A Apollo 12 foi um voo espacial tripulado norte-americano responsável pelo segundo pouso na Lua. A missão foi planejada para realizar uma alunissagem em um ponto específico, perto da cratera onde a sonda Surveyor 3 tinha alunissado alguns anos antes. Os astronautas Pete Conrad, Richard Gordon e Alan Bean foram lançados ao espaço em 14 de novembro de 1969 do Centro Espacial John F. Kennedy, na Flórida, por um foguete Saturno V. O lançamento ocorreu sob clima adverso e o foguete foi atingido por dois raios em menos de um minuto durante a subida, o que derrubou as células de combustível e atrapalhou a telemetria da espaçonave. O problema foi resolvido rapidamente e o resto da viagem ocorreu tranquilamente.

Conrad e Bean pousaram o módulo lunar Intrepid no dia 19 de novembro em uma região do Mare Cognitum, ficando a distância de uma pequena caminhada da Surveyor 3. Essa alunissagem precisa demonstrou que missões futuras poderiam ser planejadas pela NASA na expectativa de que os astronautas seriam capazes de pousar perto de locais de interesse científico. Conrad e Bean realizaram duas atividades extraveiculares no decorrer de dois dias: na primeira estabeleceram o Pacote de Experimentos da Superfície Lunar da Apollo, um conjunto de instrumentos científicos alimentados por energia nuclear, enquanto na segunda eles visitaram a Surveyor 3 e removeram algumas partes para serem levadas de volta para a Terra.

Gordon permaneceu em órbita lunar no módulo de comando e serviço Yankee Clipper enquanto seus companheiros estavam na superfície, tendo realizado uma série de experimentos científicos e tirado várias fotografias da Lua, incluindo de possíveis locais de pouso para missões posteriores. Conrad e Bean retornaram no dia 20 e o Intrepid foi depois descartado, sendo deliberadamente jogado contra a superfície para que seu impacto fosse detectado pelo sismômetro deixado pelos astronautas. A espaçonave deixou a órbita lunar no dia seguinte e a viagem de volta transcorreu sem incidentes. O Yankee Clipper amerrissou no Oceano Pacífico em 24 de novembro, tendo Conrad, Gordon e Bean sido resgatados pelo porta-aviões USS Hornet.

Antecedentes Os Estados Unidos estavam no meio da Guerra Fria, uma disputa geopolítica com a União Soviética, no final da década de 1950 e início da de 1960. Os soviéticos lançaram em outubro de 1957 o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história. Isto causou temores, pois demonstrou que a União Soviética era capaz de lançar armas nucleares a distâncias intercontinentais, ao mesmo tempo que desafiava a reivindicação de superioridade militar, econômica e tecnológica dos Estados Unidos. Isto precipitou a Crise do Sputnik e iniciou a Corrida Espacial, levando à criação da NASA em 1958.

O presidente norte-americano John F. Kennedy acreditava que era do interesse nacional dos Estados Unidos ser superior a outras nações, além de que a percepção do poderio norte-americano era pelo menos tão importante quanto a realidade. Dessa forma era intolerável que a União Soviética fosse mais avançada no campo da exploração espacial. Ele determinou que os Estados Unidos deveriam competir, procurando um desafio que maximizasse suas chances de vitória. Ele escolheu tal projeto depois de consultar-se com especialistas e conselheiros: pousar um homem na Lua. A NASA trabalhou para alcançar esse objetivo incrementalmente, enviando astronautas para o espaço primeiro no Projeto Mercury e depois no Projeto Gemini, que antecederam o Programa Apollo. A alunissagem foi alcançada pela Apollo 11 em 20 de julho de 1969.

Tripulação Principal Posição Astronauta Comandante Charles "Pete" Conrad Jr. Piloto do Módulo de Comando Richard F. Gordon Jr. Piloto do Módulo Lunar Alan L. Bean Todos os membros da tripulação da Apollo 12 eram da Marinha dos Estados Unidos. O Comandante era Pete Conrad, que tinha 39 anos na época da missão. Formou-se em 1953 pela Universidade de Princeton em engenharia aeronáutica e em seguida se tornou um aviador naval, estudando na Escola de Pilotos de Teste Navais dos Estados Unidos. Foi selecionado astronauta no Grupo 2 da NASA em 1962 e viajou ao espaço em 1965 como piloto da Gemini V e depois em 1966 como comandante da Gemini XI. O Piloto do Módulo de Comando era Richard Gordon, então com quarenta anos. Também se tornou um aviador naval em 1953 depois de se formar em química pela Universidade de Washington e cursou a Escola de Pilotos de Teste Navais. Foi selecionado astronauta no Grupo 3 da NASA em 1963 e voou com Conrad na Gemini XI.

O Piloto do Módulo Lunar originalmente seria Clifton Williams, porém ele morreu em outubro de 1967 em um acidente aéreo com um Northrop T-38 Talon perto de Tallahassee. Conrad, quando fora formar sua tripulação, queria que Alan Bean fizesse parte, pois este tinha sido aluno seu na Escola de Pilotos de Teste Navais, porém Donald Slayton, o Diretor de Operações de Tripulações de Voo, disse que Bean não estava disponível por estar designado para o Programa de Aplicações da Apollo. Conrad pediu novamente por Bean depois da morte de Williams e desta vez Slayton cedeu. Bean tinha 37 anos na época da Apollo 12, se formou em 1955 na Universidade do Texas em engenharia aeronáutica, virou um aviador naval e também foi selecionado astronauta no Grupo 3. Os três tinham anteriormente atuado como a tripulação reserva da Apollo 9.

Reserva Posição Astronauta Comandante David R. Scott Piloto do Módulo de Comando Alfred M. Worden Piloto do Módulo Lunar James B. Irwin

A tripulação reserva era formada por David Scott, Alfred Worden e James Irwin como, respectivamente, Comandante, Piloto do Módulo de Comando e Piloto do Módulo Lunar. Pela rotação normal de tripulações, se tornaria depois a principal da Apollo 15 e realizaria seu voo espacial em julho de 1971.

Suporte Uma terceira tripulação de astronautas foi adicionada para o Programa Apollo, conhecida como tripulação de suporte. Slayton a criou porque James McDivitt, que comandou a Apollo 9, acreditava que reuniões que necessitariam da presença de um membro da tripulação de voo seriam perdidas, devido às preparações que ocorreriam em instalações por todos os Estados Unidos. Os membros da tripulação de suporte, assim, deveriam ajudar de acordo com as ordens do comandante da missão.

Eles geralmente tinham um nível hierárquico mais baixo, e suas funções consistiam em manter o plano de voo, listas de checagens e regras da missão, e também em garantir que as tripulações principal e reserva fossem notificadas das mudanças. Também desenvolviam procedimentos que deveriam estar prontos quando as tripulações principal e reserva fossem treinar em simuladores. A tripulação de suporte da Apollo 12 era formada por Gerald Carr, Edward Gibson e Paul Weitz.

Controle da Missão O comunicador com a cápsula (CAPCOM) era um astronauta do Controle da Missão no Centro de Espaçonaves Tripuladas, em Houston, no Texas, que era a única pessoa autorizada a se comunicar diretamente com a tripulação no espaço. Os CAPCOMs da Apollo 12 foram Scott, Worden, Irwin, Carr, Gibson, Weitz e Don Lind. Também havia três diretores de voo, divididos em três equipes diferentes de controladores, cada uma trabalhando em turnos de, normalmente, aproximadamente oito horas cada. Sua trabalho no Programa Apollo era descrito em uma única frase: "O diretor de voo deve tomar quaisquer ações necessárias para a segurança da tripulação e o sucesso da missão". Os diretores de voo da Apollo 12 foram Gerry Griffin no primeiro turno, Pete Frank no segundo, Clifford Charlesworth no terceiro e Milton Windler no quarto.

Emblema thumb|upright=1.1|Um medalhão de prata comemorativo que voou a bordo da Apollo 12 O emblema da Apollo 12 possui uma temática naval para representar o passado da tripulação, pois todos os astronautas na época da missão tinham a patente de comandante da Marinha dos Estados Unidos. Mostra um veleiro clipper chegando na Lua, representando o módulo de comando Yankee Clipper. Há um rastro de fogo atrás e a bandeira dos Estados Unidos está hasteada no mastro. Os nomes dos astronautas e o da missão, este último em algarismos romanos como "Apollo XII", estão grafados em uma faixa dourada que circula o desenho. Há também uma fina borda azul. Dourado e azul são as cores tradicionais da Marinha dos Estados Unidos. Há quatro estrelas no emblema: cada uma para Conrad, Gordon e Bean e a quarta em homenagem a Williams, o Piloto do Módulo Lunar original que teria voado na missão caso não tivesse morrido. Esta quarta estrela foi adicionada por sugestão de Bean.

O emblema foi desenhado pelos três tripulantes com a ajuda de vários funcionários oriundos das contratantes da NASA. A área de alunissagem da Apollo 12 está desenhada dentro da parte da superfície lunar visível no emblema, ilustração esta baseada em fotografias da Lua. O clipper foi baseado em fotografias obtidas por Bean de embarcações desse tipo.

Preparações Escolha do local thumb|esquerda|upright=1.1|A cratera Surveyor em 29 de novembro de 2009. O estágio de descida do Intrepid e a Surveyor 3 estão visíveis O processo de seleção do local de alunissagem da Apollo 12 muito se baseou na seleção de local da Apollo 11. Os padrões para possíveis locais para a Apollo 11 foram rígidos, com o interesse científico não tendo sido um grande fator; o local precisava ficar próximo do equador lunar, não na periferia do lado visível da Lua, ser relativamente plano e sem grandes obstruções no caminho em que o Módulo Lunar desceria. A adequação dos locais precisava ser confirmada por fotografias tiradas por sondas do Programa Lunar Orbiter. Também desejável era a presença de outro local adequado mais ao oeste caso a missão fosse adiada e o Sol subisse muito alto no céu, para que o local de alunissagem original estivesse sob condições de iluminação apropriadas. A necessidade de três dias de reciclagem caso o lançamento precisasse ser cancelado fez com que apenas três dos cinco locais adequados fossem designados como possíveis locais de alunissagem da Apollo 11, com aquele no Mare Tranquillitatis acabando por ser o escolhido. Como a Apollo 12 tentaria a primeira alunissagem caso a Apollo 11 falhasse, as tripulações de ambas as missões treinaram para os mesmos locais.

Após o sucesso da Apollo 11, foi inicialmente contemplado que a Apollo 12 alunissaria no local mais ao oeste de Mare Tranquillitatis, em Sinus Medii. Entretanto, um local próximo à cratera em que a Surveyor 3 tinha alunissado em abril de 1967 foi defendido porque isso permitiria que os astronautas retornassem partes da sonda para a Terra. Além disso, o local em questão era adequado e tinha valor científico. Porém, a Apollo 11 tinha alunissado quilômetros de distância de seu alvo e alguns oficiais da NASA temiam que a Apollo 12 fosse alunissar longe demais e que os astronautas não poderiam alcançar a Surveryor 3, com a agência consequentemente precisando lidar com um embaraço público. Mesmo assim, a capacidade de realizar alunissagens precisas era essencial para que o programa de exploração da Apollo pudesse ser realizado. Dessa forma, o general Samuel C. Phillips, o gerente do Programa Apollo, designou a que ficou conhecida como a cratera Surveyor como o local de alunissagem da Apollo 12 em 25 de julho de 1969, apesar da oposição unânime dos membros dos dois conselhos de seleção de local.

Treinamento thumb|upright=1.0|Conrad e Bean nos treinamentos para suas atividades extraveiculares em 6 de outubro de 1969