Em 19 de agosto de 2025, um ônibus de passageiros que transportava migrantes deportados do Irã pegou fogo após colidir com uma motocicleta e um caminhão, saindo da estrada no distrito de Guzara, província de Herate, Afeganistão. O acidente deixou pelo menos 79 mortos, incluindo 19 crianças, e outras duas pessoas feridas. Foi um dos acidentes rodoviários mais mortais do país na década.

Antecendentes

Transporte rodoviário no Afeganistão miniaturadaimagem|Rodovia que liga o Irã ao Afeganistão Acidentes de trânsito são comuns no Afeganistão, principalmente devido às más condições das estradas após décadas de conflito, à negligência dos motoristas e falta de regulamentação. Em dezembro de 2023, duas colisões separadas de ônibus com caminhões-tanque deixaram 52 mortos; em março de 2024, outras 20 morreram em um acidente na província de Helmand; no fim de 2022, um caminhão-tanque pegou fogo após capotar no Passo Salang, causando 31 mortes; e em dezembro de 2024, dois acidentes rodoviários no sudeste do país resultaram em 50 mortos e 76 feridos. Além disso, a rodovia Herate–Islam Qala, uma extensão do Anel Viário do Afeganistão e local da colisão, é considerada uma das rotas mais perigosas do país.

Deportação em massa de afegãos do Irã Cerca de 1,8 milhões de afegãos foram deportados à força do Irã em 2025, enquanto 184 459 foram expulsos do Paquistão e mais de 5 mil da Turquia desde o início do ano. Aproximadamente 10 mil prisioneiros afegãos, principalmente vindos do Paquistão, também foram repatriados. O ônibus viajava em direção à capital Cabul como parte de uma operação em grande escala para retirar afegãos do Irã, iniciada após a guerra Irã-Israel em junho. O acidente ocorreu um dia depois de o Ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, anunciar que mais 800 mil pessoas teriam de deixar o país.

Um relatório das Nações Unidas emitido em julho relatou que alguns retornados enfrentam " graves violações dos direitos humanos ", incluindo "tortura, maus-tratos, prisão e detenção arbitrárias e ameaças à segurança pessoal". O Talibã, que governa o país desde que tomou o poder em agosto de 2021, negou as acusações.

Acidente O acidente ocorreu aproximadamente às 20:30 (UTC+4:30), quando um ônibus de passageiros sobrecarregado colidiu com uma motocicleta e colidiu frente com um caminhão Mazda que possivelmente transportava barris de combustível. O ônibus saiu da estrada e causou um grande incêndio. Uma testemunha ocular disse que os transeuntes tentaram apagar o fogo colocando terra no motor antes da chegada dos bombeiros. Pelo menos 77 pessoas morreram inicialmente, enquanto outras duas sucumbiram aos ferimentos, elevando o número de mortos para 79, com vários corpos queimados além do reconhecimento. Haji Mohammad Janan Moqadas, o médico-chefe do hospital do Corpo do Exército al-Farooq, disse que a única maneira de identificar os corpos era por meio da lista de passageiros fornecida pelo Departamento de Migrantes. Outra testemunha viu três pessoas escaparem do ônibus com suas roupas queimadas. A maioria dos mortos estava no autocarro, mas também morreram outros dois que estavam no camião, bem como outros dois que estavam na moto.

A polícia local afirmou que o acidente foi devido à "alta velocidade e negligência" do ônibus e que todos os passageiros embarcaram em Islam Qala, uma cidade perto da fronteira Afeganistão-Irã.

Consequências Os bombeiros e as equipas de limpeza trabalharam para extinguir as chamas e remover os destroços carbonizados dos veículos na manhã seguinte ao acidente.

O governo do Afeganistão controlado pelo Talibã ordenou uma investigação.

O vice-ministro de Relações Públicas e Estratégicas e chefe do Departamento de Informação e Cultura de Herate, Ahmadullah Muttaqi, disse em uma postagem no X que as autoridades estão comprometidas com uma "investigação completa" sobre o acidente e planejam transferir os corpos das vítimas, residentes das províncias de Cabul, Kapisa, Baghlan, Kunduz, Parwan, Maidan Wardak, Gásni e Bamiã, para o hospital central de Cabul para identificação e entrega às suas famílias.

Em 20 de agosto, o Talibã disse que prendeu o chefe da empresa de transporte envolvida na colisão.

Ver também Relações entre Afeganistão e Irã

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