Let Go é o álbum de estreia da artista musical canadense Avril Lavigne, lançado em 4 de junho de 2002 pela Arista Records. O projeto, que inicialmente se intitularia Anything but Ordinary, teve suas sessões de gravação iniciadas em maio de 2001 e concluídas em janeiro de 2002. Durante o processo criativo, Lavigne, apesar de possuir um histórico musical, encontrava-se com dificuldade para definir um som para si e desejava também escrever seu próprio material em vez de gravar canções de outros compositores. Muitas das primeiras tentativas de colaboração da cantora com profissionais da área resultaram improdutivas, exceto as com Clif Magness. Por não aprovar a direção sonora de Magness, a Arista reuniu Lavigne com a equipe de produção The Matrix, e o alinhamento do registro foi finalmente completado.

Derivado em sua maioria de rock alternativo, pós-grunge e pop rock, o álbum incorpora ainda pop punk e rap. Liricamente, trata de assuntos relativos à angústia na adolescência, sendo classificado também como pertencente ao teen pop. Segundo a intérprete, as faixas estão relacionadas com sua visão de mundo e experiências pessoais, com temas acerca de relacionamentos problemáticos, solidão, insegurança, confusão, autodescoberta e perseverança.

Let Go dividiu opiniões entre os críticos musicais; muitos elogiaram sua produção e a capacidade vocal de Lavigne, enquanto outros desprezaram seu conteúdo lírico. Além de ser incluído entre os 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, o disco rendeu à cantora indicações ao Grammy e vitórias nos prêmios Juno de 2003. No âmbito comercial, obteve números bastante notáveis, superando um milhão de cópias tanto no Japão como no Canadá, e entrou para o Guinness World Records. Também é o álbum de Lavigne com maior número de vendas em diversas nações, como Reino Unido, Brasil, Portugal e Estados Unidos, onde obteve certificação de platina sétupla por mais de sete milhões de unidades. Com vendas mundiais estimadas em mais de 16 milhões de cópias, Let Go foi o segundo álbum mais vendido em 2002 e o nono em 2003, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

Dos cincos singles do álbum, "Complicated", "Sk8er Boi" e "I'm with You" foram os únicos a entrar para as dez primeiras posições da Billboard Hot 100 dos Estados Unidos, e também conquistaram êxito em outros países. A Try to Shut Me Up Tour (2002–03), turnê associada a Let Go, passou pela América do Norte, Austrália, parte da Ásia e da Europa — um dos concertos foi registrado no álbum ao vivo My World. Na época, o rótulo midiático de punk em torno de Lavigne gerou questionamentos constantes acerca de sua autenticidade. Retrospectivamente, a cantora e o sucesso de Let Go foram creditados como um fator determinante para o cenário pop punk e alternativo feminino e em geral.

Antecedentes Avril Lavigne participava de concursos de talentos e apresentava-se em feiras de gado em Napanee, cidade em que cresceu e passou a maior parte da adolescência. Em 1998, ganhou um concurso de canto promovido por uma rádio local cujo prêmio foi uma apresentação ao lado da cantora country Shania Twain, ocorrida no Corel Centre para um público de aproximadamente 20 mil pessoas. Ademais, Lavigne participou em dois projetos do músico local de folk/gospel Stephen Medd.

Em 1999, seu primeiro empresário, Cliff Fabri, enviou cópias de um VHS com cenas dela cantando para executivos da indústria fonográfica e depois arranjou-lhe uma audição com o caçador de talentos Ken Krongard, responsável pela divisão A&R da Arista Records. Simultaneamente, uma das cópias chamou a atenção de Mark Jowett, da Nettwerk Records, fazendo-o enviar a gravação em vídeo ao compositor e produtor Peter Zizzo, e este solicitou a ida da jovem a Nova Iorque. Por sua vez, Krongrad pediu a Antonio "L.A." Reid, presidente da Arista, um contrato discográfico para Lavigne. Após interpretar três canções — incluindo "Why" (de sua coautoria) e "Breathe", de Faith Hill — no estúdio de Zizzo em 2000, ela assinou com a gravadora, e os preparativos para a gravação de seu álbum de estreia foram iniciados.

Desenvolvimento

L. A. Reid concedeu a Joshua Sarubin, da divisão A&R da Arista, a responsabilidade de supervisionar a criação do álbum. De início, Lavigne teve dificuldade quanto a encontrar-se musicalmente. Em Nova Iorque, ela participou de sessões com profissionais que lhe produziram várias canções country semelhantes às de Hill, mas estas terminaram por não refletir seus gostos, orientados ao hard rock e ao punk rock devido à convivência com esqueitistas na adolescência. Embora algumas colaborações, como as com Sabelle Breer e Curt Frasca, tenham obtido um bom resultado, foi em Los Angeles, para onde ela se deslocou em maio de 2001, que o processo realmente avançou. Lá, obteve maior controle criativo, trabalhando com Clif Magness, mas a gravadora não aprovou a sonoridade marcada por guitarras das faixas compostas por eles — especificamente "Losing Grip" e "Unwanted" — e buscou outros produtores para o disco. Em vista disso, Sandy Roberton sugeriu a Sarubin uma colaboração entre Lavigne e a equipe The Matrix, trio gerenciado por Roberton.

Quando o trio ouviu as primeiras canções gravadas por Lavigne, sentiram que elas continham "um tipo de vibração [ao estilo] de Faith Hill". Contudo, assim que a viram entrar em seu estúdio, perceberam que aquelas produções eram incongruentes com a imagem e atitude da jovem, então com 16 anos. Depois de conversarem com Lavigne por cerca de uma hora, reconheceram que ela não estava satisfeita, mas não conseguiam descobrir o que fazer a respeito. Então, tocaram-lhe suas composições com influências de Hill, já que era esse tipo de música que a gravadora queria que Lavigne cantasse, porém ela as descartou, pois queria canções com tendências punk rock. Lavigne apresentou-lhes uma canção que "ela gravara e realmente amava" reminiscente ao som da banda System of a Down. Como antes de formar o trio os primeiros projetos de seus membros eram do tipo pop rock, eles descobriram rapidamente o que ela queria gravar. Em sequência, Lavigne e eles compuseram uma canção que evoluiu para "Complicated". Ao ouvir "Complicated" pela primeira vez, Sarubin soube que estavam na direção certa. Lavigne apresentou a canção a L.A. Reid, que concordou com o estilo musical tomado por ela juntamente com o trio e permitiu-lhes, inicialmente por um mês, concluírem o restante do projeto. A Arista deu à equipe autorização para compor e produzir dez faixas, o que levou dois meses e resultou em seis canções.

As faixas compostas com os Matrix foram gravadas nos estúdios Decoy, situados em um subúrbio de Los Angeles conhecido como Valley Village. Das canções produzidas com a equipe, apenas cinco entraram para o alinhamento do disco. O restante do processo decorreu em estúdios de Nova Iorque, New Milford e Santa Mônica. Scott Spock, membro dos Matrix, foi o principal engenheiro de áudio do projeto, enquanto Tom Lord-Alge, Randy Staub e David Leonard foram encarregados da mixagem das faixas. As sessões de gravação, de acordo com Spock, ocorreram tranquilamente e Lavigne ficou relaxada durante elas, porque talvez "pensou que estava cortando a demo de uma canção". Além disso, ele revelou que cada canção era gravada em cinco ou seis tomadas, e "provavelmente 90% do que foi finalmente usado veio da primeira ou segunda tomadas". As sessões foram finalizadas em janeiro de 2002.

Lançamento e divulgação L.A. Reid, como produtor executivo de Let Go, sugeriu-lhe o título Anything but Ordinary após ouvir a faixa de mesmo nome. Lavigne, entretanto, foi contra a proposta, pois não gostava da ideia de "dar um nome" ao álbum. O título final surgiu a partir de uma faixa demo homônima que não entrou para seu alinhamento. Let Go foi mundialmente lançado em 4 de junho de 2002. Em setembro do mesmo ano, a Arista o incluiu em um acordo de lançamento com a DataPlay.

Singles Servindo ao mesmo tempo como o single de estreia de Lavigne e o primeiro foco de divulgação de Let Go, "Complicated" foi primeiramente lançada em 11 de março de 2002. A canção alcançou a segunda colocação da principal parada dos Estados Unidos, a Billboard Hot 100. Para além disso, atingiu o topo das paradas de outros 22 países pelo mundo, incluindo Austrália e Nova Zelândia. Seu videoclipe, dirigido por The Malloys, intercala cenas em que a cantora e sua banda de apoio fazem bagunça em um centro comercial e tocam o tema em um parque de esqueitismo.

Em 9 de setembro seguinte, "Sk8er Boi" tornou-se o segundo single do álbum. Comercialmente, repetiu o sucesso da anterior, listando-se nas dez primeiras posições em várias nações, incluindo Estados Unidos e Reino Unido, nos quais, respectivamente, atingiu as posições de número dez e oito. Apesar de seu bom desempenho, a faixa foi, segundo L.A. Reid, "a escolha mais controversa [como single]" por sua temática adolescente — havia certo receio de que isso pudesse alienar um público mais maduro. Essa mesma preocupação também surgiu após o lançamento do vídeo de "Complicated". O videoclipe de "Sk8er Boi, dirigido por Francis Lawrence, exibe Lavigne apresentando a canção improvisadamente em um cruzamento de uma rua.

"I'm with You" foi distribuída como a terceira faixa de trabalho do disco em 18 de novembro seguinte. Houve discordâncias dentro da gestão da gravadora, já que a canção havia sido considerada "o maior potencial do álbum" e um atrativo para um público maduro caso tivesse sido lançada primeiro. "I'm with You" garantiu a terceira entrada da artista para às dez primeiras colocações tanto da Billboard Hot 100 como da parada de singles do Reino Unido. No Brasil, inclusive, foi a 20.ª faixa mais tocada nas rádios em 2003, sendo a única obra de um artista internacional a entrar na listagem. Seu videoclipe, dirigido por David LaChapelle e filmado em câmera lenta, inicia-se com Lavigne em uma festa, com as cenas subsequentes mostrando-a solitária pelas ruas.

Após três singles produzidos por The Matrix, "Losing Grip" foi escolhida como o quarto single de Let Go por insistência de Lavigne, uma vez que a Arista pretendia usar para tal feito "Anything but Ordinary", outra canção produzida pelo trio. Lançada em 24 de março de 2003, a canção não teve o mesmo desempenho das anteriores, fracassando na Billboard Hot 100, em que chegou ao número 64. Por outro lado, teve picos mais notáveis no Reino Unido, onde alcançou o número 22, e Austrália, onde logrou ao número 20. A Nova Zelândia, contudo, recebeu "Mobile" como o último single em seu lugar; a faixa conquistou a 26.ª posição no país. O videoclipe de "Losing Grip" foi dirigido Liz Friedlander e mostra a cantora e sua banda de apoio apresentando a canção para um grande número de pessoas como em um concerto. Um videoclipe gravado para "Mobile" acabou surgindo na internet em janeiro de 2011, com cenas de Lavigne tocando guitarra, andando pela estrada e lacrimejando.

Apresentações ao vivo thumb|direita|300px|Lavigne durante um concerto para divulgação de Let Go em Toronto, Canadá, em 2002

Para divulgar Let Go, Lavigne fez aparições entre 2002 e 2003 em diversas atrações televisivas e premiações, incluindo Total Request Live e os programas The Tonight Show with Jay Leno, The Late Late Show With Craig Kilborn e Good Morning America.