miniaturadaimagem|375x375px|Estudantes da Universidade de Daca no apoio à distribuição de ajuda humanitária às vítimas das inundações em Bangladesh em agosto de 2024.
O financiamento climático em Bangladesh abrange os fluxos de capital mobilizados por órgãos estatais, instituições financeiras públicas e privadas com o objetivo de mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover a adaptação em setores estratégicos, como energia, agricultura e transportes. Em 2023, o país registrou um aumento de 3,64% no investimento em energia limpa, alcançando 333,89 milhões de dólares — valor ainda distante dos 1,5 a 1,7 bilhão anuais estimados para cumprir sua meta de 40% de eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2041. Internamente, cerca de 17,4% do território, ou 2,58 milhões de hectares, é coberto por florestas, enquanto a degradação e a salinização do solo afetam quase metade das terras agrícolas, reforçando a urgência de investimentos em adaptação.
No plano doméstico, o arcabouço de green banking data de 2011, quando o Banco de Bangladesh exigiu que todas as instituições financeiras criassem unidades dedicadas ao financiamento verde. A Sustainable and Renewable Energy Development Authority (SREDA) coordena políticas como a Política de Energias Renováveis (2008), o Plano Diretor de Eficiência Energética (2016) e o Net Metering (2018), que já viabilizou mais de 218 MW em sistemas solares rurais e 26 microrredes até 2014. Iniciativas recentes, como o Plano de Prosperidade Climática Mujib e o Grande Plano Ferroviário de 2022, projetam mobilizar até 30 bilhões de dólares por ano até 2030 para modernizar infraestrutura e promover a transição energética.
Externamente, Bangladesh conta com aportes de parceiros multilaterais e investidores estrangeiros. Destacam‑se o projeto solar de 430 milhões de dólares com a ACWA Power e o uso de fundos como o GEF-LDCF e o Fundo Verde para o Clima. Além disso, avanços nas finanças islâmicas — via Green Sukuk — e no Plano Nacional de Adaptação (610 milhões de dólares captados até 2023) ampliam as fontes de capital.
Ainda assim, especialistas apontam desequilíbrios: mais de 50% dos recursos do BCCTF foram para infraestrutura física, enquanto menos de 1% financiaram gestão integrada de desastres, e o aumento da dívida externa (38% do PIB) gera preocupações sobre sustentabilidade fiscal. Apesar disso, o país dispõe de excepcional potencial solar (até 240.000 MW) e eólico (até 150.000 MW) e avança em reformas para diversificar mecanismos de financiamento e fortalecer a governança verde. Contexto climático e vulnerabilidades
Contexto climático e florestal alt=File:Ancient Grain Preservation Methods.jpg|miniaturadaimagem|310x310px|Processo da produção de arroz em Chittagong. A área total de Bangladesh é de aproximadamente 14,76 milhões de hectares, dos quais cerca de 2,58 milhões de hectares — ou 17,4% do território — são cobertos por florestas, incluindo plantações. No entanto, a degradação do solo representa um dos principais desafios ambientais do país, afetando mais de 2 milhões de hectares — aproximadamente 40% das terras nacionais — devido a fatores como erosão da camada superficial, empobrecimento de nutrientes, acidificação e colapso de margens fluviais. A salinização nas regiões costeiras aumentou de 0,83 milhão de hectares em 1973 para 1,05 milhão de hectares em 2009, e atualmente já impacta mais de 53% das áreas litorâneas do país.
Contexto econômico e social alt=File:People are celebrating about Victory.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|Pessoas nas ruas comemorando a renúncia da ex Primeira-Ministra Sheikh Hasina. Em agosto de 2024, a substituição abrupta do governo em Bangladesh comprometeu o avanço das energias renováveis ao cancelar ou renegociar acordos estratégicos, gerando forte insegurança entre investidores. Sob a liderança de Muhammad Yunus, o governo interino vem revisando a política energética para restaurar a confiança do mercado e acelerar a transição para fontes limpas. Embora em 2024 o setor renovável tenha registrado um ritmo de crescimento sem precedentes, a continuidade desse êxito depende agora da viabilização de novos projetos prontos para atraírem investimentos em 2025–2026.
A agricultura é um pilar fundamental da economia de Bangladesh, empregando 40% da força de trabalho e contribuindo com 12,5% do PIB. No entanto, o setor enfrenta ameaças significativas decorrentes das mudanças climáticas. Projeções indicam que, até a década de 2050, a temperatura média aumentará 1,6 °C e a precipitação anual crescerá 4%, intensificando a ocorrência de inundações, ciclones e secas — fatores que comprometem a produtividade agrícola e a estabilidade dos solos.
O setor de transportes de Bangladesh, essencial para o crescimento econômico e a conectividade do país, está cada vez mais vulnerável a riscos climáticos como inundações, ciclones, erosão costeira e danos causados pelo calor — ameaças que afetam estradas, ferrovias, pontes e hidrovias interiores. As redes de transporte rural estão especialmente expostas, sofrendo com deslizamentos, alagamentos recorrentes e enfraquecimento estrutural causados por eventos climáticos extremos e pela elevação do nível do mar — fatores que comprometem a conectividade e elevam significativamente os custos de manutenção.
Contexto energético alt=File:Solar boat (36007109803).jpg|miniaturadaimagem|284x284px|Placa solar em um barco. O suprimento de energia de Bangladesh é dominado pelo gás natural e pelo petróleo, que juntos representam cerca de 80% do total do suprimento de energia, enquanto as fontes renováveis limpas contribuem com menos de 1%. A energia solar lidera o setor renovável, com aproximadamente 946 MW de capacidade instalada, e a energia hidrelétrica com 230 MW. Os biocombustíveis e resíduos, incluindo biogás, biodiesel e etanol, atualmente constituem o terceiro maior segmento, contribuindo com aproximadamente 15,5% da matriz energética.
Apesar dos avanços significativos na expansão da geração de eletricidade e do acesso à energia, Bangladesh enfrenta desafios devido à sua forte dependência de reservas de gás natural em declínio e de combustíveis importados, o que representa riscos para a segurança energética de longo prazo e para a estabilidade econômica.
Em 2023, o preço médio da eletricidade em Bangladesh foi de aproximadamente 0,083 dólares americanos por kWh — valor inferior à média global de 0,161 por kWh e muito próximo da média asiática, que ficou em 0,082 por kWh.
A rede elétrica nacional de Bangladesh possui uma capacidade instalada de 25.100,1 MW, excedendo significativamente a demanda máxima do país, que gira em torno de 15.648 MW. Essa situação de sobrecapacidade contribui para perdas financeiras anuais estimadas em cerca de 1,2 bilhão de dólares. A integração de tecnologias de redes inteligentes e fontes renováveis descentralizadas, como microrredes, é vista como uma estratégia promissora para aumentar a resiliência da rede, apoiar a eletrificação rural e incentivar a transição da geração cativa para o fornecimento pela rede elétrica.
Marcos legais e institucionais Bangladesh estabeleceu metas ambiciosas para as energias renováveis, visando que entre 10% e 15% de sua eletricidade provenha de fontes renováveis até 2030 e 40% até 2041, em consonância com seus compromissos de desenvolvimento sustentável e combate às mudanças climáticas. Para atingir a meta de 40%, será necessário um investimento anual estimado entre 1,53 e 1,71 bilhão de dólares no período de 2024 a 2041, sem incluir os custos adicionais com a modernização da rede elétrica e a infraestrutura de armazenamento de energia. alt=File:Dhaka Night City (51987824218).jpg|miniaturadaimagem|Trânsito em Dhaka. A Sustainable and Renewable Energy Development Authority (SREDA) é a agência central responsável por implementar políticas de energia renovável em Bangladesh, apoiando iniciativas como a Política de Energias Renováveis (2008), o Plano Diretor de Eficiência Energética (2016) e a Diretriz de Net Metering (2018). Essas políticas têm como objetivo alcançar 10% de eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2041, permitindo, por meio do sistema de compensação de energia (Net Metering), que os consumidores vendam até 70% da energia gerada por seus sistemas solares em telhados de volta à rede elétrica.
O futuro rascunho da Política de Energias Renováveis de 2025 propõe novos incentivos, incluindo isenção de tarifas de importação para materiais relacionados à energia renovável, isenção de imposto de renda corporativo por 10 anos para novos projetos, isenção de imposto sobre transações e compromissos com o desenvolvimento de sistemas de armazenamento por baterias.
O Plano de Prosperidade Climática Mujib, juntamente com o Grande Plano Ferroviário de 2022, traça uma visão de 30 anos para modernizar a infraestrutura ferroviária de Bangladesh, incorporando projetos resistentes às intempéries, eletrificação e trens energeticamente eficientes. Paralelamente, também visa transformar o setor de transportes como um todo, promovendo a adoção de veículos elétricos, ônibus elétricos, transporte fluvial elétrico e sistemas de transporte público de massa, com o objetivo de reduzir emissões e aliviar a congestão urbana. Para viabilizar essas transições, o plano busca mobilizar até 30 bilhões de dólares por ano até 2030, por meio de fontes de financiamento nacionais e internacionais.
A Política de Desenvolvimento da Indústria Automotiva de 2021 impulsiona ainda mais a adoção de veículos elétricos em Bangladesh ao oferecer isenção de impostos, isenções de tarifas de importação para componentes de elétricos e apoio à reciclagem de baterias e à infraestrutura de recarga. Essas medidas criam um ambiente favorável para a fabricação local e o fortalecimento das cadeias de suprimento, como demonstra a futura produção de baterias de íon lítio de 1 GWh pela empresa Bangladesh Lithium Battery Ltd..
A Autoridade de Desenvolvimento de Investimentos de Bangladesh (BIDA) exerce um papel central na facilitação do investimento estrangeiro direto, oferecendo uma variedade de incentivos voltados especialmente para atrair investidores em setores com foco em sustentabilidade. Entre os principais benefícios estão isenções fiscais amplas — podendo chegar a 100% por até 10 anos para parcerias público-privadas — repatriação de lucros isenta de impostos e alíquotas reduzidas de imposto de renda corporativo para indústrias sustentáveis, como a taxa de 10% para fábricas têxteis certificadas pela LEED e incentivos específicos para usinas de reciclagem de plástico.
As Zonas Econômicas Especiais (SEZs) em Bangladesh, administradas pela Autoridade de Zonas Econômicas de Bangladesh (BEZA), oferecem incentivos significativos, como isenção de impostos, importação livre de taxas para maquinário de capital e concessão simplificada de licenças comerciais, com o objetivo de atrair investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros.
Bangladesh tem avançado rapidamente na adoção de padrões globais de divulgação climática e relatórios ESG. A bolsa de valores de Bangladesh agora exige a inclusão de informações ESG nos relatórios anuais das empresas, e a conformidade com essa exigência aumentou 36% entre 2018 e 2019 — um sinal claro do crescente engajamento corporativo com práticas sustentáveis.
O Banco de Bangladesh introduziu diretrizes abrangentes de financiamento verde em 2011, com o objetivo de promover a sustentabilidade no setor financeiro do país. Entre as orientações principais estavam a elaboração e aprovação, pelos conselhos administrativos dos bancos, de uma política de financiamento verde, além da criação de uma Unidade de Financiamento Verde (Green Banking Unit – GBU) em cada instituição financeira para supervisionar a implementação e o cumprimento dessas diretrizes.
Financiamento público