Teófilo Maciel Pais Carneiro (Ponte de Lima, 24 de março de 1891 – Ponte de Lima, 3 de agosto de 1949) foi um advogado, político republicano e poeta português. Foi deputado durante a Primeira República e Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima. A sua produção poética, dispersa por publicações periódicas e reunida postumamente, é associada a um lirismo de cariz neorromântico centrado na paisagem da Ribeira Lima. Foi pai do advogado e político Abel Carneiro (1926–1976).

Biografia

Origens e formação Teófilo Maciel Pais Carneiro nasceu na vila de Ponte de Lima em 24 de março de 1891. Era o quarto filho de João Luís Gonçalves Carneiro, comerciante natural da freguesia de Moreira, concelho de Monção, e de Guiomar Marques Pereira Viana, natural de S. João da Ribeira, em Ponte de Lima. Era primo do professor, jornalista e orador José Maria Mendes Carneiro (n. 1892), que se iniciou nas letras por influência sua.

Completou a instrução primária no Liceu de Viana e os estudos secundarios no Liceu-Seminário de Guimarães e, por transferência, no Liceu de Braga. Entre 1911 e 1916 frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, que concluiu com classificação elevada. Compôs a balada para a récita de despedida dos quintanistas de Direito, redigindo o poema Canto da Saudade, que foi musicado por António Augusto de Miranda.

Carreira profissional e política Regressado a Ponte de Lima, exerceu advocacia, com escritório aberto na rua Boaventura José Vieira, onde também residia. Foi professor de Francês no Externato e na Escola Primária Superior António Feijó, na mesma vila. Em 7 de janeiro de 1922 casou com Carolina Adelaide Araújo Almeida, sua colega na docência, natural de Parada de Gatim, Vila Verde, de quem teve seis filhos.

De orientação republicana, presidiu ao Centro Democrático de Ponte de Lima e foi Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima em 1918 e 1919. Eleito pelo Partido Democrático, foi deputado pelo círculo n.º 2 de Ponte de Lima em duas legislaturas: a VI Legislatura, eleita em 1922, que funcionou de 15 de fevereiro de 1922 a 15 de agosto de 1925, e a VII Legislatura, eleita em 1925, reunida a partir de 2 de dezembro de 1925 e dissolvida em 31 de maio de 1926, na sequência do golpe militar de 28 de maio de 1926. Foi ainda Presidente do Senado Municipal (1923–1926) e vereador. De acordo com a sua biografia, terá recusado um convite para funções governamentais na capital.

Segundo a biografia publicada pelo Arquivo Municipal de Ponte de Lima, no exercício da advocacia preferia a defesa à acusação, tendo ganhado notoriedade pela sua intervenção, em 1925, no processo relacionado com o escândalo financeiro do Banco Angola e Metrópole (Artur Alves dos Reis), sobre o qual proferiu um discurso na Câmara dos Deputados. Manteve correspondência com figuras do meio literário, entre as quais o poeta João Penha.

Na atividade parlamentar, foi autor, em 1922, do projeto de lei n.º 014-G da VI Legislatura, que pretendia permitir, na segunda quinzena de abril desse ano, uma época extraordinária de exames na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para os alunos em determinadas condições. Em 1925, apresentou, em conjunto com o deputado Germano de Amorim, o projeto de lei n.º 872-D, que previa a criação de um adicional de 15% sobre as contribuições cobradas nos concelhos do Distrito de Viana do Castelo, cuja receita seria consignada à Junta das Obras do Porto de Viana e Rio Lima.

Foi fundador e diretor do jornal Democracia do Lima (1921–1922), descrito como o primeiro jornal abertamente republicano publicado em Ponte de Lima, e colaborou em diversas publicações periódicas, entre as quais Aurora do Lima, O Comércio do Lima, Cardeal Saraiva, o Almanaque de Ponte de Lima e as revistas Galera (Coimbra), Civilização e Prometeu (Porto) e Arquivo Nacional (Lisboa).

Em 1949 participou na campanha do general Norton de Matos à Presidência da República. Faleceu em Ponte de Lima a 3 de agosto de 1949, aos 58 anos, na sequência de breve doença, e foi sepultado no cemitério da vila.

Obra poética Escreveu poesia desde a juventude, sem ter reunido em livro a sua produção literária em vida. Um volume póstumo, Poesias de Teófilo Carneiro, foi editado em 1952 (Ponte de Lima, Tip. Avelino Guimarães), em tiragem reduzida. Em 2006 foi publicada uma edição ampliada, Poesias e outros dispersos, com introdução, fixação do texto e notas de J. Cândido de Oliveira Martins, reunindo textos poéticos e em prosa dispersos por várias publicações, reproduzindo alguns manuscritos do autor e incluindo uma breve fotobiografia.

Segundo o ensaísta J. Cândido de Oliveira Martins, a sua poesia, de feição neorromântica e com traços neogarrettiana, privilegia a composição breve, em especial o soneto, e desenvolve sobretudo o lirismo amoroso e um bucolismo regionalista centrado na paisagem da Ribeira Lima. Tem sido descrito como um "poeta da paisagem", inscrito numa tradição literária local que remonta a Diogo Bernardes e a António Feijó.

Resultados eleitorais O círculo eleitoral n.º 2 de Ponte de Lima, que integrava os concelhos de Ponte de Lima, Melgaço, Paredes de Coura, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, elegia três deputados. Teófilo Carneiro, do Partido Democrático, foi o candidato mais votado do círculo nas eleições de 1922 e nas eleições de 1925, sendo eleito deputado em ambas.

+ Resultados eleitorais Data Partido Círculo eleitoral Posição Votos % Resultado 1922 Partido Democrático Ponte de Lima (n.º 2) 1.º (em 3) n.d. n.d. Eleito 1925 Partido Democrático Ponte de Lima (n.º 2) 1.º (em 3) 4 873 Eleito

n.d.: as atas da eleição de 1922 não registam os votos por candidato. A percentagem de 1925 corresponde a 4 873 votos em 8 402 votantes.

Em 1922, a taxa de participação no círculo foi de cerca de 83% (7334 votantes em 8811 eleitores recenseados), tendo sido eleitos dois deputados do Partido Democrático e um do Centro Católico Português. Segundo o estudo de Duarte Cação Vieira sobre essas eleições, no concelho de Ponte da Barca os candidatos democrático e republicano obtiveram o mesmo número de votos e o segundo candidato democrático, Félix de Morais Barreira, não recebeu qualquer voto; as participações superiores a 95% em Melgaço, Paredes de Coura e Ponte da Barca poderão, no entender do autor, refletir a influência de caciques locais. O mesmo autor observa que, embora o Partido Democrático tendesse a obter resultados menos favoráveis em círculos como os de Chaves, Coimbra, Ponte de Lima, Covilhã, Estremoz e Faro, em Ponte de Lima conquistou ainda assim a maioria. Na eleição de 1925, realizada num escrutínio com 8402 votantes, obteve 4873 votos.

Homenagens thumb|Busto de Teófilo Carneiro em Ponte de Lima|212x212px Em Ponte de Lima existe um monumento com o busto do poeta, no Passeio 25 de Abril, junto à muralha medieval e voltado para o Rio Lima, no qual figura a última quadra do hino que dedicou à vila. Em 1982 foi colocado, no mesmo passeio, um medalhão em bronze da autoria do escultor António Cruz.

Obras Poesias de Teófilo Carneiro. Ponte de Lima: Tip. Avelino Guimarães, 1952 (edição póstuma). Poesias e outros dispersos. Guimarães: Opera Omnia, 2006.

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