A epidemia de ébola na África Central de 2026 é uma epidemia de doença por vírus Ébola causada pelo vírus Bundibugyo, identificada em maio de 2026 na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC). Constitui o 17º surto de ébola reconhecido na RDC desde a identificação da doença no país, em 1976.

O surto propagou-se para outras zonas do leste da RDC e originou casos importados no Uganda. Em Campala, foram inicialmente confirmados dois casos em pessoas que tinham viajado da RDC, um dos quais mortal.

Em 17 de maio de 2026 a Organização Mundial da Saúde declarou que a epidemia constituía uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, devido ao risco de propagação internacional, à incerteza quanto à sua dimensão real e às dificuldades de resposta numa região afectada por insegurança, deslocamentos populacionais e intensa mobilidade transfronteiriça. Antecedentes A República Democrática do Congo (RDC) já registrou 16 surtos anteriores de Ebola. Houve dois surtos anteriores causados pelo vírus Bundibugyo (BDBV): um no distrito de Bundibugyo, em Uganda, entre 2007 e 2008 — de o vírus recebeu seu nome — e outro em 2012, em Isiro, na RDC. Estima-se que a taxa de mortalidade do vírus varie entre 25% e 50%.

Não existe vacina ou medicamento aprovado especificamente para o vírus Bundibugyo. Vacinas experimentais já foram testadas em macacos. Especialistas discutiram a possibilidade de utilizar a vacina Ervebo, aprovada para o ebolavírus Zaire, em pacientes infectados pelo vírus Bundibugyo. Estudos em animais sugerem que ela pode oferecer proteção parcial, embora existam preocupações quanto à eficácia e à segurança de uma vacina desenvolvida para uma cepa diferente.

O surto começou em Ituri, região que que recentemente voltou a sofrer um conflito étnico de décadas. A província de Ituri e as áreas vizinhas também foram afetadas pelo conflito entre a República Democrática do Congo e Ruanda. Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul enfrentam uma crise humanitária com 1,9 milhão de pessoas necessitando de ajuda. A região registra intensos fluxos de refugiados, deslocamentos transfronteiriços e viagens relacionadas à mineração. Os conflitos e a alta mobilidade populacional dificultam o rastreamento de contatos, especialmente porque profissionais de saúde têm sido alvo de ataques. Além disso, o status de Ituri como centro comercial e migratório aumenta significativamente o risco de propagação de doenças para outras áreas.

Epidemiologia Os vírus Ebola são endêmicos da África Central e Ocidental, onde os morcegos são frequentemente hospedeiros reservatórios, embora isso não tenha sido confirmado para esta espécie do vírus. O vírus pode infectar outros mamíferos que se alimentam de morcegos, ou por outros meios, e pode ser transmitido para humanos que têm contato com morcegos infectados, carcaças ou carne de caça.

Cronologia do surto A origem deste surto é desconhecida. Inicialmente, o primeiro caso suspeito conhecido, em Ituri, foi o de um homem que começou a apresentar sintomas em 24 de abril de 2026 e morreu três dias depois. No entanto, em 23 de maio, a Cruz Vermelha anunciou que três trabalhadores que morreram entre 5 e 16 de maio provavelmente contraíram Ebola em 27 de março, durante atividades de descarte de cadáveres em Mongwalu, antes que o surto fosse identificado. A Organização Mundial da Saúde foi alertada sobre o potencial surto de Ebola em Ituri em 5 de maio e enviou uma equipe de resposta. As amostras iniciais testaram negativo para Ebola, pois os testes utilizados detectavam apenas vírus Ébola Zaire, e não o vírus Ebola Bundibugyo. Posteriormente, foram utilizados testes que detectavam o vírus Ebola Bundibugyo, com os primeiros resultados positivos sendo confirmados em 14 de maio.

Em 15 de maio de 2026, o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social do Congo confirmou publicamente o surto de doença pelo vírus Ebola na província de Ituri, incluindo 246 casos suspeitos. Os especialistas em saúde ficaram alarmados com o fato de o surto ter progredido para centenas de casos suspeitos no momento em que foi relatado pela primeira vez. Em 16 de maio, as três zonas de saúde de Bunia, Mongwalu e Rwampara em Ituri tinham casos confirmados ou suspeitos. Os casos também foram confirmados na capital da RDC, Quinxassa, e na capital de Uganda, Campala.

Em 16 de maio de 2026 a OMS anunciou oito casos confirmados em laboratório do vírus Bundibugyo em Ituri, um caso confirmado em Kinshasa e dois casos confirmados em Kampala. Além disso, devido aos agrupamentos incomuns de casos suspeitos que surgiram em várias partes do leste da RDC, a OMS não conseguiu determinar a disseminação geográfica da epidemia ou o número real de infecções.

Em 17 de maio as autoridades de saúde confirmaram um caso positivo em Goma, uma cidade na província de Kivu do Norte que está sob o controle do Movimento 23 de Março, depois que uma mulher infectada com Ebola viajou para lá vinda de Ituri. A OMS disse em 17 de maio que o caso relatado anteriormente em Quinxassa testou negativo em testes confirmatórios adicionais.

Em 18 de maio foram identificados casos em Butembo, uma cidade na província de Quivu do Norte que foi um epicentro da epidemia de Ebola em Quivu, bem como na zona de saúde de Nyakunde, em Ituri. Em 18 de maio, a OMS relatou que a RDC tinha 516 casos suspeitos e 131 mortes, além de 33 casos confirmados e quatro mortes confirmadas em quatro zonas de saúde na província de Ituri e três zonas de saúde na província Quivu do Norte. Uganda tinha dois casos confirmados e uma morte confirmada em Campala.

Em 21 de maio um porta-voz da Aliança do Rio Congo disse que um paciente que morreu em uma área rural perto da capital de Bucavu, em Quivu do Sul, teve a confirmação de estar com Ebola e que o paciente havia viajado para a província vindo da capital de Quissangane, em Chopo.

Em 22 de maio a OMS elevou o seu nível de risco de Ébola na RDC para "muito alto", enquanto o seu risco regional permaneceu "alto" e o seu risco global permaneceu baixo.

Estatísticas de diferentes países

+Estatísticas do vírus Bundibugyo (BDBV) País Casos suspeitos Casos confirmados Fonte Casos Mortes CFR (%) Casos Mortes CFR (%) República Democrática do Congo 906 223 25% 125 17 14% Uganda – – – 7 1 14% Total 906 223 25% 132 18 14%

Resposta do setor de saúde Como não existe tratamento ou vacina licenciados especificamente para a doença causada pelo vírus Bundibugyo, a Organização Mundial da Saúde afirmou em 19 de maio: "as estratégias de resposta dependerão fortemente de medidas abrangentes de saúde pública, incluindo cuidados de suporte, detecção precoce de casos, protocolos rigorosos de prevenção e controle de infecções, rastreamento rigoroso de contatos, práticas de sepultamento seguras e profundo envolvimento da comunidade."

Os esforços para conter a epidemia ocorreram numa região altamente instável do leste da República Democrática do Congo, onde o conflito envolvendo grupos armados como as Forças Democráticas Aliadas (ADF), a Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO) e o Movimento 23 de Março (M23), apoiado pelo Ruanda, há muito limitam o acesso humanitário. Os confrontos e as restrições impostas por esses grupos também dificultavam as operações de assistência, restringiam a circulação de civis e comprometiam o acesso a serviços essenciais.

Em 16 de maio de 2026 a OMS declarou a epidemia como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional. No mesmo dia a organização Médicos sem Fronteiras anunciou que já mantinha equipas na região e que pretendia mobilizar recursos adicionais para ajudar no combate à epidemia.

Em 18 de maio de 2026 as autoridades de saúde da República Democrática do Congo começaram a instalar hospitais de campanha em Bunia, capital de Ituri, após os hospitais da cidade terem ficado sobrecarregados. Paralelamente, trabalhavam para transportar suprimentos médicos para a região.

Também em 18 de maio o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças anunciou o envio de especialistas para auxiliar na coordenação da resposta à epidemia.

Em 21 de maio The Guardian descreveu os Estados Unidos como "notavelmente ausentes nesses esforços", devido ao fim da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), às reduções nas agências de saúde americanas e ao cancelamento de pesquisas pelo segundo governo Trump. A saída da OMS resultou em grandes reduções nas capacidades da agência.

Outros desenvolvimentos Em 17 de maio, após a declaração da OMS de que a epidemia de Ébola era uma emergência global, as autoridades de Hong Kong ativaram o seu plano de preparação e resposta ao Ébola, aumentaram o rastreio de saúde para viajantes provenientes de África, desaconselharam viagens não essenciais para as áreas afetadas e prepararam a Instalação de Isolamento Comunitário de Penny's Bay na ilha de Lantau para o possível isolamento de casos suspeitos importados.

Em 18 de maio Peter Stafford, um médico americano que trabalhava na RDC como missionário cristão, testou positivo para Ebola; sua esposa e filhos foram monitorados, mas estavam assintomáticos na época. Em 19 de maio o CDC anunciou que ele estava a caminho da Alemanha para tratamento.

Em 18 de maio um grupo de ugandeses compareceu a um funeral no leste da RDC e retornou a Uganda. Alguns desenvolveram sintomas de Ebola e foram levados para Fort Portal para tratamento.

Em 19 de maio o governo ugandês proibiu temporariamente apertos de mão, abraços e contato físico desnecessário. A Seleção de Futebol da República Democrática do Congo cancelou parte de seu período de treinamento para a Copa do Mundo FIFA de 2026, que estava originalmente programado para ocorrer em maio em Quinxassa, mas a equipe ainda planeja viajar para a Europa e depois para o Texas antes do início da Copa do Mundo.

Em 21 de maio moradores protestaram em Rwampara, perto de Bunia, na província de Ituri, na República Democrática do Congo, depois que parentes tentaram levar o corpo de um jovem que, segundo eles, havia morrido de febre tifoide em vez de Ebola. Policiais dispararam tiros de advertência e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, e alguns manifestantes incendiaram duas tendas onde pacientes com Ebola estavam sendo tratados por uma organização médica humanitária. Reforços policiais e militares chegaram posteriormente e restabeleceram a ordem.

Em 23 de maio dezoito pacientes suspeitos de Ebola escaparam de um centro de tratamento e retornaram à comunidade em Mongbwalu, RDC, depois que moradores locais atacaram e queimaram uma tenda.

Resposta internacional

África

: O país está aumentando a vigilância e não tem casos confirmados. : O país intensificou sua vigilância sanitária. : Em 19 de maio, um Alerta de Ebola foi emitido pelo Serviço de Saúde de Gana e pelo Ministério da Saúde. : O país teve 3 casos suspeitos, mas todos testaram negativo. : Em 24 de maio, o Centro Nacional de Controle de Doenças (NCDC) afirmou que não havia encontrado nenhum caso. : O país foi instado a intensificar sua vigilância. : Em 24 de maio, o país intensificou a vigilância do Ebola. : Em 22 de maio, o país introduziu quarentena obrigatória para viajantes que retornavam da RDC. : O país emitiu um aviso de saúde pública em todo o país e reforçou suas medidas de preparação para emergências. : O país afirmou que reforçou as verificações nas fronteiras e aumentou o monitoramento em aeroportos e portos marítimos. : Em 27 de maio, o país fechou suas fronteiras com a RDC por pelo menos quatro semanas após relatar sete casos e uma morte. Qualquer pessoa que entrasse no país vindo da RDC também teria que ficar em isolamento por 21 dias.

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