A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL; ; ; ), anteriormente designada por Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA ou CSN), é uma organização intergovernamental regional composta atualmente por sete Estados da América do Sul. Em seu auge chegou a ter todos os doze Estados Sul-Americanos e uma população total estimada em habitantes, em 1 de julho de 2010. Foi fundada dentro dos ideais de integração sul-americana multissetorial, conjugando as duas uniões aduaneiras regionais: o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Comunidade Andina (CAN). No entanto, alguns autores destacam que, na medida em que o Brasil representava cerca de 50% do território, população e produto interno bruto (PIB) da região, o projeto podia ser também interpretado como a culminação de uma iniciativa diplomática brasileira de longa data.

O Tratado Constitutivo da Unasul foi assinado em 23 de maio de 2008, na Terceira Cúpula de Chefes de Estado, realizada em Brasília, Brasil. O Tratado Constitutivo definiu a instalação da sede da União em Quito, Equador e o Parlamento sul-americano em Cochabamba, na Bolívia. Depois de Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, o Uruguai tornou-se a nona nação a ratificar o tratado constitutivo da organização, em 1 de dezembro de 2010, completando-se assim o número mínimo de ratificações necessárias para a entrada em vigor do Tratado, em 11 de março de 2011. Com a entrada em vigor do Tratado, a Unasul tornou-se uma entidade jurídica, durante a cúpula Ministros dos Negócios Estrangeiros, em Mitad del Mundo, no Equador, onde foi colocada a pedra fundamental para a sede do Secretariado-Geral da União.Segun el chanceler uruguayo, Luis Almagro: Unasur, un factor de “estabilidad, democracia y paz” en la región. Abc, 2 de dezembro de 2010.Ministério das Relações Exteriores. UNASUL

Em 4 de maio de 2010, em uma cúpula extraordinária de chefes de Estado, realizada em Campana, 75 quilômetros ao norte de Buenos Aires, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner foi eleito, por unanimidade, o primeiro Secretário-geral da Unasul, para um mandato de dois anos, fornecendo à Unasul uma liderança política definida no cenário internacional. O novo cargo foi concebido como um primeiro passo para a criação de um órgão burocrático permanente para uma união supranacional, que eventualmente substituirá os órgãos políticos do Mercosul e da CAN.

No entanto, a falta de consenso na escolha do Secretário-Geral da organização, por exemplo, fez com que a Unasul ficasse "paralisada" e seis países-membros decidiram, em 2018, suspender por tempo indeterminado a participação nas reuniões do bloco. A partir deste momento, vários países anunciaram sua saída definitiva. Colômbia em agosto de 2018,​ Equador em março de 2019,​ Argentina, Brasil, Chile e Paraguai em abril do mesmo ano,​​​ e o Uruguai em março de 2020.​ Em 2019, com o objetivo de contrapor-se à Unasul, presidentes de 8 países da América do Sul criaram o Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (PROSUL). Em abril do mesmo ano, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro formalizou a saída do Brasil da Unasul, junto com os presidentes de Argentina, Chile e Paraguai.

História Antecedentes

Simón Bolívar — reverenciado nos países sul-americanos de língua espanhola como El Libertador e diretamente responsável pelas independências da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia (hoje membros do Pacto Andino, com exceção da Venezuela que se juntou ao Mercosul) no início do século XIX — tinha como objetivo a criação de uma federação de nações da América espanhola, a fim de garantir prosperidade e segurança após a independência, uma vez que temia o imperialismo brasileiro. Bolívar jamais alcançou seu objetivo, e morreu impopular por causa de suas tentativas autoritárias de estabelecer governos centrais fortes nos países que levara à independência.

A organização tem antecedentes na integração americana e latino-americana, posteriormente reduzida ao âmbito sul-americano. Nesse sentido, houve propostas tais como o Merconorte e a Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA), que não saíram do papel. Por outro lado, outros projetos foram concretizados no espaço sul-americano, como o Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata (1969), Comunidade Andina de Nações (1969), Mercado Comum do Sul (1991), Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (1998), levantando a possibilidade de fusão dessas instituições. Mais intimamente à formação da UNASUL, encontram-se a Cúpula Sul-Americana, conferência diplomática entre os doze presidentes do subcontinente, e a Iniciativa para Integração da Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA), programa de integração física do subcontinente.

Formação

thumb|Presidentes sul-americanos reunidos durante reunião extraordinária para a assinatura do Tratado Constitutivo da Unasul em maio de 2008, em Brasília. thumb|Néstor Kirchner, o primeiro Secretário-Geral da Unasul. A integração completa entre esses dois blocos foi formalizada durante a reunião dos presidentes de países da América do Sul, no dia 23 de maio de 2008 em Brasília.

No terceiro encontro de cúpula sul-americano, em 8 de dezembro de 2004, os presidentes ou representantes de doze países sul-americanos assinaram a Declaração de Cuzco, uma carta de intenções de duas páginas, anunciando a fundação da então Comunidade Sul-Americana de Nações. O Panamá e o México estiveram presentes à cerimônia de assinatura, como observadores.

Os líderes anunciaram a intenção de modelar a nova comunidade seguindo a União Europeia, incluindo passaporte e parlamento e, muito no futuro, moeda. Segundo Allan Wagner, Secretário-Geral do Pacto Andino, uma união completa como a da União Europeia deve ser possível nos próximos quinze anos.

Mudança de nome Em 28 de dezembro de 2005, o ex-ministro do exterior chileno, Ignacio Walker propôs que o nome da comunidade fosse mudado para União Sul-Americana (, , ); esta proposta foi rejeitada por vários membros, para impedir confusão com sua sigla (, relacionado aos Estados Unidos).

A antiga denominação da organização, Comunidade Sul-Americana de Nações (inglês: , espanhol: e ), foi abandonada em 16 de abril de 2007, durante a 1ª Reunião de Energia Sul-Americana na Ilha de Margarita, Venezuela. A designação "União de Nações Sul-Americanas" (inglês: Union of South American Nations, espanhol: Unión de Naciones Suramericanas, neerlandês: Unie van Zuid-Amerikaanse Naties), que proporcionou as siglas "Unasul" em português e "Unasur" em espanhol, foi aprovada por todos os estados-membros durante o encontro.Chávez: Presidentes acordaron llamar Unasur a integración política regional. La Tercera (16/04/07). Retirado em 22 de setembro de 2007.

Conflito Após conflitos na liderança da organização por conta da nomeação do presidente boliviano Evo Morales para a presidência pro tempore da UNASUL, os governos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru anunciaram a suspensão de suas atividades na entidade por um ano, até a designação de um novo secretário-geral, cargo que está vago desde o começo de 2017, quando terminou o mandato do ex-presidente colombiano Ernesto Samper. Desde então, não houve um acordo sobre quem ocupará o cargo. A única candidatura feita foi a do diplomata argentino José Octavio Bordón, mas ele não obteve apoio suficiente dentro da organização para assumir o posto.

Saída dos países Em abril de 2018, Colômbia, Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Peru, anunciaram sua saída para engressarem na PROSUL, criada com o objetivo de substituir a Unasul. No dia 10 de agosto de 2018, a Colômbia disse que sairia definitivamente deste organismo; já o Equador saiu no dia 13 de março de 2019​, e confirmou sua saída através de uma decisão da Assembleia Nacional em setembro de 2019​. Em novembro de 2019, o Ministro das Relações Exteriores da Bolívia, inicia as tratativas para sair do grupo. No dia 10 de março de 2020, o Ministro das Relações Exteriores do Uruguai declarou a saída do Uruguai da UNASUL.

Recriação e Reingresso Em 24 de janeiro de 2023, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que pretende recriar a Unasul, e o assunto deve ser discutido na Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos de 2023, realizada na Argentina, e em reuniões bilaterais com líderes da regiãohttps://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/na-argentina-lula-diz-que-unasul-sera-recriada-fortalecer-mercosul.

Por meio do Decreto (Federal) nº 11.475 de 06 de abril de 2023 que promulgou novamente o Tratado Constitutivo, o governo brasileiro ingressou novamente na UNASUL.

Em 6 de abril de 2023, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero, anunciou a volta do país como Estado-membro da Unasul. Estrutura e funcionamento

thumb|esquerda|upright=1.3|Novo edifício-sede da UNASUL em Quito, Equador.

Os presidentes de cada nação-membro terão uma reunião anual, que será o mandato político superior. A primeira reunião deu-se em Brasília em 29 e 30 de setembro de 2005. A segunda reunião foi em Cochabamba (Bolívia) em 8 e 9 de dezembro de 2006. A terceira reunião aconteceu em Brasília — essa reunião deveria ter ocorrido em Cartagena das Índias (Colômbia), mas foi adiada por causa da tensão entre Equador, Colômbia e Venezuela. Foi nessa reunião que a UNASUL foi formalizada e em que o Tratado Constitutivo da organização foi assinado.Entrada em vigor do Tratado Constitutivo da UNASUL . Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Acessado em 14 de fevereiro de 2011.

Os ministros de relações exteriores de cada país encontrar-se-ão uma vez a cada seis meses. Eles formularão propostas concretas de ação e decisão executiva. O Comitê Representativo Permanente do Presidente do Mercosul e o diretor do departamento do Mercosul, o secretário-geral da Comunidade Andina, o secretário-geral do ALADI e os secretários permanentes de qualquer instituição para cooperação regional e integração, Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, entre outros, também estarão presentes nessas reuniões.

Em 9 de dezembro de 2005 foi criada a Comissão Estratégica de Reflexão sobre o Processo de Integração Sul-Americana. Consiste de 12 membros, cuja função é elaborar propostas que ajudarão no processo de integração entre as nações sul-americanas. Essas propostas eram para serem feitas na 2ª Reunião da UNASUL (2006).

A Comissão Executiva, criada na 2.ª Reunião da UNASUL, foi transformada na Comissão Política ou Conselho de Deputados, de acordo com o Decisiones del Diálogo Político. O texto elaborado pelos chefes de Estado para constituir a UNASUL foi aprovado na 3ª Reunião da UNASUL em Brasília, no dia 23 de maio de 2008. Essa reunião deveria ter ocorrido em Cartagena de Indias, Colômbia, em 24-28 de janeiro de 2008, mas foi adiada por causa das tensões entre Equador, Colômbia e Venezuela.

Secretariado-geral

thumb|upright|Ernesto Samper, o último Secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas. Um secretário-geral é eleito, para estabelecer o secretariado permanente em Quito, Equador. O ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja foi nomeado para esta posição, mas renunciou alguns dias antes da Reunião de Brasília, em maio de 2008. Após esse fato, finalmente em 4 de maio, um novo secretário-geral foi designado. Ele foi Néstor Kirchner que, apesar das resistências da Colômbia, do Uruguai e do Peru, foi eleito por unanimidade. Após a morte de Néstor Kirchner, foi eleita a equatoriana María Emma Mejía em março de 2011. Reunião de ministros setoriais serão convocadas pelos presidentes. Elas serão desenvolvidas de acordo com mecanismos do Mercosul e da CAN.

N.º Secretário-geral País de origem Início do mandato Fim do mandato1Néstor Kirchner4 de maio de 201027 de outubro de 2010 — Vago2María Emma Mejía Vélez9 de maio de 201111 de junho de 20123Alí Rodríguez Araque11 de junho de 201231 de julho de 20144Ernesto Samper1º de agosto de 201431 de janeiro de 2017