Ananteris infuscata é uma espécie de escorpião da família dos ananterídeos (Ananteridae) e do gênero Ananteris. Antes de 2024, era classificado entre os butídeos, mas análises filogenômicas recentes levaram ao reconhecimento da família dos ananterídeos, grupo formalizado por Éric Ythier e caracterizado por um conjunto de traços morfológicos compartilhados por Ananteris e gêneros aparentados. A espécie foi descrita em 2013 por Wilson R. Lourenço, Alessandro P. L. Giupponi e Elise-Anne Leguin, com base em um macho coletado em Grão Mogol e duas fêmeas provenientes de Rio Pardo de Minas, no norte de Minas Gerais. Seu nome específico, infuscata, faz referência ao padrão de coloração intensamente escurecido que distingue a espécie de congêneres semelhantes. Trata-se de um escorpião de pequeno porte, com cerca de 20 milímetros de comprimento, coloração amarelo-avermelhada fortemente marcada por manchas castanhas a negras, pedipalpos relativamente longos, seis séries de grânulos nos dedos das quelas e tricobotriotaxia do tipo A-β.
Espécie endêmica do Brasil, Ananteris infuscata é conhecida apenas para duas cavernas do norte de Minas Gerais, situadas na transição entre o Cerrado e a Caatinga, na sub-bacia do rio Jequitinhonha. Todos os exemplares conhecidos foram coletados na zona afótica dessas cavidades, indicando estreita associação ao ambiente subterrâneo. Apesar de levantamentos realizados em dezenas de outras cavernas da região, não foram obtidos registros adicionais desde sua descrição. A espécie permanece conhecida por apenas três indivíduos, inexistindo informações sobre reprodução, abundância ou tendência populacional. Embora a expansão de plantações de Pinus no entorno das cavernas não seja atualmente considerada uma ameaça significativa, A. infuscata foi avaliada em âmbito nacional como pouco preocupante (LC) em 2022. Não há registros de sua ocorrência em unidades de conservação, mas a espécie encontra-se contemplada pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação das Cavernas do Brasil.
Taxonomia
Ananteris infuscata foi descrita em 2013 por Wilson R. Lourenço, Alessandro P. L. Giupponi e Elise-Anne Leguin, elevando para 24 o número de espécies brasileiras conhecidas do gênero Ananteris. O epíteto específico infuscata faz referência ao padrão de coloração escurecido da espécie. O holótipo, um macho, foi coletado em agosto de 2011 na gruta C-70, em Grão Mogol, no norte de Minas Gerais, enquanto dois parátipos fêmeas procedem da gruta Mocororô, em Rio Pardo de Minas, também na região setentrional do estado. O material-tipo encontra-se depositado no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e no Museu Nacional de História Natural, em Paris. Originalmente descrita como integrante da família dos butídeos, a espécie é atualmente classificada na família dos ananterídeos. Essa família corresponde à antiga subfamília dos ananteríneos, proposta por Reginald Innes Pocock em 1900 para acomodar o gênero Ananteris em razão de características peculiares, especialmente a ausência de fulcros nos pentes. Estudos posteriores reconheceram que Ananteris e gêneros aparentados compartilham um conjunto de caracteres morfológicos que os distingue dos demais butídeos, incluindo pequeno porte, reduzido dimorfismo sexual, seis ou sete séries de grânulos nos dedos das quelas, tricobotríotaxia predominantemente do tipo β e presença frequente de esporões tibiais. Análises filogenômicas recentes corroboraram a singularidade desse agrupamento, levando Éric Ythier a elevar formalmente os ananteríneos ao nível de família em 2024, sob o nome ananterídeos.
Descrição
A espécie apresenta porte pequeno, medindo cerca de 20,6 milímetros de comprimento total, e possui coloração geral amarelo-avermelhada intensamente escurecida por manchas castanhas a negras, especialmente nas fêmeas. Distingue-se de espécies semelhantes, particularmente Ananteris balzanii, pelo padrão mais escuro de coloração, pela vesícula do télson com manchas laterais, pela granulação mais intensa do prossoma e tergitos, pela margem anterior da carapaça praticamente reta e pela posição dos tricobótrios db e est do dedo fixo da quela, situados aproximadamente no mesmo nível. Os pedipalpos são relativamente longos, os dedos apresentam seis séries longitudinais de grânulos e os pentes possuem 15 dentes no macho e entre 14 e 16 nas fêmeas. A superfície interna da patela apresenta sete a oito grânulos espiniformes, enquanto os esporões tibiais são fortemente desenvolvidos no quarto par de pernas e moderados no terceiro. A carapaça apresenta granulação moderada a forte e três pares de olhos laterais. Os tergitos possuem granulação semelhante à da carapaça e o sétimo tergito é pentacarinado. Os segmentos metasomais I e II possuem dez carenas, os segmentos III e IV possuem oito e o segmento V apresenta cinco. Os segmentos III e IV apresentam ainda carenas laterais inframedianas desenvolvidas. Os espaços intercarenais são moderadamente granulados e as carenas dorsais dos segmentos I a IV terminam em um grânulo espiniforme distal. O télson é moderadamente alongado, com acúleo curto e pouco curvado, e apresenta dente subaculear espiniforme bem desenvolvido. A tricobótrio taxia corresponde ao padrão ortobotríquio A-β.
Distribuição e habitat
Ananteris infuscata é uma espécie endêmica do Brasil, conhecida apenas para duas cavernas localizadas no norte de Minas Gerais: a gruta C-70, em Grão Mogol, e a gruta Mocororô, em Rio Pardo de Minas, separadas por aproximadamente 70 quilômetros. Apesar de levantamentos realizados em cerca de cinquenta outras cavidades da região, não foram obtidos novos registros desde sua descrição, o que sugere uma distribuição geográfica bastante restrita. A espécie ocorre no bioma do Cerrado, na área de transição com a Caatinga, na sub-bacia do rio Jequitinhonha, e não apresenta comportamento migratório.
Conservação
Os únicos exemplares conhecidos de Ananteris infuscata foram coletados na zona afótica das cavernas, sugerindo forte associação ao ambiente subterrâneo. A descrição original baseou-se em apenas três indivíduos, correspondentes a um macho e duas fêmeas, e não existem informações adicionais sobre aspectos populacionais ou reprodutivos da espécie. Em consequência, sua tendência populacional permanece desconhecida. Em avaliação nacional realizada em 2010, a espécie foi classificada como Em Perigo (EN) sob o critério B1ab(iii) da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), condição que motivou sua inclusão na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção publicada em 2014. No Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado pelo ICMBio em 2018, a espécie permaneceu classificada como Em Perigo (EN) sob o mesmo critério. Na ocasião, sua extensão de ocorrência foi estimada em quilômetros quadrados e a expansão de plantações de pinheiro (Pinus) foi considerada uma ameaça relevante à qualidade do habitat, restringindo a espécie a duas localizações conhecidas. Posteriormente, em avaliação concluída em 2021 e publicada em 2022 pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), a espécie foi reclassificada como Pouco Preocupante (LC), uma vez que não foram identificadas ameaças diretas capazes de colocá-la em risco de extinção em futuro próximo. Nessa avaliação, embora a expansão de plantações de Pinus continuasse registrada na área de ocorrência da espécie, ela deixou de ser considerada uma ameaça significativa à sua persistência. Apesar da mudança de categoria, a espécie permaneceu contemplada na atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção publicada em 2022, em razão de a revisão da lista ter considerado avaliações realizadas em ciclos anteriores. Não existem registros de sua ocorrência em unidades de conservação, mas a espécie está contemplada pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação das Cavernas do Brasil.
Notas
Categoria:Ananteris Categoria:Aracnídeos endêmicos do Brasil Categoria:Aracnídeos de Minas Gerais Categoria:Aracnídeos do Cerrado Categoria:Aracnídeos da Caatinga Categoria:Espécies citadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção Categoria:Espécies citadas na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção