Anchieta é um município brasileiro no litoral sul do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se a sul da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

O atual município se originou da aldeia jesuítica de Reritiba, fundada pelo padre José de Anchieta no . Após a expulsão da Companhia de Jesus do Brasil Colônia em 1759, a localidade passou por um período de desenvolvimento iniciado na segunda metade do , com a chegada de levas de imigrantes. Esses colonos, em sua grande maioria italianos, incentivaram o crescimento populacional e econômico. Assim, a até então vila foi elevada à condição de cidade em 1887, quando recebeu o nome de "Anchieta" em homenagem ao religioso jesuíta que ali viveu e morreu.

Figuram entre as atividades econômicas mais importantes de Anchieta a indústria, o comércio, o turismo e a prestação de serviços. O município possui um polo industrial destinado a empresas de pequeno, médio e grande porte, responsável por um considerável incremento em seu Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, constitui um destino de turistas à procura de suas praias e de atrativos históricos e culturais. Nesse sentido, há de se destacar o Santuário Nacional de São José de Anchieta, que preserva o patrimônio histórico deixado pelos jesuítas e pelo padre Anchieta.

História thumb|esquerda|Igreja Nossa Senhora da Assunção, fundada pelo padre José de Anchieta em 1579, no Santuário Nacional de São José de Anchieta. thumb|esquerda|Avenida Beira Mar com a entrada para o Santuário Nacional de São José de Anchieta à direita Por volta do ano 1000, os índios tapuias que habitavam o sul do Espírito Santo foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, esta era ocupada pela tribo tupi dos temiminós.BUENO, E. Brasil:uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.

A cidade de Anchieta tem sua origem ligada à aldeia jesuítica de Iriritiba, também chamada Reritiba, termo de origem tupi que significa "muitas ostras" ou "ajuntamento de ostras", pela junção dos termos reri (ostra) e tyba (ajuntamento).NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p. A aldeia foi criada pelo padre José de Anchieta, como local de catequese dos índios. O ano exato em que Reritiba foi fundada é incerto, mas se considera o dia 15 de agosto como aniversário de sua fundação. Também se sabe que a primeira Igreja Nossa Senhora da Assunção e residência dos jesuítas, que posteriormente deu origem ao Santuário Nacional de São José de Anchieta, são datados de 1579.

Padre José de Anchieta se transferiu definitivamente para o Espírito Santo em 1587, vindo a falecer em Reritiba em 9 de junho de 1597. Nesse período, produziu grande parte de sua obra literária e dramática. Com a expulsão da Companhia de Jesus das terras portuguesas em 1759, o que incluía o Brasil Colônia, a aldeia de Reritiba recebeu o foro de vila com o nome de Vila Nova de Benevente. Logo após a partida dos jesuítas, a vila passou por um período de decadência devido à desocupação da região pela maioria dos nativos.

A vila ganhou impulso em sua economia com a chegada, pelo porto de Benevente, de milhares de colonos italianos a partir de 1875. Uma considerável leva de imigrantes se fixou no distrito de Alto Pongal, mas áreas de todo o atual município receberam forasteiros. Vários também seguiram o curso do rio Benevente rumo a núcleos de colonização oficiais no interior do Espírito Santo.

Em 12 de agosto de 1887, a vila foi elevada à condição de cidade, recebendo um novo nome: "Anchieta", em homenagem ao famoso santo jesuíta que ali viveu e morreu no . Foi em Anchieta, em 1968, que o padre Umberto Pietrogrande fundou o Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES) e a primeira Escola Família Agrícola no Brasil.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 20°48'21" de latitude sul e 40°38'52" de longitude oeste e está a uma distância de 77 quilômetros a sul da capital capixaba. Seus municípios limítrofes são Guarapari, Alfredo Chaves, Piúma e Iconha.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Vitória. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Guarapari, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Espírito-Santense.

Relevo e meio ambiente thumb|esquerda|Estuário do rio Benevente visto da Ponte Cônego Barros O relevo de Anchieta é consideravelmente variado. Cerca de 40% das terras do município são onduladas, 30% são planas, 20% são montanhosas e 10% escarpadas. O relevo plano se concentra ao longo do litoral, que possui cerca de e é onde está localizada a sede municipal. À medida que se avança em direção ao interior se torna mais acidentado. A maior altitude é de 332 metros no Monte Urubu.

Anchieta integra a bacia hidrográfica do rio Benevente. A cidade está localizada às margens de sua foz no oceano Atlântico, que dá origem a um estuário. Outros mananciais representativos no município são os rios Corindiba, Pongal e Salinas, além da Lagoa de Mae-Bá. Os tipos de solo predominantes são os latossolos vermelho-amarelo e o podzol hidromórfico, que prevalecem nas áreas mais afastadas da costa. Na faixa litorânea há presença de solos halomórficos, comuns sobretudo em mangues, caracterizados por sua consolidação mais recente. Essas terras foram formadas por sedimentos trazidos por rios ao mar que foram se acumulando ao longo da costa através das marés.

A Mata Atlântica nativa foi consideravelmente suprimida para ceder espaço às atividades econômicas. Dessa forma, a maior parte do território municipal é ocupada por pastagens, que abrangiam 52,1% da área em 2013, seguidas pela mata nativa (13,8%). No mesmo ano, as matas nativas em estágio de recuperação ocorriam em 8,5% do município, brejos em 3,2%, plantações de café em 2,6%, a macega em 2,3% e os mangues em 1,5%.

As principais unidades de preservação ambiental de Anchieta são a Área de Proteção Ambiental (APA) Municipal Monte Urubu, que tem , destina-se a preservar remanescentes de Mata Atlântica no ponto mais elevado do município e foi criada em 2013; a APA Municipal Tartarugas, com , criada em 2011; e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Papagaio, com , que se destina a preservar manguezais e a fauna envolvida e foi criada em 1992. Além disso, 52,6% das propriedades rurais possuíam florestas plantadas em 2017.

Clima thumb|direita|Litoral de Anchieta ao amanhecer O clima anchietense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente superúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos amenos e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de . Outono e primavera são estações de transição, embora condições de umidade relativa elevada prevaleçam na maior parte do ano. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente , sendo junho o mês mais seco e novembro o mais chuvoso.

Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1948 a 2023, o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Anchieta foi de no dia 8 de março de 1994. Outros grandes acumulados foram de em 4 de abril de 1987, em 7 de novembro de 2012 e em 10 de novembro de 2021. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Anchieta é o 74º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, ou seja, o quinto menor, com uma média anual de 1,0229 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens (50,46% do total) e habitantes mulheres (49,54%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (75,98%) e na zona rural (24,02%). Da população total em 2010, habitantes (23%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (69,71%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (7,29%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 76,35 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), de 0,73, era o 11º maior do Espírito Santo.

Segundo o censo do IBGE de 2010, 5,7% das crianças de 10 a 13 anos trabalhavam no município, sendo 7,1% dos meninos dessa faixa etária e 4,2% das meninas. Na faixa entre 14 e 15 anos a porcentagem sobe para 11,2%. Os setores que mais empregam esses grupos de idade são a agropecuária e o comércio. No mesmo ano, a população anchietense era composta por pardos (50,2% do total), brancos (40,83%), negros (7,82%), 160 amarelos (0,67%) e 114 indígenas (0,48%). Quanto às religiões, são católicos (59,83%), evangélicos (27,79%), 282 Testemunhas de Jeová (1,18%), 256 espíritas (1,07%), pessoas sem religião (8,54%) e os 1,59% restantes possuíam outras religiões além dessas ou não tinham religiosidade definida.

Distritos +Distritos de Anchieta (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Alto Pongal 320040910 808 Anchieta (distrito-sede) 320040905 Jabaquara 320040915 767

Economia thumb|esquerda|Sede da prefeitura de Anchieta O Produto Interno Bruto (PIB) de Anchieta tem seu rendimento concentrado nos setores secundário e terciário da macroeconomia, mas com participação significativa da agropecuária para subsistência de famílias. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2019, o PIB do município era de R$ . eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ . Em 2010, 70,61% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 8,18%.

A pecuária e a agricultura acrescentavam reais na economia de Anchieta em 2019. Dentro da agricultura há de se destacar o café, que corresponde a metade da produção da lavoura permanente do município, e a banana. A maior parte da produção cafeeira está relacionada à agricultura familiar e é comercializada em cidades próximas. Outros cultivos permanentes que se sobressaem são a acerola, o açaí e a seringueira para produção de borracha. Ao mesmo tempo, os cultivos temporários mais representativos são o milho e a mandioca, porém ambos são destinados para a subsistência. Com relação à pecuária, destaca-se a bovinocultura de leite e de corte e a avicultura de abate e postura. A pesca é outra fonte de emprego e renda, principalmente em comunidades do litoral, sendo que a cidade contabilizava 960 pescadores registrados em 2019. thumb|direita|Praias no balneário de Ubu

A indústria, por sua vez, acrescentava reais do PIB municipal em 2019. Anchieta possui agroindústrias de fabricação de produtos oriundos da produção agropecuária, como massas e derivados de mandioca, milho e frutas. Contudo, a renda gerada por esse setor é consolidada pela existência de um polo industrial no município destinado a empresas de pequeno, médio e grande porte, estruturado principalmente para receber usinas siderúrgicas e/ou de serviços auxiliares. O complexo abrange a usina de pelotização da Samarco Mineração S.A., o Porto de Ubu, um mineroduto e uma rede de ferrovias em fase de expansão e/ou projeto.