L'Anse aux Meadows é um sítio arqueológico, escavado pela primeira vez na década de 1960, que preserva os vestígios de um assentamento nórdico datado de aproximadamente mil anos atrás. O local fica próximo à cidade de St. Anthony, na ponta mais ao norte da ilha de Terra Nova, na província canadense de Terra Nova e Labrador, no Canadá.
Com estimativas por datação por radiocarbono situadas entre os anos 990 e 1050 d.C. (com média em 1014) e datação por anéis de árvores indicando o ano de 1021 , L'Anse aux Meadows é o único sítio comprovado de contato transoceânico pré-colombiano entre europeus e as Américas fora da Groenlândia. Ele é especialmente importante como evidência da presença nórdica na América do Norte e por sua possível relação com os relatos sobre Leif Erikson presentes na Saga dos Groenlandeses e na Saga de Erik, o Vermelho, registradas por escrito no século XIII. Evidências arqueológicas indicam que o assentamento pode ter funcionado como uma base para a exploração nórdica da América do Norte, incluindo regiões situadas mais ao sul.
Abrangendo cerca de 8 mil hectares de terra e mar, o sítio contém os restos de oito edificações construídas com blocos de turfa sobre estruturas de madeira. Mais de 800 objetos de origem nórdica foram encontrados no local , incluindo artefatos de bronze, osso e pedra, além de evidências da produção de ferro. O sítio foi designado Sítio Histórico Nacional do Canadá em 1968 e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1978, sendo atualmente administrado pela Parks Canada.
Etimologia L'Anse aux Meadows é um nome de origem franco-inglesa que pode ser traduzido como “Baía dos Campos” (literalmente, “a baía com os campos”). A forma como a vila adquiriu esse nome ainda é motivo de debate. É possível que L'Anse aux Meadows seja uma corruptela do francês L'Anse aux Méduses (“Baía das Águas-Vivas”).
Uma hipótese mais recente sugere que o nome derive de L'Anse à la Médée (“Baía de Medéia”), como aparece em uma carta naval francesa de 1862, na qual Medée ou Meduse possivelmente seria o nome de uma embarcação da marinha francesa.
O nome em inglês “Meadows” (“Campos”) pode ter surgido como uma etimologia popular, em referência à paisagem aberta e campestre ao redor da enseada.
História Ocupação indígena Antes da chegada dos nórdicos à Terra Nova, há evidências de que cinco grupos indígenas ocuparam o sítio de L'Anse aux Meadows, sendo a ocupação mais antiga datada de aproximadamente 6 mil anos atrás. Nenhum desses grupos foi contemporâneo da presença nórdica. A ocupação anterior mais significativa foi a do povo Dorset, que esteve no local cerca de 300 anos antes dos nórdicos.
As faixas de datação por radiocarbono para esses grupos são as seguintes: aproximadamente de 4000 a 1000 a.C. para a tradição Arcaica Marítima; de 1000 a 500 a.C. para a tradição Groswater; de 400 a 750 d.C. para o Dorset Médio; de 800 a 850 d.C. para o Grupo Cow Head e as tradições Beaches; e de 1200 a 1500 d.C. (após os nórdicos) para a tradição Little Passage.
Ocupação nórdica
O assentamento nórdico em L'Anse aux Meadows foi datado de aproximadamente 1000 d.C. (com estimativas por carbono entre 990 e 1050, e média em 1014), resultado que coincide com a datação relativa dos tipos de artefatos e estruturas encontrados no local. Um estudo publicado na revista Nature em 2021, utilizando análise por radiocarbono de três amostras distintas de anéis de árvores e evidências da anomalia na concentração atmosférica de carbono-14 registrada no ano de 993, apontou 1021 como uma data precisa de atividade nórdica em L'Anse aux Meadows.
O antropólogo John Steinberg sugeriu que o local pode ter sido “ocupado ao menos de forma esporádica por talvez 20 anos” pelos nórdicos. Já Eleanor Barraclough propõe que o sítio não era um assentamento permanente, mas sim uma instalação temporária para reparo de embarcações. Ela observa que não foram encontrados vestígios de sepultamentos, ferramentas agrícolas, cultivo ou currais para animais, o que indicaria que os habitantes abandonaram o local de maneira organizada.
Segundo um estudo publicado em 2019 n revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, pode ter havido atividade nórdica em L'Anse aux Meadows por até um século. Não há como saber qual era a população do sítio em determinado momento, embora as habitações pudessem acomodar entre 30 e 160 pessoas. Na época, toda a população da Groenlândia era de cerca de 2.500 habitantes, o que significa que L'Anse aux Meadows representava menos de 10% do total dos assentamentos nórdicos na Groenlândia. O pesquisador Julian D. Richards observa: “Parece altamente improvável que os nórdicos tivessem recursos suficientes para construir uma série de assentamentos desse tipo.”
Atualmente, a área é composta principalmente por campos abertos e gramados. No entanto, há mil anos existiam ali florestas adequadas para a construção de embarcações, casas e para a extração de ferro. Foram encontrados os restos de oito construções (identificadas pelas letras de A a J), que se acredita terem sido erguidas com blocos de turfa colocados sobre uma estrutura de madeira. Com base nos artefatos associados, os edifícios foram identificados como moradias ou oficinas.
A maior construção (F) media 28,8 metros por 15,6 metros e era composta por vários cômodos. Três edifícios menores (B, C e G) podem ter funcionado como oficinas ou alojamentos para membros da tripulação de menor status ou escravizados. Entre as oficinas identificadas estão uma forja de ferreiro (edifício J), onde foram encontrados um forno e escória de ferro, uma oficina de carpintaria (edifício D), que produziu resíduos de madeira, e uma área especializada para reparo de embarcações, onde foram achados rebites desgastados.
Outros objetos encontrados no local incluem itens comuns do cotidiano nórdico, como uma lamparina de pedra, uma pedra de amolar, um broche de bronze, uma agulha de osso usada na técnica de costura conhecida como nålebinding e parte de um fuso. Pesos de pedra encontrados no edifício G podem ter feito parte de um tear. A presença do fuso e da agulha indica que mulheres, assim como homens, habitavam o assentamento.
Entre os restos de alimentos encontrados estavam nozes-pecã-bravas (butternuts), que não crescem naturalmente ao norte de New Brunswick, o que sugere que os nórdicos viajaram mais ao sul para obtê-las. Há evidências de que eles caçavam caribus, lobos, raposas, ursos, linces, martas, diversas espécies de aves e peixes, além de focas, baleias e morsas. Invernos rigorosos e a cobertura de gelo forçam muitos animais a hibernar ou migrar para o sul, e a escassez de caça provavelmente tornava difícil a permanência no local durante o inverno.
Importância L'Anse aux Meadows é o único sítio nórdico na América do Norte fora da Groenlândia, e representa a mais distante colônia européia conhecida no Novo Mundo antes das viagens de Cristóvão Colombo e John Cabot quase 500 anos depois, e a única evidência genuína de um contato Pré-colombiano entre o Novo e o Velho Mundo.
Atrações turísticas Um museu mostra um modelo da aldeia e alguns artefatos encontrados no local. Os turistas podem visitar os restos de oito edifícios. Perto do recinto arqueológico estão reconstruídas uma oficina e duas residências no estilo dos viquingues com muros de turfa e telhados de erva.
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Categoria:Patrimônio Mundial da UNESCO no Canadá Anse Aux Meadows Categoria:Terra Nova e Labrador Categoria:Arquitetura viquingue Categoria:Exploração víquingue da América