Megg Rayara Gomes de Oliveira (Cianorte, 8 de outubro de 1975) é uma uma mulher travesti negra, professora universitária, pesquisadora e ativista brasileira, reconhecida como a primeira travesti negra a obter o título de doutora no Brasil.https://ufpr.br/pela-primeira-vez-travesti-negra-defende-tese-de-doutorado-na-ufpr/

Biografia Megg Rayara Gomes de Oliveira nasceu na cidade de Cianorte, em 8 de outubro de 1975, sendo uma de sete irmãos. Nasceu no sítio, mas a família mudou-se para a cidade quando ela ainda era pequena.

Megg enfrentou desafios relacionados ao racismo e à transfobia desde a infância. Descobriu sua feminilidade quando ainda era criança:

Megg trabalhava desde os sete anos, recolhendo sucata, vendendo frutas e verduras, e distribuindo panfletos. Quando tinha nove anos, um vizinho disse a sua mãe que Megg “não era muito certa da cabeça” e deveria ser levada ao médico. Ela nunca quis saber qual seria a resposta da mãe, mas sabia que eram pobres demais para isso. Desde essa época, ela gostava de lixar madeira e esse foi o modo com que a arte apareceu em sua vida.Gustavo Augusto Assis Faustino. MEGG RAYARA GOMES DE OLIVEIRA: PRIMEIRA TRAVESTI NEGRA DOUTORA DO BRASIL. Revista da ABPN • v. 12, n. 33 • jun–ago 2020, p.718-724.

Seu pai era alcoólatra faleceu quando ela tinha 11 anos. A mãe foi quem manteve a família unida por valores morais e religiosos. Entre os 12 e 13 anos, era muito assustada e não confiava em ninguém. Encontrou suas primeiras referências de pessoas trans na adolescência, em páginas de revistas pornográficas que os colegas levavam para a escola.

Formou-se em Licenciatura em Desenho pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde também se especializou em História da Arte. Posteriormente, concluiu uma especialização em História e Cultura Africana pela Universidade Tuiuti do Paraná. Em 2017, obteve o título de doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com a tese intitulada "O diabo em forma de gente: (r)existências de gays afeminados, viados e bichas pretas na educação", na qual investigou as experiências de professores negros homossexuais no ambiente escolar.Leandro Rodrigues Nascimento da Silva. Universidade, intelectualidade e travestis pretas I: Megg Rayara Gomes de Oliveira. Revista África e Africanidades – Ano XII – n. 36, nov. 2020 - ISSN 1983-2354. Após a defesa do doutorado, passou a ser convidada para ministrar palestras no país inteiro.

Atualmente, Megg é professora adjunta no Setor de Educação da UFPR e atua como coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da instituição. Desde 2022, também atua como coordenadora da Comissão de Políticas Afirmativas do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR.

Reconhecimento

2019 - Sua vida e conquistas foram retratadas no documentário "Megg – A Margem que Migra para o Centro", produzido pela Beija Flor Filmes.

Categoria:Mulheres transgênero do Brasil Categoria:Professores da Universidade Federal do Paraná