Resumo do Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1 realizado em Spa-Francorchamps em 7 de junho de 1970. Quarta etapa do campeonato, neste dia o mexicano Pedro Rodríguez conquistou a última vitória de sua carreira, guiando então para a BRM. Em segundo lugar chegou Chris Amon, da March-Ford, com Jean-Pierre Beltoise em terceiro pela Matra.
Resumo Bruce McLaren (1937-1970) No intervalo entre as provas de Mônaco e da Bélgica, a Fórmula 1 foi surpreendida pela notícia da morte de Bruce McLaren, piloto neozelandês fundador da equipe que leva seu nome. O triste fato ocorreu em 2 de junho de 1970 no Circuito de Goodwood, Reino Unido, durante um teste para a Can-Am, categoria automobilística popular nos Estados Unidos e Canadá, quando (acredita-se) o motor explodiu e destroçou a carenagem traseira do carro de Bruce McLaren. Sem estabilidade aerodinâmica, o bólido McLaren M8D saiu da pista e atingiu um posto de observação a aproximadamente 290 km/h e, segundo o jornal O Globo, "o piloto foi retirado das ferragens já sem vida". Por conta da morte de seu fundador, a equipe McLaren não participou da prova belga.
Como se não bastasse a dor da perda, a equipe enlutada sofreu outro revés, pois Denny Hulme convalescia após um acidente nos treinos para as 500 Milhas de Indianápolis em virtude de queimaduras em suas mãos.
Dois pilotos na Ferrari Representante único da Ferrari nas três primeiras corridas do ano, Jacky Ickx teria ao seu lado na Bélgica o italiano Ignazio Giunti. Em sentido inverso o time de Ken Tyrrell correria somente com Jackie Stewart, pois o francês Johnny Servoz-Gavin decidiu aposentar-se por causa de um problema de visão que o acometia desde sua participação num evento off-road durante o inverno. Quanto à equipe Lotus a mesma decidiu usar o Lotus 72, previamente utilizado na Grande Prêmio da Espanha.
Mudanças à parte, Jackie Stewart conquistou mais um pole position em sua March/Tyrrell com Jochen Rindt confirmando os prognósticos a respeito do Lotus 72 e Chris Amon em terceiro com uma March "original". A Ferrari de Jacky Ickx estava na segunda fila com a Brabham de Jack Brabham, enquanto a fila seguinte contava com Pedro Rodriguez, pela BRM, Rolf Stommelen na segunda Brabham e Ignazio Giunti estreando em oitavo lugar pela Casa de Maranello.
Rodríguez e a BRM vencem Em 1969 os pilotos, sob a liderança de Jackie Stewart, recusaram-se a correr em Spa-Francorchamps alegando que a pista belga era tão rápida quanto perigosa, raciocínio ilustrado pelo acidente no Grande Prêmio da Bélgica de 1966 quando o próprio Stewart, então na British Racing Motors (BRM), sofreu um acidente e caiu numa vala enquanto a gasolina fluía de seu carro expondo o britânico ao risco de morte por explosão, mas felizmente a ação rápida de Graham Hill salvou a vida de seu compatriota e companheiro de equipe. Agora piloto da March, Stewart capturou a pole position, mas fez valer sua autoridade de campeão mundial ao defender um novo boicote à prova. O motivo? Temor pela vida dos pilotos em caso de chuva, ideia apoiada por Graham Hill e combatida de forma veemente por Jacky Ickx: "Devemos aceitar os riscos que esse trabalho envolve, incluindo o risco de perder sua vida!"; no que foi rebatido por Stewart: "Nós não fazemos esse trabalho para morrer"...
Sem chuva, os pilotos alinharam para a prova e no momento da largada Amon tomou o primeiro lugar de Stewart, mas levou o troco no giro seguinte. Determinado, o neozelandês voltou à liderança, mas na quinta volta a surpresa: Pedro Rodríguez pôs sua BRM adiante dos carros da March e liderou tendo Amon atrás de si até a bandeirada final. Na disputa pela terceira posição ficaram pelo caminho por quebra de motor ou falha na embreagem nomes como Jochen Rindt, Jackie Stewart e Jack Brabham, mas quando parecia que Jacky Ickx herdaria a posição, sua Ferrari ficou sem combustível a duas voltas do fim da prova e assim a Matra de Jean-Pierre Beltoise garantiu o último degrau no pódio. Bem posicionada em quarto lugar, a Matra de Henri Pescarolo teve uma pane elétrica e foi ultrapassada pela Ferrari de Ignazio Giunti, quarto colocado em sua estreia na categoria, e pela Brabham de Rolf Stommelen, enquanto Pescarolo, mesmo parado, ainda conseguiu terminar em sexto lugar.
Nesta que foi a última corrida no antigo traçado de 14 km do Circuito de Spa-Francorchamps, Pedro Rodríguez venceu pela última vez em sua carreira enquanto Chris Amon assinalou sua primeira volta mais rápida, algo inédito também para o seu time, a March. Com 10 pontos, o mexicano da BRM estava em terceiro na tabela a três pontos de Jackie Stewart e cinco de Jack Brabham, líder do mundial de pilotos. Dentre os construtores a March tinha 19 pontos, dois de diferença em relação à Brabham e quatro ante a McLaren.
50 anos de jejum Mesmo com Pedro Rodríguez bem posicionado na classificação, um novo triunfo mexicano na categoria só veio a ocorrer quando Sergio Pérez triunfou no Grande Prêmio de Sakhir de 2020 a bordo de uma Racing Point.
Bélgica ausente em 1971 Em comunicado feito no dia 15 de março de 1971, o Real Clube de Automobilismo anunciou o cancelamento do Grande Prêmio da Bélgica previsto para 6 de junho daquele ano. Tal decisão foi motivada pela falta de segurança em Spa-Francorchamps combinada com a falta de recursos financeiros para melhorar as condições da tradicional pista belga, substituída a partir de 1972 por Nivelles e Zolder. O regresso de Spa-Francorchamps ao calendário da Fórmula 1 ocorreria apenas em 1983.
Classificação Treinos classificatórios Pos. Piloto Construtor Tempo Dif. 1 Jackie StewartMarch-Ford3:28.0 —2 Jochen RindtLotus-Ford3:30.1 + 2.13 Chris AmonMarch-Ford3:30.3 + 2.34 Jacky IckxFerrari3:30.7 + 2.75 Jack BrabhamBrabham-Ford3:31.5 + 3.56 Pedro RodríguezBRM3:31.6 + 3.67 Rolf StommelenBrabham-Ford3:32.0 + 4.08 Ignazio GiuntiFerrari3:32.4 + 4.49 Ronnie PetersonMarch-Ford3:32.8 + 4.810 Jo SiffertMarch-Ford3:32.9 + 4.911 Jean-Pierre BeltoiseMatra3:32.9 + 4.912 Piers CourageDe Tomaso-Ford3:33.0 + 5.013 John MilesLotus-Ford3:33.8 + 5.814 Jackie OliverBRM3:34.2 + 6.215 Derek BellBrabham-Ford3:36.2 + 8.216 Graham HillLotus-Ford3:37.0 + 9.017 Henri PescaroloMatra3:37.1 + 9.1 DNQ Alex Soler-RoigLotus-Ford3:52.7 + 24.7Fontes:
Corrida Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos 1 1 Pedro Rodríguez BRM 28 1:38:09.9 6 9 2 10 Chris Amon March-Ford 28 + 1.1 3 6 3 25 Jean-Pierre Beltoise Matra 28 + 1:43.7 11 4 4 28 Ignazio Giunti Ferrari 28 + 2:38.5 8 3 5 19 Rolf Stommelen Brabham-Ford 28 + 3:31.8 7 2 6 26 Henri Pescarolo Matra 27 Pane elétrica 17 1 7 9 Jo Siffert March-Ford 26 Pressão do combustível 10 8 27 Jacky Ickx Ferrari 26 + 2 voltas 4 NC 14 Ronnie Peterson March-Ford 20 Não classificado 9 Ret 18 Jack Brabham Brabham-Ford 19 Embreagem 5 Ret 23 Graham Hill Lotus-Ford 19 Motor 16 Ret 11 Jackie Stewart March-Ford 14 Motor 1 Ret 21 John Miles Lotus-Ford 13 Câmbio 13 Ret 20 Jochen Rindt Lotus-Ford 10 Motor 2 Ret 2 Jackie Oliver BRM 7 Motor 14 Ret 7 Piers Courage De Tomaso-Ford 4 Pressão do óleo 12 Ret 8 Derek Bell Brabham-Ford 1 Câmbio 15 DNQ 22 Alex Soler-Roig Lotus-Ford Poucas voltas no treino Fontes:
Tabela do campeonato após a corrida
Classificação do mundial de pilotos Pos. Piloto Pontos 1 Jack Brabham 15 2 Jackie Stewart 13 9 3 Pedro Rodríguez 10 1 4 Jochen Rindt 9 1 5 Denny Hulme 9Fontes:
Classificação do mundial de construtores Pos. Construtor Pontos 3 1 March-Ford 19 1 2 Brabham-Ford 17 1 3 McLaren-Ford 15 1 4 Lotus-Ford 14 5 Matra 11Fontes:
Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. Cada piloto computaria seis de sete resultados na primeira metade do campeonato e cinco de seis na segunda metade. Além disso, considera-se apenas o melhor resultado dentre os carros de um mesmo construtor, embora outras equipes inscritas usassem o mesmo chassi numa corrida.
Bélgica Categoria:Desporto na Bélgica em 1970 1970