O Embraer C-390 Millennium é um avião de transporte militar multimissão para uso tático e logístico, reabastecimento em voo e combate a incêndios florestais, desenvolvido e fabricado pela Embraer Defesa e Segurança, subsidiária do grupo brasileiro Embraer.

Sua designação original "Embraer KC-390" foi alterada em novembro de 2019.Embraer divulga nome e designação de seu avião de transporte multimissão: C-390 Millennium

A aeronave estabeleceu um novo padrão para o transporte militar médio, visando atender os requisitos operacionais da Força Aérea Brasileira para substituir o C-130 Hercules. Seu custo de desenvolvimento foi cerca de R$ 2 bilhões de reais.

A fabricante pretende vendê-lo às forças aéreas que utilizam essa classe de cargueiro. É o maior avião militar já fabricado no hemisfério sul.

Histórico Desenvolvimento O C-390 Millennium foi desenvolvido como um jato militar de transporte, anunciado pela primeira vez na feira de materiais de defesa Latin America Aero & Defence (LAAD), no Rio de Janeiro, em abril de 2007. Na edição de 2009 do mesmo evento foi anunciado formalmente o lançamento do programa. thumb|esquerda|Vista em corte do motor IAE V2500 thumb|esquerda|Sistema de emergência de geração elétrica fabricado pela Safran Hispano-Suiza

É equipado com dois motores turbofan Pratt & Whitney, modelo IAE V2500-E5, com empuxo de cada. Utiliza a tecnologia fly-by-wire em sua aviônica e tem capacidade para transportar 23 toneladas de carga, inclusive veículos.

Em outubro de 2009, o Congresso Brasileiro aprovou a destinação de 305 milhões de reais à Embraer para o desenvolvimento da aeronave. Essa verba foi liberada pela Força Aérea Brasileira (FAB) pelo aval do poder executivo.

No início de março de 2009, o governo brasileiro anunciou um investimento inicial de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões. Esse montante representava cerca de 5% do custo de desenvolvimento. Enquanto a empresa não fechava outras parcerias, a FAB preparou a proposta de compra de um lote de trinta unidades, incluindo os dois protótipos. O valor do primeiro contrato deveria chegar a 1,3 bilhão de dólares, em um mercado estimado pela fabricante em 20 bilhões de dólaresEmbraer diz que preço de KC-390 irá incomodar a concorrência

Ainda em março de 2009, o governo brasileiro, em meio às turbulências da economia mundial, reiterou investimentos no projeto a fim de garantir empregos na fabricante e dotar sua força aérea com o novo equipamento. Até novembro de 2012, o projeto da nova aeronave fez surgir mil oportunidades de trabalho dentro da própria Embraer, com a criação, no início de 2011, da Embraer Defesa e Segurança (EDS), sediada na cidade de Gavião Peixoto.

Em março de 2013, a FAB e a EDS concluíram a Revisão Crítica de Projeto (CDR) da aeronave.O CDR avalia se o projeto é adequado para o processo de fabricação em larga escala, montagem, integração e testes. Analisa também se todo o desenvolvimento técnico está compatível para cumprir as especificações do projeto (voo, desenvolvimento de sistemas de solo e operações), atendendo aos requisitos de desempenho da missão, dentro do custo pré-definido, analisando as possíveis restrições no cronograma. Fonte: Critical Design Review (CDR)

Após cinco anos de desenvolvimento foram concluídos os modelos para integração de todos os sistemas da aeronave e simulações de voo, realizadas em mock-up, que são simuladores em tamanho real da cabine de comando.

O desenvolvimento do projeto e a produção, envolvendo a integração de tecnologias, sistemas eletrônicos e aviônica, foram de responsabilidade da Embraer Defesa e Segurança e contou com R$ 4,5 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de R$ 5,5 bilhões em programas militares da marinha e aeronáutica. A FAB investiu US$ 2 bilhões no projeto, desenvolvimento e montagem dos dois protótipos. Em 2019 adquiriu 28 unidades do cargueiro, ao custo de R$ 7,2 bilhões.

Parcerias Para o desenvolvimento e produção da aeronave, a Embraer firmou parcerias com empresas da Argentina, Portugal e Chéquia. A empresa brasileira fornece a seção dianteira da fuselagem com a cabine de pilotagem, asas, seção intermediária da fuselagem e estabilizadores vertical e horizontal. Executa também a integração dos comandos de voo, softwares, aviônica e equipamentos como os trens de pouso, que também produz, através de sua subsidiária Eleb. Disponível em Exclusivo - Entrevista com Paulo Gastão, Diretor do Programa KC-390, 18 de dezembro de 2013 A Argentina, por meio da FAdEA, fornece as portas do trem de pouso dianteiro, porta dianteira direita, parte da rampa de acesso traseira, flaps e cone de cauda. Portugal, por meio da OGMA, fornece a seção central da fuselagem, sponson e portas do trem de pouso principal e leme de profundidade. A Chéquia fornece a porta dianteira esquerda, portas traseiras, parte da rampa de acesso traseira e a seção traseira da fuselagem. Disponível em Exclusivo - Entrevista com Paulo Gastão, Diretor do Programa KC-390, 18 de dezembro de 2013

Protótipos, início da produção e certificação thumb|Apresentação do C-390 Millennium (protótipo PT-ZNF) em 21 de outubro de 2014 thumb|Protótipo PT-ZNJ no Show Aéreo Internacional de Farnborough (julho de 2018)

Dois protótipos foram previstos no programa de desenvolvimento, montados na unidade Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto, no interior do estado de São Paulo. O primeiro protótipo (PT-ZNF) foi apresentado em 21 de outubro de 2014 e voou pela primeira vez em 3 de fevereiro de 2015. Em fevereiro de 2016, o primeiro protótipo havia cumprido mais de cem horas de voo.

A montagem do segundo protótipo (PT-ZNJ) foi concluída em março de 2016 e voou no dia 28 de abril.

Em 21 de junho de 2016, a FAB e a Embraer realizaram com sucesso o primeiro lançamento de paraquedistas.

O cronograma de desenvolvimento do C-390 Millennium sofreu atraso de dois anos, por conta de restrições orçamentárias governamentais. A certificação e as primeiras entregas para a FAB foram previstas para 2018. O segundo país a receber a aeronave foi Portugal, em outubro de 2022.

thumb|Testes de chaff & flare (contramedidas eletrônicas), realizados em outubro de 2019

Em fevereiro de 2017 foi iniciada a produção em série na unidade da EDS em Gavião Peixoto. A primeira aeronave de série tinha previsão inicial para entrega à FAB no final de 2018. No entanto, com a perda de um dos protótipos em um acidente ocorrido meses antes, durante um teste em maio, a primeira unidade de produção foi utilizada para dar continuidade aos testes. A primeira das três unidades da série prevista para entrega em 2019, voou pela primeira vez em 9 de outubro de 2018. Em 19 de outubro, dez dias depois do voo inaugural da primeira unidade de série, o cargueiro recebeu a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), habilitando a aeronave para comercialização e operação em todo o território brasileiro.

No final de outubro de 2019 foram realizados no espaço aéreo de Canoas, Rio Grande do Sul, os testes de chaff & flare, testes das contramedidas eletrônicas para evitar a localização por radares e desviar mísseis inimigos, utilizando dispositivos irradiadores de infravermelho.

O ensaio de frio extremo (cold soak) foi realizado em fevereiro de 2021, em Fairbanks, no Alasca, para cumprir mais um passo da certificação. Nas operações para o ensaio, o C-390 realizou o voo com maior duração que havia feito até então – 6h28, de Moses Lake, em Washington, até Fairbanks. A aeronave foi submetida durante um longo período a temperaturas extremamente baixas, com picos de -37,8 °C. Durante a exposição a essas temperaturas, foram realizados testes operacionais do radar, controles de voo, motores, dos sistemas aviônicos, e outros.

O ensaio para a certificação operacional de reabastecimento em voo foi realizado em 26 de março de 2021, em Gavião Peixoto. O procedimento envolveu duas aeronaves KC-390, sendo a certificação referente à operação da aeronave que é reabastecida. O ensaio foi conduzido por pilotos e engenheiros do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo, subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, e supervisionado por engenheiros do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial, instituto também subordinado ao DCTA e responsável pela certificação. Foi avaliada a versatilidade da aeronave na operação de reabastecimento em voo, tanto para o seu posicionamento relativo ao avião reabastecedor, como o acoplamento da mangueira de transferência de combustível.

Os testes em voo para a capacidade de combate a incêndios florestais foram concluídos em 5 de setembro de 2022, com a certificação do Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (Modular Airborne Fire Fighting System - MAFFS II). O sistema é capaz de lançar até litros de água, que pode ser misturada a um retardante de fogo, de acordo com os critérios de uso do solo. Projetado para fazer interface com o Sistema de Manuseio de Carga (Cargo Handling System), o MAFFS II é instalado no compartimento de carga utilizando o próprio trailer da aeronave e requer apenas energia fornecida pela aeronave para operar. O bocal de lançamento é montado próximo à porta lateral, sem necessidade de modificação estrutural.KC-390 está certificado para realizar combate a incêndio florestalEmbraer Concludes Flight Tests for Firefighting Capability for the C-390 Millennium

Missões thumb|Ensaio de reabastecimento em voo

thumb|200px|<center>Treinamento de paraquedistas

Transporte e lançamento de cargas e tropas; Reabastecimento em voo - caças, transporte ou (ISR) e no solo; Evacuação Aeromédica (UTI móvel, remoção de feridos); Transporte de cargas paletizadas; Transporte de veículos leves e médios; Ajuda humanitária; Lançamento a baixa altura (LAPES - Low Altitude Parachute Extracting System); Lançamento de cargas e paraquedistas em todas as altitudes; Operação em pistas não pavimentadas e curtas; Combate a incêndios florestais.

Segundo a diretoria do programa, o cargueiro pode também ser adaptado para atender alguns segmentos civis, como indústrias de mineração e petróleo. Essa adaptação é possibilitada pelo alto grau de modularidade na reconfiguração dos sistemas de missões.

Ficha técnica direita|700px

Especificações.

Dimensões externas Envergadura: 35,05 m Comprimento: 35,20 m Altura: 11,84 m

Dimensões internas do compartimento de carga Comprimento máximo: 18,54 m Altura máxima: 3,20 m Largura máxima: 3.45 m

Pesos e capacidades Vazio: Máximo de decolagem (MTOW) (missões táticas); (normal) e (transporte logístico) Carga útil máxima: Combustível nas asas: Tripulação: Três (um piloto, um co-piloto e um engenheiro de voo) e oitenta soldados equipados ou 64 paraquedistas (configuração típica)

Desempenho Velocidade máxima: Velocidade máxima de cruzeiro: Alcance com carga útil máxima: Alcance de traslado: Transferência de combustível: km (raio de missão REVO) Altitude máxima da operação: Distância de decolagem: m (missões táticas); m (normal) e m (transporte logístico)

Estrutura Fator de carga: 3,0 g (missões táticas em pista semipreparada); 2,5 g (normal) e 2,25 g (transporte logístico) Pressurização:

Propulsão Dois Turbofans Pratt & Whitney IAE V2500-E5 - de empuxo cada.

Sistemas e equipamentos RWR / chaff & flare (sistemas de autodefesa) DIRCM - Directional Infrared Countermeasures (sistemas de autodefesa) Sistema de reabastecimento em voo Sistema HUD duplo Iluminação da cabina compatível com sistemas de visão noturna Sistema de cálculo preciso do ponto de lançamento de carga EEPGS – Emergency Electric Power Generator System (Sistema de emergência de geração de energia elétrica) do tipo RAT (turbina eólica de emergência) MAFFS II – ''Modular Airborne Fire Fighting System (Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios)

Operadores Confirmados Países que assinaram contratos de compra da aeronave. No total, foram vendidas 63 aeronaves e vinte opções de compra.