Cidade do México é a capital e cidade mais populosa do México, bem como a mais populosa da América do Norte. É um dos principais centros culturais e financeiros do mundo e, de acordo com o ranking de 2024 da Globalization and World Cities Research Network, é classificada como uma cidade global alfa. Localizada no Vale do México, no alto Planalto Central Mexicano, a cidade situa-se a uma altitude de 2.240 metros. É dividida em 16 distritos, ou alcaldías, que são subdivididos em bairros, ou .

De acordo com o censo de 2020, a Cidade do México propriamente dita tinha uma população de 9.209.944 habitantes e uma área de 1.495 quilômetros quadrados, tornando-se a principal cidade do país e a segunda maior cidade de língua espanhola do mundo, depois de Lima. Segundo a definição mais recente acordada pelos governos federal e estadual, a Grande Cidade do México tinha uma população de 21.804.515 habitantes, sendo a 15ª maior área metropolitana do mundo e a segunda maior aglomeração urbana do Hemisfério Ocidental, depois de São Paulo. Em 2011, a Grande Cidade do México teve um PIB de 411 bilhões de dólares, tornando-se uma das áreas urbanas mais produtivas do mundo.Global MetroMonitor Brookings Institution . A cidade representava 15,8% do PIB do México, enquanto a área metropolitana representava cerca de 22%.

É a capital mais antiga das Américas e uma das duas únicas fundadas por povos indígenas. Ela começou como Tenochtitlán, uma cidade mexica (asteca) construída por volta de 1325 em ilhas no Lago Texcoco. Após o cerco de Tenochtitlán em 1521, a cidade foi quase totalmente destruída e reconstruída de acordo com os padrões urbanos espanhóis. Em 1524, o município da Cidade do México foi estabelecido como e, a partir de 1585, passou a ser oficialmente conhecida como . Durante o período colonial espanhol, a cidade foi um importante centro político, administrativo e financeiro. Após a independência do México, o território ao redor da cidade foi organizado em 1824 como o novo e único distrito federal do país.

Após anos de reivindicações por maior autonomia política, os residentes conquistaram o direito de eleger tanto o chefe de governo quanto os membros da Assembleia Legislativa unicameral em 1997. Desde então, partidos de esquerda, primeiro o Partido da Revolução Democrática e depois o Morena, controlam ambos os cargos. A cidade também adotou diversas políticas progressistas, como o aborto legalizado, uma forma limitada de eutanásia, casamento entre pessoas do mesmo sexo e mudança legal de gênero. Em 29 de janeiro de 2016, o Distrito Federal foi oficialmente renomeado Cidade do México, ou CDMX. Essas reformas concederam à cidade maior autonomia e alteraram aspectos de seu governo e estrutura política, embora uma cláusula constitucional ainda a impeça de se tornar um estado enquanto permanecer a capital do México.

Apelidos e lemas O gentílico informal para os residentes da Cidade do México é chilango, termo historicamente usado pejorativamente por pessoas que viviam fora da Cidade do México para "conotar uma pessoa barulhenta, arrogante, mal-educada e grosseira". Por sua vez, aqueles que vivem na Cidade do México designam de forma insultuosa aqueles que vivem em outros lugares como vivendo em la provincia ('as províncias', 'a periferia') e muitos adotam com orgulho o termo chilango. Os residentes da Cidade do México são formalmente chamados de capitalinos (em referência ao fato de a cidade ser a capital do país), mas "porque por capitalino ser a palavra mais educada, específica e correta, ela quase nunca é utilizada".

A Cidade do México era tradicionalmente conhecida como La Ciudad de los Palacios ("a Cidade dos Palácios"), um apelido atribuído ao Barão Alexander von Humboldt. Quando visitou a cidade no século XIX, ele escreveu uma carta para a Alemanha, dizendo que a Cidade do México poderia rivalizar com qualquer grande cidade da Europa. O político inglês Charles Latrobe escreveu o seguinte: "... observem suas obras: os molhes, aquedutos, igrejas, estradas — e a luxuosa Cidade dos Palácios que surgiu das ruínas de barro de Tenochtitlán...", na página 84 da Carta V de The Rambler in Mexico.

Durante o período colonial, o lema da cidade era “Muy Noble e Insigne, Muy Leal e Imperial” (Muito Nobre e Distinto, Muito Leal e Imperial).

História

Período asteca

thumb|esquerda|Tenochtitlan no Lago de Texcoco, a capital dos astecas e uma das maiores cidades do mundo na época A cidade de México Tenochtitlán foi fundada pelo povo asteca em 1325. A antiga capital asteca, agora chamada simplesmente de Tenochtitlan, foi construída em uma ilha no centro do Lago de Texcoco, no Vale do México, região que partilhava com uma cidade-Estado menor chamada de Tlatelolco.Frances F. Berdan, The Aztecs of Mexico: An Imperial Society, New York: Holt, Rinehart, Winston 1982, pp. 10-14. Segundo a lenda, o principal deus responsável pelos mexicas, Huitzilopochtli, indicou o local onde eles deveriam construir a sua casa. O deus apresentou uma águia empoleirada em um cacto nopal com uma serpente em seu bico como um símbolo de onde a civilização asteca deveria construir a sua cidade.Frances F. Berdan, The Aztecs of Mexico: An Imperial Society, New York: Holt, Rinehart, Winston 1982, p. 14.

Entre 1325 e 1521, Tenochtitlan cresceu em tamanho e força, acabou dominando as outras cidades-Estados em torno do lago Texcoco e no Vale do México. Quando os espanhóis chegaram, o Império Asteca tinha conquistado grande parte da Mesoamérica, desde o Golfo do México até o Oceano Pacífico.

Conquista espanhola

thumb|esquerda|Em 1521, soldados espanhóis liderados por Hernán Cortés invadiram o Império Asteca e ocuparam e saquearam sua capital, Tenochtitlán

Após o desembarque em Veracruz, o explorador espanhol Hernán Cortés avançou sobre Tenochtitlan com a ajuda de outros povos nativos, chegando à capital asteca em 8 de novembro de 1519. Cortés e seus homens marcharam ao longo da calçada que conduzia à cidade de Iztapalapa e o governante da cidade, Moctezuma II, cumprimentou os espanhóis; eles trocaram presentes, mas a camaradagem não durou muito tempo. Cortés colocou Moctezuma sob prisão domiciliar, na esperança de governar através da autoridade dele.

As tensões aumentaram, até que na noite de 30 de junho de 1520 - durante uma luta conhecida como "La Noche Triste" - os astecas levantaram-se contra a invasão espanhola e conseguiram capturar e expulsar os europeus e seus aliados tlaxcaltecas. Cortés reagrupou-se suas forças em Tlaxcala. Os astecas pensaram que os espanhóis tinham ido embora permanentemente e elegeram um novo rei, Cuitláhuac, mas ele morreu logo; o próximo rei foi Cuauhtémoc.

Cortés começou um Cerco de Tenochtitlan em maio de 1521. Durante três meses, a cidade sofreu com a falta de comida e água, bem como a propagação da varíola trazida pelos europeus. Cortés e seus aliados desembarcaram suas forças na parte sul da ilha e lentamente abriram caminho através da cidade. Cuauhtémoc rendeu-se em agosto de 1521. Os espanhóis praticamente arrasaram a cidade de Tenochtitlán durante o cerco final da conquista.

Cortés primeiro se estabeleceu-se em Coyoacán, mas decidiu reconstruir a cidade asteca para apagar todos os vestígios da velha ordem. Ele não estabeleceu um território sob o seu próprio domínio pessoal, mas permaneceu leal à coroa espanhola. O primeiro vice-rei espanhol chegou na Cidade do México quatorze anos mais tarde. Nessa época, a cidade tinha se tornado novamente uma importante cidade-Estado, tendo um poder que se estendia muito além de suas fronteiras.

Embora os espanhóis tenham preservado o formato básico das ruas de Tenochtitlán, eles construíram igrejas católicas sobre os antigos templos astecas e reivindicaram os palácios imperiais para si. Tenochtitlán foi rebatizada de "México" porque era uma palavra mais fácil de pronunciar em espanhol.

Período colonial

thumb|Vista da Cidade do México em 1628 thumb|A Catedral Metropolitana foi construída pelos espanhóis sobre as ruínas do Templo Mayor A cidade foi a capital do Império Asteca e na era colonial, a Cidade do México tornou-se a capital do Vice-Reino da Nova Espanha. O vice-rei vivia no palácio vice-real na praça Zócalo. A Catedral Metropolitana da Cidade do México, a sede do arcebispado da Nova Espanha, foi construída em outro parte do Zócalo, sobre as ruínas do antigo Templo Mayor.

As cidades espanholas coloniais eram construídas em um padrão de quadras, ao menos se nenhum obstáculo geográfico impedisse. Na Cidade do México, o Zócalo (a praça principal) era o lugar central a partir do qual os quarteirões da cidade foram construídos. Os espanhóis viviam na área mais próxima à praça principal no que era conhecido como traza, em ruas tranquilas e bem ordenadas. As residências dos povos nativos foram colocadas fora dessa zona exclusiva e as casas eram remotamente localizadas.Edmundo O'Gorman, Reflexiones sobre la distribución urbana coloinal de la ciudad de México, Mexico 1938, pp. 16ff.

O Império Espanhol procurou manter os índios separados dos espanhóis, mas como o Zócalo era um centro comercial importante para os índios, eles eram uma presença constante na área central da cidade, o que fazia com que a rigorosa segregação étnica não fosse cumprida.Magnus Mörner and Charles Gibson, "Diego Muñoz Camargo and the Segregation Policy of the Spanish Crown," Hispanic American Historical Review, vol. 42, pp. 558ff. O Zócalo também era o palco de grandes celebrações, bem como de execuções. A praça também foi o local de duas grandes rebeliões no , uma em 1624 e outra em 1692.Ida Altman, Sarah Cline, and Javier Pescador, The Early History of Greater Mexico, Pearson 2003, pp. 246-249.

A cidade cresceu, assim como a sua população, o que deixou cada vez menos espaço para as águas do lago. Como a profundidade da água do lago oscilava, a Cidade do México estava sujeita a inundações periódicas. Um grande projeto de infraestrutura fez com que milhares de índios fossem postos em regime de trabalho forçado para evitar novas inundações. As enchentes não só eram um inconveniente, mas também um perigo para a saúde, uma vez que durante os períodos de cheias os dejetos humanos poluíam as ruas da cidade. Com a drenagem da área, a população de mosquitos caiu, assim como a frequência de doenças. No entanto, a drenagem dos pântanos também mudou o habitat para peixes e aves e as áreas de acesso para os cultivos de índios perto da capital.Noble David Cook, Born to Die: Disease and New World Conquest, 1492-1650. New York: Cambridge University Press 1998.

No , houve uma proliferação de igrejas, muitas das quais ainda podem ser vistas no centro histórico da capital mexicana. Economicamente, a Cidade do México prosperou como resultado do comércio. Ao contrário do Brasil ou do Peru, o México tinha contato fácil com os oceanos Atlântico e Pacífico. Embora a coroa espanhola tenha tentado regulamentar completamente todo o comércio na cidade, a empreitada teve sucesso apenas parcial.

O conceito de nobreza floresceu em Nova Espanha de uma forma não vista em outras partes da América. Os espanhóis encontraram uma sociedade na qual o conceito de nobreza parecido com o europeu, o que fez com que os conquistadores respeitassem e ampliassem a ordem de nobreza indígena. Nos séculos que se seguiram, um título nobre no México não significava grande poder político. O conceito de nobreza no México não era político, mas sim social e conservador, com base no merecimento da família. A maioria dessas famílias provaram o seu valor, fazendo fortunas na Nova Espanha fora da própria cidade e, em seguida, investindo suas receitas na capital, com a construção de novas igrejas, instituições de caridade e casas apalaçadas extravagantes. A mania de construir a residência mais opulenta possível atingiu seu auge na última metade do . Muitos destes palácios ainda pode ser encontrado, o que fez com que Alexander von Humboldt desse a alcunha de "cidade de palácios" à capital mexicana.