Desde 8 de janeiro de 2026, o décimo segundo dia dos protestos no Irã em 2025–2026, as autoridades iranianas impuseram um bloqueio quase total da internet a partir das 20h30 IRST (17h UTC). Relatos do Irã descreveram interrupções generalizadas nos serviços de telefonia e internet em Teerã, com interrupções adicionais relatadas em Isfahan, Lodegan, Abdanan, partes de Xiraz e Quermanxá. A organização de monitoramento NetBlocks confirmou uma interrupção nacional da internet a partir das 8h30, horário local, afirmando que as interrupções ocorreram em meio a protestos e número de vítimas crescentes e limitaram significativamente a comunicação e a cobertura dos eventos, à medida que o governo iraniano perde cada vez mais o controle sobre partes do país.
Antecedentes O Irã tem historicamente bloqueado a internet para reprimir protestos, tendo feito isso em 2019, bem como em 2022 e 2025. De 2022 a 2024, o Irã também proibiu o WhatsApp e o Google Play durante os protestos contra a morte de Mahsa Amini. O uso da censura na internet pelo Irã para reprimir a dissidência permitiu ao governo impedir a oposição iraniana, mas prejudicou a economia do país.
O bloqueio e a filtragem da Internet têm sido, há muito tempo, fundamental para o controle da República Islâmica sobre o fluxo de informações no Irã, e o governo bloqueia ou limita regularmente o acesso à Internet em antecipação a protestos. Durante os protestos de novembro de 2019, o governo iraniano impôs um apagão total da internet por seis dias, protegendo o regime de críticas pelo massacre de manifestantes. Em 2020, protestos contra o abate do voo 752 da Ukraine International Airlines pelo regime, assim como os protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis, foram seguidos por cortes totais na internet impostos pelo governo.
Durante a Guerra dos Doze Dias entre o Irã e Israel, em junho de 2025, o governo iraniano cortou a Internet e as telecomunicações, alegando razões de segurança nacional; o corte também interrompeu o fluxo de informações do país para o mundo exterior. O governo iraniano bloqueou o acesso à internet, levando a uma queda de 97% no uso da internet no Irã. Isso levou os iranianos a ficarem desconectados do mundo exterior. De acordo com o especialista em segurança cibernética Amir Rashidi, a internet é vista como “um inimigo” pelo governo iraniano, que busca “controlá-la e suprimi-la”. Durante a guerra, o governo iraniano criou um aplicativo Starlink falso como isca para espionar os cidadãos. Também espalhou certas informações falsas para evitar deserções dentro de suas fileiras. O governo instou os cidadãos iranianos a bloquearem o WhatsApp, alegando que se tratava de um software espião israelense, alegação que o WhatsApp negou.
Protestos e bloqueio da internet em 2026
Restrições parciais antes de 8 de janeiro Em dezembro de 2025, eclodiram protestos de rua em grande escala no Irã, que continuaram até janeiro de 2026. Os protestos foram convocados por vários grupos da oposição, incluindo Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do Irã, filho exilado do xá deposto; organizações curdas e o Conselho de Coordenação dos Partidos Azerbaijanis; e os comerciantes tradicionais dos bazares de Teerã, Tabriz, Isfahan, Mexede e Carmânia fecharam suas lojas em apoio às manifestações. A BBC Persian informou que, inicialmente, o governo havia restringido as informações na internet (diminuindo a velocidade e impondo interrupções direcionadas, com o objetivo de interromper as redes móveis em locais onde ocorreram protestos, como o Grande Bazar de Teerã), mas deixou outras áreas, bem como a internet fixa, relativamente inalteradas. O projeto Filterwatch informou que, “Desde o início dos protestos até [8 de janeiro], o padrão das interrupções na internet pode ser caracterizado como localizado, centrado nas áreas urbanas, volátil e em camadas”.
Os dados de tráfego da Internet coletados por serviços de monitoramento global, como o Cloudflare, indicam que os níveis de uso no Irã diminuíram desde o início dos protestos, embora tenham permanecido acima de zero. Uma pesquisa realizada pela organização Filterwatch indicou que as conexões no Irã (incluindo conexões VPN) sofreram interrupções entre 16h e 22h, coincidindo com o horário planejado para os protestos, com quedas significativas de tráfego observadas durante essas horas nas redes da Telecommunication Company of Iran (TCI), MCI e Irancell.
Os meios de restrição incluem desativar antenas de redes móveis, cortar linhas telefônicas, limitar a transmissão de grandes volumes de dados, impedindo os usuários de enviar ou receber arquivos grandes, e desativar cartões SIM pertencentes a cidadãos dissidentes e ativistas sociais. No entanto, as autoridades atribuem as interrupções a falhas de energia ou equipamentos obsoletos, desviando assim as acusações de censura.
Bloqueios a partir do dia 8 de janeiro Em 8 de janeiro de 2026, durante o décimo segundo dia de protestos, as autoridades cortaram o serviço de internet no país, à medida que os protestos se intensificavam. O corte ocorreu quando os manifestantes exigiram o fim do regime e este tentou reprimir violentamente os protestos. O serviço de internet foi cortado em todo o país enquanto manifestantes entoavam slogans em apoio a Reza Pahlavi. O serviço telefônico também foi afetado, incluindo linhas fixas e móveis. Os primeiros relatos de apagões e restrições vieram de várias cidades. Naquela tarde, o país estava quase completamente offline, conforme confirmado por organizações de monitoramento, como a NetBlocks e o banco de dados de detecção e análise de interrupções na internet do Instituto de Tecnologia da Geórgia. Naquela noite, a Netblocks escreveu que o Irã estava “agora em meio a um apagão nacional da internet; o incidente segue uma série de medidas crescentes de censura digital direcionadas aos protestos em todo o país e dificulta o direito do público de se comunicar em um momento crítico”.
Circunvenção A internet via satélite Starlink inicialmente não foi afetada, permitindo que alguns usuários contornassem os bloqueios de internet controlados pelo governo. Embora algumas residências, hotéis e escritórios tenham Starlink, apenas uma pequena porcentagem dos iranianos tem acesso. O Irã proibiu o Starlink e tem procurado fiscalizar os terminais terrestres necessários para as conexões do Starlink. O apagão nacional da internet intensificou os apelos para que Elon Musk ajudasse a expandir o acesso usando a rede Starlink. A ativista iraniana Masih Alinejad o exortou a fazê-lo.
Desde 8 de janeiro, o governo iraniano lançou uma iniciativa em grande escala para interferir nos sinais de GPS e interromper o acesso ao Starlink, resultando em uma perda estimada de 30% dos pacotes nas conexões com o Starlink. De acordo com Amir Rashidi, do Miaan Group, algumas áreas tiveram uma perda de pacotes de 80%.
Em 11 de janeiro, o Irã bloqueou a internet Starlink pela primeira vez.
Retaliação governamental Depois que o governo iraniano desativou a internet Starlink, suas forças de segurança iniciaram operações porta a porta, apreendendo antenas parabólicas em meio ao apagão para bloquear qualquer acesso externo. Categoria:Censura no Irã Categoria:Protestos no Irã em 2025–2026