A Presidência da Igreja Cristã Maranata constitui seu órgão máximo de autoridade e é composta por um único membro: o presidente. Este exerce um modelo de governo de caráter episcopal, altamente centralizado em sua figura, atuando simultaneamente como líder espiritual e administrador da denominação.

A Igreja Cristã Maranata adota uma estrutura unitária e centralizada, na qual todas as igrejas locais estão diretamente vinculadas à sede nacional, localizada em Vila Velha, no Estado do Espírito Santo. Os membros se reúnem em igrejas locais, que, agrupadas em conjuntos de duas ou mais, formam os chamados “Polos”. Um conjunto de Polos constitui uma “Área”, e várias Áreas compõem uma “Região”. Cada Região (ou conjunto de Regiões) corresponde a um Estado da Federação ou ao Distrito Federal e, por sua vez, encontra-se subordinada à Presidência da igreja.

Originou-se a partir de uma cisão ocorrida no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), especificamente na Primeira Igreja Presbiteriana de Vila Velha. O episódio central da ruptura envolveu a eleição para o cargo de pastor efetivo daquela comunidade, na qual o Rev. Jedaías Gueiros - irmão de Gedelti Gueiros - saiu derrotado. O desfecho provocou descontentamento entre alguns membros, entre eles Gedelti, que já vinha sendo influenciado por correntes do evangelicalismo pentecostalismo, especialmente pelo Pr. Jonas José Marques.

A dissidência resultou na saída de um grupo expressivo de fiéis da IPB, liderado por Gedelti Gueiros e por seu sogro, o Pr. Manoel dos Passos Barros, que se tornaria o primeiro presidente da nova denominação. A família Gueiros, juntamente com outros dissidentes, levou consigo mais de 80 membros, número considerado significativo para a época, o que contribuiu de forma decisiva para a formação e crescimento da então chamada Igreja Cristã Presbiteriana - nome que a denominação manteve até 1980, quando passou a se identificar oficialmente como Igreja Cristã Maranata.

Foi oficialmente fundada em 1968, tendo como primeiro presidente o Pr. Manoel dos Passos Barros, sogro de Gedelti Gueiros. Em seguida, a presidência foi ocupada pelo Pr. Edward Hemming Dodd, cunhado de gedelti. Após o período de liderança de Dodd, Gedelti Gueiros assumiu a presidência da igreja, cargo que exerceu por mais de cinco décadas. Depois de sua morte, foi sucedido por seu primo, o Pr. Alexandre Gueiros, ex-embaixador, genro do Pr. Dodd.

Lista de Presidentes NomeMandatosManoel dos Passos Barros1970-1986Edward Hemming Dodd1986-2007Gedelti Victalino Teixeira Gueiros2007-2025Alexandre Ruben Milito Gueiros2025-atualidade No período da prisão do terceiro e atual presidente, Pr. Gedelti Gueiros, a Justiça Federal nomeou como Interventor Federal, para ocupar a presidência interinamente, o Pr. Júlio Cezar Costa. No entanto, o Juiz Dr. Ivan Costa Freitas, da 8ª Vara Criminal de Vitória, destituiu o Pr. Júlio Costa para nomear, como seu sucessor, o Engenheiro Antônio Fernando Barroso Ribeiro.

Legado dos Presidentes

Legado do Primeiro Presidente (1970-1986) - Pr. Manoel dos Passos Barros miniaturadaimagem|240px|Pr. Dr. Manoel dos Passos Barros

Sob a liderança do Pr. Manoel dos Passos Barros (1970-1986), o qual foi presbítero regente na IPB quando da fundação da ICM, a Igreja Maranata, então Igreja Cristã Presbiteriana, migrou do presbiterianismo ao pentecostalismo restaurocionista.

Segundo o Pr. Amadeu Loureiro Lopes, no culto fúnebre de Gedelti, dia 5 de julho às 20h, transmitido pelo YouTube, foi nesse período que surgiram as doutrinas basilares da igreja: (i) o voluntariado dos pastores como regra (exceto aos funcionários do Presbitério); (ii) doutrina do corpo (sistema hierárquico episcopal da ICM); e (iii) clamor pelo sangue de Jesus, antecedendo cada oração.

Também nesse período atuou o Pr. Jonas José Marques, responsável pela mudança do nome em 1980 de Igreja Cristã Presbiteriana para Igreja Cristã Maranata, mudança interpretada internamente como resultado de orientação espiritual recebida por meio de revelação profética atribuída ao referido pastor, tido como possuidor de espírito de profecia (doutrinas “reveladas”).

Em 1978, surge a Missão Internacional Crisã Maranata (MICM), cujo primeiro presidente foi o Pr. Gedelti Gueiros. A missão tornou-se instrumento importante para a expansão inicial da denominação em diferentes regiões do Brasil, especialmente na Amazônia ("Missão Amazônia") e no Nordeste ("Missão Sertão").

Legado do Segundo Presidente (1986-2007) - Pr. Edward Hemming Dodd miniaturadaimagem|240px|Pr.Edward Hemming Dodd

O Pr. Edward Hemming Dodd (presidente entre 1986 e 2007) era teólogo e professor universitário, tendo exercido o magistério da igreja, lecionando nos seminários da ICM.

Juntamente com sua mulher, a pedagoga Sra. Sara Victalino Gueiros Dodd, estruturou o ensino infantojuvenil da denominação.

Nesse período também foram organizados materiais didáticos e programas de formação voltados à educação religiosa de crianças e adolescentes, consolidando um sistema pedagógico próprio da igreja.

Durante sua presidência, a condução da igreja caracterizou-se também por uma divisão funcional de responsabilidades no interior da liderança.

Enquanto o Pr. Edward Hemming Dodd exercia sobretudo a orientação espiritual e doutrinária da denominação — dedicando-se ao ensino teológico, à formação ministerial e à supervisão pastoral —, o então vice-presidente, Gedelti Victalino Teixeira Gueiros, passou a atuar de maneira mais direta na governança administrativa e organizacional da igreja.

Esse arranjo de liderança, lembrado por contemporâneos como complementar, permitiu que o ministério pastoral e a estrutura administrativa da denominação se desenvolvessem de forma paralela, com Dodd concentrando-se na dimensão formativa e espiritual, e Gedelti assumindo progressivamente funções relacionadas à expansão institucional e à gestão das atividades administrativas.

Homem descrito por seus contemporâneos como de conduta discreta e disciplinada, sua administração é frequentemente lembrada como um período de estabilidade institucional e de fortalecimento das estruturas educacionais da denominação, contribuindo para que a igreja se tornasse mais conhecida no cenário evangélico brasileiro.

Legado do Terceiro Presidente (2007-2025) - Pr. Gedelti Victalino Teixeira Gueiros miniaturadaimagem|240px|Pr. Gedelti Gueiros

Sob a liderança do Pr. Gedelti Gueiros (2007-2025), a ICM passou a concentrar e uniformizar o ensino doutrinário por meio de transmissões via satélite, tendo como figura central e praticamente exclusiva no magistério dominical o próprio Gedelti Gueiros, cujas aulas passaram a ser transmitidas diretamente do Maanaim de Domingos Martins para as igrejas locais.

Outrora, a Escola Bíblica Dominical (EBD) era definida pelo pastor local, seguindo as peculiaridades de cada comunidade. Durante a presidência de Gedelti, entretanto, esse modelo foi progressivamente substituído por um sistema centralizado de ensino, no qual as aulas passaram a ser transmitidas a partir do Maanaim de Domingos Martins, no Espírito Santo, reduzindo significativamente a autonomia pedagógica dos pastores locais e vinculando o ensino dominical à direção doutrinária da presidência da igreja, exercida por Gedelti.

Gedelti trouxe novas doutrinas, como as da "Palavra Revelada", "Quinta Medida", "Quimerismo" e interpretações teológicas que associavam o Espírito Santo ao sangue de Jesus, tendo-as defendido ferrenhamente e estimulando a membresia a comunicar à liderança eventuais divergências doutrinárias manifestadas por pastores ou membros que se lhe opusessem.

Em seu governo, a Igreja ficou marcada por escândalos de corrupção e pela prisão de membros da cúpula, incluindo ele próprio e os pastores Antônio Angelo Pereira dos Santos, Antônio Carlos "Kaká" Rodrigues de Oliveira, Antônio Carlos Peixoto, Amadeu Loureiro Lopes, Carlos Itamar Coelho Pimenta e Jarbas Duarte Filho. As investigações, conduzidas pelo Ministério Público do Espírito Santo, envolveram acusações como estelionato, formação de organização criminosa, uso de notas fiscais frias e desvio de recursos provenientes de dízimos e contribuições da igreja.

Também nesse período, a Igreja Maranata passou a demandar diversas ações judiciais contra seus ex-membros que produziam conteúdo apologético contra suas doutrinas exclusivas e contra o exclusivismo religioso. Esse conjunto de litígios judiciais passou a ser descrito por críticos como estratégia de pressão jurídica contra opositores e dissidentes da denominação ("assédio processual").

É lembrado por seus seguidores como voz determinante na construção da identidade institucional da ICM e na preservação da doutrina que apresentou e defendeu com tenacidade até o fim de sua vida, aos 93 anos. Para eles, foi um homem carismático e afável, cuja liderança - por vezes rígida - era percebida como expressão de um zelo intenso pela “Obra”, como é chamada a Maranata por seus membros.

Por seus críticos, é lembrado pela imposição de novas revelações doutrinárias, contra as quais não aceitava oposição, tendo processado judicialmente seus opositores e incentivado a membresia a não comungar com ex-membros, ainda que familiares. Também é associado aos escândalos de 2012 e 2013, período em que chegou a ser preso e em que a instituição teve seu nome publicamente vinculado a investigações sobre corrupção e má gestão de recursos.

Esses acontecimentos marcaram profundamente a imagem pública da denominação naquele período, gerando ampla repercussão na imprensa e no meio evangélico brasileiro.

Legado do Quarto Presidente (2025-atualidade) - Pr. Alexandre Ruben Milito Gueiros

Sob a liderança do Pr. Alexandre Gueiros (2025-atualidade), a Igreja Maranata passou a viver um período de transição institucional após o longo ciclo de liderança exercido direta e indiretamente por Gedelti Gueiros por quase seis décadas.

Alexandre assumiu automaticamente a presidência nos termos do art. 9º, §2º, do Estatuto da Igreja Cristã Maranata. Nos primeiros pronunciamentos públicos após assumir o cargo, enfatizou a continuidade doutrinária da instituição, reafirmando os princípios teológicos estabelecidos nas administrações anteriores.

Na Escola Bíblica Dominical de 6 de julho de 2025, apresentou-se inicialmente como vice-presidente e membro do Conselho Presbiteral, o que foi interpretado por observadores como sinal de possível reconfiguração do modelo tradicional de liderança centralizada que caracterizara a denominação por décadas.

Na transmissão de 8 de julho de 2025, pela TV Maanaim, Alexandre afirmou que sua gestão não representaria ruptura doutrinária, mas continuidade institucional:

"Apesar disso tudo, o Senhor continua conosco. A doutrina não se altera, será sempre a mesma: Corpo, Sangue, Direção do Espírito Santo, a Palavra Revelada. Continuaremos aí. Nunca o Senhor deixará de nos dirigir. E Graças a Deus, amados irmãos, porque nos temos o Conselho que o Senhor levantou e que vive na dependência do Espírito Santo para tomada de decisões. Conselho sempre sob a direção de nosso querido e inesquecível presidente [Gedelti] sempre foi um instrumento que ele [Gedelti] utilizava com a sabedoria que o Senhor lhe concedeu para buscar a direção do Senhor. Esse Conselho continuará a buscar a direção do Senhor para todas as nossas decisões. Esse Conselho continuará a buscar a direção do Senhor para todas as nossas decisões. Esse é o consolo para nós, é ânimo para nós. O Espírito Santo jamais nos deixará; continuará a nos revelar a medida que nos continuarmos - e continuaremos - dispostos a ouvir que Ele tem a dizer à Sua Igreja."

Apesar dessa ênfase na continuidade, uma das mudanças administrativas mais perceptíveis de sua gestão ocorreu no campo do ensino dominical. Alexandre promoveu uma redefinição do funcionamento da Escola Bíblica Dominical, reduzindo o caráter obrigatório das transmissões centralizadas provenientes do Maanaim de Domingos Martins.