Piranga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

Topônimo

No período colonial, o povoado era conhecido pelo nome de "Guarapiranga". A mudança do termo para "Piranga" ocorreu com a elevação do arraial à categoria de vila, em 1841. Diz Lemos Barbosa, em seu dicionário de termos originários da língua tupi-guarani, que "guará" significa garça (um pássaro que não existe na região de Piranga, pois sua ocorrência se limita à faixa litorânea). "Guarapiranga" também é designativo de "barreiras" encontradas ao longo do mar em terra alta. O Dicionário Aulete, porém, consigna a significação do vocábulo "Piranga" como "barro vermelho" e simplesmente como adjetivo "vermelho". Assim, unindo Guarapiranga, do tupi, com Piranga, com a significação que lhe dá Aulete, teríamos: Guarapiranga, pássaro vermelho. Mas, o próprio Aulete, ao registrar a palavra inteira, toma "Guarapiranga" como certa árvore da flora brasileira. Por outro lado, o vocábulo "Piranga" em Aulete significa planta bignomiácea da qual os indígenas extraíam uma tinta vermelha, empregada nos seus corpos.Jornal Estrela da Manhã. Publicado em 24 de julho de 1960. Ano VIII, Número 100. Piranga (MG). Importa relatar que uma memória sobre a freguesia de Guarapiranga, escrita pelo português Luís José Ferreira de Gouveia para o Senado da Câmara de Mariana em 1750, destaca que "como naquele tempo havia muito pássaro vermelho no rio, e pequenos, intitularam ao rio Guarapiranga, que é o que quer dizer este nome [...], e lhe ficou o nome e este distrito dos ditos pássaros".

Geografia Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Piranga é um município da Região Geográfica Imediata de Conselheiro Lafaiete, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena. Se localizando na Zona da Mata mineira.

Subdivisões O município de Piranga é formado por três distritos: o distrito-sede; Santo Antônio do Pirapetinga; e Pinheiros Altos.

No distrito-sede não há uma divisão de bairros bem delimitada. Mas popularmente são conhecidos o Centro, Rosário, Vila do Carmo, Quebra, Rua Nova, e Cidade Nova (conhecido simplesmente como Copasa).

Economia A economia de Piranga tem por principais setores as áreas de serviço e agropecuária. A cidade possui um PIB (2014) de R$ 124.035.000,00 e um de PIB per capita (2020) de R$ 10.746,39. De forma geral, o Vale do Piranga é o 4º maior polo da suinocultura brasileira. Na produção avícola, Piranga possui dezenas de granjas em seu território, tendo uma produção considerável.

A maior parte da produção agrícola, na microregião de Viçosa, de forma geral, é a cultura do milho e da cana de açucar. Principalmente para a pecuária. O município também se destaca na produção de aguardente. A cachaçaria Vale do Piranga tem projeção nacional, com diversos prêmios, e apresenta uma produção sustentável.

História A penetração nos sertões interiores do país, desde o século XVI, ocorreu a partir de duas áreasː a) pelas Capitanias de Porto Seguro e Espírito Santo, subindo o curso do rio Doce até a divisa dessa bacia com a do São Francisco; b) pela Capitania de São Paulo, atravessando o paredão da serra da Mantiqueira na Garganta do Embaú. Não foram poucos os imaginários que desde o século XVI moveram paulistas e sertanistas rumo ao interior do país, como o da "serra de Sabarabuçu" ou o da "serra Resplandescente", além das expedições com o intuito de prear indígenas.CARNEIRO, Patrício Aureliano Silva. Do Sertão ao Território das Minas e das Gerais: entradas e bandeiras, política territorial e formação espacial no período colonial. Tese de Doutorado, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, 2013. miniaturadaimagem|Antiga matriz de Nossa Senhora da Conceição. Créditosː Arquivo do Conhecimento Claudio Manoel da Costa. |293x293pxNo ano de 1691, uma bandeira comandada pelos capitães Francisco Rodrigues Sirigueio e Antônio Pires Rodovalho saiu de São Paulo com destino à Casa da Casca (atual serra do Brigadeiro, em Araponga, MG). Os paulistas chegaram ao rio de "Guarapiranga" (nome como era denominado o rio Piranga no período colonial) e se arrancharam em uma capoeira dos povos originários à beira rio, descobrindo ouro num córrego nas proximidades de Piranga (provavelmente, no córrego da Sirigueia). O capitão Sirigueio e seu filho, Antônio Rodrigues Sirigueio, foram mortos devido às divergências entre os próprios sertanistas, motivo pelo qual se desfez a bandeira.

Em 1693, uma nova bandeira, agora comandada Antônio Pires Rodovalho, chegou à mesma paragem, que passou a ser designada de "Sirigueia", por causa das mortes ocorridas. Uma légua abaixo, os exploradores fizeram roças e descobriram ouro num córrego que fazia barra com o rio Guarapiranga. Como encontram vários ossos humanos enterrados, denominaram o curso d'água de córrego das Almas. A descoberta ensejou a formação de um povoado, o de Guarapiranga. O sertão de Guarapiranga se tornou ponto de passagem para várias bandeiras que almejavam alcançar a tão famosa "Casa da Casca". Não foram poucas as bandeiras que se dirigiram à área citada passando por Guarapiranga, a exemplo das bandeiras de Antônio Rodrigues Arzão (1693) e Bartolomeu Bueno (1697).

Em 1694, de acordo com relato de Luís José Ferreira de Gouveia, citado no códice Costa Matoso, os paulistas Bernardo de Chaves Cabral e seus irmãos Inácio Moreira e João de Godoy, juntamente com o sargento-mór Luíz de Barro Franco, abriram um caminho ligando o arraial de Guarapiranga ao povoado de Sumidouro (atual distrito de Mariana). Os paulistas continuaram o trabalho no córrego das Almas e construíram uma "capela ou oratório" com a invocação a Nossa Senhora da Conceição, onde passou a celebrar missa um frade chamado frei José de Jesus. No ano de 1695, fizeram 'igreja" com a mesma invocação e por provisão do Bispado do Rio de Janeiro veio para ela o padre Roque Pinto de Almeida.

O códice Matoso comprova os erros de Diogo de Vasconcelos (em seu livro História Antiga das Minas Gerais), o qual afirma que o arraial de Guarapiranga teria sido erigido pelo taubateano João de Siqueira Afonso, em 1707. Desde 1695, o arraial de Guarapiranga já possuía pároco colado e igreja, decerto muito modesta devido ao pouco tempo gasto na construção. Da data citada até 1750, onze vigários passaram pelo distrito, o que reforça a sua importância e perenidade, mesmo não possuindo grandes reservas do metal precioso durante a fase expansiva da sua exploração.

Nas primeiras décadas do século XVIII, várias diligências foram criadas para explorar as bordas sudeste e sul dos arraiais de Vila Rica e Ribeirão do Carmo. Bento Fernandes Furtado, de acordo com o códice Matoso, salientou que entre 1702 e 1703, o coronel Salvador Fernandes Furtado de Mendonça, estabelecido nas minas do Ribeirão do Carmo, mandou-o com uma turma de cativos e camaradas para penetrarem ao sul do dito ribeirão "pelo sertão incógnito que se achava entre ele e Guarapiranga". Várias faisqueiras foram descobertas nos lugares chamados Pinheiro (Pinheiros Altos, distrito de Piranga), Pirapetinga (atual distrito de Santo Antônio do Pirapetinga), Bacalhau (Distrito de Piranga) e Rocha (atual Senador Firmino)ː a primeira área viria a fazer parte da freguesia do Sumidouro, enquanto as três últimas, da de Guarapiranga. Menos ricas que as do Carmo, ainda assim atraíram correntes migratórias que seguiram as "picadas" e "lavrando estas faisqueiras foram achando aumento nelas, razão por que foram povoando sítios, arraiais, capelas, freguesia".

De acordo com Diogo de Vasconcelos (No livro História Antiga das Minas Gerais), os mineiros que se dirigiram para as minas estavam interessados tanto nas produções do ouro, quanto nas de cereais, graças à uberdade do solo, particularmente no caso do arraial de Guarapiranga, situado no entorno das minas, numa zona de fronteira agrícola aberta. Nos arredores da primeira mina, a do Pinheiro, originou-se um arraial que hoje corresponde a Pinheiros Altos, localizado na divisa de Piranga com Mariana. Em 1738, o arraial do Pinheiro já possuía Companhia de Ordenança. As minas do Pirapetinga se situavam no atual distrito de Santo Antônio do Pirapetinga ou Bacalhau. O título Santo Antônio do Bacalhau também figurou no arraial, designado quando da sua elevação á categoria de freguesia, em 1875. Porém, de acordo com Waldemar de Almeida Barbosa, Dom Benevides negou-se a instituir essa freguesia, "criada apenas para satisfação de mesquinhos interesses políticos locais".

A conquista e os avanços os pioneiros foram se dando pelos sertões do arraial de Guarapiranga. Devido á sua posição geográfica, entre a região mineradora e a zona de fronteira, o distrito se tornou uma porta de entrada para as investidas nos Sertões do leste. A existência de riquezas minerais, a exemplo dos veios auríferos, explorados, principalmente, nas serras do Tatu, do Carmo e dos Cardosos e nos ribeirões Bacalhau, Pirapetinga e Almas, afluentes do rio Piranga, exerceram forte incentivo ao deslocamento da fronteira demográfica, bem como as características geográficas favoráveis à implantação da agropecuária, devido às características favoráveis do solo quando comparado ao da região das minas, assim como a presença de tribos indígenas para captura e formação de mão-de-obra barata. A economia de Guarapiranga era formada tanto pela atividade de mineração quanto pela atividade agropecuáriaː a posição geográfica do distrito, assim como as características geológicas favoráveis, lhe conferiu importância no abastecimento da região das minas.

No final da primeira década do século XVIII, em 1708, o arraial de Guarapiranga teve importância política num episódio da Guerra dos Emboabas, pois a derrota da comitiva de Manuel Nunes Viana, no terceiro episódio do confronto, ocorreu nas proximidades do distrito. O capitão mór Rafael da Silva e Souza evitou que o arraial fosse destruído pelos paulistas ao partir em direção ao povoado do Pirapetinga ou Bacalhau. Próximo ao Santuário de Bom Jesus do Bacalhau.

Em 1720, o arraial de Guarapiranga já apresentava importância econômica expressiva, ao ocupar a sexta posição entre os dezenove núcleos auríferos fiscalizados pela Câmara de Mariana, com a soma de 1.193 escravizados africanos e crioulos, segundo estudos de Renato Pinto Venâncio. Esse destaque foi reconhecido pela administração colonial que, em 1724, elevou o distrito à condição de Freguesia. No mesmo ano, na Carta Régia do Rei de Portugal que promoveu vinte igrejas mineiras à condição de vigaria com título colativo, pois possuíam "alto rendimento e número de fregueses", constava a matriz de Guarapiranga. A freguesia que aí se formou possuía quatro irmandades de compromissoː a de Nossa Senhora da Conceição, a das Almas, a do Santíssimo e a de Nossa Senhora do Rosário dos pretos, respectivamente, criadas em 1718, 1727, 1744 e 1745.

Nas relações de sesmarias concedidas entre o período de 1711 e 1739 nos vales dos rios Piranga, Xopotó e Turvo, estudadas por Ângelo Carrara, a maioria está situada nas margens do primeiro curso d'água citado, em função do seu vale abrigar os principais ribeirões e serras com veios auríferos, além dos distritos mais populosos criados sertão adentro, como os de Pirapetinga, Pinheiro e Guarapiranga. A sesmaria, de forma semelhante ao que ocorreu ao longo do Caminho Novo, procurou regularizar, em grande medida, a apropriação anterior via posse ou compra de terras nas áreas de fronteira.