miniaturadaimagem| Papiro narrando a história do sábio chanceler Aicar. Escrita aramaica. Século V a.C. De Elefantina, Egito. Neues Museum, Berlim miniaturadaimagem| Como Aicar enganou o rei do Egito (Henry Justice Ford) A História de Aicar, também conhecida como as Palavras de Aicar, é uma história atestada pela primeira vez em aramaico imperial em papiros do século V a.C. de Elefantina, Egito, a qual circulou amplamente no Oriente Médio e Próximo.Christa Müller-Kessler, "Ahiqar," in Brill’s New Pauly, Antiquity volumes, ed. Hubert Cancik e Helmuth Schneider, Edição em inglês por Christine F. Salazar, Classical Tradition volumes ed. Manfred Landfester, Edição em inglês por Francis G. Gentry.J. M. Linderberger, Ahiqar (Seventh to Sixth Century B.C.). A New Translation and Introduction, in James H. Charlesworth (1985), The Old Testament Pseudoepigrapha, Garden City, NY: Doubleday & Company Inc., Volume 2, (Vol. 1), (Vol. 2), p. 480. Quote:"The Aramaic manuscript was discovered by German escavators at Elephantine in 1907. Catalogued by the Königliche Museen zu Berlin as P.13446, most of the manuscript remanins in the museum's Papyrus Collection. Column vi (P.13446 J) was subsequently returned to Egypt along with a number of other papyri from Elephantine and is now at the Egyptian Museum at Cairo, where it bears the catalogue number 43502. [...] The Syriac and the Armenian (which also goes back to a Syr. tradition) are the versions most closely related to the Aramaic." Foi caracterizado como "um dos primeiros ‘livros internacionais’ da literatura mundial".Ioannis M. Konstantakos, "A Passage to Egypt: Aesop, the Priests of Heliopolis and the Riddle of the Year (Vita Aesopi 119–120)," Trends in Classics 3, 2011, pp. 83–112, esp. 84).
O personagem principal, Aicar, pode ter sido um chanceler dos reis assírios Senaqueribe e Assaradão. Apenas uma tábua cuneiforme babilônica tardia de Uruque (Warka) menciona um nome aramaico Aḫu'aqār.J. J. A. van Dijk, Die Inschriftenfunde der Kampagne 1959/60, Archiv für Orientforschung 20, 1963, p. 217. Seu nome está escrito em aramaico imperial e em siríaco e é transliterado como Aḥiqar, árabe (Ḥayqār), grego Achiacharos e o eslavônico Akyrios, com variantes sobre esse tema, como o armênio (Xikar) e o turco otomano Khikar, um sábio conhecido no antigo Oriente Próximo por sua sabedoria extraordinária.The Story of Aḥiḳar from the Assyrian, Aramaic, Syriac, Arabic, Armenian, Ethiopic, Old Turkish, Greek and Slavonic Versions, ed. F. C. Conybeare, J. Rendel Harris, Agnes Smith Lewis, 2ª ed. (Cambridge: Cambridge University Press, 1913) archive.org Do grego, surgem também as variantes latinas Aquicar (Αχιχαρ) e Aquiacar.
É conhecido como TAD C1.1 e catalogado como Berlin P. 13446A-H, KL (Museu Egípcio de Berlim) e Pap. No. 3465 = J. 43502 (Museu Egípcio do Cairo).
Narrativa Na história, Aicar é um chanceler mítico dos reis assírios Senaqueribe e Assaradão. Não tendo filhos, ele adotou seu sobrinho Nadabe/Nadim e o criou para ser seu sucessor. Nadabe/Nadim ingratamente conspirou para assassinar seu tio idoso e convenceu Assaradão de que Aicar cometeu traição. Assaradão ordena que Aicar seja executado em resposta, e então Aicar é preso e encarcerado para aguardar punição. Entretanto, o chanceler lembra ao carrasco que ele havia sido salvo por Aicar de um destino semelhante sob Senaqueribe, e então o carrasco mata um prisioneiro diferente e finge a Assaradão que é o corpo de Aicar.
O restante dos textos antigos não sobreviveu além deste ponto, mas acredita-se que seja provável que o final original tenha Nadabe/Nadim sendo executado enquanto Aicar é reabilitado. Textos posteriores retratam Aicar saindo do esconderijo para aconselhar o rei egípcio em nome de Assaradão e depois retornando triunfante a Assaradão. Nos textos posteriores, após o retorno de Aicar, ele encontra Nadabe/Nadim e fica muito bravo com ele, e Nadabe/Nadim então morre.
Origens e desenvolvimento Em Uruque (Warka), foi encontrado um texto cuneiforme babilônico tardio do segundo século a.C. que menciona o nome aramaico A-ḫu-u'-qa-a-ri de um "sábio" ummānu Aba-enlil-dari (provavelmente para ser lido em babilônico como Mannu-kīma-enlil-ḫātin) sob Assaradão (século VII a.C.). Há também referências a uma ou mais pessoas chamadas Ahī-yaqar em textos cuneiformes da época de Senaqueribe e Assaradão, embora a identificação desta pessoa (ou pessoas) com o sábio Aicar seja incerta. O texto literário do sábio Aicar pode ter sido composto em aramaico na Mesopotâmia, provavelmente por volta do final do século VII ou início do século VI a.C. A primeira comprovação são vários fragmentos de papiro do século V a.C., das ruínas da colônia militar judaica na ilha de Elefantina, no Egito.Ingo Kottsieper, Die Sprache der Aḥiqarsprüche (= Beihefte zur Zeitschrift für die altestamentliche Wissenschaft, 194) (Berlin: De Gruyter, 1990).Bezalel Porten, Ada Yardeni, C1.1 Aḥiqar, in Textbook of Aramaci Documents from Ancient Egypt, vol. 3 (Jerusalem, 1993), pp. 23–57. A narrativa da parte inicial da história é bastante expandida pela presença de um grande número de ditados e provérbios sábios que Aicar é retratado falando com seu sobrinho. A maioria dos estudiosos suspeita que esses ditados e provérbios eram originalmente um documento separado, pois não mencionam Aicar. Alguns dos ditados são semelhantes a partes do bíblico Livro dos Provérbios, outros à deuterocanônica Sabedoria de Sirach, e outros ainda aos provérbios babilônicos e persas. A coleção de ditados é, em essência, uma seleção daqueles comuns no Oriente Médio na época.James M. Lindenberger, The Aramaic Proverbs of Ahiqar (Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1983).
No Livro de Tobias (segundo ou terceiro século aC), em grego koiné, Tobite tem um sobrinho chamado Achiacharos (, Tobias 1:21) no serviço real em Nínive. Foi apontado pelo estudioso George Hoffmann em 1880 que Ahikar e o Achiacharus de Tobias são idênticos. No resumo de WC Kaiser, Jr.:
O Texto Grego do Codex Sinaiticus, que a Nova Versão Padrão Revisada segue, tem "Nadabe". O Texto Grego dos Códices Vaticano e Alexandrino chama essa pessoa de "Aman".
Tem sido argumentado que há vestígios da lenda até mesmo no Novo Testamento, e há uma semelhança impressionante entre ela e a Vida de Esopo de Máximo Planudes (cap. xxiii–xxxii). Um sábio oriental, Acaicaro, é mencionado por Estrabão.Strabo, Geographica 16.2.39: "" Parece, portanto, que a lenda era, sem dúvida, de origem do Oriente Próximo, embora a relação das várias versões dificilmente possa ser recuperada.Chisholm, Hugh, ed. (1911). "Achiacharus". Encyclopædia Britannica. Vol. 1 (11th ed.). Cambridge University Press. p. 143. Elementos da história de Ahikar também foram encontrados em egípcio demótico.Sebastian P. Brock, "Aḥiqar", in Gorgias Encyclopedic Dictionary of the Syriac Heritage: Electronic Edition, ed. Sebastian P. Brock, Aaron M. Butts, George A. Kiraz, Lucas Van Rompay (Gorgias Press, 2011; online ed. Beth Mardutho, 2018). A classicista britânica Stephanie West argumentou que a história de Creso em Heródoto como conselheiro de Ciro, o Grande, é outra manifestação da história de Aicar."Croesus' Second Reprieve and Other Tales of the Persian Court," Classical Quarterly (n.s.) 53 (2003): 416–437. Uma tradução grega completa da História de Aicar foi feita em algum momento, mas ela não sobreviveu. Foi, no entanto, a base para traduções para o eslavo antigo e o romeno.
Há cinco recensões siríacas clássicas sobreviventes da História e também evidências de uma versão siríaca mais antiga. Este último foi traduzido para o armênio e o árabe. Alguns elementos de Aicar foram transferidos para Luqman nas adaptações árabes. As traduções georgiana e túrquica antiga são baseadas no armênio, enquanto a etíope é derivada do árabe, cuja influência também é aparente nas versões em suret atuais.
Legado No folclore moderno, a história de Aicar dá seu nome, no Índice Internacional Aarne-Thompson-Uther, ao tipo de conto ATU 922A, Achikar (ou Achiqar).Aarne, Antti; Thompson, Stith. The types of the folktale: a classification and bibliography. Folklore Fellows Communications FFC no. 184. Helsinki: Academia Scientiarum Fennica, 1961. p. 322.
Edições e traduções
Eduard Sachau, Aramäische Papyrus und Ostraca aus einer jüdischen Militärkolonie (Leipzig: J. C. Hindrichs, 1911), pp. 147–182, pls. 40–50. The Story of Aḥiḳar from the Aramaic, Syriac, Arabic, Armenian, Ethiopic, Old Turkish, Greek and Slavonic Versions, ed. by F. C. Conybeare, J. Rendel Harrisl Agnes Smith Lewis, 2nd edition (Cambridge: Cambridge University Press, 1913) archive.org A. Cowley, "The Story of Aḥiḳar," in Aramaic Papyri of the Fifth Century (Oxford: Clarendon Press, 1923), pp. 204–248. (audiobook) The Say of Haykar the Sage traduzida por Richard Francis Burton James M. Lindenberger, The Aramaic Proverbs of Ahiqar (Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1983). James M. Lindenberger, Ahiqar. A New Translation and Introduction, in James H. Charlesworth (1985), The Old Testament Pseudoepigrapha, Garden City, NY: Doubleday & Company Inc., Volume 2, (Vol. 1), (Vol. 2), pp. 494–507.Citação do livro de 1985: "[the translated Aramaic text is based on the oldest extant version] found in a single papyrus manuscript. It was discovered by the German exvators of ancient Elephantine in 1907. Catalogued by the Berlin State Museums as P. 13446, most of the manuscript remains in the museum's Papyrus Collection. Column vi was subsequent returned to Egypt along with a number of other papyri from Elephantine and it is now in the Egyptian Museum at Cairo, where it bears the catalogue number 43502." (pp. 480-479) Ingo Kottsieper, Die Sprache der Aḥiqarsprüche (= Beihefte zur Zeitschrift für die altestamentliche Wissenschaft, 194) (Berlin: De Gruyter, 1990). ISBN 3-11-012331-2 Bezalel Porten, Ada Yardeni, "C1.1 Aḥiqar," in Textbook of Aramaic Documents from Ancient Egypt, vol. 3 (Jerusalem, 1993), pp. 23–57. ISBN 965-350-014-7
Bibliografia
Bledsoe, Seth. The Wisdom of the Aramaic Book of Ahiqar, (Leiden: Brill, 2021) doi: https://doi.org/10.1163/9789004473126 Pierre Grelot, "Histoire et sagesse de ’Aḥîqar l’assyrien," in Documents araméens d’Égypte (Paris: L’édition du Cerf, 1972), pp. 427–452. Ricardo Contini, Christiano Grottanelli, Il saggio Ahiqar (Brescia: Peidaeia Editrice, 2006). ISBN 88-394-0709-X Karlheinz Kessler, "Das wahre Ende Babylons – Die Tradition der Aramäer, Mandaäer, Juden und Manichäer," in Joachim Marzahn, Günther Schauerte (edd.), Babylon – Wahrheit (Munich, 2008), p. 483, fig. 341 (photo).ISBN 978-3-7774-4295-2
Leitura adicional
Ligações externas
A história de Aicar
AḤIḳAR em JewishEncyclopedia.com O Primeiro Purim "Memórias de Senaqueribe na Tradição Aramaica"
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