O Vauquelin foi um contratorpedeiro operado pela Marinha Nacional Francesa e a primeira embarcação da Classe Vauquelin, seguido pelo , , Maillé Brézé, Cassard e Chevalier Paul. Sua construção começou em março de 1930 no Ateliers et Chantiers de France em Dunquerque e foi lançado ao mar em setembro de 1932, sendo comissionado em junho do ano seguinte. Era armado com cinco canhões de 138 milímetros e sete tubos de torpedo de 550 milímetros, tinha um deslocamento carregado de três mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 36 nós.

O Vauquelin passou a maior parte de sua carreira no Mar Mediterrâneo, tendo sido um dos navios que ajudou a aplicar o acordo de não intervenção durante a Guerra Civil Espanhola. A Segunda Guerra Mundial começou em setembro de 1939, mas o navio pouco fez antes da derrota da França em junho do ano seguinte. Depois disso praticamente não saiu de Toulon, sendo deliberadamente afundado em 27 de novembro de 1942 para que não fosse tomado pelos alemãs. Seus destroços permaneceram naufragados no porto praticamente intocados até serem desmontados em 1951.

Características

thumb|260px|esquerda|Desenho da Classe Vauquelin O Vauquelin tinha 129,3 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 11,8 metros e um calado de 4,97 metros. Seu deslocamento padrão era toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em quatro caldeiras du Temple que alimentavam duas turbinas a vapor, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 64 mil cavalos-vapor (47,1 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 36 nós (67 quilômetros por hora), porém durante seus testes marítimos alcançou cavalos-vapor ( quilowatts) para 39,7 nós (73,5 quilômetros por hora) durante uma hora. Sua autonomia era de três mil milhas náuticas (5,6 mil quilômetros) navegando a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por dez oficiais e 201 marinheiros em tempos de paz, mas crescia para doze oficiais e 220 marinheiros em tempos de guerra.

O armamento principal era formado por cinco canhões Modelo 1927 de 138,6 milímetros em montagens individuais, duas sobrepostas à vante e duas sobrepostas à ré da superestrutura, mais uma à ré da quarta chaminé. O armamento antiaéreo era de quatro canhões Modelo 1927 de 37 milímetros em montagens individuais à meia-nau e quatro metralhadoras Hotchkiss Modelo 1929 em duas montagens duplas, uma no castelo de proa e outra ao lado da ponte de comando. Foi equipado com sete tubos de torpedo de 550 milímetros em dois lançadores duplos, um em cada lateral entre a segunda e terceira chaminés, e um lançador triplo à ré da última chaminé. Tinha duas rampas de cargas de profundidade na popa para dezesseis cargas de duzentos quilogramas, mais oito de reserva. Também tinha dois lançadores de cargas de profundidade, um em cada lateral na altura das duas últimas chaminés, para os quais levava até doze cargas de cem quilogramas. Também podia ser equipado com trilhos para até quarenta minas navais de 530 quilogramas.

Modificações Os lançadores de cargas de profundidade foram removidos em 1936 e um número maior de cargas de duzentos quilogramas foram levadas no lugar. As metralhadoras Hotchkiss foram reposicionadas para frente da ponte de comando no início de 1939. As montagens individuais de 37 milímetros foram substituídas por duas montagens duplas em maio de 1940. A Marinha Nacional Francesa reconsiderou suas táticas de guerra antissubmarina depois do início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939 e os lançadores de cargas de profundidade foram reinstalados, porém estes eram de um modelo mais antigo do que aqueles usados antes. O Vauquelin recebeu os seus em junho de 1940, enquanto em dezembro foi equipado com um sistema ASDIC britânico Alpha 128. Duas metralhadoras M2 Browning de 13,2 milímetros foram colocadas ao lado do mastro principal entre o final de 1940 e início de 1941. O mastro principal foi removido em agosto e setembro de 1941 e substituído por uma plataforma para as montagens de 37 milímetros e as Brownings, já as Hotchkiss foram transferidas para uma nova plataforma entre as chaminés, com suas antigas posições sendo ocupadas por novas Brownings.

Carreira Tempos de paz thumb|250px|O Vauquelin (esquerda) e o Tartu (direita) em Mônaco em 1935 O Vauquelin foi nomeado em homenagem ao tenente de navio Jean Vauquelin e foi encomendado em 1º de fevereiro de 1930 do Ateliers et Chantiers de la Loire em Dunquerque como parte do Programa Naval de 1929. Seu batimento de quilha ocorreu em 13 de março de 1930, foi lançado ao mar em 29 de setembro de 1932, comissionado na frota francesa em 3 de novembro de 1933 e entrou em serviço em 28 de março de 1934. Sua entrada em serviço foi adiada em vários meses primeiro por causa de uma hélice danificada e depois por ter batido em rochas durante seus testes marítimos que danificaram quarenta metros de placas de seu casco.

Os navios da Classe Vauquelin foram designados para a 5ª e a recém formada 6ª Divisões Ligeiras, que depois foram redesignadas como Divisões de Contratorpedeiros. O Vauquelin e seus irmãos e Maillé Brézé foram designados para a 6ª Divisão Ligeira da 2ª Esquadra Ligeira da 2ª Esquadra em Brest. O Vauquelin visitou São Pedro e Miquelão, Halifax e Quebec entre 5 de agosto e 23 de setembro de 1934 para comemorar o aniversário de quatrocentos anos da primeira visita do explorador Jacques Cartier ao Canadá. A divisão foi transferida em outubro para o Grupo de Contratorpedeiros da 1ª Esquadra em Toulon e foi renumerada como a 9ª. As 1ª e 2ª Esquadras realizaram manobras combinadas em 27 de junho de 1935 na Baía de Douarnenez e em seguida todos os membros da Classe Vauquelin, com exceção do Cassard, participaram de uma revista naval para François Piétri, o Ministro da Marinha.

A Guerra Civil Espanhola começou em julho de 1936 e os contratorpedeiros franceses no Mar Mediterrâneo foram designados para auxiliar cidadãos franceses na Espanha, bem como patrulhar zonas de vigilância em rotação mensal a partir de 24 de setembro como parte da política de não intervenção. O Vauquelin, e Chevalier Paul foram designados para a 5ª Divisão Ligeira, enquanto o Kersaint, Maillé Brézé e Cassard foram para a 9ª, com as duas formações fazendo parte da Esquadra do Mediterrâneo, novo nome da 1ª Esquadra. A esquadra fez um cruzeiro pelo Mediterrâneo Oriental entre maio e junho de 1938 e foi renomeada para Frota do Mediterrâneo em 1º de julho de 1939.

Segunda Guerra A Marinha Nacional, em antecipação a uma guerra contra a Alemanha, planejou em 27 de agosto uma reorganização da Frota do Mediterrâneo nas Forças de Alto-Mar, formada por três esquadras. A França declarou guerra em 3 de setembro e a reorganização entrou em vigor, com a 3ª Esquadra Ligeira, que incluía as 5ª e 9ª Divisões de Contratorpedeiros com toda a Classe Vauquelin, passando para a 3ª Esquadra. O Vauquelin e Maillé Brézé escoltaram os cruzadores pesados e para Dacar, na África Ocidental Francesa, em meados de outubro e em seguida escoltaram um comboio de volta para a França. A 5ª Divisão de Contratorpedeiros foi designada provisoriamente para a Força Z, que seria formada no início de 1940 para apoiar a Finlândia durante a Guerra de Inverno contra a União Soviética, porém os finlandeses foram forçados em março a assinar o Tratado de Paz de Moscou. A França se rendeu em 22 de junho e três dias depois todos os membros da Classe Vauquelin, com exceção do Kersaint, foram para Toulon.

esquerda|thumb|250px|O Vauquelin (esquerda) e o Kersaint (direita) afundados em Toulon O governo da França de Vichy reestabeleceu as Forças de Alto-Mar em 25 de setembro depois de negociar regras limitando números e atividades da força com alemães e italianos. O Vauquelin, Tartu e Chevalier Paul foram desingados para a formação em 15 de novembro. Os Aliados invadiram a Síria e o Líbano em 8 de junho de 1941 e o almirante de frota François Darlan, o Ministro da Guerra e Defesa Nacional, ordenou que o Chevalier Paul transportasse munição para navios franceses no porto de Beirute, no Líbano, zarpando no dia 11. Essas ordens foram enviadas por rádio e a mensagem foi interceptada e decodificada pelos britânicos. O Chevalier Paul acabou afundado por torpedeiros baseados no Chipre, assim o Vauquelin partiu no dia seguinte com oitocentos projéteis de 138,6 milímetros. Não foi detectado pelos britânicos e chegou em Beirute em 21 de junho, porém foi danificado no dia seguinte por três bombardeiros Bristol Blenheim; foi acertado por seis bombas que mataram cinco tripulantes e feriram outros dezessete.

O Vauquelin e os contratorpedeiros Guépard e Valmy, que ficavam baseados em Beirute, partiram em 29 de junho para Salonica, na Grécia. Embarcaram 450 soldados de infantaria ligeira argelina e noventa toneladas de suprimentos para o Líbano. Zarparam em 5 de julho, porém foram avistados pelo reconhecimento aéreo britânico no caminho e retornaram para Salonica no dia 9, de acordo com suas ordens de retornar caso tivessem sido avistados. Os três conseguiram voltar para Toulon em 22 de julho.

O contratorpedeiro foi transferido no início de dezembro para Argel, na Argélia, em preparação para escoltar o danificado couraçado de volta para Toulon, o que ocorreu em fevereiro de 1942. Os Aliados invadiram o Norte da África Francês em 8 de novembro e os alemães tentaram tomar os navios franceses em Toulon no dia 27, porém as embarcações foram deliberadamente afundadas. O Vauquelin afundou com um adernamento e seus destroços só foram ser desmontados no local em 1951.

Referências

Bibliografia

Ligações externas

Categoria:Navios de 1932 Categoria:Navios construídos na França Categoria:Contratorpedeiros da Marinha Nacional Francesa Categoria:Contratorpedeiros da França na Segunda Guerra Mundial Categoria:Naufrágios no Mediterrâneo na Segunda Guerra Mundial Categoria:Embarcações afundadas de propósito