O Rio Branco foi um jornal brasileiro, escrito por pessoas negras em Bagé no pós-abolição, em 1913, sendo um exemplar da imprensa negra bageense, importante para o estudo do associativismo negro na região.
História O periódico O Rio Branco foi um jornal de imprensa negra organizado pela e para população negra de Bagé no ano de 1913 e seu proprietário e redator chamava-se Pinto Amando. As pesquisas sobre O Rio Branco e outros jornais da imprensa negra da cidade de Bagé do período do pós-abolição apontam para a importância destes como espaço de discussão da população negra à época, sendo os principais temas: o comportamento em espaços públicos e privados dos sujeitos negros e as políticas voltadas para a comunidade.
Assim como outros jornais no período do Pós-Abolição do norte ao sul do Brasil, o Rio Branco aparece como fonte de pesquisa fundamental para entender os projetos políticos e as aspirações de homens e mulheres negras, suas demandas, lutas por reconhecimento e contra o racismo da sociedade brasileira. Na cidade de Bagé, O Rio Branco funcionou como espaço de articulação da população negra local, mas não foi citado por pesquisadores que investigaram a história da imprensa local, junto de outros periódicos negros da cidade, como A Liberdade (1919), A Revolta (1925), A Defeza (1920), O Palmeira (1922; 1927, 1949, 1952), O Rouxinol (1924), O Teimoso (1928), O Boato (1929), O Lampeão (1934), A Tesoura (1935), O Arauto (1936), Socega Leão (1937; 1939) e O 28 de Setembro (1937, 1938, 1939), excluindo e apagando a participação de sujeitos negros na impreensa local.
O Treze de Maio O “Treze de Maio” esteve presente como tema de debate na imprensa negra de Bagé nos jornais O Rio Branco e A Revolta. Na nota publicada pelo O Rio Branco, o 13 de maio é tido como uma data áurea e há referência à luta política de José do Patrocínio, enquanto A Revolta destacava a figura “redentora” da Princesa Regente Isabel. Apesar das interpretações sobre a realidade política variarem entre os periódicos, ambos debatiam os problemas advindos de uma nova conjuntura política, econômica e social que surgiu com o pós-abolição, mantendo-se atentos à conjuntura política nacional.
Preservação Atualmente, no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, em Porto Alegre, encontram-se ainda alguns periódicos do jornal arquivados que podem ser consultados para pesquisa, mediante reserva e agendamento. Não há registro de versões digitalizadas à disposição.
Categoria:Imprensa negra no Rio Grande do Sul