"La isla bonita" é uma canção da cantora estadunidense Madonna, gravada para o seu terceiro álbum de estúdio True Blue (1987). Foi composta e produzida pela própria intérprete em conjunto com Patrick Leonard, com escrita adicional de Bruce Gaitsch. Leonard e Gaitsch conceberam a canção a partir de uma demo instrumental oferecida a Michael Jackson, que a rejeitou; em seguida, ao ser convocado para o futuro álbum de Madonna, ele ofereceu a composição e partir dali começaram a trabalhar. A intérprete concebeu o título e as letras, descrevendo a canção como uma homenagem "à beleza e ao mistério do povo latino-americano". Tida como a primeira obra na qual Madonna incluiu influências latinas — que viria a se repetir também em outros trabalhos com Leonard, como "Who's That Girl" e "Spanish Eyes" —, foi lançada como o quinto e último single do disco em 25 de fevereiro de 1987, sendo posteriormente incluída nas coletâneas The Immaculate Collection (1990) e Celebration (2009).

Em termos musicais, "La Isla Bonita" é uma canção de pop latino, que incorpora guitarra flamenca, percussão latina e maracas em sua instrumentação. Suas letras falam da "ilha bonita" de San Pedro, cuja locação foi alvo de debates, além de incluir quatro versos cantados em espanhol. A canção recebeu análises positivas crítica especializada, com elogios direcionados à sonoridade única no catálogo de Madonna e sua composição; de tal modo, resenhas em retrospectivo a colocam dentre as melhores da cantora. "La Isla Bonita" foi mais um single de sucesso de True Blue, repetindo o feito dos anteriores de entrar nas cinco primeiras posições da estadunidense Billboard Hot 100, onde atingiu a quarta colocação como melhor. Ao redor do globo, liderou as paradas musicais da Alemanha Ocidental, Áustria, Canadá, França, Reino Unido e Suíça, e foi a canção de maior sucesso na Europa em 1987.

O videoclipe correspondente foi dirigido por Mary Lambert e lançado em 6 de março de 1987 na MTV. Nele, Madonna interpreta duas personagens distintas: uma jovem devota católica e uma dançarina flamenca. Um dos vídeos mais bem sucedidos na televisão naquele ano, foi recebido com opiniões divergentes de críticos e estudiosos, em que alguns viram o uso de imagem hispânica e latina como uma estratégia de marketing de sucesso, e outros acusaram a artista de apropriação cultural. Madonna interpretou "La Isla Bonita" na maioria de suas turnês desde então, mais recentemente na The Celebration Tour (2023–24), sempre fazendo alusões à cultura latina nas produções. Como uma das mais populares do catálogo da cantora, a faixa foi regravada por artistas como Ricky Martin, Alizée, e interpolada pelo grupo The Black Eyed Peas em "Mamacita" (2020).

Antecedentes e lançamento

No outono de 1985, Madonna começou a compor e gravar músicas para seu terceiro álbum de estúdio, True Blue. Ela colaborou mais uma vez com Stephen Bray — o principal parceiro em seu álbum anterior, Like a Virgin (1984) — e trouxe Patrick Leonard, que havia atuado como seu diretor musical na the Virgin Tour. Antes de trabalhar com a cantora, Leonard havia contribuído para os Jacksons durante a Victory Tour (1984) e manteve contato com Michael Jackson e o produtor Quincy Jones. A pedido deles, ele compôs uma série de discos demo instrumentais, incluindo uma que pretendia se assemelhar ao estilo de Sade; a peça foi apresentada a Jackson e Jones, mas acabou sendo rejeitada.

Leonard apresentou a demo a Madonna no início das sessões de True Blue, e ela começou a desenvolvê-la ainda mais. Ela concebeu o título "La Isla Bonita" — que se traduz como "A Ilha Bonita" — e escreveu a letra enquanto filmava Shanghai Surprise (1986) em Hong Kong. O músico Bruce Gaitsch, que trabalhou na faixa, inicialmente se mostrou cético em relação ao título, considerando-o "pouco comercial". Madonna descreveu a canção como uma homenagem à "beleza e ao mistério" dos latino-americanos. Ela explicou que há muito tempo era influenciada pela música latina, particularmente salsa e merengue, que ouvia frequentemente enquanto morava na cidade de Nova Iorque. Ela acrescentou que tanto ela quanto Leonard acreditavam ter sido latinos "em outra vida", já que os ritmos dessa região frequentemente moldavam suas composições animadas. Os dois voltariam mais tarde a explorar elementos de música latina em canções como "Who's That Girl" (1987) e "Spanish Eyes" de Like a Prayer (1989).

"La Isla Bonita" foi lançado como o quinto e último single de True Blue em 25 de fevereiro de 1987. A capa interna do single apresentava a intérprete usando uma jaqueta bolero bordada. A música foi posteriormente incluída nas coletâneas The Immaculate Collection (1990) e Celebration (2009), e adicionada como faixa bônus na edição japonesa de Something to Remember (1995).

Composição

"La Isla Bonita" foi escrita e produzida por Madonna e Patrick Leonard, com letras adicionais de Bruce Gaitsch. Foi gravada no Channel Recording Studios, juntamente com o restante do álbum True Blue, e posteriormente mixada no Master Control. Leonard cuidou dos arranjos e da programação dos teclados, Gaitsch tocou guitarra e a percussão foi fornecida por Paulinho da Costa, com vocais de apoio de Siedah Garrett e Edie Lehmann. Musicalmente, foi descrita como uma balada pop latino dançante com influências da bossa nova. A autora Mary Cross disse que marcou uma mudança na sonoridade da intérprete, combinando guitarra flamenca, percussão latina, maracas e elementos eletrônicos, com quatro versos cantados em espanhol. Para garantir traduções precisas, Madonna e Leonard conversaram por telefone com uma governanta hispânica.

Liricamente, "La Isla Bonita" é uma homenagem do "eu lírico" ao seu local de origem, isto é, a "ilha bonita", interpretada por muitos críticos e especialistas na época como uma referência ao terreno cubano, o que seria uma afronta aos estadunidenses mais nacionalistas, haja vista as relações políticas constantemente tensas entre Estados Unidos e Cuba. A faixa começa com bongôs e castanholas , levando ao verso; "Como pode ser verdade?". No primeiro verso, ela canta: "Ontem à noite sonhei com San Pedro/ Como se nunca tivesse ido, eu conhecia a canção". A localização exata de San Pedro tem sido debatida, com Cuba, Porto Rico, Belize e a República Dominicana entre as possibilidades sugeridas. A cidade de San Pedro em Ambergris Caye, Belize, abraçou a associação, com o turismo local adotando o apelido "La Isla Bonita". Além disso, a ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, Espanha, recebeu o apelido de "La Isla Bonita", embora sua ligação com a canção permaneça não confirmada.

Madonna esclareceu posteriormente, em entrevista à Rolling Stone, que o nome não tinha base geográfica específica, dizendo: "Talvez eu estivesse a caminho do estúdio e visse uma saída para San Pedro". Os autores Eduardo Viñuela, Igor Paskual e Lara González apontaram que, embora a canção incorpore elementos da música espanhola, como o flamenco, ela também faz referência ao samba brasileiro, sugerindo que a ilha é um lugar fictício "utópico" em vez de um local real. A emissora espanhola Los 40 descreveu a letra de forma semelhante como uma homenagem à "comunidade latina de Nova Iorque com a qual [Madonna] sempre teve proximidade", em vez da descrição literal de um lugar.

Em 2014, enquanto trabalhava em seu décimo terceiro álbum de estúdio, Rebel Heart (2015), Madonna gravou uma versão dubplate de "La Isla Bonita" com o produtor Diplo. Essa reinterpretação substituiu os ritmos latinos da original por batidas de dancehall e incluiu novas letras fazendo referência ao Major Lazer. A versão estreou na BBC Radio 1Xtra em março de 2015.

Análise da crítica thumb|esquerda|210px|Madonna interpretando "La Isla Bonita" em sua The Girlie Show World Tour (1993). Em uma resenha do álbum The Immaculate Collection, David Browne do Entertainment Weekly, comparou "La Isla Bonita" com a maneira de se movimentar de Carmen Miranda. Enquanto isso, Sal Cinquemani, da Slant Magazine, em uma opinião sobre o álbum True Blue, a elegeu uma das melhores, mais influentes e atemporais músicas de Madonna. O escritor Maury Dean elogiou-a em seu livro Rock 'n' Roll Gold Rush: "Madonna cantarola uma canção de ninar espanhola. O romance floresce entre as acolhedoras folhas de palmeira; as canções mais ásperas fazem a maioria dos homens balançar de ombros". Rikky Rooksby, autor de The Complete Guide to the Music of Madonna, considerou que tinha "um ar escapista". Em Public Women, Public Words, Dawn Keetley a classificou como uma das músicas que melhor capturam as emoções de Madonna. William McKeen a descreveu como "quieta" e disse que "com o estilo imaginativo de Up on the Roof ela escapa ao ruído da cidade, aquele tipo de doçura com sabor latino que Blondie nunca poderia resistir". Jude Rogers, do jornal britânico The Guardian, comentou que foi "um sucesso de verão que inclui guitarras do início da era Balearic e algumas deliciosas referências ao mercado pop latino". Ken Barnes, da Creem, opinou que, embora não tão impactante quanto o single anterior de Madonna, "Open Your Heart", sua "qualidade suave (mas reflexiva)" a elevou além dos "clichês mexicanos".

Paul Schrodt, da Slant Magazine, creditou o arranjo por adicionar "dinamismo" à música de Madonna, ajudando a dissipar as primeiras suposições de que ela era "simplesmente uma estrela pop de boate". Carlos del Amo, da agência de notícias espanhola EFE, a elegeu uma das melhores canções da intérprete. Louis Virtel, da NewNowNext, escreveu: "Um dos temas mais atemporais de Madonna é, sem dúvida, "La Isla Bonita", uma memória suave e sonhadora da utópica San Pedro. Como [canção de] romance, é tocante e, como reflexo pessoal, é lindo". Para o editor da Entertainment Weekly, Chuck Arnold, esse era o 19.º melhor single da intérprete, analisando que "sem dúvida, uma das mais belas canções que Madonna tem feito". Ele acrescentou que, explorando o pop latino muito antes de se tornar moda, "inspirou tudo, desde o seu próprio "Who's That Girl" até "Alejandro" (2009) de Lady Gaga". Jon Pareles, do New York Times, a considerou uma de suas canções de amor "mais amigáveis", e Don McLeese, do Chicago Sun-Times, achou que era a melhor e a mais memorável de True Blue.

O jornal digital Hoy Bolivia opinou que "Madonna poderia ser considerada a primeira diva pop a ousar fazer crossover, ou pelo menos o fez timidamente em 'La Isla Bonita', um dos temas em spanglish mais lembrados dos últimos tempos". Por sua parte, Sal Cinquemani, da revista Slant, a chamou de "um clássico". Joey Guerra, do Houston Chronicle — em uma revisão da turnê Sticky & Sweet Tour —, a viu como uma canção autenticamente retro, e Marty Racine, do mesmo jornal, opinou que era a faixa de destaque do álbum. O Los Angeles Daily News, em um artigo sobre o estilo musical de Madonna, sentiu que "La Isla Bonita" era uma canção que "acolhe". Em março de 2008, Sebas E. Alonso, do Jenesaispop, posicionou-a na posição 24 ao elencar as 40 melhores músicas da artista e comentou: "Embora não saibamos em que contexto colocar uma frase como "La Isla Bonita", a melodia do refrão é uma das mais belas que Madonna já cantou". Dez anos depois, o mesmo autor voltou a incluí-la na sexta posição entre as 60 melhores, em comemoração aos 60 anos de Madonna; a respeito disso, declarou que era "uma canção surpreendentemente cativante, na qual um refrão magnífico, uma ponte celestial e uma interpretação calorosa, calma e tranquila brilham como uma soneca confortável". Em comemoração aos 60 anos da intérprete, Joe Morgan, do site Gay Star News, a colocou no 35º lugar dentre suas 60 melhores músicas, chamando-a de "divertida". Escrevendo no The Boston Globe, Steve Morse adjetivou-a de uma das mais "bonitas" de Madonna.