miniaturadaimagem|Família de candeeiros PH em vidro opalino, incluíndo versões de vários tamanhos, como o PH 2/1 e o PH 3/2, em vários formatos (mesa, pé, parede e suspensos) Os candeeiros PH são uma série de luminárias desenhadas a partir de 1924 pelo escritor, arquiteto e desenhador dinamarquês Poul Henningsen (1894–1967) e cuja sigla corresponde às letras iniciais do seu nome. Uma das principais propriedades do seu desenho é o sistema de abajures que difundem a luz e evitam o encandeamento, já que só emitem luz refletida, ocultando a fonte de luz.
História O conceito inicial para o candeeiro surgiu da frustração do próprio Henningsen com a iluminação severa presente pelas casas de Copenhaga nos anos 20. Embora a eletrificação das habitações fosse, por então, uma norma crescente nas cidades dinamarquesas, a iluminação era, na opinião de Henningsen, mal concebida do ponto de vista do design e emitia uma luz muito agressiva para os olhos. Assim, e após quase dez anos de experimentação, o protótipo do primeiro candeeiro PH acabaria por ser fabricado pelo próprio em 1924. Como Henningsen tinha crescido numa cidade dinamarquesa sem electricidade a princípios do , o seu objetivo era o de imitar a luz cálida mas difusa das lâmpadas de queroseno num candeeiro elétrico. A principal preocupação no desenho do candeeiro era criar um abajur que, em primeiro lugar, escondesse a lâmpada e, em segundo lugar, controlasse e suavizasse a luz emitida. Resolveu este problema ocultando a lâmpada sob uma série de abajures metálicos graduados que, por reflexão, não só difundiam de forma suave a luz, como também a direcionavam em múltiplas direções – o sistema de três abajures. Paul Henningsen resume o conceito nas suas próprias palavras:
miniaturadaimagem|Patente utilizada para os candeeiros PH A crescente eficiência das lâmpadas obrigaria Henningsen a experimentar e a aperfeiçoar a fórmula durante o resto da sua vida, e tornaria necessária a adoção de uma abordagem matematicamente exata, com uma resolução científica do problema do encandeamento da fonte de luz através de cálculos geométricos e aritméticos (baseando-se sobretudo nas espirais logarítmicas), mas com um resultado de aspeto instintivo e natural. A investigação geométrica dos raios de luz levou à criação de abajures elípticos nos quais a luz era distribuída de forma ao longo de toda a curva do abajur. Estas experiências tinham sido precedidas por outras anteriores com formas parabolóides - caso das suas luminárias de rua, dos quais alguns exemplos foram expostos em Copenhaga.
Para a exposição de artistas no outono de 1921, trabalhou em conjunto com o artista Axel Salto para criar uma sala completamente geométrica, iluminada por candeeiros à prova de pó e um candeeiro esférico central. O candeeiro em si foi a primeira tentativa de utilizar abajures horizontais de cobre cinzelado para ocultar a fonte de luz e utilizar a reflexão para difundir a luz por toda a sala.
O primeiro candeeiro da série foi apresentado na Exposição de Artes Decorativas de Paris, em 1924, onde ganhou uma medalha de ouro. Paul Henningsen e Knud Sorensen, juntamente com Louis Poulsen, ganharam, dando-lhes a oportunidade de projetar a iluminação para o Pavilhão Dinamarquês de Kay Fisker. Também forneceram todos os candeeiros para a secção dinamarquesa no Grand Palais e foi-lhes atribuída uma área especial para exporem a sua nova criação. Os candeeiros — seis modelos com dez variações — foram fabricados pela Metalvarenfabrik de Lauritz Henriksen, sob a supervisão de Louis Poulsen. Paul Henningsen foi galardoado com a medalha de ouro como projetista e Louis Poulsen com a medalha de prata como fornecedor.
Começou a ser produzido em massa e vendido a partir de 1926. Desde então, o fabricante (Louis Poulsen) lançou um grande número de modelos PH: candeeiros de mesa, candeeiros para mesa-de-cabeceira, candeeiros de pé, candeeiros de parede, entre outros, em diferentes combinações de cores e materiais (desde o metal pintado ao vidro opalino). O sucesso do sistema de Henningsen foi esmagador e o benefício fisiológico destas lâmpadas, particularmente em espaços de trabalho, foi reconhecido. Poulsen e Paul Henningsen continuaram activos, tornando o sistema tão preciso que qualquer tarefa de iluminação podia ser cumprida. Atualmente, vários destes modelos ainda estão em produção.
O seu design mais reconhecido, o PH 5, é produzido ininterruptamente desde que foi lançado, em 1958, em conjunto com os modelos Artichoke e Snowball, mais experimentais, e que foram lançados a par deste.O modelo PH 5 possui quatro abajures externos, das quais o superior reflete a luz em direção ascendente, e os restantes em direção descendente, rematando com dois abajures coloridos no interior, todos ligados por peças de metal curvas. A proporção entre o diâmetro de cada um é de 4: 2: 1. Concebido para suspensão a pouca distância de uma mesa, incluía originalmente abajures vermelhos e azuis. Poul Henningsen era ciente da forma como a luz interage com as superfícies, pelo que até a cor interior dos abajures é frequentemente personalizada para realçar o calor ou a neutralidade da luz emitida, mas estes foram retirados em modelos posteriores, uma vez que as fontes de luz modernas reproduzem a luz do dia de forma muito mais eficaz do que à época. Para além disto, o desenho do candeeiro teve em consideração todos os tipos de lâmpadas, em todos os tamanhos e formas possíveis.
Mantendo os mesmos princípios que guiaram a criação deste candeeiro, o modelo PH Artichoke apresenta-se mais decorativo, e é composto por 72 "folhas" individuais dispostas num padrão radial, que proporciona uma iluminação de 360 graus sem encandeamento. É uma peça de afirmação, frequentemente encontrada em grandes espaços como teatros, salas de concertos ou interiores sofisticados.
Os candeeiros de Poul Henningsen são normalmente acompanhados duma combinação de números indicativos do tamanho dos abajures. Os modelos de candeeiro com números duplos, como o PH 4/4, foram concebidos para pendurar a grande altura. Os candeeiros suspensos têm diâmetros dentre 16 a 60 centímetros de diâmetro.
Um ícone do design, trata-se de um dos 12 exemplos de design e artesanato recolhidos no Cânone Cultural Dinamarquês, uma lista de 108 obras que destilam a identidade nacional dinamarquesa. Este design viria a influenciar criações posteriores no campo da iluminação e ajudou a definir o modernismo dinamarquês, um estilo popular desde então, que seria posteriormente desenvolvido por nomes como Arne Jacobsen, Hans Wegner ou Verner Panton. Após o sucesso da sua apresentação em Paris, publicou a «Kritisk Revy», ou Crítica, na qual criticava o sistema cultural dinamarquês, apelando ao rejuvenescimento e à modernização dos interiores domésticos dinamarqueses.A versatilidade do sistema PH, mas também a sua forma, contribuíram para a sua utilização generalizada pelos arquitetos modernos. O ponto culminante foi a sua utilização para iluminar todas as salas principais da Vila Tugendhat em Brno, projectada por Mies van der Rohe.
Na cultura O candeeiro PH aparece de maneira prominente na curtametragem de 1964 PH lys (em dinamarquês, Luz PH), dirigido por Ole Roos.
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