miniaturadaimagem|Um corredor de hotel vazio, exemplo de espaço liminar. Nas estéticas da Internet, espaços liminares são lugares vazios ou abandonados que parecem misteriosos, desolados e, muitas vezes, surreais. Espaços liminares são geralmente lugares de transição, relacionados ao conceito de liminaridade.

Pesquisas do Journal of Environmental Psychology indicaram que espaços liminares podem parecer estranhos ou sinistros porque se situam em um vale da estranheza arquitetônico e físico. Um artigo do Pulse: The Journal of Science and Culture atribuiu essa estranheza a lugares familiares que carecem de seu contexto normalmente observado. Um pilar dos espaços liminares é a ausência de seres vivos, particularmente outras pessoas, com a implicação de que o observador está sozinho; essa falta de presença é característica de espaços que são "liminares em um sentido temporal, que ocupam um espaço entre o uso e o desuso, o passado e o presente, transitando de uma identidade para outra".

A estética ganhou popularidade em 2019, após uma postagem no 4chan retratando um espaço liminar chamado "The Backrooms" viralizar. Desde então, imagens de espaços liminares têm sido publicadas em toda a internet, incluindo no Reddit, Twitter e TikTok.

Características Em termos gerais, o termo espaço liminar é usado para descrever um lugar ou estado de mudança ou transição; isso pode ser físico (por exemplo, uma porta) ou psicológico (por exemplo, o período da adolescência). As imagens de espaço liminar frequentemente retratam essa sensação de "entre dois mundos", capturando lugares de transição (como escadarias, estradas, corredores ou hotéis) inquietantemente desprovidos de pessoas. A estética pode transmitir sensações de estranheza, surrealismo, nostalgia ou tristeza, e suscitar respostas tanto de conforto quanto de desconforto. miniaturadaimagem|Este corredor no Disney's Contemporary Resort é um espaço de transição que pode ser considerado liminar. Pesquisas de Alexander Diel e Michael Lewis, da Universidade de Cardife, atribuíram a natureza inquietante dos espaços liminares ao fenômeno do vale da estranheza. O termo, geralmente aplicado a humanoides cuja semelhança imprecisa com humanos provoca sentimentos de desconforto, pode explicar respostas semelhantes a imagens liminares. Nesse caso, lugares físicos que parecem familiares, mas sutilmente se desviam da realidade, criam a sensação de estranheza típica dos espaços liminares.

Peter Heft, do Pulse: the Journal of Science and Culture, explora ainda mais essa sensação de estranheza. Baseando-se nos trabalhos de Mark Fisher, Heft explica que tal estranheza pode ser sentida quando um indivíduo visualiza uma situação em um contexto diferente do que espera. Por exemplo, uma escola, que se espera ser um amálgama movimentado de professores e alunos, torna-se inquietante quando retratada como anormalmente vazia. Essa "falta de presença" foi considerada por Fisher como uma das marcas registradas da experiência estética da estranheza. miniaturadaimagem|Uma sala de aula vazia, normalmente observada apenas quando cheia de alunos, pode parecer estranha. Parte do apelo dos espaços liminares deve-se à coincidência do seu aumento de popularidade com a pandemia de COVID-19 e à nostalgia adjacente por um tempo anterior ao novo normal, "que tornou as pessoas mais conscientes dos espaços de transição e das emoções que evocam". O primeiro pico de popularidade das imagens de espaços liminares ocorreu em março de 2020, quando as quarentenas foram iniciadas.

História Imagens retratando espaços liminares ganharam popularidade em 2019, quando uma curta creepypasta de origem desconhecida foi postada no 4chan e se tornou viral. A creepypasta mostrou uma imagem exemplificando um espaço liminar — um corredor com tapetes e papel de parede amarelos — com uma legenda afirmando que, "aplicando-se noclipping na vida real", pode-se entrar nos "The Backrooms", um deserto vazio de corredores com nada além de "o fedor de carpete velho e úmido, a loucura do amarelo monocromático, o ruído de fundo infinito de luzes fluorescentes no zumbido máximo e aproximadamente seiscentos milhões de milhas quadradas de salas vazias segmentadas aleatoriamente para ficar preso". Os "The Backrooms" também foram retratados como habitados por entidades sobrenaturais.miniaturadaimagem|Uma representação típica dos "The Backrooms", renderizada digitalmente.|266x266pxImagens de espaços liminares logo ganharam popularidade na Internet e, em novembro de 2022, um subreddit chamado r/LiminalSpace tinha mais de 500.000 membros, a postagem de fotos do espaço liminar @SpaceLiminalBot no Twitter acumulou mais de 1.2 milhão de seguidores e a hashtag #liminalspaces no TikTok teve mais de dois bilhões de visualizações.

Após a expansão do gênero, outras formas de mídia também se basearam em imagens liminares. Uma série de curtas-metragens com found footage ambientada nos "The Backrooms" acumulou mais de sessenta milhões de visualizações em seu primeiro episódio, e diversos projetos de filmes e jogos eletrônicos foram lançados ou anunciados para promover o uso dessa estética. Um longa-metragem ambientado nos "The Backrooms" pela A24 está em desenvolvimento, enquanto outro filme baseado no jogo The Exit 8 (2023) está previsto para ser produzido pela Toho e pelo diretor japonês Genki Kawamura.

O jogo The Stanley Parable (2013) também foi retroativamente notado por utilizar imagens liminares, particularmente o motivo visual recorrente de "mono-amarelo" também presente em The Shining, de Stanley Kubrick. Twin Peaks, de David Lynch, e a série Severance, da Apple TV+, também se baseiam em imagens liminares, com o criador desta última, Dan Erickson, citando especificamente os "The Backrooms" como uma influência visual.

Ver também

Não-lugar Heterotopia (filosofia) The Twilight Zone The Shining Severance (série de televisão) The Langoliers Vivarium (filme)

Leitura adicional

Ligações externas

Liminal Space no Reddit

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