O Reino da Inglaterra foi um Estado soberano localizado na Europa Ocidental, na parte sul da ilha da Grã-Bretanha, que surgiu em meados do (originado de vários reinos anglo-saxões, do período conhecido como Heptarquia),Elton, G. R., ed., England, 1200–1640: Sources of History. (Ithaca, NY: Cornell Press, 1969) durando até 1707, quando se uniu com a Escócia para formar o Reino da Grã-Bretanha. Seu território corresponde atualmente a Inglaterra e ao País de Gales, ambos países constituintes do Reino Unido, o Estado sucessor do Reino da Grã-Bretanha.

História

Convencionalmente, na história da Inglaterra, o Reino da Inglaterra é distinguido em dois períodos: a Inglaterra anglo-saxã (de sua unificação até 1066) e a Inglaterra anglo-normanda (após 1066).

Inglaterra anglo-saxã

thumb|esquerda|230px|Reino anglo-saxões

Compreende-se como Inglaterra anglo-saxã o período entre o estabelecimento dos reinos anglo-saxões (Heptarquia) após o fim do domínio romano na ilha, no , até a conquista normanda da Inglaterra em 1066. Havia vários reinos, na qual se destacam Wessex, Mércia, Sussex, Nortúmbria, Essex, Kent e Ânglia Oriental. No , após uma desestabilização na região causada no pelas invasões viquingues, a unificação inglesa foi alcançada em 927 por Etelstano de Wessex, que fortificara seu reino contra os viquingues.

O reino mantinha-se em unidade política no século que passara. Durante o reinado de Etelredo II (978-1016), uma nova onda de invasões foi orquestrada por Sueno I da Dinamarca, culminando em vinte e cinco anos de guerra até a conquista dinamarquesa da Inglaterra, em 1013. Mas Sueno morreu em 2 de fevereiro de 1014, e Etelredo foi restaurado ao trono. Em 1015, o filho de Sueno, Canuto, o Grande, lançou uma nova invasão. A guerra que se seguiu terminou com um acordo em 1016 entre Canuto e o sucessor de Etelredo, Edmundo (alcunhado Braço de Ferro), para dividir entre eles a Inglaterra, mas a morte de Edmundo, em 30 de novembro do mesmo ano deixou o país inteiro sob domínio estrangeiro, em uma união pessoal com a Dinamarca e Noruega. Isso continuou por vinte e seis anos até a morte de Hardacanuto em junho de 1042. Ele era o filho de Canuto e Ema da Normandia (a viúva de Etelredo II) e não tinha herdeiros próprios. Hardacanuto foi sucedido por seu meio-irmão, o filho de Etelredo, Eduardo, o Confessor. O Reino da Inglaterra tornou-se mais uma vez independente.

Inglaterra anglo-normanda Conquista normanda

A paz durou até a morte de Eduardo sem filhos em janeiro de 1066. Seu cunhado Haroldo Godwineson foi coroado rei, mas seu primo Guilherme II da Normandia, imediatamente reivindicou o trono para si.The Norman Kings (1066 - 1154) - Introduction. (Visitado em janeiro de 2016) Guilherme lançou uma invasão da Inglaterra e desembarcou em Sussex em 28 de setembro de 1066. Haroldo e seu exército estavam em York, na sequência da sua vitória contra os noruegueses liderados pelo rei Haroldo Sigurdsson na batalha de Stamford Bridge (em 25 de setembro de 1066), quando a notícia chegou a ele. Godwineson decidiu sem demora confrontar o exército normando em Sussex, e assim marcharam para o sul de uma vez, apesar de o exército não ter devidamente descansado após a batalha contra os noruegueses. Os exércitos de Haroldo e Guilherme se enfrentaram na batalha de Hastings (14 de outubro de 1066), em que o exército inglês, ou fyrd, foi derrotado, Haroldo e seus dois irmãos foram mortos e Guilherme emergiu como vencedor. Ele, no entanto, não planejou absorver o reino com o Ducado da Normandia. Como um mero duque, Guilherme devia lealdade a Filipe I de França, ao passo que no reino independente da Inglaterra, ele poderia governar sem interferência. Ele foi coroado em 25 de dezembro de 1066 na Abadia de Westminster, em Londres, como Guilherme I.The Norman Kings (1066 - 1154) - William 1st The Conqueror (Visitado em janeiro de 2016)

A conquista normanda levou à transferência da capital inglesa e residência do soberano anglo-saxão de Winchester para WestminsterLondon History - London 1000 Years Ago (Visitado em janeiro de 2016) e a cidade de Londres rapidamente se estabeleceu como a maior cidade da Inglaterra e o principal centro comercial.London, 800-1216: The Shaping of a City (Visitado em janeiro de 2016).

A Anarquia

Anos após a estabilização do governo anglo-normando, uma crise sucessória se instaurou durante o reinado de Henrique I. Seu herdeiro legítimo, Guilherme Adelin, morreu no naufrágio do White Ship em 1120. Além disso, as tentativas de Henrique I em fazer de sua filha Matilde sua sucessora falharam. Henrique faleceu em 1135, e seu sobrinho Estevão de Blois tomou o poder. Após certa instabilidade política enfrentada por Estevão, Matilda e seu meio-irmão bastardo Roberto, o ruivo invadiram o sudoeste da Inglaterra em 1139. Em anos, nenhum dos lados envolvidos na guerra civil que se instaurara tinha um controle efetivo. Apesar de Godofredo V de Anjou, marido de Matilde, ter conquistado a Normandia, nenhuma vitória foi obtida na Inglaterra. Cerca de dez anos de confronto se passaram e tanto os barões do reino quanto a Igreja queriam paz. Em 1153, faleceu o herdeiro de Estevão, Eustácio IV da Bolonha. Henrique Plantageneta aproveitou-se da situação e invadiu a ilha, forçando Estevão a assinar o tratado de Wallingford, na qual o rei reconhecia Henrique como seu sucessor.

Dinastia Plantageneta

Estêvão faleceu em 1154, um ano após nomear Henrique como seu sucessor, na qual ascendeu ao trono (como Henrique II) com apoio popular após acabar com a guerra civil. Isso deu inicio à dinastia Plantageneta, a segunda dinastia da Inglaterra após a conquista Normanda. Entretanto, devido a disputas pelo trono, ela dividiu-se em Lancastre e Iorque. Essas duas famílias descendiam de Eduardo III.

Império Angevino

thumb|250px|direita|Territórios dos Plantagenetas durante o

Desde Guilherme I, os monarcas da Inglaterra controlavam extensos domínios no Reino da França. Os monarcas franceses, senhorios dos reis da Inglaterra na qualidade destes como vassalos, tinham certo sucesso em estabelecer uma autoridade central nestes feudos. Quando Henrique II tornou-se rei, ele já havia herdado de seu pai em 1151 os títulos de duque da Normandia, conde de Anjou e do Maine, em com o seu casamento em 1152 com Leonor se tornou duque da Aquitânia e conde de Poitiers (por direito de jure uxoris). O Reino da Inglaterra e o ducado da Normandia permaneceram em união pessoal até que João Sem-Terra, filho de Henrique II, perdeu as posses continentais do ducado de Filipe II de França em 1204, na guerra anglo-francesa. Aos poucos, partes da Normandia, incluindo as ilhas do Canal, mantiveram-se sob domínio de João, juntamente com a maior parte do ducado da Aquitânia.

João foi derrotado finalmente na batalha de Bouvines em 1214, e logo foi submetido as exigências dos barões e assinar a Carta Magna, que limita o poder da coroa e estabelece a base para a lei comum. Para a França a batalha foi fundamental na formação da forte monarquia absoluta, que caracterizaria o país até a primeira Revolução Francesa.

Convencidos de que João não estava cumprindo com a Carta Magna, os barões ingleses se revoltaram e ofereceram a coroa ao príncipe francês Luís, que viria a se tornar Luís VIII. Em maio de 1216, forças francesas foram enviadas a Inglaterra para apoiar os barões revoltosos, e conquistaram a maior parte do leste do país. Os barões retiraram o apoio a Luís no ano seguinte, quando a regência que se instaurou após a morte de João (Henrique III, o herdeiro de João, ainda era menor de idade) agiu em conformidade com a Carta Magna. Luís foi derrotado e abdicou de sua reivindicação a coroa inglesa no tratado de Lambeth, em setembro de 1217.

Apesar de o império angevino ter acabado de facto em 1215, as reivindicações inglesas aos ducados e condados franceses só em acabaram 1259, no Tratado de Paris, em que Henrique III entregava seus direitos de terras na França em troca de ser reconhecido como o legítimo herdeiro da Gasconha pelo rei Luís IX de França. Na troca, Luís retirou sua ajuda a rebeldes ingleses.

Conquista de Gales

Até a conquista normanda da Inglaterra, o Principado de Gales tinha permanecido em sua maior parte independente dos reinos anglo-saxões. Logo após a conquista normanda da Inglaterra, no entanto, alguns senhores normandos começaram a atacar Gales. Eles conquistaram e governaram partes do país, reconhecendo a soberania dos reis da Inglaterra, mas com considerável independência local. Durante muitos anos estes Marcher Lordes (encarregados de proteger a fronteira)The Marcher Lords (Visitado em janeiro de 2016) foram conquistados cada vez mais territórios, contra a resistência considerável liderada por vários príncipes de Gales, que também reconheceram muitas vezes a soberania dos reis ingleses.

Em 1284, Eduardo I terminou a conquista do Principado de Gales, colocando o país sob o controle da coroa inglesa. Eduardo tomou o título de príncipe de Gales, investindo em seu filho (futuro Eduardo II). Desde então, o título é utilizado pelo herdeiro aparente ao trono.

A língua galesa - derivada da Língua britônica, com significativa influência do latim - continuou a ser falado pela maioria da população do País de Gales por pelo menos mais quinhentos anos, e ainda é uma língua majoritária em algumas partes do país.

Guerra dos Cem Anos

Eduardo III (que reinou de 1327 a 1377) transformou o Reino da Inglaterra em uma das potências militares mais formidáveis na Europa. Seu reinado também viu desenvolvimentos vitais na legislação e governo, em particular, a evolução do parlamento inglês.Edward 1st (Visitado em janeiro de 2016) A partir de 1340, Eduardo, após a morte de seu tio Carlos IV de França, reivindicou o trono francês, precipitando a Guerra dos Cem Anos. A reivindicação de Eduardo baseava-se no fato dele ser o parente masculino mais próximo de Carlos IV (Carlos era irmão da mãe de Eduardo, Isabel), entretanto, desde a eleição de Hugo Capeto em 987, na França vigorava a lei sálica.François Velde, The Salic Law (Visitado em janeiro de 2016) Além de Eduardo III, outro possível sucessor era Filipe de Valois, sobrinho de Filipe IV, o Belo, o pai de Carlo VI e avô de Eduardo. Uma assembleia examinou as pretensões de ambos, e, baseando-se na lei sálica, escolheram Filipe de Valois, que ascendeu ao trono como Filipe VI. Eduardo III não discutiu a decisão, reconhecendo Filipe em 1329.

Considera-se que a guerra começou em 24 de maio de 1337, quando Filipe VI apoderou-se da Aquitânia. A ocupação do feudo sob controle inglês deu-se ao fato de Eduardo repudiar seu reconhecimento a Filipe em 1329, quando burgueses flamengos tenderam a aclamá-lo rei da França. Após a Aquitânia ser tomada, Eduardo ordenou o desembarque de se exército em Flandres.

Depois de anos de hostilidades, Eduardo conseguiu o apoio de Carlos II de Navarra, além de contar com o exército de seu filho, o príncipe de Gales Eduardo de Woodstock. Em 1358, houve uma insurreição popular, na qual revoltados com a miséria, os camponeses se lançavam contra os senhores feudais, enquanto a burguesia de Paris, indignada pelas calamidades da guerra clamava por mudanças políticas. O filho de João II, o futuro Carlos V, atendeu as questões internas e negociou a paz com Eduardo III. Em 1360, o Tratado de Brétigny, ratificados em Calais, deu a Eduardo um considerável número de territórios na França (Calais e todo o sudoeste francês) em troca do abandono de suas reivindicações ao trono francês.