Palmer Freeman Luckey (nascido em 19 de setembro de 1992) é um empresário estadunidense e cofundador da empresa de tecnologia de defesa Anduril Industries. Ele foi o fundador da Oculus VR e o criador do Oculus Rift, um headset de realidade virtual amplamente reconhecido por ter revitalizado a indústria de realidade virtual. Em 2017, Luckey cofundou a Anduril Industries, uma empresa de tecnologia militar focada em drones autônomos e sensores para aplicações militares. Luckey ocupou a 22ª posição na lista da Forbes de 2016 dos empreendedores mais ricos dos Estados Unidos com menos de 40 anos. Em fevereiro de 2026, a Forbes estimava seu patrimônio líquido em US$ 3,5 bilhões.

Origem e formação Luckey nasceu e foi criado em Long Beach, Califórnia, e tem três irmãs mais novas. Seu pai trabalhava numa concessionária de automóveis.

Quando criança, foi educado em casa pela mãe, teve aulas de vela e desenvolveu um interesse intenso por eletrônica e engenharia. Frequentou cursos no Golden West College e no Long Beach City College a partir dos 14 ou 15 anos e, posteriormente, em 2010, na Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach. Mais tarde, ele se formou em jornalismo pela CSU Long Beach, onde também escreveu e atuou como editor online do jornal estudantil da universidade — então chamado Daily Forty-Niner e, desde 2024, conhecido como Long Beach Current.

Durante a infância e a adolescência, Luckey experimentou diversos projetos elétricos complexos, incluindo canhões eletromagnéticos (railguns), bobinas de Tesla e lasers; alguns desses projetos resultaram em ferimentos graves. Montou um sistema de PC para jogos avaliado em dezenas de milhares de dólares, com uma configuração elaborada de seis monitores.

Em 2009, fundou o ModRetro Forums com um amigo, criando uma comunidade online dedicada à "portabilização" — um hobby que consiste em transformar dispositivos de hardware antigos (como consoles de videogame e PCs) em unidades portáteis autônomas que combinam tecnologias novas e antigas.

Durante a faculdade, ele também trabalhou em meio período como engenheiro no Mixed Reality Lab (MxR) do Institute for Creative Technologies (ICT), da Universidade do Sul da Califórnia, projetando sistemas de realidade virtual de baixo custo para o BRAVEMIND, um projeto do Laboratório de Pesquisa do Exército dos EUA para tratar veteranos que sofrem de TEPT (transtorno de estresse pós-traumático).

Carreira Oculus VR direita|miniaturadaimagem|Oculus Rift CV1, o primeiro headset VR comercial lançado pela Oculus VR Em 2009, aos 16 anos, ele começou a construir headsets de realidade virtual de sua própria criação. Os óculos de realidade virtual existentes apresentavam baixo contraste e campo de visão reduzido, alta latência e custo elevado, além de serem excessivamente volumosos e pesados. Ele concluiu seu primeiro protótipo, chamado PR1, aos 17 anos, na garagem de seus pais. O dispositivo apresentava um campo de visão de 90 graus, baixa latência e feedback tátil integrado. Ao todo, ele construiu mais de 50 óculos de realidade virtual. Para financiar esses projetos, ele ganhou pelo menos 36 mil dólares consertando e revendendo iPhones danificados e trabalhando em meio período como zelador de áreas externas, treinador de vela para jovens e técnico de reparo de computadores.

Luckey desenvolveu uma série de protótipos explorando recursos como estereoscopia 3D, conectividade sem fio e um campo de visão extremo de 270 graus, ao mesmo tempo em que reduzia o tamanho e o peso de seus sistemas. Ele compartilhava atualizações frequentes sobre seu progresso no MTBS3D, um fórum online frequentado por entusiastas da realidade virtual. Chamou sua unidade de sexta geração de "Oculus Rift", que deveria ser vendida no Kickstarter como um kit de montagem própria para outros entusiastas. Luckey fundou a Oculus VR em abril de 2012 para viabilizar o lançamento da campanha no Kickstarter.

John Carmack, da id Software, solicitou um protótipo do headset a Luckey, que o emprestou a Carmack sem custos. Carmack utilizou o dispositivo para demonstrar o jogo Doom 3: BFG Edition, da id Software, na Electronic Entertainment Expo de 2012. Diante da atenção de milhares de pessoas atraídas pelo Rift, Luckey abandonou a universidade para se dedicar ao projeto em tempo integral.

Luckey também demonstrou o dispositivo à Valve e recebeu um apoio público, via Kickstarter, de Gabe Newell, presidente da empresa. Quando Luckey lançou sua campanha no Kickstarter para o Oculus Rift, ela também incluía depoimentos gravados de outras figuras de destaque na indústria de jogos, como Cliff Bleszinski e Michael Abrash.

Durante a campanha Kickstarter, Luckey demonstrou o Rift aos jogadores e à imprensa em muitas convenções de jogos, incluindo PAX, Gamescom e QuakeCon 2012. A campanha Kickstarter foi bem-sucedida, arrecadando US$ 2,4 milhões, ou 974% de sua meta original. Depois de arrecadar mais de US$ 1 milhão, Luckey contratou Brendan Iribe em agosto de 2012 para ser CEO da Oculus. A Oculus VR se expandiu, contratando mais funcionários e um espaço de escritório maior. Luckey descreveu sua rotina como algo que não havia "mudado muito", mantendo-se como um "progresso lento e constante para tornar isso realidade". Continuou a trabalhar em todos os aspectos do negócio, afirmando: "estou envolvido em tudo, desde a engenharia do produto e o desenvolvimento de jogos até o marketing". Mais tarde, voltou sua atenção para o hardware de entrada em realidade virtual, descrevendo-o como um "projeto pessoal" que acabou resultando no controle espacial Oculus Touch.

Facebook A Oculus VR foi adquirida pelo Facebook em março de 2014 por US$ 2 bilhões. Embora a participação de Luckey não tenha sido tornada pública, a revista Forbes estimou o patrimônio líquido do fundador em US$ 700 milhões em 2015.

Processo da ZeniMax Pouco depois da aquisição pelo Facebook, a ZeniMax Media ajuizou uma ação judicial no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte do Texas. A ação judicial alegava que Luckey e a Oculus utilizaram "segredos comerciais, código de computador protegido por direitos autorais e know-how técnico relacionados à tecnologia de realidade virtual" da ZeniMax, e pleiteava indenização por quebra de contrato, violação de direitos autorais e concorrência desleal. A ZeniMax alegou ter investido "dezenas de milhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento" em tecnologia de realidade virtual, e que "a Oculus e Luckey não possuíam a experiência e o conhecimento técnico necessários para criar um headset de realidade virtual viável".

O julgamento pelo júri foi concluído em 2 de fevereiro de 2017. O júri concluiu que Luckey havia violado um acordo de confidencialidade firmado com a ZeniMax, mas não arbitrou indenização por essa infração, considerando o dano insignificante (de minimis). Embora o júri tenha decidido que a Oculus, o Facebook, Palmer Luckey, Brendan Iribe e John Carmack não se apropriaram indevidamente nem roubaram segredos comerciais e tecnologia, determinou o pagamento de uma indenização total combinada de US$ 500 milhões por violação de direitos autorais relacionada à comercialização do Oculus Rift, cabendo a Luckey a responsabilidade por US$ 50 milhões desse montante.

Em junho de 2018, o juiz responsável pelo caso manteve a decisão do júri de conceder US$ 200 milhões por quebra de contrato e US$ 50 milhões por violação de direitos autorais, mas descartou os US$ 250 milhões restantes devidos por Luckey e outras partes.

Demissão e controvérsia política Em setembro de 2016, foi noticiado que Luckey havia doado 10.000 dólares para a Nimble America, um grupo pró-Donald Trump que exibiu um outdoor retratando a candidata à presidência de 2016, Hillary Clinton, com a legenda Too Big to Jail ("Grande demais para ser presa"). Isso levou um pequeno número de desenvolvedores a cancelar temporariamente os planos de oferecer suporte ao Oculus, incluindo a Scruta Games, que anunciou que cancelaria o suporte ao Oculus em seus jogos caso Luckey não deixasse o cargo. A Tomorrow Today Labs afirmou que não daria suporte ao Oculus Touch enquanto Luckey estivesse empregado pela Oculus. Mais tarde, a empresa reverteu essa posição depois que a Oculus começou a se distanciar de Luckey e a voltar o foco para a diversidade e inclusão.

Em março de 2017, Palmer Luckey deixou o Facebook e encerrou seu envolvimento com a Oculus VR. Nenhuma explicação para a saída foi dada por nenhuma das partes. Durante um depoimento ao Senado dos Estados Unidos em abril de 2018, o senador Ted Cruz perguntou ao CEO do Facebook, Mark Zuckerberg: "por que Palmer Luckey foi demitido?". Zuckerberg recusou-se a entrar em detalhes sobre a "questão específica de pessoal", afirmando apenas que "não foi por causa de uma opinião política".

Em novembro de 2018, o The Wall Street Journal obteve acesso a e-mails internos do Facebook que sugeriam que o assunto havia sido discutido nos mais altos escalões da empresa. Executivos do Facebook, incluindo Zuckerberg, teriam pressionado Luckey a declarar publicamente seu apoio ao candidato libertário Gary Johnson, apesar de ele apoiar o então candidato republicano Donald Trump. Após sua demissão, Luckey contratou um advogado especializado em direito trabalhista e, juntos, negociaram um pagamento de pelo menos US$ 100 milhões, argumentando que a empresa havia violado a legislação da Califórnia ao supostamente pressionar o executivo a manifestar apoio a Johnson e ao punir um funcionário por atividades políticas.

O CTO da Meta, Andrew Bosworth — que deixou a equipe de anúncios para assumir a liderança da divisão Oculus quatro meses após a saída de Luckey —, publicou uma série de tuítes em novembro de 2018 (posteriormente apagados) negando qualquer irregularidade por parte do Facebook e afirmando que "não tinha qualquer ideia sobre os pontos de vista políticos de Palmer". O Facebook também negou que Luckey tivesse sido demitido por apoiar Trump, afirmando: "Podemos dizer categoricamente que a saída de Palmer não se deveu às suas opiniões políticas". Em uma entrevista ao programa 60 Minutes em maio de 2025, Luckey declarou: "Bem, sabe, cada um tem uma versão diferente, mas tudo se resume ao fato de que doei 9 mil dólares a um grupo político que apoiava Donald Trump e se opunha a Hillary Clinton".

Anduril Industries

miniaturadaimagem| Torre de Sentinela Anduril Em junho de 2017, Luckey fundou a empresa de tecnologia militar focada na autonomia Anduril Industries, junto com os ex-executivos da Palantir Technologies Matt Grimm, Trae Stephens e Brian Schimpf, e o antigo líder de hardware da Oculus VR Joseph Chen. Em março de 2018, a Anduril iniciou um programa piloto para o governo dos EUA para detectar tráfico de pessoas e tráfico de drogas em áreas remotas da fronteira sul dos EUA; o programa levou à captura de 55 tentativas de entrada nos primeiros 12 dias de operação. Mais tarde, Anduril ganhou o Programa de Registro de Torres de Vigilância Autônomas, resultando na implantação de centenas de Torres de Sentinela Anduril a um custo de "centenas de milhões de dólares".

Em setembro de 2020, Luckey anunciou através do Twitter que a Anduril havia recebido um contrato no valor de US$967 milhões para os Sistemas Avançados de Gerenciamento de Batalha (ABMS), um projeto de ponta de vários bilhões de dólares da Força Aérea dos EUA.

Em fevereiro de 2022, Luckey anunciou que a Anduril havia conquistado um contrato de US$ 1 bilhão para liderar trabalhos em sistemas de contramedidas contra veículos aéreos não tripulados para o Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (SOCOM).

Em 26 de dezembro de 2025, Luckey foi alvo de sanções da China dado ao que o país descreveu como seu papel na venda de armas para Taiwan. O The Wall Street Journal afirmou que as sanções eram simbólicas, uma vez que "as empresas americanas do setor de defesa geralmente realizam poucos negócios na China".