A Basílica Paleocristã de Mértola é um núcleo museológico correspondendo a uma antiga necrópole e basílica, situado na vila de Mértola, na região do Alentejo, em Portugal.
Descrição O edifício situa-se no Rossio do Carmo, uma área que no passado estava fora do centro urbano. Neste local foram identificados os vestígios de uma basílica e de uma necrópole.
A basílica tinha três naves separadas por colunas, dispostas em sete tramos, e duas ábsides, totalizando aproximadamente 33 m de comprimento por 18 m de largura. A entrada principal situava-se na face lateral Norte. A cobertura era em três telhados e duas águas, possuindo assim uma configuração semelhante à dos templos africanos deste período. Tanto no interior como no exterior encontram-se várias sepulturas escavadas na rocha, tendo sido identificadas várias dezenas de unidades, algumas delas ainda seladas, ou seja, com a lápide ainda no sítio de origem. Existem registos orais da presença de vestígios osteológicos durante a construção do centro de saúde, igualmente situado no Rossio do Carmo, o que poderá comprovar que existia ali um prolongamento da necrópole. São maioritariamente cristãs, embora algumas apresentem indícios de ritos islâmicos. Os corpos nas sepulturas cristãs encontravam-se em posição de decúbito dorsal, com a cabeça orientada para poente, enquanto que nas muçulmanas os cadáveres encontravam-se em decúbito lateral direito, com a cabeça orientada para Sudoeste e a face virada para nascente. Foram igualmente descobertas várias lápides funerárias epigrafadas, de grande interesse para compreender a comunidade cristã que habitava nesta época em Mértola. Um elemento de especial interesse é uma lápide com texto na Escrita do sudoeste, que foi reutilizada como tampa de uma sepultura. Foram também encontradas partes de edifícios, como fragmentos de colunas, mosaicos e capitéis, e um vasto conjunto de espólio, que inclui uma fivela, brincos, e peças e cerâmica.
Além da sua função museológica, o edifício também é utilizado como espaço para eventos, tendo por exemplo acolhido em 2017 a exposição Escrita no Baixo Alentejo das origens aos nossos dias, organizada pela Rede de Museus do Baixo Alentejo, em 2020 uma das exposições ao abrigo do concurso municipal Mertolarte 2020, e em 2024 o certame O Museu vai à Oficina da Criança.
História Tanto a basílica como a necrópole datarão provavelmente dos séculos V a VIII d.C., numa fase conhecida como paleocristianismo, quando foram edificados os primeiros santuários cristãos na vila. Algumas sepulturas são posteriores, apresentando sinais típicos da religião muçulmana.
Os vestígios existentes nesta área foram investigados pela primeira vez pelo arqueólogo Estácio da Veiga nos finais do século XIX, mas só foram estudados de forma aprofundada nas décadas de 1980 e 1990, pelo Campo Arqueológico de Mértola. O museu correspondente ao sítio arqueológico foi inaugurado em 1993.
Ver também Lista de património edificado em Mértola Ermida de São Barão Ermida de São Salvador do Mosteiro Ermida de Nossa Senhora das Neves Igreja de Nossa Senhora da Anunciação
Ligações externas
Categoria:Património edificado em Mértola Categoria:Basílicas de Portugal Categoria:Necrópoles de Portugal