Tangara vassorii é uma espécie de ave da família dos traupídeos. No inglês é conhecida como "blue-and-black tanager".
Adultos medem, em média, 13 cm de comprimento e pesam 18 g, sendo predominantemente azuis com máscaras, asas e caudas pretas. A espécie apresenta leve dimorfismo sexual, com as fêmeas sendo ligeiramente menos brilhantes que os machos.
Indivíduos da espécie T. vassorii se alimentam de frutos e artrópodes, com preferência por frutos do gênero Miconia. Forrageiam em bandos mistos, geralmente em pares ou grupos de 3 a 6 indivíduos, especialmente com espécies dos gêneros Iridosornis ou Anisognathus.
O período de reprodução da espécie é de fevereiro a agosto, quando constroem ninhos em forma de taça com musgos e pequenas raízes.
Taxonomia e sistemática A espécie foi descrita pela primeira vez como Tanagra (Euphone?) vassorii por Auguste Boissonneau em 1840. O nome genérico Tangara vem da palavra tupi tangara, que significa "dançarino". O epíteto específico vassorii homenageia o francês coletor M. Vassor. "Blue-and-black tanager", no inglês, é o nome comum oficial designado pela União Internacional dos Ornitólogos.
T. vassorii é uma das 27 espécies do gênero Tangara.
Subespécies Há três subespécies reconhecidas da espécie T. vassorii, diferenciadas principalmente por variações na plumagem.
T. v. vassorii (Boissonneau, 1840): Subespécie nominada. Encontrada do sul da Venezuela ao norte do Peru. T. v. branickii (Taczanowski, 1882): Encontrada do centro do Peru à Bolívia. Similar à nominada, mas com topo e laterais da cabeça em azul-esverdeado opaco, tingido de cinza. T. v. atrocoerulea (Tschudi, 1844): É encontrada dos Andes do norte do Peru ao sul do Amazonas e La Libertad. Distingue-se por um tom de azul mais claro, uma mancha amarelada, às vezes branca, na nuca, e listras pretas no peito. Algumas autoridades a consideram uma espécie distinta.
Descrição miniatura|Indivíduo de Tangara vassorii fotografado no Equador.|esquerda|alt=Indivíduo de Tangara vassorii fotografado no Equador. Tangara vassorii é uma espécie de tamanho médio para o gênero, com comprimento médio de 13 cm e massa de 18 g. Apresenta leve dimorfismo sexual, com fêmeas ligeiramente menos brilhantes que os machos. Machos adultos são predominantemente azul-cobalto com uma máscara preta. As penas das asas e da cauda são pretas com bordas azuis. Subadultos são majoritariamente cinzentos, com asas, caudas e loros pretos. O bico é muito curto em comparação com outras espécies de Tangara. A íris é marrom, o bico é preto, e os pés são cinza-vinho.
A espécie pode ser confundida com indivíduos de Diglossa cyanea, mas distingue-se pelo olho marrom, maior quantidade de preto nas asas e bico mais curto e grosso. Populações da subespécie atrocoerulea podem ser confundidas com a espécie , mas são diferenciadas pelo dorso mais preto e ausência de partes inferiores canela.
Vocalizações As vocalizações da espécie incluem um "tsit" agudo e fino, um "swit" ligeiramente mais grave, um "swit-swit-swit" repetido e um "SWIT-it" forte. O canto é uma série de 2 a 3 segundos de notas agudas rítmicas, começando lentas e acelerando em um trinado "zieeu-zie-zie-zizizizee", emitido a cada 15 segundos.
Distribuição e habitat T. vassorii é encontrada nos Andes da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, onde habita florestas montanhosas perenes, e florestas secundárias em altitudes de 1.500-3.500 m. Essa espécie ocorre na maior altitude entre as espécies do gênero Tangara e é a única do gênero encontrada próxima à linha de árvores. Também pode ser encontrada em bordas de floresta, vegetação em clareiras e áreas próximas à linha de árvores. Geralmente permanece no dossel.
Comportamento e ecologia miniatura|Indivíduo de Tangara vassorii alimentando-se de frutos de uma Melastomataceae.|alt=Indivíduo de Tangara vassorii alimentando-se de frutos de uma Melastomataceae. Indivíduos de T. vassorii juntam-se em grandes bandos mistos (com outras espécies) durante o forrageamento, geralmente em pares ou grupos de 3 a 6 indivíduos. Esses bandos podem conter até 15 indivíduos, de forma que, na Colômbia, foram registradas como espécie nuclear (que ajuda a formar e manter bandos mistos). É mais frequentemente encontrada com espécies dos gêneros Iridosornis ou Anisognathus do que com outras Tangara.
Dieta A espécie alimenta-se de frutos e artrópodes, com preferência por frutos do gênero Miconia. É um forrageador ativo, movendo-se constantemente pela folhagem. Forrageia em todos os estratos da vegetação, mas prefere o dossel. A busca por artrópodes ocorre por meio de saltos em ramos cobertos de musgo, inspecionando áreas como a parte inferior de ramos, folhas, musgos e pequenas bromélias. Alimenta-se de frutos alcançando-os rapidamente e consumindo-os em posição ereta.
Reprodução miniatura|Indivíduo de Tangara vassorii morto.|alt=Indivíduo de Tangara vassorii morto. T. vassorii reproduz-se de fevereiro a agosto. Constrói ninhos em forma de taça com musgos e radículas, forrados externamente com folhas de bambu Chusquea e internamente com fibras e pelos de animais. Ninhos registrados em maio e junho medem 8 cm de largura e 7 cm de altura externamente, e 6 cm de largura e 3 cm de profundidade internamente. As ninhadas contêm dois ovos, de cor azul-clara com manchas canela, medindo em média 20 mm x 14,5 mm e pesando ~2,1 g. Filhotes chamando por comida foram registrados em janeiro, enquanto jovens emplumados (período do desenvolvimento avançado, mas em que ainda não conseguem voar) foram observados em maio.
Estado de conservação T. vassorii é uma espécie classificada como "pouco preocupante" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na Lista Vermelha da IUCN devido à sua ampla distribuição, relativa abundância e ausência de declínios populacionais significativos. A subespécie atrocoerulea, considerada uma espécie distinta pela IUCN, também é classificada como de pouco preocupante pelos mesmos motivos. No entanto, a espécie está ameaçada pela destruição de habitat, que reduz sua população.
Categoria:Tangara Categoria:Aves da América do Sul Categoria:Espécies descritas em 1840