Tarmas é uma localidade montanhosa da paróquia civil de Carayaca, no Município Vargas, estado de La Guaira, no centro-norte da Venezuela. Situa-se na cordilheira da Costa, acima do mar das Caraíbas, organizando-se em torno da igreja de Nossa Senhora da Candelária e da Praça Bolívar.

O nome da localidade coincide com o etnónimo dado nas fontes coloniais aos tarmas, uma das populações indígenas da região costeira e montanhosa de Caracas. A documentação, porém, empregou «Tarmas» para realidades diferentes: o povo indígena, o vale, uma encomienda, uma doutrina e, finalmente, o povoado.

Não foi localizado um instrumento que fixe uma data única de fundação da localidade. A existência de uma igreja de Tarmas está comprovada em 1641, quando foi destruída por um terramoto; a comunidade passou a integrar com Carayaca um curato autónomo em relação a Maiquetía em 1649; Tarmas foi erigida em curato independente em 1785, recebendo o primeiro pároco titular no ano seguinte.....

Nome e delimitação histórica

As fontes e edições documentais apresentam formas como Tarmas, valle de los Tarmas e, ocasionalmente, Tarma. Na transcrição publicada do diário da visita pastoral do bispo Mariano Martí, o topónimo aparece como Farmas, embora o contexto corresponda inequivocamente à povoação de Tarmas situada junto de Carayaca..

É necessário distinguir a localidade actual de três unidades históricas relacionadas, mas não equivalentes:

os tarmas, nome atribuído pelos castelhanos a uma população indígena da costa e das serras vizinhas; o vale dos Tarmas, espaço geográfico referido na documentação de encomiendas; a encomienda dos indígenas tarmas do vale dos Tarmas, visitada pelas autoridades em 1660.

Vicente Dávila identificou editorialmente o lugar, em 1927, como um povoado costeiro situado entre La Guaira e Carayaca, então incluído no Departamento Vargas..

Geografia e organização territorial

A Diocese de La Guaira descreveu Tarmas, em 2018, como uma povoação encaixada na montanha, acima do mar das Caraíbas. O relevo condicionou historicamente a comunicação com Carayaca, Maiquetía e o litoral. Em 1649, a distância e os caminhos difíceis foram invocados para separar a assistência religiosa de Carayaca e Tarmas da doutrina de Maiquetía.

Em 1772, Mariano Martí calculou em uma légua a distância entre Carayaca e Tarmas. Do lado oposto, a fazenda de Guare, visitada pelo bispo depois de passar por Tarmas, ficava aproximadamente outra légua adiante.

A igreja paroquial encontra-se diante da Praça Bolívar. A actual paróquia eclesiástica de Nossa Senhora da Candelária possui capelas em Oricao, Chichiriviche, El Güire, Los Cedros, El Paulino, Media Legua, El Topo del Palmar, El Arbolito, El Cohete e Tirima.

História

Populações indígenas e conquista

A historiografia venezuelana situa os tarmas entre as populações indígenas do litoral e das montanhas centro-setentrionais da actual Venezuela. Nectario María relacionou-os com Maiquetía, Petaquire, o vale dos Tarmas, Mamo e Carayaca, enumerando quatro encomiendas coloniais que incluíam pessoas assim classificadas: Uma encomienda situada em Maiquetía agrupava tarmas, petaquires e guaiqueris; outra encontrava-se no vale dos Tarmas, a oeste de Carayaca; uma terceira localizava-se no vale de Mamo; e uma quarta estava associada a Carayaca..

Encomienda do vale dos Tarmas

Dávila publicou o resumo de um expediente relativo à «encomienda de indígenas tarmas do vale dos Tarmas». A primeira vida pertencera ao capitão Antonio Gámez. Depois da morte deste, a encomienda passou em segunda vida à filha, Francisca Gámez, casada com o capitão José Serrano Pimentel, que a administrava em nome da mulher.

Em 1660, o governador e capitão-general Pedro de Porres y Toledo visitou os indígenas sujeitos ao repartimento. Os títulos apresentados e o padrão inserido no processo indicavam uma população de 52 pessoas: dezasseis casais, cinco adultos solteiros e quinze crianças, oito do sexo masculino e sete do feminino. Durante a visita, três indígenas foram interrogados separadamente numa inquirição reservada destinada a averiguar a conduta do encomendero. Com base nos depoimentos, o governador formulou acusações contra José Serrano Pimentel; o administrador apresentou a sua defesa, com o processo documentado ainda em 25 de Abril de 1661.

A encomienda do vale dos Tarmas deve ser distinguida das encomiendas de Maiquetía, Mamo e Carayaca. Nectario María calculou 174 pessoas nas três encomiendas do vale dos Tarmas, Mamo e Carayaca em torno de 1660, excluindo desse total os indígenas de Maiquetía e outros que considerava dispersos pelo litoral.

Igreja e terramoto de 1641

A presença de uma igreja em Tarmas está documentalmente comprovada antes de Junho de 1641. O terramoto de 11 de Junho desse ano provocou o desabamento das igrejas de Maiquetía, Tarmas e Carayaca. Em 6 de Outubro, o bispo Mauro de Tovar ordenou que os encomenderos contribuíssem para a reconstrução dos templos e a reposição das alfaias danificadas, encontrando-se José Serrano Pimentel, Félix de Aguilar, Andrés Páez de Vargas e Pedro Arráiz de Mendoza entre os notificados.

Doutrina conjunta de Carayaca e Tarmas

Nas primeiras décadas do século XVII, Maiquetía, Carayaca e Tarmas estiveram reunidas numa jurisdição eclesiástica extensa. Em Janeiro de 1649, o sacerdote Luis Jacinto Gamero declarou que a distância e as más condições do caminho impediam o atendimento adequado e renunciou à parte de Carayaca.

A autoridade episcopal abriu então concurso para o novo benefício de Carayaca e Tarmas. Diego de la Carrera venceu a oposição e foi escolhido sob o padroado régio em 27 de Maio de 1649, tornando-se o primeiro titular conhecido da unidade separada de Maiquetía. Embora as fontes eclesiásticas por vezes usem Carayaca para designar o conjunto, Tarmas conservava igreja própria e continuava a receber missa e instrução religiosa.

Tarmas em 1772

Na matrícula de 6 de Junho de 1772, o curato conjunto de Carayaca e Tarmas reunia 952 pessoas. Carayaca correspondia a 627 e Tarmas a 325.. Entre os habitantes atribuídos a Tarmas, 217 estavam em idade de cumprir os sacramentos da confissão e comunhão, 46 eram admitidos somente à confissão e 62 eram crianças..

Mariano Martí visitou a região em Novembro do mesmo ano. Segundo o bispo, Tarmas fora anteriormente a igreja principal ou matriz, enquanto Carayaca funcionara como filial. Com a redução do número de indígenas em Tarmas, a sede paroquial e a pia baptismal foram transferidas para Carayaca. O pároco celebrava duas missas nos domingos e dias festivos: normalmente a primeira em Tarmas, por volta das sete horas, e a segunda em Carayaca, entre as nove e as dez. Quando havia festa em Tarmas, a ordem era invertida. A doutrina era ensinada de manhã e ao fim da tarde; frequentavam-na indígenas menores de dezoito anos e também outros jovens classificados no documento como mulatos, negros e pertencentes a outros grupos. Martí caracterizou Tarmas e Carayaca como povos indígenas sujeitos a meio tributo, embora neles vivessem numerosos espanhóis.

Em 29 de Novembro, o bispo passou por Tarmas e visitou a sua igreja, então descrita como nova. O altar-mor era dedicado a Nossa Senhora da Candelária; no lado da Epístola havia um segundo altar, dedicado a Nossa Senhora da Soledade, que se encontrava sem uso. Martí considerou o templo um pouco maior e mais asseado do que o de Carayaca.

A paisagem colonial em torno de Tarmas combinava povoações indígenas, propriedades agrícolas, plantações de cacau e engenhos de cana-de-açúcar. Depois de atravessar Tarmas em 1772, Martí visitou a fazenda de Guare, localizada cerca de uma légua adiante. O administrador informou ao bispo que a propriedade produzia 35 fanegas de cacau e mais de duzentas cargas de papelão, possuindo um engenho e um oratório dedicado a Santa Catarina. Mais de cinquenta escravos, entre adultos e crianças, viviam na fazenda.

Curato independente

O bispo Mariano Martí decretou, por auto de 3 de Agosto de 1785, a divisão do antigo benefício conjunto em dois curatos: San José de Carayaca e Nossa Senhora da Candelária de Tarmas. Antonio José Chirinos, até então responsável pelo conjunto, optou por conservar Carayaca, deixando Tarmas vaga.

Sebastián Dionisio Bueno, natural das Ilhas Canárias e com 24 anos, venceu em 9 de Dezembro de 1785 o exame para prover Tarmas. Recebeu a instituição canónica em 17 de Fevereiro de 1786, tornando-se o primeiro pároco titular do curato independente.

Segundo Paiva Palacios e Paiva Pineda, citando um estudo de Fray Manuel Acereda Lalinde, Tarmas permaneceu paróquia separada até 1845, quando voltou a depender de Carayaca.. A actual Diocese de La Guaira voltou a reconhecê-la como paróquia própria sob a invocação de Nossa Senhora da Candelária.

Séculos XX e XXI

O levantamento nacional do património cultural realizado em 2004–2005 registou a igreja, os objectos religiosos e numerosas manifestações colectivas de Tarmas. O Instituto del Patrimonio Cultural declarou os bens e práticas incluídos no catálogo como bens de interesse cultural mediante a Resolução n.º 003-05, de 20 de Fevereiro de 2005..

A igreja continua a ser a sede da paróquia católica de Nossa Senhora da Candelária e o principal centro das celebrações religiosas locais. Em 2026, os terramotos de 24 de Junho provocaram danos em pelo menos dez templos da Diocese de La Guaira, incluindo o de Tarmas. A igreja foi colocada entre os edifícios patrimoniais mais afectados, ficando o alcance dos danos sujeito a avaliação especializada.

População histórica

Os dados disponíveis pertencem a unidades e métodos diferentes. O padrão de 1660 contou pessoas sujeitas a uma encomienda; a matrícula de 1772 registou a feligresia e classificou-a segundo a prática sacramental católica. Nenhuma das duas contagens corresponde exactamente aos limites actuais da localidade.

+ População documentada Ano Unidade abrangida População Natureza da contagem 1660 Encomienda de indígenas tarmas do vale dos Tarmas 52 Dezasseis casais, cinco adultos solteiros e quinze crianças 1772 Sector de Tarmas do curato conjunto 325 217 pessoas de comunhão, 46 somente de confissão e 62 crianças

Igreja de Nossa Senhora da Candelária

A igreja de Nossa Senhora da Candelária constitui o principal monumento da povoação. A sequência documental conhecida inclui pelo menos quatro momentos: uma igreja destruída pelo terramoto de 1641; a igreja própria da doutrina conjunta de Carayaca e Tarmas; o edifício descrito como novo por Martí em 1772; e o templo inventariado pelo Instituto del Patrimonio Cultural em 2004–2005..

O inventário patrimonial registou um cálice de bronze ornamentado com prata, um castiçal de ferro com aplicações de prata, uma custódia, o altar-mor e quatro sinos, um dos quais com a data de 1769, e dois pertenciam ao século XIX, descrevendo o conjunto como propriedade da paróquia de Nossa Senhora da Candelária..

A actual jurisdição eclesiástica abrange, além da igreja matriz, uma rede de capelas em comunidades da zona montanhosa e costeira ocidental de La Guaira.

Património arqueológico

O catálogo patrimonial registou dois sítios arqueológicos associados à área de Tarmas. O primeiro, Hoyo del Muerto, situa-se junto da estrada entre Caripote e Hoyo del Muerto. Foram encontradas três lâminas de machado polidas em quartzito, numa área montanhosa e arborizada parcialmente usada para cultivo de árvores de fruto..

O segundo, Las Adjuntas, fica junto da estrada entre Tarmas e Punta Tarmas. O levantamento mencionou fragmentos de cerâmica indígena polida e sem decoração, vértebras de peixe e conchas de lapa, numa área ocupada por casas e conucos. O estado de conservação foi considerado deficiente..

Cultura e tradições

Nossa Senhora da Candelária

Nossa Senhora da Candelária é a padroeira da igreja e da paróquia. O culto está documentado pelo menos desde a visita de Martí em 1772, quando a imagem ou invocação ocupava o altar-mor.