José Alves da Trindade (c. 1820, Bananeiras, Paraíba — 24 de maio de 1910, Patos, Paraíba) foi um agricultor e proprietário rural paraibano, identificado em registros históricos como rebelde liberal envolvido nos desdobramentos finais da Revolução Praieira (1848–1850), especialmente nos acontecimentos ligados à cidade de Areia, onde figurou entre os participantes investigados e processados após os conflitos.
Origem e contexto histórico Nascido por volta de 1820 na região de Bananeiras, na então província da Paraíba, José Alves da Trindade teve sua origem familiar pouco documentada. Sua presença em registros históricos torna-se mais evidente a partir do final da década de 1840, período marcado por conflitos políticos no Império do Brasil.
Revolta Praieira Ao final da Revolução Praieira, parte das forças insurgentes deslocou-se do litoral pernambucano em direção ao interior nordestino, alcançando cidades da Paraíba. Nesse contexto, José Alves da Trindade é mencionado como integrante de grupos liberais que acompanharam o avanço dos revoltosos até a cidade de Areia, onde ocorreram confrontos armados em 1849.
Participação nos conflitos e consequências No desfecho da invasão legalista à cidade de Areia, diversos rebeldes foram capturados e presos, entre eles José Alves da Trindade. Dois meses após os acontecimentos de 21 de fevereiro de 1849, o presidente da província encaminhou à cidade o chefe de polícia Cláudio Manuel de Castro para conduzir os procedimentos judiciais contra os envolvidos. A sentença, datada de 30 de maio de 1849, registrou:
Prisão Após a atuação do chefe de polícia Cláudio Manuel de Castro e a formalização das denúncias, José Alves da Trindade foi preso e processado em razão de sua participação nos acontecimentos ocorridos na cidade de Areia. A duração exata de sua prisão não é conhecida; entretanto, relatório do presidente da província da Paraíba, João Antônio de Vasconcelos, apresentado à Assembleia Legislativa Provincial em 1.º de agosto de 1849, registra que, entre os dezoito denunciados pelos conflitos, apenas José Alves da Trindade permanecia detido naquele momento. Com base no contexto histórico e na cronologia dos fatos, estima-se que sua prisão tenha se estendido por cerca de seis meses.
Anistia
Posteriormente, embora parte dos envolvidos tenha sido beneficiada por anistia concedida em 1851, a anistia de José Alves da Trindade somente foi registrada em 1853, conforme publicação no Diário de Pernambuco. Vida posterior Há registros de que José Alves da Trindade tenha sido casado ao menos duas vezes.
A primeira esposa teria sido Maria Joaquina da Conceição, com quem constituiu família e teve os filhos Anna Maria da Trindade, Ignácio Alves da Trindade, Luiza Maria da Trindade, João e Delfina.
Posteriormente, acredita-se que tenha se unido a Ninfa Maria de Albuquerque Maranhão, com quem teve numerosa descendência, entre eles Praxedes Trindade de Silveira, Ambrozina Maria da Trindade, Maria Formosina da Trindade, Antônio Alves da Trindade, Rita Maria da Trindade, José Alves da Trindade, João Alves da Trindade, Antônio e Francisco Alves da Trindade.
Com o passar dos anos, a família passou a residir em diferentes localidades do interior paraibano, incluindo regiões como Santa Luzia e Teixeira, acompanhando deslocamentos que marcaram os impactos e transformações vividos após os acontecimentos políticos de sua época. Morte Nos últimos anos de vida, José Alves da Trindade passou a residir no sítio Santo Estevão, localizado em área rural relativamente distante do núcleo urbano da cidade de Patos. Faleceu em 24 de maio de 1910, aos 90 anos de idade. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte, no cemitério público da referida cidade.
Referências
Bibliografia
Categoria:História da Paraíba Categoria:Naturais de Bananeiras Categoria:Nascidos em 1820 Categoria:Mortos em 1910 Categoria:Proprietários rurais da Paraíba Categoria:História de Pernambuco Categoria:Revoltas no Brasil