Dogfree é um movimento higiênico, ambiental e social de pessoas que não são adeptas de cães de estimação ou de possuir cães em geral.

Pessoas que se identificam como "dogfree" (livres de cães), em geral, não apoiam o abuso ou maus-tratos de cães domésticos, mas discordam veementemente do conceito de posse de cães, da integração de cães na mídia, em relacionamentos e espaços públicos pela cultura ocidental, cães em áreas como restaurantes, praias e lojas comerciais, do impacto ecológico dos cães como uma espécie doméstica invasiva perpetuada artificialmente por humanos, da crueldade dispensada aos cães por muitos de seus donos (por exemplo, em brigas de cães, no abuso físico e na negligência com os cuidados do cão) e da falta de higiene perpetuada pelos cães (por exemplo, lamber seus próprios órgãos genitais ou ânus, ou ter glândulas odoríferas anais que emitem um cheiro fecal de fermento, além do forte odor que seus excrementos deixam por todo lado). As pessoas do movimento "dogfree" também não acreditam na ideia de que os cães deem " amor incondicional " e acreditam que os donos de cães que consideram isso uma virtude são, na verdade, narcisistas e buscam afirmação e validação contínuas para evitar um crescimento pessoal e evolução pessoal. O termo "dogfree" atraiu atenção inicialmente depois que o grupo do Reddit r/Dogfree foi mencionado em artigos de notícias que examinavam o fenômeno da comunidade Dogfree. O movimento causa controvérsia, e os apoiadores do "dogfree" argumentam que espera-se que todos tenham esse amor cultural pelos cães e que a sociedade não aceita ninguém que expresse antipatia, medo ou nojo em relação aos cães. Já os críticos do movimento "dogfree" dizem que este é um movimento mesquinho e demasiado extremo. De alguma maneira, há também quem relacione o movimento "dogfree" com o movimento "Childfree" (misturando completamente as espécies, já que as críticas ao "dogfree" se referem principalmente ao uso de cães como forma de terapia e " animais de apoio emocional" - exceto, obviamente, no caso de animais de serviço ou cães-guia ), e aos grupos de defesa dos pit bulls.

A origem do termo "Dogfree" é desconhecida.

História Não se sabe quando o movimento Dogfree começou. O r/Dogfree foi criado no Reddit em 2012.

Antes da existência e do reconhecimento formal de um movimento "dogfree", casos históricos de repulsa por cães ou descrença de que cães deveriam ser animais de estimação eram frequentemente associados a fatores higiênicos e crenças morais. Após a Guerra Civil Chinesa, em 1949, a China proibiu cães em muitas partes do país. O Partido Comunista Chinês considerava a posse de cães "um símbolo de decadência e uma extravagância criminosa em uma época de escassez de alimentos", e considerava a posse de cães um indicativo de comportamento burguês. Havia também preocupações legítimas com surtos de raiva e a falta de higiene com suas fezes, que levaram à manutenção das proibições durante a maior parte da Era Mao Tse-Tung.

Em 2013, o escritor da Slate Farhad Manjoo publicou o artigo "Não, eu não quero fazer carinho no seu cachorro", no qual discutia o fenômeno amplamente difundido nos EUA da posse de cães e observava que os donos de cães geralmente eram incapazes de aceitar ou entender por que alguém não gostaria de cães, ou presumiriam por padrão que todas as pessoas amam cães. Manjoo foi particularmente crítico em relação à entrada de cães em espaços desnecessários, como escritórios, locais de trabalho e academias. O jornalista Ryan Kearney, do The New Republic, concordou com os sentimentos de Manjoo, mas, embora se identificasse como "dogfree", Kearney observou que estava mais preocupado com os cães como um reflexo da cultura humana ocidental do que com os cães em si, afirmando: "Poucos de nós, em relação aos nossos ancestrais, usamos cães para caçar. O que significa que, além de vários usos de nicho óbvios (guiar cegos, farejar bombas ou drogas, perseguir criminosos; traço um limite em "cães de terapia"), agora dependemos dos cães para apenas uma coisa: para serem nossos bichos de pelúcia vivos, algo para abraçar quando estamos tristes, melancólicos ou solitários. Isso é tudo o que pedimos a eles — que estejam sempre lá quando precisarmos deles — e que eles atendem alegremente, já que também os alimentamos no processo. Alguns encontram poesia na simplicidade dessa transação. Vejo carência humana, se não fraqueza, e talvez até exploração. "Cães não respondem" é um refrão comum e pretende ser positivo. Mas somos os seres mais inteligentes de todos os tempos — capazes de pensamentos profundos e complexos, os quais podemos expressar uns aos outros graças às centenas de linguagens intrincadas que desenvolvemos ao longo da história da nossa espécie. Por que não usar essas palavras maravilhosas que inventamos? Em vez disso, depois de um dia difícil, um dono de cachorro pode ficar deitado calmamente no sofá com seu cãozinho, e de alguma forma isso o faz se sentir melhor, como se por osmose o cão o tivesse ajudado de alguma forma a lidar com seus sentimentos complicados. Ou o dono do cão falará com o cão, sabendo muito bem que o cão não entende, e nunca entenderá — ao contrário dos bebês — o que ele está dizendo. Falar com humanos pode ser cansativo e ameaça complicar ainda mais os sentimentos de alguém. Outro humano responderia e o dono do cão teria que sentar lá e ouvir e talvez reconsiderar o que está sentindo. Com um cão, é uma conversa unilateral: eu falo, ele ouve, e tudo o que eu digo é implicitamente aceito como verdade. Conversando com cães, estamos sempre certos." — Ryan Kearney, "I Hate Dogs for What Their Popularity Says About Us" (Eu odeio cães pelo que sua popularidade diz sobre nós)

Em 2017, o reitor do Bethlehem College and Seminary, John Piper, fez eco às opiniões de Ryan Kearney de um ponto de vista religioso, observando que, embora ele não odiasse cães e até mesmo tivesse um, era perturbador como os cães, "sem alma e sem capacidades morais ou espirituais", muitas vezes viviam vidas mais felizes e interessantes do que muitas pessoas; Piper também estava particularmente incomodado com a quantidade de dinheiro gasto com a posse de animais de estimação no Ocidente, dizendo: "se sua consciência está acusando você pelo dinheiro que você gasta ou pelo tempo que você gasta penteando o pelo do seu cachorro ou coçando suas orelhas, você deveria parar, simplesmente parar. Você deveria se livrar desse cachorro. Nenhum animal de estimação vale um dano à sua consciência. Ou, se você olhar para os 60 bilhões de dólares por ano que os americanos gastam com animais de estimação e resolver não gastar nada, absolutamente nada, para protestar contra essa prioridade, você está totalmente justificado em protestar, tendo em mente que os EUA gastam 1,8 bilhão de dólares em pasta de dente anualmente e 22 bilhões de dólares em ar condicionado anualmente e 2,8 bilhões no Halloween em doces e 48 bilhões de dólares por ano em café." Seu artigo encorajou os cristãos que tinham cães a passar ver os cães como algo que lhes traz alegria, mas também a questionar a relevância, importância e validade do relacionamento com seus animais de estimação por meio de seu criticismo. Na década de 2020, jornalistas e escritores começaram a explorar o movimento "Dogfree", com a autora e comentarista Olga Khazan se declarando uma "dogfree" em um artigo para o The Atlantic em 2023 e admitindo que ela própria havia se juntado ao grupo r/Dogfree do Reddit. Khazan declarou: "enquanto eu lia minhas mesmas opiniões impopulares declaradas por outras pessoas, fui tomada pela emoção de ser verdadeiramente conhecida, pelo suspiro inconfundível de catarse... vamos deixar isso claro: eu não gosto de cachorros. Eu não gosto do cheiro deles. Eu não gosto do jeito que eles pulam nas nossas calças de tecido especial que admitem lavagem a seco. Eu não gosto, especialmente, do jeito que eles se aproximam para se "apresentar". (Eu geralmente não gosto mexam nas minhas partes íntimas, a menos que seja para fazer algum exame de HPV.) Eu não acredito que os animais sejam iguais às pessoas; eu não posso acreditar que existam cirurgias de animais de estimação de US$ 15.000 em um país onde nem todas as pessoas podem ter acesso a cuidados de saúde. Eu guardei esse sentimento para mim mesma por muito tempo, porque nos EUA, dizer que você não gosta de cachorros é como dizer que você acha que o Talibã tem boas ideias."

Em 2023, o historiador ambiental Troy Vettse, do Instituto Universitário Europeu, deu uma entrevista ao jornal The Guardian em que defendia que ter um cão era imoral em vários sentidos, citando preocupações ecológicas, estatísticas de ataques de cães e ferimentos físicos infligidos a pessoas, a falta de estímulo social que a maioria dos animais de estimação recebe em um ambiente urbanizado ou fechado e artificial, a crueldade das criadouros de cães e a prática de "consanguinidade artesanal" estética para perpetuar certos traços e aparências desejados. Vettse observou a falta de controle que os animais domésticos têm sobre o que é feito a eles, bem como a relativa falta de mobilidade, a taxa de mortalidade de animais domésticos sendo transportados de um local para outro e animais domésticos aparentemente se envolvendo em atos de automutilação devido ao tédio, solidão e sofrimento mental. Vettse estava particularmente incomodado com o número de cães "de raça" da moda vendidos on-line, aparentemente de criadores de quintal, e com o confinamento forçado necessário para manter um animal de estimação:  "Em seu conto 'The Ones Who Walk Away from Omelas', Ursula Le Guin descreveu uma sociedade onde a alegria de seus cidadãos dependia da 'abominável miséria' de uma única criança presa em uma masmorra. Le Guin perguntava ao leitor se mesmo uma grande felicidade poderia justificar o sofrimento. O relacionamento da humanidade com os animais é baseado em um cálculo utilitário semelhante. Como a cidade de Omelas, fizemos um pacto silencioso para dominar os animais de estimação para nosso benefício, apesar do custo para os próprios animais de estimação, para os animais selvagens e de criação e para nossa própria moralidade... Como a criança aprisionada de Omelas, não é possível libertar os animais de estimação. Eles são muito numerosos ou estão muito arruinados por sua subjugação para viver na natureza. Nem é suficiente abandonar a posse de animais de estimação individualmente. Para criar um mundo sem animais de estimação, devemos decidir coletivamente fechar as fábricas de filhotes, castrar e esterilizar animais de estimação e apoiar programas de conservação que capturam animais selvagens de forma humana. Em uma era pós-animais de estimação, ainda poderíamos desfrutar da companhia e da beleza de animais, mas de longe como naturalistas em um mundo mais selvagem. Só podemos especular como essa nova era seria, mas sua realização começará quando aceitarmos que a verdadeira felicidade não pode ser baseada no sofrimento dos outros." — Troy Vettse, "Want to truly have empathy for animals? Stop owning pets" (Quer realmente ter empatia pelos animais? Pare de ter animais de estimação)