Brigada Mecanizada ( BrigMec ) é uma grande unidade do Exército Português, constituindo uma das suas três brigadas. O seu comando, órgãos de base e unidades operacionais encontram-se aquartelados no Campo Militar de Santa Margarida, localizado na freguesia de Santa Margarida da Coutada, concelho de Constância. Tem como patrono, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável.PORTUGAL, Ministério da Defesa Nacional, "Decreto Regulamentar n.º 11/2015, de 31 de julho - Aprova a orgânica do Exército", Diário da República nº 148/2015, Série I, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015
Como grande unidade, a BriMec encontra-se inserida tanto na Componente Operacional (estrutura operacional) como na Componente Fixa (estrutura base) do Sistema de Forças do Exército, dependendo hierarquicamente do Comando das Forças Terrestres (CFT).
A BrigMec constitui a grande unidade de forças pesadas do Exército Português. Estas caracterizam-se por serem forças de armas combinadas, dotadas de meios mecanizados e blindados, vocacionadas para atuarem em situações de conflito de alta intensidade, onde os poderes de fogo, de choque e de proteção sejam determinantes.
No âmbito da Componente Fixa do Sistema de Forças, o Campo Militar de Santa Margarida (CMSM) é atualmente o único órgão de base na dependência hierárquica da BriMec. O CMSM constitui uma unidade de apoio, do tipo regimento, que assegura o apoio administrativo e logístico às unidades militares aquarteladas na sua área de responsabilidade, bem como o apoio à formação e ao treino operacional que decorra naquela área. Ao contrário do que acontece na generalidade do Exército Português, as unidades operacionais da BriMec não se encontram aquarteladas nem associadas a regimentos das respetivas armas e serviços, dispersos por várias localidades, mas encontram-se sim concentradas no CMSM.
O plano estratégico Força Terrestre 2045 apenas contempla a existência de duas unidades de escalão brigada, uma ligeira e outra média, não prevendo assim a continuidade da existência de forças pesadas e da Brigada Mecanizada. Até 2032, prevê-se que as unidades e meios remanescentes da BrigMec se juntem aos da Brigada de Intervenção, formando uma brigada de forças médias.Seminário “Horizonte 2045: O Exército Português na Era da Inovação, Viseu: Campus Viseu, 22 de outubro de 2025
Missão O Comando da Brigada Mecanizada apronta e sustenta as unidades orgânicas e outras colocadas na estrutura de Comando da Brigada e prepara-se para atuar em todo o espetro das operações militares, no âmbito nacional ou internacional, de acordo com a sua natureza. Assegura a administração e direção das unidades e órgãos colocados na sua direta dependência. Através do CMSM, assegura o apoio administrativo-logístico, o apoio à formação e ao treino operacional das unidades militares implantadas na área de SANTA MARGARIDA, dos ECOSF do Exército e de outros Ramos e executa a vigilância, proteção, ordenamento e exploração da fauna e flora. Quando determinado, intervém em resposta a emergências complexas e colabora em tarefas de apoio ao desenvolvimento e bem-estar das populações.
Visão A Brigada Mecanizada, com a sua relevante capacidade mecanizada e blindada, garante, em conjunto com as restantes GU da componente terrestre, a coerência e o equilíbrio do sistema de forças erações de resposta a crises. No cumprimento da sua missão, a BrigMec privilegia o treino de armas combinadas, cultiva a liderança pelo exemplo, a adaptabilidade, o conhecimento e a inovação, explora as facilidades disponíveis de comando e controlo e gere as suas infraestruturas, de caraterísticas ímpares, em proveito da Formação dos quadros e tropas do Exército e das Forças Armadas. No quotidiano, a BrigMec fomenta a disciplina e a coesão, promove o moral e bem-estar e, acima de tudo, pugna pela preservação da cultura, tradições e valores castrenses. No plano social, a BrigMec reafirma-se ao serviço da comunidade de que é parte indissociável, mantém-se aberta ao exterior, fortemente envolvida no esforço de sensibilização e formação dos jovens no quadro da cidadania, da Defesa Nacional e Forças Armadas e apostada no prosseguimento da sua ação em prol da promoção da imagem e da credibilização do Exército.
História thumb|right|300px|Monumento que se situa na estrada nacional, início da estrada militar e simboliza o Campo Militar Santa Margarida. Monumento com um painel de azulejos e um antigo carro de combate M47 A actual Brigada Mecanizada tem origem na Divisão Nun'Álvares criada em 1953 para responder aos compromissos assumidos por Portugal em relação à NATO. Essa divisão era a componente inicial do Corpo Expedicionário Português que tinha como missão participar na defesa do sul da França em caso de invasão da Europa Ocidental pelas forças do Pacto de Varsóvia. A divisão tinha o seu Quartel-General no Campo Militar de Santa Margarida local onde eram concentradas as suas unidades operacionais (normalmente aquarteladas em diversas unidades territoriais espalhadas pelo país) por ocasião de manobras. A divisão sofreu diversas reorganizações ao longo da sua história, até dar origem à Brigada Mecanizada: 1953 - Ativação da 1.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (Divisão Nun'Álvares) que, nesse ano, realiza grandes manobras militares em Santa Margarida; 1954 - Em virtude da maioria das unidades operacionais da divisão pertencerem à 2ª Região Militar, a grande unidade passa a ser designada 2ª Divisão (Divisão Nun'Álvares); 1955 - A unidade passa a designar-se 3ª Divisão (Divisão Nun'Álvares) por motivo da maior responsabilidade em termos de mobilização das suas unidades operacionais passar a ser da 3ª Região Militar; 1960 - A organização da divisão deixa de ser baseada em 3 agrupamentos táticos, com base em regimentos de infantaria e passa a basear-se em 3 brigadas de infantaria do tipo LANDCENT; 1961 - A 3.ª Divisão organiza as últimas manobras de grande dimensão. A partir deste ano, o esforço do Exército Português passa a incidir prioritariamente na Guerra do Ultramar, entrando a divisão em declínio; 1968-1976 - São realizados estudos com vista a actualizar a contribuição terrestre de Portugal para a NATO para uma força de características diferentes da 3ª Divisão. Os estudos apontam para a criação de duas brigadas independentes de infantaria, uma aeromóvel e outra mecanizada. Em quase todos as aspetos, a planeada Brigada de Infantaria Mecanizada Independente (Brg Mcz) apresentava já características muito semelhantes às da que viria a ser a futura BriMec, mas previa ainda inclusão de uma bateria de mísseis terra-terra (com capacidade nuclear) Honest John.PORTUGAL. Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Avaliação de custos para a Brigada de Infantaria Aeromóvel Independente (BRG ARMV), Lisboa: Secretariado-Geral da Defesa Nacional, 1972PORTUGAL. Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Avaliação de custos para a Brigada de Infantaria Mecanizada Independente (BRG MCZ), Lisboa: Secretariado-Geral da Defesa Nacional, 1972 1976 - É ativada a 1ª Brigada Mista Independente (1ªBMI) que substitui a 3ª Divisão como principal contribuição terrestre de Portugal para a NATO. A 1ª BMI é uma unidade mista mecanizada e motorizada, organizada com base num Grupo de Carros de Combate, num Batalhão de Infantaria Mecanizada e em dois Batalhões de Infantaria Motorizada. No âmbito da NATO, a sua missão principal era a projeção para Itália actuando na defesa do flanco sul da Europa; 1993 - A brigada é totalmente mecanizada, sendo os batalhões motorizados substituídos por um segundo batalhão mecanizado, passando a denominar-se Brigada Mecanizada Independente (BMI). O Campo Militar de Santa Margarida passou a ser um comando territorial, ficando sob seu comando as unidades territoriais aquarteladas na sua área. O comandante da BMI era também o comandante do CMSM; 2001 - Membro-Honorário da Ordem Militar de São Bento de Avis a 16 de Maio. 2006 - A BMI passa a denominar-se simplesmente Brigada Mecanizada. No âmbito da nova Lei Orgânica do Exército então publicada, são extintos os comandos territoriais, assumindo as brigadas as funções que então competiam aos mesmos. Além de continuar a integrar a estrutura operacional do Exército, a BriMec passou assim a integrar também a sua estrutura fixa. O CMSM deixou de ser um comando territorial e passou a ser um órgão de base, na dependência hierárquica da BriMec. 2025 - É apresentado o plano Força Terrestre 2045 (FT45) que define a estratégia de transformação do Exército até 2045. O FT45 prevê a existência futura de apenas duas unidades de escalão brigada, uma ligeira e outra média, deixando de contemplar a existência da Brigada Mecanizada. A brigada média será constituída por unidades e meios da atual Brigada de Intervenção (BrigInt) a da atual BriMec, devendo ser levantada até 2032. O atual Batalhão de Infantaria da BriMec deixará de estar equipado com veículos de lagarta e receberá viaturas blindadas de rodas Boxer e o atual Grupo de Carros de Combate (GCC) será reduzido a um único esquadrão equipado com 14 carros Leopard 2 modernizados, sendo ambas as unidades integradas na nova brigada média. A brigada média será inicialmente composta por um batalhão de infantaria (BI) com viaturas Boxer (ex-BI da BriMec), dois BI com viaturas Pandur II modernizadas (ex-BI da BrigInt), um grupo de artilharia de campanha com o sistema CAESAR, um batalhão de engenharia de combate, um esquadrão de carros de combate com Leopard 2 modernizados (ex-GCC da BriMec), uma bateria de artilharia antiaérea com sistema de mísseis RapidRanger, elementos de apoio de combate e sistemas C4I (Comando, controle, comunicações. computadores e inteligência).
Organização A Brigada Mecanizada tem uma organização dupla, uma no âmbito da estrutura operacional e outra no âmbito da estrutura de base do Exército. Estrutura operacional miniaturadaimagem|M109A5 do Grupo de Artilharia de Campanha da Brigada Mecanizada. A Brigada Mecanizada, além do Comando e Estado-Maior, engloba os seguintes elementos da Componente Operacional do Sistema de Forças do Exército: Companhia de Comando e Serviços (CCS) Grupo de Carros de Combate (GCC) - anteriormente parte do extinto Regimento de Cavalaria n.º 4 (RC4); Batalhão de Infantaria Pesado (BIPes) - antigo BIMec (1976-1994), 1ºBIMec (1994-2016) e BIMecLag (2016-2023); Grupo de Artilharia de Campanha de 15,5 cm Autopropulsada (GAC 15.5Ap); Esquadrão de Reconhecimento (ERec) - anteriormente parte do extinto RC4 Companhia de Engenharia Combate Pesada (CEngCombPes); Companhia de Transmissões (CTm); Bateria de Artilharia Antiaérea (BTrAAA); Batalhão de Apoio de Serviços (BApSvc);
Estrutura base Na dependência hierárquica da BriMec, existe o seguinte órgão da Componente Fixa do Sistema de Forças: Campo Militar de Santa Margarida (CMSM); Batalhão de Comando e Serviços (BCS); Unidade de Apoio à Formação, Treino Operacional e Simulação (UAFTOS) - instalações do antigo 2ºBIMec;
Localização
Endereço Brigada Mecanizada Santa Margarida 2250-350 Constância
Coordenadas Latitude= 39.419353 longitude= -8.295021
Contacto Telefone 249730600
Equipamento miniaturadaimagem|Bateria de Artilharia Antiaérea a preparar-se para uma projeção do sistema M48 Chaparral. A BrigMec baseia-se em meios blindados pesados, sendo o seu equipamento principal o seguinte: Carros de Combate Leopard 2A6 (2x esquadrões de combate e 1 esquadrão de reconhecimento), Veículos blindados de transporte de pessoal M113A1/A2 m/76, Veículos Posto de Comando M577A2, Veículos Porta Morteiro M125 e M106, Veículo blindado porta míssil anticarro M901A1 ITV Obus autopropulsado de 155mm M109A5 Sistema de lançamento de Míssil Antiaéreo autopropulsado M48 Chaparral, Blindados de recuperação M578 e M88A1G Carro Blindado Lança Pontes M60 AVLB
Forças Nacionais Destacadas ( FND ) em que a Brigada Mecanizada participou