O Reino de Humbe, também conhecido como reino humbe, era um antigo estado independente no território que hoje faz parte de Angola. Os seus habitantes faziam parte da etnia nhaneca-humbe e eram conhecidos como humbes.

O reino era um dos três reinos nhanecas-humbes, juntamente com o Reino de Mulondo e o Reino de Camba.Matthias Röhrig Assunção: "Engolo e capoeira. Jogos de combate étnicos e diaspóricos no Atlântico Sul" in Tempo, Niterói Vol. 26 n. 3 Set./Dez. 2020 pp. 526-529. Destes três, só os humbes detinham um reino poderoso. Foi originalmente fundado por ovimbundos e a sua organização militar tinha por base o quilombo.

Os humbes dedicavam-se sobretudo à pastorícia e os seus comerciantes vendiam sobretudo marfim. Os humbes faziam investidas nas terras altas para capturar escravos nas populações vizinhas dos huílas e gambos, que vendiam no porto de Benguela. As guerras frequentes entre povos vizinhos tinham reduzido muito a população e os humbes tanto escravizavam como eram vendidos como escravos. O comércio levou à chegada de mercadores portugueses sertanistas.A terra de Humbe é a mais rica em gado de todas aquém do Cunene, o que para isso concorre o ser maior, e por consequência menos perseguida de guerras; comtudo é de todas a de gente mais orgulhosa, o que para isso deve influir a sua riqueza. [...] Depois de Julho ou Agosto até Novembro ou Dezembro, em pouca segurança se consideram estas terras, pelas contínuas guerras e assaltos do Quanhama e mais circumvisinhas, por ser este tempo aquelle em que o rio em alguns logares dá vau, e como os atacantes não usam armas de fogo, não dão por isso signal de si com o estrepito das armas, accommettendo repentinamente uma ou mais libatas que se achem mais proximas e matando quanta gente encontram, fugindo com os gados; isto mesmo succede ao Humbe, que por maior e mais rico é também mais perseguido.A. J. Brochado: "Descripção das Terras do Humbe, Camba, Mulondo, Quanhama, e Outras, Contendo Uma Idéia da Sua População, Seus Costumes, Vestuários, Etc." in Annaes do Conselho Ultramarino, volumes 1-2, 1867, p. 188.Em 1856, o governador português de Moçâmedes atacou Gambos e Humbe com 80 soldados, 4 canhões e 50,000 guerreiros do régulo de Dumba.André Serdoura: "Arqueologia Militar do Sul de Angola: breve resumo histórico e apontamentos de campo" in Africana Studia, N.º 30, 2018, EDIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS AFRICANOS DA UNIVERSIDADE DO PORTO, pp. 107-108.

Portugal fundou um forte em Humbe em 1859 a pedido do soba Chingue, que por ser velho e estar de más relações com o seu sobrinho e herdeiro, convidou os portugueses a estabelecerem uma guarnição militar no seu reino para se manter no poder."Sessão de 17 de Abril de 1893" in Actas das Sessões da Sociedade de Geografia de Lisboa, volume X, 1890, pp. 61-62. Apesar de se ter queixado ao governador do distrito António Joaquim de Castro, o sobrinho não obteve dos portugueses qualquer apoio contra o tio mas recebeu a garantia que lhe sucederia no trono quando ele morresse, portanto matou-o. Seguiu-se um ultimato e a guerra mas os portugueses lograram restabelecer a paz com a expulsão do sobrinho para Dongoena, sendo aclamado no seu logar o soba Onkole. No entanto, o forte teve de ser abandonado quatro anos depois da sua fundação por falta de meios para garantir a sua segurança. O forte foi refundado em 1880. Os humbes entraram em guerra com os portugueses em três ocasiões, de 1885 a 1888, em 1891 e de 1897 a 1898.

Abandonado por ordem de Alves Roçadas em finais de 1914 após o ataque alemão a Naulila, o Humbe foi reocupado pelas tropas do general Pereira d'Eça em a 7 de Julho de 1915 e definitivamente integrado em Angola.

Ver também África Ocidental Portuguesa Campanhas de Pacificação e Ocupação Lista de reis de Angola Reino de Benguela

Humbe