cooperação.
Vida Fouillée nasceu em La Pouëze, Maine-et-Loire. Ele ocupou vários cargos menores de professor de filosofia e, a partir de 1864, foi professor de filosofia nos liceus de Douai, Montpellier e Bordeaux, sucessivamente. Em 1867 e 1868 ele foi coroado pela Academia de Ciências Morais por seu trabalho sobre Platão e Sócrates. Em 1872 foi eleito mestre de conferências na École Normale e doutor em filosofia em reconhecimento aos seus dois tratados, Platonis Hippias Minor sine Socratica contra liberum arbitrium argumenta e La Liberté et le déterminisme.
A tensão dos três anos seguintes de trabalho contínuo prejudicou sua saúde e sua visão, e ele foi obrigado a se aposentar de sua cátedra. Durante esses anos, ele publicou obras sobre Platão e Sócrates e uma história da filosofia (1875); mas após sua aposentadoria, ele desenvolveu ainda mais sua posição filosófica, um ecletismo especulativo por meio do qual ele se esforçou para reconciliar o idealismo metafísico com o ponto de vista naturalista e mecânico da ciência.
Em L'Evolutionnisme des idées-forces (1890), La Psychologie des idées-forces (1893) e La Morale des idées-forces (1907), é elaborada sua doutrina das ideias-forças, ou da mente como causa eficiente através da tendência das ideias de se realizarem em movimentos apropriados. Os desenvolvimentos éticos e sociológicos desta teoria sucedem o seu tratamento físico e psicológico, sendo especialmente importante a consideração da antinomia da liberdade.
A esposa de Fouillée, Augustine Fouillée, que de um casamento anterior foi mãe do poeta e filósofo Jean-Marie Guyau, é mais conhecida, sob o pseudônimo de "G. Bruno", como autora de livros para crianças, incluindo o romance educacional e livro escolar Le Tour de la France par deux enfants (1877).
Fouillée ocupou a propriedade Les Colombières em Menton, que foi posteriormente remodelada por Ferdinand Bac. Ele morreu em 16 de janeiro de 1912 em Lyon.
Influência Sua obra A Filosofia de Platão (La philosophie de Platon), publicada em dois volumes em 1869, foi chamada por Ernst Moritz Manass de "o esforço mais ambicioso da escola eclética-espiritualística de se fornecer uma interpretação abrangente da filosofia platônica". Sua leitura platônica priorizava o diálogo Parmênides, bem como o Sofista, defendendo que o novo tratamento de Platão nesses diálogos evitava a separação diádica radical (chorismos) na participação das Ideias. Ele tentou reconstruir e sistematizar alguns pressupostos metafísicos implícitos nos diálogos. Posteriormente, em meio à mudança da atmosfera intelectual na França, envolvendo críticas a Platão por Comte e ao ecletismo por Renouvier, Fouillée alterou algumas de suas opiniões, tornando-se mais crítico de Platão.Manasse, Ernst Morris (1964). "A Century of Platonic Scholarship in France: From Cousin to Robin". The Society for Ancient Greek Philosophy Newsletter. v. 37.Fouillée, Alfred (1869). La Philosophie de Platon. v. 4.
Fouillé foi um divulgador científico de novas descobertas da psicologia, em especial tendo sido colunista na Revue des Deux Mondes, na qual que relatou experimentos de hipnose em uma série de artigos nas décadas de 1880 e 1890. Ele afirmou que "a nova psicologia arrancou de nós a ilusão de um ego limitado, impenetrável e autônomo".
Henri Bergson concedeu louvor ao livro de Fouillé La morale des idées-forces. Fouillé alegava ter antecipado a tese da realidade do movimento de Bergson e de Nietzsche. Porém, ele criticava a noção bergsoniana de duração.
Obras de Fouillée como La philosophie de Platon estão dentre as influências lidas por Fernando Pessoa para escrever um ensaio sobre o livre-arbítrio, por volta de 1906, e Farias Brito também o cita positivamente no seu livro O Mundo Interior.Farias Brito, Raimundo (1914). O Mundo Interior. Brasília: Senado Federal. Pierre Janet escreveu em 1916 uma Notice sur la vie et les travaux d'Alfred Fouillée, e, a partir de 1923, ocupou a cátedra de filosofia que antes era de Fouillée na Académie de sciences morales et politique. Jung menciona Fouillée e o conceito de ideias-forças, o qual, segundo Sonu Shamdasani, foi implicitamente uma importante fonte na construção do conceito junguiano de arquétipo.
Obras Suas outras principais obras são:
L'Idée moderne du droit en Allemagne, en Angleterre et en France (Paris, 1878) La Science sociale contemporaine (1880) La Propriété sociale et la démocratie (1884) Critique des systèmes de morale contemporains (1883) La Morale, l'art et la religion d'après Guyau (1889) L'Avenir de la métaphysique fondée sur l'expérience (1889) L'Enseignement au point de vue national (1891) Descartes (1893) Tempérament et caractère (2nd ed., 1895) Le Mouvement positiviste et la conception sociologique du monde (1896) Le Mouvement idéaliste et la réaction contre la science positive (1896) La Psychologie du peuple français (2nd ed., 1898) La France au point de vue moral (1900) L'Esquisse psychologique des peuples européens (1903) Nietzsche et "l'immoralisme" (1903) Le Moralisme de Kant, et l'immoralisme contemporain (1905)
Referências
Categoria:Nascidos em 1838 Categoria:Mortos em 1912 Categoria:Naturais de Maine-et-Loire Categoria:Filósofos da França