A Operação Goodwood foi uma série de ataques aéreos britânicos realizados no final de agosto de 1944 contra o couraçado alemão em seu ancoradouro no Fiorde de Kå, na Noruega. Foi o último de uma série de ataques feitos pela Frota Doméstica que tinham o objetivo de danificar ou afundar o navio e assim eliminar sua ameaça contra comboios Aliados. Ações anteriores consistiam de apenas um ataque, mas a Operação Goodwood foi planejada para ter vários ataques em uma semana. A Marinha Real Britânica esperava que esses desgastassem as fortes defesas alemãs.
A frota britânica zarpou em 18 de agostou e lançou o primeiro ataque contra o Fiorde de Kå na manhã de 22 de agosto. Este ataque fracassou e um pequeno ataque durante a tarde infligiu poucos danos. Mais ataques ocorreram nos dias 24 e 29, porém também fracassaram. O Tirpitz foi atingido por duas bombas em 24 de agosto, mas estas não causaram danos significativos. Os britânicos perderam dezessete aeronaves, uma fragata foi afundada por um submarino e um porta-aviões de escolta foi danificado. Os alemães sofreram doze aeronaves abatidas e sete embarcações danificadas.
Os repetidos fracassos do Ramo Aeronaval de afundar o Tirpitz fez com que a responsabilidade por afundá-lo passasse para a Força Aérea Real. Três ataques com bombardeiros foram realizados entre setembro e novembro de 1944, com o couraçado sendo primeiro incapacitado e depois afundado. Historiadores consideraram a Operação Goodwood como um fracasso significativo do Ramo Aeronaval e atribuíram esse resultado às deficiências de seus aviões e armamentos.
Antecedentes O couraçado alemão representava desde o início de 1942 uma ameaça para os comboios Aliados que transportavam suprimentos pelo Mar da Noruega até a União Soviética. O navio ficava ancorado nos fiordes do litoral da Noruega e era capaz de sobrepujar as forças de escolta designadas para esses comboios. Ele também poderia possivelmente tentar entrar no Oceano Atlântico e atacar comboios viajando para o Reino Unido. Os Aliados, para fazer frente a essas ameaças, precisavam manter uma força poderosa de navios de guerra com a Frota Doméstica britânica, assim navios capitais passaram a acompanhar a maioria dos comboios que seguiam para a União Soviética.
thumb|260px|esquerda|O Tirpitz ancorado no Fiorde de Kå, com uma neblina artificial sendo lançada Vários ataques aéreos foram realizados contra o Tirpitz entre 1942 e 1943. Torpedeiros do porta-aviões atacaram o couraçado em 6 de março de 1942 enquanto ele tentava interceptar o Comboio PQ 12, mas não conseguiram acertá-lo. Bombardeiros da Força Aérea Real e das Forças Aéreas Militares da União Soviética tentaram atacar o navio várias vezes em seus ancoradouros, mas fracassaram em infligir danos em todos os casos. Dois minissubmarinos britânicos da Classe X conseguiram penetrar as defesas ao redor do Tirpitz no Fiorde de Kå em 23 de setembro de 1943 durante a Operação Fonte, plantando explosivos na água abaixo dele. Este ataque causou enormes danos à embarcação e a deixou fora de serviço por seis meses.
A tarefa de afundar o Tirpitz foi passada para os porta-aviões da Marinha Real Britânica depois da Operação Fonte. Meses de preparações levaram a um ataque em 3 de abril de 1944 na Operação Tungstênio, realizada por vinte bombardeiros de mergulho Fairey Barracuda escoltados por quarenta caças. A tripulação do couraçado sofreu várias baixas, mas o navio em si não foi muito danificado. Ele mesmo assim ficou fora de ação por mais alguns meses enquanto os reparos eram finalizados.
A Frota Doméstica preparou mais quatro ataques entre abril e julho, mas o Tirpitz só foi atacado nestas três últimas operações. Os ataques foram prejudicados pela transferência de muitos aviadores após a Operação Tungstênio, com seus substitutos sendo menos experientes. O primeiro ataque foi a Operação Planeta em 21 de abril, mas ela foi cancelada três dias depois quando agentes noruegueses no Fiorde de Kå relataram condições climáticas ruins sobre a área. A Frota Doméstica tentou novamente em meados de maio naquilo que foi designado como Operação Musculoso. Uma força de 27 Barracudas escoltados por caças Vought Corsair e Supermarine Seafire decolaram dos porta-aviões Victorious e em 15 de maio, mas retornaram sem atacarem o alvo porque encontraram nuvens espessas sobre o fiorde. O ataque seguinte foi a Operação Garra de Tigre, iniciada no final de maio mas cancelada no dia 28 por clima ruim. A Operação Mascote foi marcada para meados de julho, pouco antes da retomada dos comboios para a União Soviética que tinham sido suspensos em abril com o objetivo de liberar navios para a invasão da Normandia. Uma força de 44 Barracudas e quarenta caças decolou em 17 de julho, mas descobriram que o Tirpitz tinha sido escondido por uma cortina de fumaça e assim o ataque fracassou em infligir danos ao couraçado.
Preparações
O Tirpitz, sob o comando do capitão de mar Wolf Junge, continuou a se preparar para possíveis operações de combates nas semanas após a Operação Mascote. O navio realizou testes marítimos nas águas protegidas do Fiorde de Alta e foi para o mar entre 31 de julho e 1º de agosto para treinar junto com contratorpedeiros. Geradores de fumaça adicionais foram instalados ao redor do Fiorde de Kå para melhorar ainda mais as defesas da área. Estas atividades foram relatadas por espiões e o Almirantado Britânico interpretou isso como o Tirpitz sendo preparado para ataques contra comboios Aliados. Foi então decidido realizar mais ataques contra o navio em seu ancoradouro no Fiorde de Kå antes que os próximos comboios partissem. Na realidade, a Marinha de Guerra Alemã não estava planejando usar o couraçado ofensivamente porque ele estaria muito vulnerável às superiores forças navais e aéreas Aliadas em mar aberto. Em vez disso, a intenção era mantê-lo em serviço ativo com o objetivo de prender navios e aeronaves Aliadas na região.
O fracasso da Operação Mascote convenceu o almirante sir Henry Moore, o comandante da Frota Doméstica, que a principal aeronave de ataque do Ramo Aeronaval, o Barracuda, não era adequado para operações contra o Tirpitz. A velocidade lenta do avião dava aos defensores do fiorde tempo suficiente para cobrir o navio com uma cortina de fumaça entre o momento que o ataque era detectado e o momento que chegassem sobre área alvo, assim Moore concluiu que mais ataques com o Barracuda seriam inúteis. Entretanto, o Almirantado julgou que metralhar repetidas vezes o Fiorde de Kå com os Barracudas por um período de 48 horas talvez enfraquecesse as defesas alemãs e consumiria o combustível dos geradores de fumaça. Também foi considerado usar os bombardeiros de Havilland DH.98 Mosquito, que eram rápidos e tinham grande autonomia, a partir de porta-aviões em uma tentativa de alcançar um ataque surpresa, mas nenhuma destas aeronaves terrestres podiam ser desviadas dos bombardeios da Alemanha. Moore, apesar das suas reservas, concordou em realizar outro ataque contra o Tirpitz.
Os planos para o novo ataque envolveriam as aeronaves da Frota Doméstica atacando o Fiorde de Kå no decorrer de vários dias. Os caças envolvidos nos ataques anteriores tinham usados suas metralhadoras apenas para metralhar defesas alemãs, mas desta vez foi decidido que alguns dos caças seriam usados como bombardeiros de mergulho. Em preparação, dois esquadrões de Corsairs e um de Grumman Hellcats foram selecionados para participarem do ataque e foram treinados em táticas de bombardeiros de mergulho. Outro elemento novo do plano foi a decisão de usar aviões do Ramo Aeronaval para lançarem minas perto do Tirpitz e na entrada do fiorde. As minas jogadas próximas do navio seriam equipadas com espoletas de ação retardada, pois esperava-se que as explosões destas minas faria o couraçado mover-se para águas mais seguras e assim passar pelas minas na entrada do fiorde. Os esquadrões da Frota Doméstica realizaram exercícios de treinamento em Loch Eriboll, no norte da Escócia; o terreno desta área era compatível com aquele ao redor do Fiorde de Kå e o loch tinha anteriormente sido usado para esse mesmo propósito durante as preparações para a Operação Tungstênio.
Forças A frota da Operação Goodwood foi dividida em três grupos. Moore embarcou no couraçado , que zarpou junto com os porta-aviões Furious, e , mais dois cruzadores e catorze contratorpedeiros. A segunda força tinha os porta-aviões de escolta e , o cruzador pesado e um grupo de fragatas. Dois petroleiros escoltados por quatro corvetas navegaram separadamente para dar suporte aos outros dois grupos.
Os porta-aviões embarcaram o maior grupo que o Ramo Aeronaval já tinha reunido até então na guerra. A força principal tinha 35 Barracudas dos Esquadrões Aeronavais 820, 826, 827 e 828 a bordo dos três porta-aviões. Os Esquadrões Aeronavais 1841 e 1842 da Esquadrilha de Caças Navais 6 voaram do Formidable com trinta Corsairs. Um total de 48 Seafires foram designados para os Esquadrões Aeronavais 801, 880, 887 e 894 a bordo do Indefatigable e Furious. Além disso, os Esquadrões Aeronavais 1770 e 1840 operaram doze caças Fairey Firefly e doze Hellcats, respectivamente, a partir do Indefatigable. Os porta-aviões de escolta receberam ao todo vinte caças Grumman Avenger (responsáveis por lançarem as minas) e oito Grumman Wildcat; estes aviões foram divididos entre o Esquadrão Aeronaval 846 no Trumpeter e Esquadrão Aeronaval 852 no Nabob.
O ancoradouro do Tirpitz no Fiorde de Kå era fortemente defendido. Onze baterias de armas antiaéreas, várias embarcações antiaéreas e um sistema de geradores de fumaça capazes de esconder o couraçado ficavam ao redor do fiorde antes da Operação Tungstênio. Depois deste ataque foram estabelecidas estações de radares e postos de observação, enquanto o número de geradores de fumaça foi aumentado. As defesas aéreas do Tirpitz foram fortalecidas pela instalação de mais canhões de 20 milímetros, modificação de suas armas secundárias de 149 milímetros para que também pudessem ser usadas em alvos aéreos e recebimento de projéteis antiaéreos de 380 milímetros para a bateria principal. A Força Aérea Alemã tinha poucos caças em campos de pouso perto do fiorde e suas operações eram limitadas pela escassez de combustível.
Ataques A força de ataque da Operação Goodwood zarpou de suas bases em 18 de agosto. A operação foi planejada para que a Frota Doméstica também tivesse tempo de escoltar o Comboio JW 59, que deixou a Escócia no dia 15 em direção da União Soviética. A jornada para o norte foi tranquila e as forças se aproximaram da Noruega em 20 de agosto. O primeiro ataque tinha sido planejado para acontecer no dia seguinte, mas as condições climáticas do dia era inadequadas para operações de voo, assim Moore decidiu por um adiamento de 24 horas. Os alemães foram alertados da presença da frota britânica no dia 21, quando detectaram mensagens de rádio oriundas dos porta-aviões.
22 de agosto thumb|esquerda|240px|Um Barracuda sendo armado para o ataque contra o Tirpitz O primeiro ataque foi lançado em 22 de agosto. As condições climáticas estavam ruins por causa de nuvens baixas, mas Moore decidiu lançar o ataque mesmo assim porque alguns dos navios estavam ficando sem combustível e logo precisariam se afastar da Noruega para reabastecerem. Uma força de 32 Barracudas, 24 Corsairs, onze Fireflies, nove Hellcats e oito Seafires foram laçados dos três porta-aviões. Nenhum Avenger foi lançado porque as condições climáticas eram inadequadas para a tarefa que iriam realizar. A parte do plano para lançar minas falharia caso as aeronaves não pudessem localizar o Tirpitz e elas teriam de lançar seus carregamentos no mar, pois os Avengers não podiam pousar em segurança com elas ainda presas e poucas minas estavam disponíveis.