Alfredo Ferreira Pereira Felício (São Mamede de Infesta, Matosinhos, – Rio de Janeiro, ), terceiro e último Conde de São Mamede, foi um engenheiro agrônomo português,"Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp.229 exilado no Sul do Brasil em 1917. Criou a Câmara Portuguesa de Comércio do Rio Grande do Sul, bem como foi Conselheiro e Membro da União dos Criadores Gaúchos, tendo significativa participação no melhoramento do gado bovino no estado.

Biografia Com a morte do seu pai em 1905, Alfredo torna-se o 3.º Conde de São Mamede, título nobiliárquico, criado por Dom Luís I de Portugal, em 1869, em favor do seu avô; Rodrigo Pereira Felício, 1.º Conde de São Mamede.

Filho de dois brasileiros; uma cearense, radicada em Londres e de um carioca naturalizado português, seus pais Lydia e José, se conheceram na Europa, aonde viveram a maior parte de suas vidas. Herda de seu pai, o título de Conde apenas cinco anos antes da Monarquia em Portugal acabar. Usou o seu título de Conde, com a autorização do então ex-rei, Dom Manuel II de Portugal para facilitar a sua saída do país rumo ao Brasil.

No ano de 1907, em 8 de junho, casou-se, em uma grandiosa cerimônia, em Lisboa, com Fernanda Lobo d'Ávila Vasconcelos da Graça, sua esposa Fernanda pertencia também a aristocracia portuguesa. Seu pai, o militar Joaquim Lobo de Ávila da Graça, possuía grande prestígio na corte. A cerimônia reuniu figuras ilustres de Lisboa e região. O evento foi retratado em fotografia em jornais da época.

Somente dez anos depois do casamento, em 1917, que o casal muda-se com a sua filha Helena Graça Felício de São Mamede, com 8 anos de idade, definitivamente para o Brasil.

No Brasil, Alfredo, escolhe o estado do Rio Grande do Sul, para viver com sua família. Foi através de seu cunhado, o ilustre diplomata Joaquim Francisco de Assis Brasil o responsável por projetar para o conde a sua moradia- um palacete inspirado nos castelos franceses de Paris. Assim surge o chamado Castelo da Granja da Cachoeira no município de Capão do Leão

inicialmente, durante o período de construção, o Conde, com sua esposa e filha, passam a residir no Castelo de Pedras Altas, residência oficial da família de sua irmã, Lydia Pereira Felício de São Mamede.Reverbel. "Diário de Cecília de Assis Brasil". Porto Alegre: Editora L&PM, 1983, 26 pp.

Neste mesmo ano, nasce em Pelotas a sua segunda filha, Maria Luisa Graça Felício de São Mamede.

Logo Alfredo de São Mamede torna-se um dos principais criadores de gado da raça Devon da região. Procurou, em sua criação bovina, buscar sempre o constante melhoramento e desenvolvimento da raça. Seus exemplares foram premiados em diversas exposições agropecuárias, tanto no estado do Rio Grande do Sul quanto no Rio de Janeiro, cidade com que o Conde possuía bastante vínculo.

No final da década de 20, a família vende o castelo da granja da Cachoeira, mudando-se para a capital fluminense.

o novo proprietário da granja em Capão do Leão torna-se o Sr Dario da Silva Tavares, cujos descendentes pertencem a tradicional família Wrege, que permanecem na propriedade até os dias de hoje. O local torna-se uma referência na criação de grandes exemplares premiados de equinos crioulos.

No período em que morou no Sul do Brasil, o Conde desempenhou uma atuação de destaque em diversas frente. Alfredo foi membro-acionista da Companhia Frigorífica do Rio Grande, conselheiro e membro da União dos Criadores Gaúchos, assim como também presidente da Comissão Pró-Pátria Portuguesa de Pelotas e fundador da Câmara Portuguesa de Comércio do Rio Grande do Sul.

Entretanto, na época em que ainda morava em Portugal, com o fim da Monarquia no ano de 1910 e instauração da República, Alfredo fez parte do movimento conhecido como as “Incursões Monárquicas de Vinhais e Chaves”.

As incursões monárquicas foram um levante de “invasão” em algumas regiões, por um grupo de pessoas determinadas a restaurar a Monarquia em Portugal, durante a fase da primeira República. Esses levantes ocorreram em 1911 e 1912, respectivamente.

Embora não houvessem obtido êxito, de certa forma foi uma maneira de grandes grupos ligados à monarquia serem fiéis e agradecidos à família real, que tanto tinha interesse em voltar ao poder, do mesmo modo que os detentores de títulos de nobreza, como era o caso do Conde de São Mamede e diversos outros, também desejavam que a situação fosse revertida. Foi um período bastante conturbado de transição, que culminou no exílio do Conde e sua família para o Brasil."Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp.223

Alfredo Ferreira Pereira Felício veio a falecer na cidade em que seu avô, Rodrigo Pereira Felício, havia prosperado como banqueiro, e também cidade em que seu pai, José Ferreira Pereira Felício, havia nascido: no Rio de Janeiro- com 80 anos de idade, no ano de 1962. Ano em que o último Conde de São Mamede morre, encerrando junto a ele mais um capítulo da história da monarquia luso-brasileira.

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