Catar,Dicionários e vocabulários ortográficos:
ou QatarTratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares.Declaração Conjunta do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Presidente da República do Chile, Michelle Bachelet Jeria* ( ou ; ; ; , ), oficialmente Estado do Catar (), é um país árabe do Sudoeste Asiático que ocupa a pequena península do Catar, na costa nordeste da península Arábica, no Oriente Médio. Sua única fronteira terrestre é com a Arábia Saudita ao sul, enquanto o restante de seu território é cercado pelo golfo Pérsico. Um estreito também separa a península do estado insular do Barém através do golfo do Barém. A capital do país é Doha, lar de mais de 80% de seus habitantes. O Catar também sediou a Copa do Mundo FIFA de 2022.
O Catar é um emirado absolutista e hereditário comandado pela Casa de Thani desde meados do . As posições mais importantes no país são ocupadas por membros ou grupos próximos da família al-Thani. Em 1995, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani tornou-se emir após depor seu pai, Khalifa bin Hamad al Thani, em um golpe de Estado.
Foi um protetorado britânico até ganhar a independência em 1971. Desde então, tornou-se um dos estados mais ricos da região, devido às receitas oriundas do petróleo e do gás natural (possui a terceira maior reserva mundial de gás).Qatar - Gas Exporting Countries Forum Antes da descoberta do petróleo, sua economia era baseada principalmente para a extração de pérolas e comércio marítimo. Atualmente, lidera a lista dos países mais ricos do mundo pela revista Forbes e está classificado em 38º lugar na lista das Nações Unidas de países com maior desenvolvimento humano (IDH), e em 3.° no mundo árabe. A Freedom House considera o país "não livre". A Amnistia Internacional anota vários atropelos de direitos humanos. Desde a primeira Guerra do Golfo, tem sido um importante aliado militar dos Estados Unidos e atualmente abriga uma importante base militar na região.
Com uma população estimada em 2,8 milhões de habitantes, apenas 313 mil são nativos catarianos. Os demais são trabalhadores estrangeiros, especialmente de outras nações árabes (13%), Subcontinente indiano (Índia 24%, Nepal 16%, Bangladesh 5%, Paquistão 4%, Sri Lanka 2%), Sudeste Asiático (Filipinas 11%) e demais países (7%). Também é um dos poucos países do mundo em que seus cidadãos não pagam impostos.
Etimologia O nome Catar deriva de Qatara, que se acredita referir à antiga cidade de Zubarah, um importante porto comercial e cidade da região. A palavra "Qatara" aparece pela primeira vez num mapa do mundo árabe de Ptolomeu.
Em língua portuguesa o uso oscila entre a transcrição internacional Qatar e o aportuguesamento Catar que se pronunciam exatamente da mesma forma, isto é, com tónica na última sílaba — oxítona — e com o "a" aberto na primeira: em português europeu e ou em português brasileiro.
Em árabe padrão o nome é pronunciado , enquanto que localmente se pronuncia .
Os gentílicos do Catar são catarense e catariano. Existe também a alternativa catari (oxítona), registada no Vocabulário da Academia Brasileira de Letras e no Dicionário Priberam (a par dos anteriores).
História Pré-história e domínio islâmico A habitação humana do Catar remonta a 50 000 anos. Assentamentos e ferramentas que remontam à Idade da Pedra foram descobertos na península.Toth, Anthony. "Qatar: Historical Background." A Country Study: Qatar (Helen Chapin Metz, editor). Library of Congress Federal Research Division (January 1993). This article incorporates text from this source, which is in the public domain. Artefatos da Mesopotâmia originários do período de al-Ubaid (ca. 6 500–) foram descobertos em assentamentos costeiros abandonados.
O Catar era descrito como um famoso centro de criação de cavalos e camelos durante o período do Califado Omíada. No , a região começou a ser beneficiada por sua posição comercial estratégica no golfo Pérsico e tornar-se-ia um centro de negociação de pérolas. O desenvolvimento substancial na indústria de pérolas em torno da península do Catar ocorreu durante a era do Califado Abássida. Navios viajando de Baçorá para Índia e China faziam escalas nos portos do Catar durante este período. Peças de porcelana chinesa, moedas da África Ocidental e artefatos de Tailândia foram descobertas no Catar.
Domínio português Grande parte da Arábia Oriental era controlada pelos usfuridas em 1253, mas o domínio da região foi conquistado pelo príncipe de Ormuz em 1320. As pérolas do Catar forneciam ao reino uma das suas principais fontes de renda.
Em 1515, Manuel I de Portugal tornou o Reino de Ormuz um Estado vassalo. O Reino de Portugal passou a controlar uma parcela significativa da Arábia Oriental em 1521.
Com a conquista do Barém pelos portugueses, a costa árabe até Alhaça ficou sob o domínio e influência do Império Português. Em 1550, os habitantes de Alhaça se colocaram voluntariamente sob domínio do Império Otomano, preferindo-o em relação ao Império Português.
As tentativas dos otomanos de dominar a região foram eliminadas pelos portugueses com a reconquista do castelo de Tarout ou Al Qatif em 1551.
Achados arqueológicos ainda estão sendo escavados em uma das fortalezas portuguesas que serviu de base para dominar a região, chamada Ruwayda. A primeira representação do Catar aparece no mapa português de Luís Lázaro em 1563, mostrando a "cidade do Catar" como uma fortaleza, possivelmente referindo-se ao forte de Ruwayda.
Depois de ter mantido uma presença militar insignificante na área, os otomanos foram expulsos pela tribo Bani Khalid em 1670.
Domínio otomano e britânico miniaturadaimagem|Presença Portuguesa no golfo Pérsico entre o séc. XVI e XVIII.|219x219px thumb|Mapa de 1794 mostrando Catura.|221x221px thumb|Forte Zubara.|221x221px thumb|Pescadores de pérolas no golfo Pérsico no início do .|223x223px Sob pressão militar e política do governador do otomano , o governante tribal al-Thani submeteu-se ao domínio otomano em 1871. O governo otomano impôs medidas reformistas (Tanzimat) em matéria de impostos e de registro de terras para integrar plenamente estas áreas ao império. Apesar da desaprovação de tribos locais, al-Thani continuou apoiando o domínio otomano. No entanto, as relações catari-otomanas estagnaram e em 1882 ela sofreu novos retrocessos quando os otomanos se recusaram a ajudar al-Thani em sua expedição para Al Khor, então ocupado por Abu Dhabi. Além disso, os otomanos apoiavam Mohammed bin Abdul Waha, que tentou suplantar al-Thani como o caimacão do Catar em 1888.Habibur Rahman, pgs.143–144 Isto conduziu al-Thani a se rebelar contra os otomanos, a quem ele acreditava que tentavam usurpar o controle da península. Ele renunciou ao cargo de caimacão e parou de pagar impostos ao império em agosto de 1892.Habibur Rahman, pgs.150–151
O Império Otomano caiu em desordem depois de perder batalhas em diferentes frentes no teatro de operações do Oriente Médio da Primeira Guerra Mundial. O Catar também participou da Revolta Árabe contra os otomanos. A revolta foi bem-sucedida e o domínio otomano no país diminuiu ainda mais. O Reino Unido e o Império Otomano reconheceram o xeique Abedalá ibne Jassim Atani e o direito de seus sucessores de governar sobre toda a Península do Catar. Os otomanos renunciaram a todos os seus direitos sobre a região e, após a eclosão da Primeira Guerra Mundial, al-Thani (que era pró-britânico) obrigou-os a abandonar Doha em 1915.
Como resultado da divisão do Império Otomano, o Catar tornou-se um protetorado britânico em 3 de novembro de 1916. Nesse dia, o Reino Unido assinou um tratado com onde o xeique al-Thani concordava em não criar quaisquer relações com qualquer outra potência sem o consentimento prévio do governo britânico. Em troca, o Império Britânico garantiria a proteção do Catar de toda a agressão por mar. Em 5 de maio de 1935, al-Thani assinou outro tratado com o governo britânico que concedeu a proteção do Catar contra ameaças internas e externas. As reservas de petróleo foram descobertas pela primeira vez em 1939. No entanto, a exploração foi adiada pela Segunda Guerra Mundial.
A esfera de influência dos britânicos começou a diminuir após a Segunda Guerra Mundial, particularmente após a independência da Índia e do Paquistão, em 1947. Na década de 1950, o petróleo começou a substituir as pérolas e a pesca como a principal fonte de receita do Catar. Os lucros do petróleo começaram a financiar a expansão e a modernização da infraestrutura local. A pressão para uma retirada britânica dos emirados árabes no golfo Pérsico aumentaram durante os anos 1950. Quando o Reino Unido anunciou oficialmente, em 1968, que em três anos deixaria de controlar politicamente o golfo Pérsico, o Catar juntou-se ao Barém e sete outros Estados em uma federação. Disputas regionais, no entanto, rapidamente compeliram o país a declarar a independência da coalizão, que acabaria por evoluir para os Emirados Árabes Unidos.
Independência thumb|esquerda|Tradicionais dhows com os arranha-céus de Doha ao fundo
Em 3 de setembro de 1971, o Catar conquistou oficialmente a sua independência do Reino Unido e se tornou um Estado soberano. O governo então decidiu voltar ao realizar o abastecimento de armas para os franceses; essa ligação seria reforçada ao longo do tempo e os franceses se tornariam seu maior fornecedor no novo milênio.nouvelobs.com: "Qatar : "S'ils pouvaient, ils achèteraient la Tour Eiffel", 7 de abril de 2013 Em 1972, o califa bin Hamad al-Thani tomou o poder em um golpe palaciano durante um período de discórdia na família governante. Em 1974, a Qatar Geral Petroleum Corporation assumiu o controle de todas as operações de petróleo no país e o Catar rapidamente cresceu em riqueza. O depósito de gás natural do Campo Norte, então a maior do mundo, foi descoberto por volta de 1976 e o país foi um dos primeiros a ter embarcações de gás natural liquefeito.fdesouche.com: "Ils ont livré la France au Qatar", 13 de janeiro de 2013
Em 1991, o Catar desempenhou um papel significativo na Guerra do Golfo, particularmente durante a batalha de Khafji na qual os tanques do país prestaram apoio para unidades da Guarda Nacional da Arábia Saudita, que estava enfrentando o exército iraquiano. O Catar permitiu que tropas do Canadá, que eram parte da coalizão internacional, usassem o país como uma base aérea e também permitiu que forças aéreas dos Estados Unidos e da França operassem em seus territórios.
Em 1995, o Emir Hamad bin Khalifa Al Thani assumiu o controle do país de seu pai, Khalifa bin Hamad Al Thani, com o apoio das forças armadas e do gabinete, bem como de estados vizinhos e da França. Sob o Emir Hamad, o Catar experimentou um grau moderado de liberalização, incluindo o lançamento da rede de televisão Al Jazeera, em 1996, a aprovação do sufrágio feminino ou direito ao voto em eleições municipais em 1999, a participação das mulheres na sociedade em 2003, a elaboração de sua primeira constituição escrita em 2005 e a inauguração de uma igreja católica romana em 2008.
A economia e o status do Catar como potência regional cresceram rapidamente na década de 2000. De acordo com a ONU, o crescimento econômico do país, medido pelo PIB, foi o mais rápido do mundo durante essa década. A base desse crescimento residiu na exploração de gás natural no Campo Norte durante a década de 1990. Ao mesmo tempo, a população triplicou entre 2001 e 2011, principalmente devido ao influxo de estrangeiros.