O Campeonato Gaúcho de Futebol, mais conhecido como Gauchão, é uma competição oficial e profissional de futebol no estado do Rio Grande do Sul. Organizado pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), começou a ser disputado em 1919, não tendo sido realizado apenas nos anos de 1923 e 1924, devido à Revolução de 1923. É um dos campeonatos mais antigos em disputa no Brasil. Foi criado por iniciativa da então Federação Rio-Grandense de Desportos (FRGD). A primeira edição, realizada em 1919 teve a vitória do Grêmio Esportivo Brasil, da cidade de Pelotas. Em meados de 1940, com a profissionalização do futebol do estado, a FRGD dividiu-se, e o campeonato passou a ser organizado pela sua sucessora específica, a Federação Rio-Grandense de Futebol (FRGF), que só na década de 1960 ganhou sua denominação atual de Federação Gaúcha de Futebol (FGF).

O Internacional é o maior vencedor da competição, com 46 títulos, seguido pelo Grêmio com 44 títulos e o Guarany com 2 títulos. A maior sequência de títulos consecutivos pertence ao Internacional, que conquistou o octacampeonato ao vencer os campeonatos entre 1969 e 1976. Desde 1940 quando o campeonato profissionalizou, a dupla Grenal não conquistou o título em apenas quatro oportunidades: o extinto Renner ganhou a taça em 1954, o Juventude de Lori Sandri foi campeão em 1998, o Caxias, em 2000, sob o comando de Tite, e o Novo Hamburgo, em 2017, treinado por Beto Campos.

Além da conquista principal, existe o Campeonato do Interior Gaúcho, criado para incentivar as equipes de outras regiões a participar da competição. Segundo a fórmula adotada a partir de 2012, a premiação é dada a equipe melhor classificada no campeonato, desde que não seja Grêmio ou Internacional e não tenha disputado a final da competição.

Histórico A primeira edição A primeira edição do Campeonato Gaúcho estava marcada para ter ocorrido em 1918, entre as equipes do 14 de Julho, Brasil de Pelotas e Cruzeiro de Porto Alegre, em um triangular final, mas por conta de uma epidemia de Gripe espanhola no Rio Grande do Sul, o torneio foi cancelado e adiado até o fim da epidemia. Em 1919, com o fim da epidemia, foi possibilitado a realização da primeira edição do torneio. Em dezembro de 2021, a Federação Gaúcha de Futebol reconheceu os três clubes participantes da edição de 1918 como “Campeões Honoríficos”.

O plano original da organização era contar com a participação de representantes de várias cidades e regiões, entretanto, os representantes de Bagé (Guarany), Cruz Alta (clube desconhecido), Sant'Ana do Livramento (), São Leopoldo (Sport Club Nacional) e Uruguaiana (Uruguaiana), não conseguiram inscrever seus atletas à tempo, sendo eliminados. Assim, restaram apenas os representantes de Pelotas e Porto Alegre: Brasil e Grêmio. O Brasil de Pelotas foi o campeão do campeonato.

Campeonato por regiões miniaturadaimagem|290x290px|Foto promocional da final do Campeonato Gaúcho de 1922 entre Grêmio e o extinto Guarani de Alegrete Até 1960, o Campeonato Gaúcho era disputado por regiões, em sistema eliminatório, entre o campeão da capital e um número variável de outros clubes representantes de regiões do estado. Por isso, até 1960, nunca havia tido mais de uma equipe de Porto Alegre entre os quatro primeiros colocados - na verdade nunca havia tido mais de um representante da capital disputando o campeonato.

Neste período, o chegou 18 vezes à final contra o campeão do interior, tendo vencido 12 confrontos e perdido 6 vezes. Já o foi campeão porto-alegrense em 16 temporadas - e, ao enfrentar o campeão do interior, venceu 15 vezes e perdeu apenas uma - contra o , em 1936. Os outros clubes porto-alegrenses que chegaram às finais do Campeonato Gaúcho por regiões ( em 1928, em 1929 e em 1954) venceram seus confrontos contra os clubes do interior.

Portanto, em 42 anos de campeonato neste formato, foram 30 vitórias da capital contra 7 do interior. O Campeonato Gaúcho não foi disputado nos anos de 1923 e 1924, por causa da Revolução de 1923. E não teve participação das principais equipes de Porto Alegre nos anos de 1937, 1938 e 1939, por causa da cisão ocorrida na AMGEA (Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Athleticos) em função da adoção de relações de profissionalismo entre os clubes e seus jogadores.

Campeonato unificado miniaturadaimagem|Partida entre Internacional e Juventude pelo Campeonato Gaúcho de 2013 A partir de 1961 o Campeonato Gaúcho foi unificado, com os principais clubes da capital e do interior disputando o título da divisão principal, e um sistema de acesso e descenso (variável ao longo do tempo) para as divisões inferiores.

Nos primeiros sete anos após a unificação (1961-67), o Campeonato Gaúcho foi disputado por 12 clubes, no sistema "todos contra todos" ("pontos corridos") em dois turnos. Entre 1968 e 1971, com o aumento do número de clubes para 18 (depois 25 e 23), passou a haver uma fase preliminar, classificatória; mas a fase final, disputada por 8 clubes, seguiu sendo em 2 turnos, todos contra todos. Em 1972, a fase final teve 10 clubes no mesmo sistema de disputa. miniaturadaimagem|O Clássico Ca-Ju (Caxias vs. Juventude) no Campeonato Gaúcho de 2012 Em 1973-74, com o aumento do período do ano reservado ao Campeonato Brasileiro, a fase preliminar do Gauchão deixou de contar com a dupla Grenal - e a fase final, pela primeira vez, foi disputada no sistema "Fórmula Fraga", com dois turnos independentes. Em 1975-77 a "Fórmula Fraga" tornou-se mais complexa, com três fases independentes, porém com o primeiro turno sendo classificatório para os demais, que seriam disputados por apenas 4 equipes (8 em 1977). Em 1978, a fórmula do campeonato foi tão complicada que o Grêmio se viu na obrigação de perder um jogo para garantir a sua classificação à fase final. miniaturadaimagem|Grêmio vs. União Frederiquense pelo Campeonato Gaúcho de 2015 No período 1979-90, o Campeonato Gaúcho voltou a ser disputado no sistema de pontos corridos, em dois turnos, com 4, 6 ou 8 clubes; mas com uma fase classificatória com 12 a 20 clubes, disputada de formas variadas, e que valia uma quantidade também variada de pontos extras para a fase final. A exceção deste período foi o campeonato de 1985, em que voltou a ser empregada a "Fórmula Fraga". Em 1989, cumprindo uma determinação experimental da FIFA (que já havia sido aplicada no Campeonato Brasileiro do ano anterior), o Campeonato Gaúcho não teve empates: os jogos que terminassem empatados foram, por regulamento, decididos em disputa de pênaltis.

Em 1991-92, pela primeira vez desde a unificação, a fórmula do Campeonato Gaúcho previa necessariamente uma final, já que havia uma fase classificatória com 20 a 22 clubes, uma fase intermediária com 8 clubes divididos em 2 grupos, e uma final, em melhor de três, entre os vencedores de cada grupo. Em 1993, voltou o sistema dos anos 1980, com uma grande fase classificatória e um octogonal decidido em pontos corridos. Em 1994, o Gauchão voltou a ser disputado no sistema "todos contra todos", mas com 23 clubes, num total de 44 rodadas, de março a dezembro, intercalado com o Campeonato Brasileiro e outras competições.

A partir de 1995, por determinação da FIFA, as vitórias passaram a valer 3 pontos. Mas isso apenas na fase classificatória, disputada entre 14 a 18 equipes, porque no período 1995-99 o Gauchão foi decidido numa fase eliminatória, com semifinais e final em jogos de ida-e-volta, incluindo-se quartas-de-final em 1998 e 1999. Variações deste sistema voltaram a ser usadas entre 2002 e 2008. Porém, antes disso, os campeonatos gaúchos de 2000 e 2001 voltaram a ter uma fase classificatória e dois turnos finais em "Fórmula Fraga", com 8 equipes. miniaturadaimagem|Troféus do Gauchão ganhados pelo Grêmio de 2018 até 2022 Em 2009, o Campeonato Gaúcho adotou o sistema carioca de duas "taças" independentes, cada uma delas decidida de forma eliminatória, após uma fase de dois grupos, e uma decisão final em ida-e-volta caso houvesse dois vencedores diferentes, um em cada taça. Estas competições parciais, a princípio, se chamaram Taça Fernando Carvalho e Taça Fábio Koff, em homenagem aos ex-presidentes da dupla Grenal. Mas em 2011 passaram a se chamar Taça Piratini e Taça Farroupilha.

Em 2014, devido à disputa da Copa do Mundo no Brasil, o formato com duas taças foi deixado de lado, mas o sistema de dois grupos e eliminatórias foi mantido. Porém no ano seguinte houve uma nova mudança: em vez de dois grupos, apenas um, com todas as equipes.

Lista de campeões A edição de 1918 não aconteceu oficialmente, sendo que os campeões foram apontados honorificamente. Este campeonato foi suspenso por conta da Gripe espanhola, e em 2021 a Federação Gaúcha de Futebol reconheceu os três participantes como “campeões honoríficos”.

{| class="wikitable" style="width:90%; font-size:90%" !width=3%|Edição !width=5%|Ano !width=21%|Campeão !width=21%|Vice-campeão !width=21%|Terceiro colocado !width=21%|Quarto colocado !width=21%|Artilheiro(s) !width=3%|Gols

!colspan="8" style="text-align:center; background:Red;"|Fase Regionalizada

|- align=center bgcolor=white | |1918 | colspan="4" |border|20px (1), (1) e (1) (Campeões honoríficos) |— |—

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |1ª |1919 |border|20px (2) | |— |— |Proença<small>|3

|- align=center bgcolor=white |2ª |1920 | (1) | |border|20px | |Grecco</small> |2

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |3ª |1921 | 9x9px (1)

|border|20px |Mosquito<small> |3

|- align=center bgcolor=white |4ª |1922 | (2) |border|20px Guarani de Alegrete |border|20px Guarany de Cruz Alta | |Lagarto</small> |5

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 | colspan="NaN" rowspan="1" colspan="8" |O Campeonato Gaúcho não foi realizado no biênio 1923—1924 por conta da Revolução de 1923.|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |5ª |1925 | (1) | |border|20px Guarany de Cruz Alta | |Pascoalito<small> |?

|- align=center bgcolor=white |6ª |1926 | (3) | |border|20px Guarany-CS |border|20px Independente |Coró</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |7ª |1927 | (1)

|border|20px Nacional-SL |Barros<small> |?

|- align=center bgcolor=white |8ª |1928 |border|20px Americano-RS (1) | |border|20px |border|20px Guarany de Rosário |JoãozinhoAmericano-RS</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |9ª |1929 | (2)

|border|20px Ferro Carril |Nestor<small> |?

|- align=center bgcolor=white |10ª |1930 | (1)

|Marcial</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |11ª |1931 | (4) |border|20px Guarani de Alegrete

|Artigas Pérez<small> |3

|- align=center bgcolor=white |12ª |1932 | (5) | |border|20px Santa Cruz |border|20px 14 de Julho |Artigas Pérez</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |13ª |1933 | (1)

|border|20px Universal |Nenê<small> |4

|- align=center bgcolor=white |14ª |1934 | (2) |border|20px |border|20px Riograndense-CA |border|20px |Tupan</small> |3

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |15ª |1935 |border|20px (1)

|Russinho<small> |7

|- align=center bgcolor=white |16ª |1936 |border|20px (1)

|Oscar</small> |7

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |17ª |1937 | (1) |border|20px

|Hortêncio Souza/Tom Mix<small> |?

|- align=center bgcolor=white |18ª |1938 | (2) |border|20px | |border|20px |Picão</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |19ª |1939 |border|20px (1)

|Carruíra/Chinês<small> |?

|- align=center bgcolor=white |20ª |1940 | (3)

|Marques</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |21ª |1941 | (4) |border|20px | |border|20px Riograndense-PF |José Villalba<small> |?

|- align=center bgcolor=white |22ª |1942 | (5) | |border|20px Armour | |José Villalba</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |23ª |1943 | (6) |border|20px Guarany-CS |border|20px | |Tesourinha<small> |?

|- align=center bgcolor=white |24ª |1944 | (7) | |border|20px | |Xinxim</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |25ª |1945 | (8) | |border|20px Esperança |border|20px |Tesourinha<small> |?

|- align=center bgcolor=white |26ª |1946 | (6) |border|20px

|Cordeiro/Hélio</small> |?

|- align=center bgcolor=#f5f5f5 |27ª |1947 | (9)