Alto mar maralto é o quarto volume de memórias do poeta, ensaísta, crítico literário, teatrólogo, jurista, sociólogo, pensador político, professor, orador, parlamentar, diplomata e escritor brasileiro Afonso Arinos de Melo Franco. Foi publicado em 1976 pela Editora José Olympio e reeditado em 2018 em edição da Editora Topbooks reunindo os cinco livros de memórias do autor.
Começou a ser escrito em Genebra em 19 de agosto de 1968, seis meses após a conclusão de Planalto, e foi concluído em 8 de maio de 1976. Os volumes anteriores mesclavam reminiscências do passado (memórias) com observações sobre o presente (diário), mas em Planalto, escrito entre 1965 e 1968, as reminiscências alcançaram o tempo presente e se esgotaram. Assim, Alto mar maralto a rigor já não é um livro de memórias, e sim um diário, com observações esparsas sobre sua vida depois que se desligou da política e passou a se dedicar exclusivamente às atividades docentes e literárias,"RARAS VEZES NA VIDA tenho trabalhado tanto como ultimamente. Além de aulas especiais, dadas fora dos cursos ordinários, fiz com Anah uma tradução de cento e vinte páginas, escrevi cento e trinta das trezentas de um artigo que Houaiss me pediu, para sua nova Enciclopédia, e levei o meu Rodrigues Alves [Rodrigues Alves; apogeu e declínio do presidencialismo] até o ano de 1910." Afonso Arinos de Melo Franco, A Alma do Tempo, Editora Topbooks, 2019, p. 1484., com ênfase nas viagens do autor"Encontro os Estados Unidos, que não visitava há quatro anos, imerso em uma das piores crises da sua história." (Idem, p. 1452) "O renovado encanto de caminhar sem plano pelas vias e vielas da Roma barroca. [...] Que Londres, que Paris, que Nova York poderão ofertar algo que se aproxime!" (p. 1464). "Mas, naquela empastada confusão da Bahia, que espetáculo! [...] Como é admirável esta sensação vaidosa de ser brasileiro na Bahia [...] (pp. 1472-73). Istambul é "a mais europeia das cidades muçulmanas que conheci [...]" (p. 1499). "Genebra, és uma das pátrias do meu espírito, dos refúgios da minha alma, dos recantos mais íntimos das minhas lembranças e saudades." (p. 1532). "Viena é uma cidade de monumentos, sem ser propriamente monumental." (p. 1537) "Tantas vezes tenho visto Roma surgir aos meus olhos, vindo de trem, de avião, de automóvel, e sempre me comovo um pouco [...]" (p. 1541). "Não vi ninguém rindo, juro, nem as crianças." (sobre Berlim Oriental, p. 1554) Na anotação de 21 a 23 de outubro de 1971, o autor compara Roma (que prefere) à Cidade Luz. (pp. 1513-14) e em suas leituras e apreciações de obras de arte. Dos cinco livros de memórias, foi o que levou mais tempo para ser escrito (quase oito anos), por vezes com longas lacunas entre uma anotação e outra. Por exemplo, no ano de 1973, durante um período depressivo da vida do autor,"Depois de uma crise de saúde, que então me atingiu, passei a experimentar, não propriamente o medo da morte, mas um sentimento talvez pior, que poderia ser chamado o medo da vida." Afonso Arinos de Melo Franco, A Alma do Tempo, Editora Topbooks, 2019, p. 1435. "[...] depressão que me enlaçou aos poucos com seus tentáculos de polvo [...] Durou até 1968, com altos e baixos, a travessia do lúgubre túnel. Idem, p. 1526. não consta nenhuma anotação.
O título do livro é um verso do poema "Maralto" de Carlos Drummond de Andrade, que consta das epígrafes iniciais.
Conta Afonso Arinos, filho no Prefácio à edição da Topbooks das memórias de seu pai:
Passagens notáveis
Sobre o desprendimento ao envelhecer:
Sobre o desamparo da vida:
Sobre a Alemanha pós-nazismo:
Categoria:Livros de memórias